1 de Outubro de 2026 archive

Onde ninguém quer ser o próximo, o caciquismo ganha espaço!

 

Há palavras que parecem pertencer ao passado, mas que continuam estranhamente atuais e o caciquismo é uma delas.

Não é preciso haver um cacique de cartola, um gabinete escuro ou uma aldeia dominada por um senhor todo-poderoso. O caciquismo pode instalar-se silenciosamente numa escola, num conselho, numa direção ou numa estrutura qualquer onde o poder deixa de ser exercido em nome de todos e passa a funcionar em benefício de alguns.

O problema começa quando a autoridade se confunde com poder absoluto.

Quando a proximidade com quem manda vale mais do que a competência.
Quando a concordância é mais segura do que a verdade.
Quando questionar uma decisão passa a ser visto como afronta.
Quando o silêncio é premiado e a independência incomoda.
Há uma questão ainda mais incómoda.
Pode existir caciquismo sem quem o alimente?
Dificilmente, porque nenhum poder excessivo se sustenta apenas pela força de quem o exerce. Sustenta-se também pelo silêncio de quem vê, pela conveniência de quem se aproxima, pelo medo de quem se cala e, algumas vezes, pelo entusiasmo de quem transforma a lealdade pessoal numa espécie de virtude profissional.

Há colegas que criticam o poder em privado e o aplaudem em público. Também há quem se indigne quando é prejudicado, mas aceite tranquilamente a injustiça quando dela beneficia.
Há quem defenda princípios enquanto eles não colidem com os seus interesses.
Infelizmente, em número crescente, há quem prefira estar do lado de quem manda, não porque concorde, mas porque considera mais confortável não estar do lado de quem questiona.
É assim que o caciquismo encontra terreno fértil.

Não basta existir alguém disposto a concentrar poder. É preciso que exista uma cultura de submissão, dependência e cumplicidade que torne essa concentração possível. Talvez esta seja a parte mais difícil de admitir, o problema não está apenas em quem exerce o poder de forma excessiva. Está também numa comunidade que, por ação ou omissão, permite que isso aconteça.
Uma escola deveria ser um espaço de educação para a cidadania, para o pensamento crítico, para a liberdade e para o respeito pela diferença.
Por isso, é particularmente preocupante quando dentro dela se instala uma cultura em que discordar tem custos, questionar incomoda e permanecer calado parece ser a estratégia mais inteligente.

Uma escola democrática não pode depender da simpatia pessoal de quem dirige, muito menos pode funcionar à base de favores. Não pode criar cidadãos livres enquanto recompensa a obediência cega.
Os professores não podem incrementar o pensamento crítico aos alunos enquanto ensinam aos adultos que é mais prudente não levantar a voz.

Também não se trata de transformar toda a discordância numa guerra contra as direções. Uma liderança forte não é necessariamente caciquista. Um diretor deve ter autoridade, responsabilidades e competências que devem ser respeitadas.

Onde termina a autoridade legítima e começa o poder sem contraditório?

O que fazem os restantes quando percebem que essa fronteira está a ser ultrapassada?

O verdadeiro teste à democracia de uma escola não acontece quando todos concordam, mas acontece quando alguém discorda. É aí que percebemos se existe respeito pela liberdade de opinião ou apenas tolerância enquanto ninguém incomoda o poder.

O caciquismo não desaparece apenas porque muda o cacique, mas quando deixa de existir uma cultura que o torna possível. E isso também depende de nós. Dos que falam, se calam, concordam, discordam e, sobretudo, dos que sabem que alguma coisa está errada, mas preferem não se envolver.
Porque há uma verdade incómoda que talvez devêssemos repetir mais vezes. Quem alimenta o poder absoluto, mesmo em silêncio, acaba por fazer parte dele.

Uma escola verdadeiramente democrática não precisa de súbditos, precisa de professores livres e sem medos!

José Pereira da Silva

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2026/10/onde-ninguem-quer-ser-o-proximo-o-caciquismo-ganha-espaco/

Que bem prega Frei Tomás!

 

No Facebook do MECI encontra-se disponível um “reel” sobre integridade, sendo que um dos protagonistas dessa publicação é o Ministro da Educação, Ciência e Inovação…

 

Pelas palavras do Ministro Fernando Alexandre, trata-se de uma iniciativa de âmbito nacional, que decorrerá entre os dias 30 de Setembro e 2 de Outubro, dedicada à integridade e à prevenção da corrupção, que será levada às escolas, tendo como lema: “A integridade constrói-se todos os dias”…

 

Em termos teóricos é praticamente impossível não se concordar com esta iniciativa, que também tem a colaboração do Ministério da Justiça e do Mecanismo Nacional Anticorrupção…

 

O problema é encontrar coerência, correspondência, entre aquilo que é defendido pelo Ministro da Educação em termos teóricos e a prática observada…

 

Um Ministro que, na prática, se tem mostrado incapaz de assumir as suas próprias responsabilidades, em particular quando as coisas correm mal, vem agora perorar sobre integridade, com que reconhecíveis coerência e validade?

 

Chega a ser caricato que alguém que se tem mostrado tão obstinado na demanda por culpar tudo e todos pelos seus próprios erros, pretenda agora veicular a ideia de que é um paladino da integridade…

 

Em resumo: Que bem prega Frei Tomás!

 

Ainda há poucos dias, o mesmo Ministro, que agora aparece na referida publicação a defender a integridade, veio acusar a Fenprof de “ter feito tudo para que o processo de classificação digital dos exames nacionais corresse mal” (Agência Lusa, em 27 de Setembro de 2026), como se fosse aceitável ou razoável imputar a essa estrutura sindical um ónus que, no caso dos Exames Nacionais, é apenas do Ministro e da sua equipa ministerial…

 

A classificação digital dos Exames Nacionais 2026 correu mal, revelou-se como uma monumental trapalhada impossível de ocultar, com prejuízos claros para muitos alunos e respectivas famílias…

 

Pretender atribuir a responsabilidade por esse insucesso a uma estrutura sindical, seja à Fenprof ou a outra qualquer, revela desonestidade intelectual e nenhuma integridade, sobretudo depois do país inteiro ter assistido “ em directo” a sucessivos fiascos ocorridos durante todo esse processo, praticamente todos imputáveis a certos serviços do próprio Ministério da Educação…

 

Aliás, se não tivesse sido assim, que justificação poderia existir para a contratação da empresa Deloitte pelo Ministério da Educação?

 

E até eu que, no passado recente, nomeadamente durante os oito anos de governação do país pelo PS de António Costa, tantas vezes censurei a acção da Fenprof, fico incrédula e perplexa perante a referida acusação do actual Ministro…

 

Em prol da mais elementar justiça e honestidade intelectual não é possível aceitar como razoável tal acusação do Ministro dirigida à Fenprof…

 

E não é razoável porque as estruturas sindicais estejam acima de qualquer acusação ou suspeita que, obviamente, não estão…

 

Não é razoável porque, no caso em apreço, essa acusação é absolutamente estapafúrdia, nada convincente e bem ilustrativa de uma justificação esfarrapada, dado tudo o que se observou durante o processo de classificação digital dos Exames Nacionais, apenas atribuível à própria Tutela…

 

Por outro lado, a rapidez e a frequência com que Fernando Alexandre manda investigar escolas é deveras assinalável… Aliás, sempre que possa existir a oportunidade de imputar alguma culpa a terceiros, de forma a justificar os erros da própria Tutela, lá aparece mais uma investigação mandada instaurar pelo Ministro, sempre acompanhada de algum tipo de suspeita, lançada sobre alguma entidade exterior aos serviços do próprio Ministério…

 

Não há integridade sem honestidade intelectual. A integridade pressupõe coerência entre a teoria e a prática. Não há compatibilidade possível entre obstinação e integridade.

 

O Ministro Fernando Alexandre fica, mais uma vez, muito mal numa “fotografia”, onde a incoerência fala demasiado alto…

 

Mais uma declaração infeliz do Ministro, a juntar a tantas outras que se têm observado desde a recuperação do tempo de serviço dos Professores…

 

Se as muitas “declarações infelizes” do Ministro, que alguns pretendem justificar como erros inócuos de comunicação, espelharem o pensamento de Fernando Alexandre, o que parece ser a hipótese mais plausível, haverá, com certeza, motivos para muita preocupação para todos os profissionais de Educação…

 

A integridade não depende apenas do cumprimento da Lei e também não há nenhuma Lei que obrigue alguém a ser íntegro…

 

A integridade vai muito além do cumprimento da Lei, desde logo porque implica a adesão e a prática de certos princípios éticos e de coerência pessoal…

 

Cada um que avalie se o actual Ministro da Educação evidencia ou não tais princípios e tal coerência…

 

Paula Dias

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2026/10/que-bem-prega-frei-tomas/

Reserva de Recrutamento 14 – 2026/2027

A aceitação da colocação deverá ser efetuada através da aplicação SIGRHE nos dois primeiros dias úteis seguintes à publicitação da lista de colocação.

A apresentação na escola deve ocorrer até ao terceiro dia útil seguinte à data da publicitação da colocação.

SIGRHE – Aceitação da colocação pelo candidato

Listas – Reserva de Recrutamento n.º 14

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2026/10/reserva-de-recrutamento-14-2026-2027/

Aluno de 17 anos esfaqueado numa escola de Lisboa

Um jovem de 17 anos foi esfaqueado no interior da Escola Academia de Software, em Lisboa.

A vítima foi atingida na barriga e foi transportada ao Hospital de Santa Maria onde permanece internada.

Segundo fonte do estabelecimento de ensino, o incidente ocorreu durante a tarde desta quarta-feira, na sequência de uma desavença antiga entre dois alunos, ambos com 17 anos.

O suspeito terá recorrido a uma faca e atingido o colega, provocando-lhe ferimentos graves.

Aluno de 17 anos esfaqueado numa escola de Lisboa. Agressor detido

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2026/10/aluno-de-17-anos-esfaqueado-numa-escola-de-lisboa/

Afastados de funções 62 professores com registo criminal inválido

A verificação automática do registo criminal dos professores detetou 62 docentes com certificado inválido, que foram provisoriamente afastados de funções, divulgou hoje o Ministério da Educação, que determinou uma “análise urgente e imediata de todas as situações”.

Afastados de funções 62 professores com registo criminal inválido

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2026/10/afastados-de-funcoes-62-professores-com-registo-criminal-invalido/