Laura, aluna do secundário, quis saber o que pensam os docentes da profissão. Ontem levou os resultados para a cerimónia de entrega dos prémios “Inspira o teu Professor”.
Porque deixou de ser atractivo dar aulas? Professores queixam-se de baixos salários e desvalorização social
Um professor inspirador? Diogo Moura, que é actualmente vereador da Câmara de Lisboa, foi um dos desafiados nesta quarta-feira, no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa, a contar uma história. E falou da irmã Mercedes, uma das professoras que mais o inspiraram. “Aos sete, oito anos”, contou, frequentava um externato, era uma criança tímida e não tinha a certeza de ser capaz de vir a fazer as mesmas coisas que os colegas, com mais meios económicos do que ele, fariam. A irmã Mercedes era o oposto: uma professora comunicativa que “tocava castanholas nos intervalos” das aulas e que, aos poucos, lhe incutiu o gosto pela música. Mas fez mais do que isso. “Ela dizia-me: ‘Tu és capaz de ser quem tu quiseres e estou aqui para te ajudar’. E eu acreditei.”




13 comentários
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Mais uma posta de lirismo!
Chamem os bois pelos nomes! Ser professor é viver na exploração, longe das suas origens, subordinado a sistemáticas pressões e injustiças laborais e debaixo de uma relação insultuosa com os alunos e encarregados de educação.
De fugir! Isto não interessa a quem gosta de viver em paz e trabalhar com dignidade!
N: ressalvam-se as exceções (privilegiados da casa, dos tachos, dos cargos inventados sem utilidade alguma, os horários e turmas privilegiadas, fabricadas à medida).
De acrescentar ao seu comentário que a situação passa-se no público e no privado.
É um completo nojo a forma como há cada vez mais pressões, por parte das direções, dos amigos dos diretores e coordenadores, para que as notas subam, independentemente do que os alunos fazem.
Quem ganha é quem nada faz. Quem manda é quem é amigo do chefe, pisando aqueles que tentam fazer algo pelos alunos.
Na verdade, no sistema educativo português (público ou privado), o que interessa é o faz de conta e não o progresso dos alunos.
Ser professor é ser burocrata. Preencher tabelas infindáveis e cada vez mais complexas, para não servirem de nada nas aprendizagens dos alunos.
Quem governa, quem se intitula grande educador, os especialistas universitários em Educação, nunca ou quase nunca deram aulas, muito menos ao ensino básico ou secundário. Alguns ainda andaram por lá uns poucos anos, mas perceberam que o que gostavam mesmo era de mandar, e foram para direções pedagógicas ou direções-gerais. Agora mandam, debitam teorias impraticáveis e copiadas mal e porcamente em relação a realidades socioculturais que nada têm a ver com a portuguesa.
Vivemos numa distopia no sector da Educação.
Quem quer vir trabalhar para um sítio assim? Só dois tipos de pessoas. Os incompetentes e apaniguados de quem manda (mais uma vez público ou privado) e os que andam enganados. Estes últimos quando se apercebem saem, se puderem. Os outros ficam a estragar ainda mais o que já existe. No meio de tudo isto estão gerações de miúdos que nunca saberão o que é um bom professor e muito menos o que é saber. Apenas pensarão que sabem. Serão enganados e ainda gostarão.
Quem pagará por isto? Todos nós. Quando precisarmos de gente competente e não houver. E quando percebermos que andámos a construir uma sociedade profundamente desumana, onde os valores mais básicos do Ser Humano foram totalmente desprezados.
Muito bem! Corroboro integralmente o que diz!
Excelente texto, é uma denúncia muito clara, lúcida e absolutamente certeira da situação que vivemos nas escolas! Parabéns!
Abraço
Nada a acrescentar. No comentário está tudo dito.
Concordo plenamente.
Agora digam-me se a avaliação de desempenho, com a aplicação de quotas, tem algum sentido de justiça nesta profissão…
Ai que historinha tão comovedora, tão edificante! Mais um textozinho medíocre a tentar poetizar a realidade. Ao lê-lo, sente-se uma espécie de enjoo, enfim…
Quem mantém este país a funcionar dentro de padrões de segurança, de qualidade e de democraticidade são as pessoas comuns, os chamados trabalhadores. Como estes são permanentemente humilhados, até com verborreias de “só agora é que vimos que a conjuntura, coiso e tal…não foi no meu tempo…vamos fazer um penso rápido”, ficamos assim desfalcados!
Políticos? Já vimos que são tipos que andam a tratar da vidinha, ou que gostam de palco e de passear.
Isto só lá vai com uma mudança de mentalidades e a criação de uma sociedade que valorize o conhecimento e o trabalho honesto. Até isso estão a minar porque apresentam imposições pedagógicas que visam destruir o gosto pelo trabalho e pelo saber com maias flexíveis incluídas.
Os políticos têm de ser escolhidos de entre os melhores e não é isso que está a acontecer, ou que vai acontecer. Cada um no seu âmbito de atuação tem de fazer bem e sem exaustão por maus tratos.
Não se pode continuar a promover o espertismo, o deslumbre provinciano pelo global, não se pode continuar a morrer nas ambulâncias por fecharem urgências, não se pode continuar a passar todos os alunos mesmo sem capacidade e ser injusto para com aqueles que trabalham verdadeiramente. Incluir tornou-se uma palavra repugnante visto que agora apenas significa engolir a seco! Desde quando repetir é mau para o crescimento pessoal?
Humanidade é essencial e humanidades também!
Freiras a tocar castanholas e a ensinar de borla? Onde?
Os trabalhadores não são freiras!
De tanta coisa que já disseram aí nos comentários, o salário é talvez o menor dos males – não fosse a injustiça desproporcionada e aleatória que existe na atribuição salarial aos diversos tipos de docentes.
porque tem que se entrar para o Partido?
Querem-me inspirar?
Paguem-me 2000€ por mês, para começar. Como estou longe de casa, paguem-me o alojamento e o gasóleo!!
QUEREM QUE HAJA CANDIDATOS A PROFESSORES?
Então comecem por respeitar os professores no ativo!
Como?
É simples, muito simples, basta fazer isto: entreguem meios e recursos às escolas: reforcem a internet (5G em força, banda larga a sério!!!); renovem computadores, tablets, portáteis, videoprojectores, ecrãs; disponibilizem acesso gratuito a todos os alunos e professores às plataformas digitais da Escola Virtual e da Aula Digital (independentemente das adoções de manuais); criem uma plataforma e software de gestão de alunos, sumários, faltas etc. que seja realmente funcional, rápida e intuitiva; dotem as escolas de recursos humanos tão necessários, professores de apoio por áreas disciplinares, psicólogos clínicos, mediadores sociais, etc.; limitem o número de turmas por professor e de alunos por turma; respeitem a redução do 79 sem carregarem a componente não letiva; valorizem com mais horas de redução a direção de turma; libertem a carga burocrática infernal que nos consome; reintroduzam a lei dos cônjuges para dar estabilidade às famílias de casais professores; resolvam as injustiças nos concursos de colocação de professores; voltem a abrir a CGA para quem já teve CGA (pois é imoral professores dos quadros estarem uns na CGA e outros na SS); ponham mão na ADSE (que já não serve para quase nada e para a qual descontamos bastante mais do que no passado e com muito menos cuidados de saúde); equiparem os cursos pré-Bolonha em via ensino a Mestrado, com a consequente bonificação de 2 anos na carreira (isto iria permitir uma reforma mais rápida para muitos professores e o rejuvenescimento da classe docente) e, por fim, acabem de vez com o regime de “carreira dupla” num único país (profs do Continente roubados face aos das regiões autónomas na recuperação do tempo de serviço congelado!!!)
Isto certamente iria motivar os professores em funções e atrair mais jovens à profissão!
Que tal experimentar? Podiam dividir isto pelos 4 anos da legislatura, e ir fazendo todos os anos uma parte, se daqui a 4 anos tudo isto existisse eu votaria PS pela 1ª vez na minha vida!
Mas, claro, cheira-me que vou morrer sem nunca ter votado PS! Facto que não me entristece nada, devo confessar, até me orgulha! Ahh, convém dizer que o PSD e a direita são iguais ou piores, e que a esquerda radical, a esquerda caviar, toda a que existe, só usa os professores para ganhar votos, mas não os respeita verdadeiramente, pois se o fizesse não mantinha nos sindicatos aquelas autênticas NÓDOAS que são os sindicalistas que temos tido, que não saem nem com benzina!
O que acabei de ler é sim ” por o dedo na ferida” em vários pontos fracos!! Gostei da ideia , que nunca vi preto no branco referida: equiparar as Lucenciaturas com estágio profissional, anteriores a Bolonha a Mestrados . Seria de elementar justiça já que sem dúvida fem relação aos outros fomos deixados para trás!!!!….