Cotas», aquele termo tão apetecido – Carlos Santos

«Cotas», aquele termo tão apetecido pela tutela que, neste caso, impõem ao acaso às escolas um teto de 10% de vagas, como se para todos os que fiquem de fora, por decreto as suas doenças desaparecessem milagrosamente e, simplesmente, ficassem curados e capazes de fazer o impossível.
Somos implacavelmente tutelados por pessoa pouco credível que mente sem pejo quando afirma que a Mobilidade por Doença (MPD) não é um concurso. Se não é um concurso, então a criação de cotas, a abertura de percentil de vagas, as prioridades e as regras impostas, são o quê?
E tratar de modo diferente doenças iguais é sinónimo de equidade?
Será que as doenças provocam mais sofrimento e incapacidade a uns do que a outros, consoante o vínculo profissional de cada um?
Sabendo-se que a média dos portugueses com deficiências e incapacidades corresponde a 8,2% e que a percentagem dos professores nestas circunstâncias é de apenas 7%, qual a justificação do ministro para empreender este ataque à classe docente?
Terá, porventura, a noção do envelhecimento da classe, que é a mais velha da europa?
Terá consciência do enorme desgaste causado por sucessivas políticas que sobrecarregaram os profissionais da educação?
Terá ideia do descomunal cansaço físico e psicológico que a excessiva instabilidade profissional causou ao corpo docente?
Em boa verdade, num país com esperança média de vida abaixo dos restantes países europeus e perante as péssimas condições de trabalho que os professores têm, só me espanta que esta percentagem não seja ainda maior.
Em vez de se debruçar sobre as razões de 2/3 dos professores estarem em burnout ou à beira do esgotamento, prefere punir aqueles que já estão tão mal, mas que ainda querem continuar a ser úteis e a trabalhar.
Este concurso que desceu estrondosamente sobre os desafortunados, não é mais do que um subterfúgio da tutela que procura desesperadamente apresentar um bode expiatório – os professores doentes em MPD – onde possa depositar a culpa da sua incompetência governativa que deixou o sistema educativo num estado deplorável, com falta de professores e enorme desmotivação de toda a classe.
Se efetivamente existem suspeitas de fraudes, então que se aperte a fiscalização e as juntas médicas que apurem os casos fraudulentos que deverão ser levados à justiça, em vez de o governo indiciar, acusar e sentenciar toda uma classe como impostora com base em suspeitas, indo contra o direito à inocência de qualquer cidadão até prova em contrário.
Mas desmontando a dita legislação, facilmente se depreendem quais os valores demonstrados por este executivo, dizendo muito da sua postura ética e moral.
Com que então, a métrica é igual em toda a parte, desde que contabilizada em linha reta?
O raio de 50 quilómetros em linha reta em autoestrada é equivalente ao de numa estrada regional, de uma estrada serrana sinuosa e íngreme ou de um percurso de elevado trânsito e congestionamento numa grande cidade?
Não entendem que, num território onde a maioria das estradas são sinuosas, além de no terreno a quilometragem corresponder ao dobro da distância em linha reta, pelos limites de segurança de traçados tão tortuosos, tal implicará viagens de longa duração e elevado desgaste?
Se essa linha reta atravessar um rio sem ponte nas proximidades, o professor irá a nado?
E se atravessar uma serra, terá este de se fazer de toupeira e furar montanhas para encurtar distâncias?
Quem tem um acompanhamento médico para lá do raio de 50 quilómetros, muda de médico ou muda de casa? (melhor seria mudar de ministro)
Serem as escolas a decidir os grupos onde abrem vagas dentro da diminuta percentagem disponibilizada, só irá criar ainda mais injustiças e mau ambiente.
Pagarem todos os professores por supostos abusos tão fáceis de comprovar – houvesse vontade – não será apenas para servir os interesses do governo?
Num país pequeno e estreito, quase sem vizinhança, se pegarmos no compasso para fazermos os círculos de 50km no mapa, na extensa zona litoral arriscamo-nos a ter de ir pregar para os peixinhos, enquanto na fronteira corremos o risco de nos encontramos com «nuestros hermanos» (se fosse para sermos pagos pelos espanhóis, certamente não nos importaríamos, uma vez que os professores do lado de lá da fronteira ganham o dobro do vencimento).
A menos que o governo ofereça aeroplanos, helicópteros, tapetes ou vassouras voadoras que possam garantir equidade entre os professores na deslocação em linha reta, a medida será tremendamente injusta.
Carlos Santos (continua em T2, E3: “o discípulo”)

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17 comentários

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    • Incompetentes e desonestos on 5 de Junho de 2022 at 11:15
    • Responder

    Outro sinal claro da incompetência deste governo é colocar como primeiro critério a percentagem do atestado multiusos quando há gente à espera de ser chamada para a junta há mais de 2 anos!

    • ELIANOR on 5 de Junho de 2022 at 11:48
    • Responder

    O MAIS CURIOSO É HAVER MPD POR INCAPACIDADE APENAS PARA PESSOAL DO QUADRO… OS CONTRATADOS N PODEM SER DEFICIENTES. 😉 ELIANOR

      • Maria João on 5 de Junho de 2022 at 12:16
      • Responder

      Podem ser pessoas com problemas, sim! Veja as listas graduadas de contratados, por exemplo no grupo 100, irá ver colegas com a letra S à frente. Isso significa que têm deficiência. Têm 5% de vagas.

  1. Convém não confudir:
    As pessoas que pedem Mobilidade por doença é uma situação.
    As pessoas portadoras de incapacidade de pelo menos 60% é outra.
    Não é o mesmo “saco”! Embora as segundas, se precisarem, usam os seus direitos de pessoas com grau elevado de incapacidade mais a mobilidade por doença.

      • Lambe-me on 5 de Junho de 2022 at 13:26
      • Responder

      E a quem não chamam para a junta por estarem com mais de 2 anos de atraso?

        • Junta on 6 de Junho de 2022 at 11:21
        • Responder

        Era bom, era! A junta da ADSE atua ao fim de um mês passados os 60 dias.
        Compreendeste?

      • Torquemada on 5 de Junho de 2022 at 13:28
      • Responder

      Karamba, qual dos Costa és? O Antonio ou o João?

      • advogado_diabo on 5 de Junho de 2022 at 14:46
      • Responder

      um burro é sempre um burro .
      um camelo é um dromedário .
      este postador karamb…… é simplesmente um Cómico e vocês nao devem no meu humilde ponto de vista perder um segundo a responder .
      façam isso .IGNOREM PF

        • Sardão pró Karamba. on 5 de Junho de 2022 at 22:10
        • Responder

        Não leves a mal o Karamba.
        Ele nao tem culpa. Ele usa e abusa do Sardão, e de tal forma que é sem piedade. Sempre a levar, porque não aprendeu a dar. É um paciente do Sardão e, como tal, fica a delirar e vem depois para aqui postar as suas bacoradas.
        Não o levem a mal. É a doença que tem no rabo.

    • ZORRO on 5 de Junho de 2022 at 14:44
    • Responder

    e aquem nao chamam a responsabilidade pertence ao ESTADO.
    simplesmente.
    Aí o estado tem responsabilidade objectiva .

    • Aura Borges on 5 de Junho de 2022 at 14:57
    • Responder

    Querem que vão 200 professores em MPD para a mesma escola como em Bragança.
    Isto passa para a opinião publica e é uma vergonha para a nossa classe.
    Haja algum decoro!
    Concordo com a MPD para quem efetivamente precisa.
    Concordo com as percentagens por Escola.
    Comcordo com o Senhor Ministro João Costa. É necessário colocar regras e Linhas Vermelhas porque os abusos tem que ser combatidos.
    Concordo que deve existir uma Fiscalização apertada e com Expulsão da Função Pública para os prevaricadores.
    Concordo que os professores são os grandes responsáveis pela imagem negativa que o povo português tem dos seus professores.
    Até eu sinto vergonha de pertencer a uma classe sem o minimo de dignidade.

      • Anal fa beto on 5 de Junho de 2022 at 17:06
      • Responder

      Concordo que aprendas a escrever, asno!

        • Aura Borges on 5 de Junho de 2022 at 17:51
        • Responder

        Vou para a sua escola.
        Vª. Ex. é um grande profissor. è o chamado profissôr de MERDA.
        é mais um que anda a mamar nas têtas da cabritinha (digo, escola publica), isto é, nas têtas do Estado (contribuintes).

    • Darova on 5 de Junho de 2022 at 18:26
    • Responder

    Professor Karamba….
    karamba, não tem argumentos válidos e dignos?
    O seu comentário é abominável.

    • Zorro on 5 de Junho de 2022 at 21:27
    • Responder

    Os sindicatos já desviaram o assunto é habitual.
    Mas se fizerem assim a tutela acorda.
    Fui notificado via email para ir buscar provas a Braga .
    Respondi , com uma pergunta,
    Quem assume por escrito a responsabilidade civil e material por danos no meu carro apesar de velho?
    Dia seguinte a diretora pede a minha bela presença .
    Perguntou-me me porque motivo escrevi aquele email ,?
    Exma diretora nao alugo o meu carro ao M.E. , O ME que alugue um carro ou pague um taxi .
    A diretora percebeu a minha indignação , retorquiu
    Estás zangado mas nao tenho culpa ;
    Respondi ; nao estou .sabe apenas cumpro a lei senhora diretora .
    A diretora .
    Deu a gargalhada , e respondeu,
    Compreendo te.
    Entao amanhã vai um taxi levar-te .
    Respondi
    Muito obrigada .agradeço
    Acabou a visita à direção

    Talvez fazendo isto me ganhem algum respeito O ministro no minimo paga mais e nunca levarei o meu carro seja um clio ou um jaguar.
    Tome nota costa esta é primeira vez .
    A segunda irá ser nos exames do secundario.
    Mas aí farei pior.

    • P.daSilva on 6 de Junho de 2022 at 8:53
    • Responder

    …precisamos de mais atitudes como a do Zorro! Força Zorro…

    • zabka on 6 de Junho de 2022 at 11:22
    • Responder

    Quotas e cotas são coisas diferentes!
    Aprendam de uma vez por todas que quotas referem-se a uma determinada percentagem ou capacidade e cotas são medições.
    Quanto à mobilidade, quem dela precisa muito bem que a use, mas a pouca vergonha e os abusos serão, infelizmente, a maioria

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