Quando Duas Cabeças Destas se Juntam

… é muito mau sinal.

Se bem que eu até concorde que o 2º ciclo é uma pequena coisa de nada no meio dos 12 anos de escolaridade.

Mas volta Maria de Lurdes Rodrigues à sua velha questão da quantidade de professores do 2º ciclo (não conheço turma do 2º ciclo onde existam 14 professores, nem nenhuma turma do 1º ciclo que só tenha um professor) e de David Justino que teve uma lei de bases do sistema educativo pronta com veto presidencial de Jorge Sampaio, onde separava o 1º ciclo de estudos até ao 6º ano e um segundo ciclo até ao 12º ano.

Já em Julho de 2013 coloquei artigo com o grande objetivo de David Justino para os tempos próximos, que parecem aproximar-se.

 

 

Ex-ministros da Educação defendem mudanças nos ciclos de ensino

 

lb

 

Para os ex-ministros David Justino e Maria de Lurdes Rodrigues, é preciso reforçar a articulação entre o 1.º e o 3.º ciclo.

 

 

A necessidade de reorganizar os ciclos de ensino, que atualmente se dividem em quatro fases, foi esta segunda-feira defendida pelos ex-ministros da Educação David Justino e Maria de Lurdes Rodrigues, de governos social-democrata e socialista.

O alargamento do ensino obrigatório foi o tema do seminário do Conselho Nacional de Educação (CNE) que levou a ex-ministra Maria de Lurdes Rodrigues e o atual presidente do CNE, David Justino, a debater a situação atual e os desafios do ensino.

Para os ex-ministros, é preciso discutir uma nova fórmula de ciclos de ensino, que atualmente se dividem em quatro fases: 1.º ciclo, a antiga primária, que vai do 1.º ao 4.ºano; 2.º ciclo (o antigo ciclo preparatório); 3.º ciclo, que vai do 7.º ao 9.º ano; e o secundário, do 10.º ao 12.º.

“Fomos construindo o ensino por camadas”, explicou Maria de Lurdes Rodrigues, sublinhando que “este é o momento de debater qual o melhor modelo” de organização de ciclos. “Muitos pedagogos identificaram um bloqueio na forma de organização que faz com que as crianças com dez anos passem de um único professor para 14. É muito desestabilizador para o desenvolvimento da criança”, disse Maria de Lurdes Rodrigues, lembrando ainda que com a mudança de ciclo as crianças tinham problemas de concentração e capacidade de relacionamento de matérias.

“É uma oportunidade de discutir isso e de propor para as legislativas seguintes um novo quadro de organização que ajude a combater o insucesso escolar”, defendeu Maria de Lurdes Rodrigues, em declarações aos jornalistas à margem do seminário, que hoje decorre na sede do CNE, em Lisboa.

Também David Justino entende que este é um dos temas onde será possível conseguir um acordo partidário, uma vez que está provado que existe um elevado insucesso no 2.º ciclo devido “à falta de articulação entre o 1.º e o 3.º ciclo”.

“É preciso eliminar obstáculos”, disse David Justino, classificando o atual modelo como “uma espécie de bolo de noiva, que é feito às camadas”.

Ambos saudaram a escolaridade obrigatória até ao 12.º ano, as melhorias registadas nas taxas de escolarização, abandono e insucesso, mas reconheceram que ainda existem problemas para resolver: “Ainda estamos muito longe de uma escola de sucesso”, defendeu o ex-ministro David Justino.

“Durante muito tempo, a preocupação era a igualdade de oportunidades no acesso à escola, mas agora é a equidade no sucesso”, disse por seu turno Maria de Lurdes Rodrigues.

As elevadas taxas de insucesso escolar, em especial quando os alunos mudam de ciclo de ensino, foi apontado como um dos problemas a resolver.

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2 comentários

  1. Um dos grandes males deste país é que há uma série de “ex” (na educação e em tudo o resto) que NUNCA SAEM DE CENA.

    “Ambos saudaram a escolaridade obrigatória até ao 12.º ano”
    – Objectivamente, o que há para saudar? -A degradação eminente do secundário, nomeadamente da via profissional??? Ou, tão só, uma norma legal que fica bem num país de aparências sem capacidade de ser implementada com um mínimo de seriedade (afinal, como tantas outras…)???
    Isto é gente de boca cheia com as “culturas da avaliação, da excelência, do mérito, das lideranças”, …, pois!!! – Lá diz o ditado: ” olha para o que eu digo e não para o que eu faço” – como se aplica tão bem!

    • Maria Pinheiro on 14 de Abril de 2015 at 22:32
    • Responder

    Até se torna curioso… estudei na Venezuela até 1983 e nessa altura era o pré-escolar obrigatório (aos cinco anos), seguia-se um ciclo do 1º até ao 6º “grado” com um professor e depois passava-se para um outro nível, o “bachillerato”, que, se não estou em erro, eram mais 5 anos antes da entrada na universidade.
    É só irem buscar este modelo que tem pelo menos 40 anos!

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