No dia 3 de outubro, a 3 dias das eleições, eu alertava:
“Mas desenganem-se se pensam que ficaram por aqui, pois há mais crueldade em apresto. Quem tem escutado as declarações dos loquazes líderes partidários e atentado às agendas ocultas dos partidos, encontra, na sua essência, propostas muito preocupantes:
-diminuição do número de professores, causando mais despedimentos;
-passagem, também, dos professores para a tutela das autarquias, tornando-nos meros funcionários camarários sujeitos a vínculos precários e não renováveis, sujeitos a todo o sistema de corrompimento, amiguismos, bufos e partidarite que invadirá as escolas e retirará independência, estabilidade e poder reivindicativo aos profissionais do ensino;
-desfiguração do Estatuto da Carreira Docente com a criação de apenas 3 ou 4 escalões promovendo, assim, baixos salários e a criação de mais obstáculos à progressão, evitando que os professores possam, sequer, almejar chegar ao topo da carreira;
-eliminação do estatuto de carreira especial, indexando-a à carreira geral da função pública;
-criação de mecanismos de avaliação sumária com constante prestação de provas, com o intuito, não de avaliar e criar rotinas de partilha e melhoria de conhecimentos e procedimentos pedagógicos, mas de penalizar os professores para que se sintam subjugados, intimidados e diminuídos, alimentando o propósito de dificultar ao máximo a progressão na carreira.”
É admirável como as palavras caíram em saco roto.
Reconheço, era texto demasiado longo para ser lido.
Os professores queixam-se da preguiça mental da população que, ficando pelos títulos sensacionalistas, os critica sem tentar saber em pormenor a verdade sobre os factos, mas depois a maioria comporta-se da mesma maneira.
Se eu tivesse conseguido explicar isto numa frase, certamente todos teriam lido. Assim, só uma ínfima parte dos professores se deu ao trabalho de ler.
Agora é o espanto com as medidas anunciadas pelo novo governo, que nada mais são do que aquilo que anunciei.
Nada sobre a aposentação, sobre concursos justos ou sobre a desburocratização e o fim dos chumbos que irá causar mais despedimentos e o fim das carreiras especiais evitando a subida de escalão dos professores, rematam o descalabro.
Dentro do miserável panorama de propostas para a Educação apresentadas pela nossa classe política, só tínhamos de estar com receio do futuro.
Os professores tiveram uma oportunidade de não dar o machado ao seu carrasco, mas optaram por o fazer. Resta a corrida para os sindicatos (que irão agradecer o aumento de associados) e o regresso às greves e manifestações durante mais um ciclo de 4 anos, porque fomos enganados (só foi enganado quem quis).
Condutores de matérias perigosas, estivadores, funcionários da limpeza de ruas, do metro e carris, entre outros, podem ter menos formação do que os professores, mas são muito mais informados sobre as suas carreiras e muito mais unidos do que nós.
Lamento dizê-lo, mas julgo que não somos assim tão vítimas como tentamos fazer crer. Se calhar até temos aquilo que merecemos, pois andamos alheados de tudo e só despertamos quando já é tarde demais.
E mais não digo, senão quase ninguém voltará a ler.
Carlos Santos




5 comentários
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Que doença… nem o guião é bom! Estão a caminho as forças do mal
Vem ai o apocalipse e eu avisei… Sinceramente revejo-me pouco neste tipo de postura, nem vejo o apocalipse, nem os professores teriam poder de o evitar, ou será que os professores todos votaram PS?! Segundo uma sondagem que aqui foi feita foram até poucos… Por mim, se vier realmente o apocalipse serei mais um a mandar isto às urtigas, já me exploraram o suficiente.
Numa coisa concordo com o autor do texto: os professores, como seres críticos, com formação e informação têm o dever de estar minimamente informados e esclarecidos. Isto dá-nos o dever de sermos críticos e termos argumentos para termos opinião sobre a atualidade. Porém, lamento dizê-lo, mas há professores que nem parece que são gente instruída, informada ,com espírito crítico e opiniões fundamentadas. Não lêem jornais, nem querem informar-se, deixam correr, acomodados no seu canto e, depois, quando se aproxima uma tempestade é que perguntam se vai ser forte!
Concordando com o conteúdo do comentário anterior e com parte do conteúdo do post , quero dizer que se está a ser demasiado alarmista. Uma coisa é o programa do governo (as suas intenções e o ódio de Costa aos professores), outra é a sua aplicação. Mas, já repararam que o governo é minoritário? Já repararam que dificilmente conseguirá fazer alguma coisa contra a maioria? Sabe-se bem a estratégia do Costa: vitimizar-se e fazer chantagem, como já o fez e fará sempre porque não sabe fazer outra coisa. Mas desta vez a coisa vai sair ao contrário. O desgaste vai ser imenso e se ele provocar eleições antecipadas não se sairá bem, está bom de ver… É que começa a ser demasiado evidente a sua estratégia e os outros não andam a dormir…
Aquela de ameaçar demitir-se se não fizerem o que quer já a fez recentemente, só um facto muito grave não tornaria ridícula uma repetição da a encenação! 🙂