Fenprof faz espera a ministro que compara os sindicalistas ao “trânsito do dia a dia”

Fenprof faz espera a ministro que compara os sindicalistas ao “trânsito do dia a dia” | TVI24

A Federação Nacional dos Professores queixou-se hoje de mais de 50 mil professores terem sido ultrapassados na carreira por colegas com menos tempo de serviço.

Uma delegação de cerca de duas dezenas de sindicalistas, com o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, à cabeça, esperava Tiago Brandão Rodrigues à chegada ao que consideraram uma “iniciativa de propaganda” feita de forma pouco transparente numa escola e jardim de infância na Amadora, distrito de Lisboa, sobre segurança rodoviária.

Em declarações aos jornalistas, Mário Nogueira afirmou que “as ultrapassagens estão a inquinar” a vida das escolas, com “56 mil professores ultrapassados na sua carreira por colegas com menor antiguidade”.

Questionado pelos jornalistas no interior da EB1/JI/Creche Aprígio Gomes, Tiago Brandão Rodrigues afirmou que a presença dos sindicalistas em protesto é como “o trânsito do dia a dia”.

Tem de se respeitar e conhecer os limites, conhecendo os limites uns dos outros”, afirmou.

Sobre a discussão na Assembleia da República do decreto do Governo que conta o tempo de carreira dos professores mas não lhes devolve os mais de nove anos que exigem, o ministro afirmou que está nas mãos do “livre arbítrio dos grupos parlamentares em articulação com as organizações sindicais”.

Mário Nogueira criticou o decreto, que “rouba seis anos e meio” ao tempo em que as carreiras estiveram congeladas e “permite que professores passem à frente uns dos outros”.

O dirigente da Fenprof afirmou que vão continuar a enfrentar Brandão Rodrigues “até haver um ministro para a Educação, portanto vai ser até ao fim do mandato”.

Afirmou que “iniciativas de propaganda” como a de hoje são divulgadas entre o corpo docente só na véspera de acontecerem, mas entretanto, os professores encarregados das “pecinhas e das canções para o senhor ministro ouvir” têm de as preparar e assinar um “termo de responsabilidade” em que se comprometem a não falar delas antes de serem anunciadas.

Tiago Brandão Rodrigues ouviu algumas palavras de ordem dos sindicalistas, que gritavam “um ministro da Educação é que era a solução” e “quem não sabe respeitar não merece governar”, mas só se cruzou com o grupo quando passou de carro.

Falei com os professores que estavam aqui dentro. Com as organizações sindicais, falo no sítio certo, aliás, temos falado muitas vezes”, disse o ministro antes de sair da Aprígio Gomes.

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