Como Promover o Emprego Docente (Jovem)?

Esta é seguramente a questão que todos gostariam de responder e quem conseguir equilibrar a promoção do emprego docente jovem com a redução do número de alunos na entrada do sistema de ensino que tem acontecido nos últimos anos conseguirá resolver muitos dos problemas com o futuro do sistema de ensino.

 

Os próximo quadros apresentam os últimos dados conhecidos do GEPE (Educação em Números – Portugal 2011) e irão servir para algumas das soluções que apresentarei.

Em todos os níveis de ensino tem-se verificado um aumento do número de docentes com mais de 50 anos e uma diminuição do número de docentes com 30 anos. O 2º Ciclo é o nível de ensino mais envelhecido com 32,6% de docentes com mais de 50 anos.

A primeira solução passa pela obrigação do investimento na educação não estar sujeita as decisões de cada um dos governos que vai passando e ser consensual que uma percentagem do PIB seja obrigatóriamente usada na Educação. Se existe interesse numa “regra de ouro” para o déficite também devia haver essa “regra de ouro” para o investimento na educação. A exigência dos 5% do PIB para os gastos com toda a educação deveria ser uma regra que não estivesse sujeita à vontade de cada um dos governos.

Outra das soluções passa pelo despedimento por mútuo acordo e por regras excepcionais para a aposentação antecipada. A aposentação antecipada só é possível aos 55 anos de idade, desde que completos 30 anos de serviço. No orçamento de estado para 2013 deveria estar previsto uma verba que permitisse abrir uma excepção para quem nunca conseguisse ter os referidos 30 anos de serviço aos 55 de idade e que as penalizações da aposentação fossem reduzidas num regime excepcional e transitório dando algum tempo para que os docentes pudessem fazer as suas opções para o despedimento por mútuo acordo ou para a aposentação antecipada. Na questão do despedimento por mútuo acordo deveria haver incentivos maiores a quem tem pelo menos 50 anos de idade permitindo que as opções dos docentes fossem feitas com a garantia de uma aposentação antecipada aos 55 anos com condições menos penalizadoras também.

Outra das soluções passaria por libertar a educação, nomeadamente as escolas públicas, das amarras da constituição que a obrigam à sua gratuitidade. O aumento de determinadas ofertas educativas deveriam ser comparticipadas pelas famílias ou pelas empresas de acordo com regras socialmente aceitáveis. As escolas públicas para serem competitivas com as escolas privadas tem de começar a oferecer os mesmos serviços educativos (e não só) das escolas privadas sob pena de algumas começarem a desaparecer nos grandes centros urbanos por insuficiente serviço prestado. Não me importo que me batam neste ponto, podem-no fazer à vontade, mas já o disse algumas vezes que não me importo de comparticipar para além dos meus impostos de forma a ter um serviço público melhor.

E na conjugação de algumas destas soluções seria possível promover emprego docente jovem.

 

Dados usados: Educação em Números – Portugal 2011 (GEPE)

 

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8 comentários

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    • Pedro C on 19 de Junho de 2012 at 13:47
    • Responder

    Promover o emprego docente jovem?

    Fácil, mas vai custar uns tostões, sendo que neste caso não se trata de despesa, mas sim INVESTIMENTO no futuro do país!

    1 – turmas de 20 alunos no máximo, para que todos possam ter a devida atenção e para o que o trabalho tenham qualidade

    2- horários completos de 20 horas, e restante redução para aulas de apoio, clubes temáticos/desportivos, ou outros projetos extra-curriculares igualmente importantes no sucesso educativo

    3- redução de 2 tempos letivos por cada 8 anos de serviço, para que o docente com o avançar da carreira fique com mais tempo para assumir outros cargos onde é necessária experiêmcia (TD, coordenações de estabelecimentos/departamentos, avaliação, investigação, etc..

    Para além de aliviar uma pouco a pressão que resulta da quantidade de trabalho necessária hoje em dia, cada professor iria sentir-se muito mais realizado porque iria conseguir fazer um trabalho melhor, e adivinhem que fica a ganhar?

    Sim, o futuro do país!

    • Alberto Miranda on 19 de Junho de 2012 at 14:07
    • Responder

    Uma das grandes questões relacionadas com o ensino e quase ninguém fala nela é a brutal queda de natalidade em Portugal desde o ano de 2007 ( já para não falar das muitas familias portuguesesas que estão a emigrar ultimamente…).
    Talvez a medida com mais impacto na qualidade no ensino seria as turmas não terem mais de 22 alunos. As turmas tipo CEF e TEIP não terem mais de 10 alunos. Com estas medidas equilibravam-se o nível de qualidade do ensino com o número de professores com um horário completo.

    • Carlos on 19 de Junho de 2012 at 14:55
    • Responder

    Ainda acreditam no Pai Natal?

    Contudo penso que também está nas mãos de todos os contratados ditar um pouco as regras do jogo, nem que seja para fazer ver ao MEC que não somos bananas.

    Aqui ficam 2 sugestões:

    * Todos os contratados, na manifestação de preferencias, escolher apenas horários completos;

    * Todos os contratados faltarem à prova de conhecimentos;

    Claro que estas iniciativas deviam ser sugeridas pelos sindicatos!

    Se o sindicatos ditos normais, nada fazem pelos contratados, pq não criar um próprio sindicato dos professores contratados?

    • Carlos on 19 de Junho de 2012 at 14:59
    • Responder

    Gostava mesmo de poder ver o MEC a ter que colocar em prática o seu lema “fazer mais com menos”. Aposto que no concurso seguinte abriam mais vagas para professores dos quadros.

    • Aires on 19 de Junho de 2012 at 16:32
    • Responder

    Ainda há quem acredite no Pai Natal…é dos livros, não adianta procurar soluções menos más (algo a que alguns sindicatos já nos habituaram…). Investimento é a solução, não adianta remendos e mais remendos…o ensino público não interessa que seja promovido. O ensino público será para os pobres e quem tem posses económicas vai para o ensino privado…A educação custa dinheiro…mas a ignorância custa muito mais! Por isso, o que se está a fazer ao ensino público terá repercursões que perdurarão no tempo. Meus caros, este filme já passou no Chile (década de 70), América do Sul (80 e 90) e agora com exibição na Europa. Tudo o que de bom foi feito na educação em Portugal está a ser destruído, ou alguém duvida que se o ensino público não formasse bons alunos tínhamos empresas norueguesas, suecas, alemãs em Portugal a recrutar alunos saídos das faculdades(e não só)?

    • O Cão Danado on 19 de Junho de 2012 at 23:58
    • Responder

    Eles já não têm a solução com o “Impulso” Jovem?

    Ora vejam: http://twitgoo.com/5xpj0n

    • Fernanda Meireles on 20 de Junho de 2012 at 10:41
    • Responder

    MUITO BEM COLEGA. É preciso estas ideias começarem a ser defendidas por professores, pais e sindicatos.
    É impensável uma Escola só com professores velhos.
    Nos próximos 1 a 2 anos algo tem que ser feito, OBRIGATORIAMENTE, para que os professores com mais de 50 anos de idade e 30 de serviço possam aposentar-se antecipadamente.
    Só assim se renovará a Escola.

  1. Jesse Stone’s character, as portrayed by Tom Selleck, has captivated audiences with his complex, brooding nature and dedication to justice in the “Jesse Stone” film series. The blend of crime-solving and personal struggles makes for compelling storytelling. Selleck’s charismatic performance truly brings Stone to life, leaving viewers wanting more.

  1. […] entretanto for possível enquadrar algumas destas medidas no próximo orçamento de estado então será possível a vinculação de mais professores […]

  2. […] neste post de Junho tinha referido que o número de alunos a entrar no 1º ano de escolaridade tem vindo […]

  3. I liked your blog very much.

    I want to thank you for the contribution.

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