VAMOS INDO… Carlos Santos

Fruto da complexidade da profissão, da crescente sobrecarga de trabalho, de uma vida profissional quase exclusivamente longe da área de residência e de a classe estar demasiado envelhecida, estando todos velhos, cansados e, muitos de nós, doentes, somos uns tristes e uns desgraçados que andamos aqui a comparar misérias (doenças próprias e dos próximos), como se isso resolvesse alguma coisa.

O governo marcou reuniões para falar sobre alterações na mobilidade por doença para, depois, deixar tudo na mesma. Fez das nossas doenças e sacrifícios a lotaria das desgraças, atirando uma boia de salvação para um mar de gente a afogar-se, para ficar de consciência tranquila, mas deixando, uma vez mais, os professores a lutarem entre si por algumas migalhas que irão aparecer nas escolas.

Tanto se fala de inclusão, das leis da proteção no trabalho, mas, na prática, de forma desumana, deixa-se o direito à assistência na doença ao critério da abertura de vagas pelos diretores, como se as doenças e o sofrimento fossem quantificáveis de acordo com os grupos disciplinares ou carências escolares.

Os professores estão cada vez mais cansados, exaustos e em burnout, medicados e dopados para conseguirem ir trabalhar, aumentando a cada ano o número com doenças incapacitantes. No entanto, têm de aguentar, porque são tratados como meros números descartáveis.

Esta atitude do MECI foi reprovável, porque criou expectativas em muitos docentes e respetivas famílias e, no fim, não deu em nada.
Num cenário de crescente falta de professores, podendo aproveitar muitos que poderiam e quereriam trabalhar, mantendo esta fórmula do «concurso/sorteio da doença», continuou a abrir a porta ao aumento de baixas médicas por incapacidade, agravando ainda mais a carência de docentes nas escolas.

E não vale a pena continuarmos a comparar-nos, porque, a bem da verdade, estamos cada vez mais velhos, com menos saúde e a tentar safar-nos o melhor que podemos neste imenso mar de miséria em que nos atiraram, denominado Ensino em Portugal.
Felicidades e força a todos, sobretudo a quem sofre e necessita de MpD, porque, infelizmente, eu sei bem o que isso representa na nossa vida.
Carlos Santos, mais um de entre tantos números

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9 comentários

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    • Albino Marcelino Antunes Vaz on 29 de Junho de 2024 at 11:29
    • Responder

    Coragem. Mas não podemos parar com a justa luta.

    • Luluzinha! on 29 de Junho de 2024 at 11:36
    • Responder

    Sempre o mesmo discurso miserabilista do “coitadinho”! Já não há paciência.
    Por favor, mudem de registo!

    1. Já não há paciência para si, mas como eu, mais estão fartos de Luluzinha. Felizmente não somos eternos e espero que não deixe descendência aqui.

    • Paula Cardoso on 29 de Junho de 2024 at 11:53
    • Responder

    Não é discurso miserabilista, cara colega. É a mais pura das realidades.
    Os Diretores gerem como querem e nem sequer requisitam o número de vagas que na realidade irão existir para darem os lugares a quem bem lhes aprouver.
    Tudo neste país é vergonhoso e, no que diz respeito à Educação(se calhar seria melhor dizer Deseducação) ,atrevo-me a dizer que além de vergonhoso é PATÉTICO.

      • Maria on 29 de Junho de 2024 at 13:51
      • Responder

      Tudo o que relata é verdade, contudo convém acrescentar que muitos docentes recorrem à MPD e ao atestado médico por fraude. De quem é a culpa? Dos médicos, obviamente, mas também dos docentes que deviam reger-se pela ética. Assim, sofrem os que, de facto, necessitam de recorrer a este concurso.

    • Mendes on 29 de Junho de 2024 at 14:32
    • Responder

    É preciso muita atenção e compreensão quanto a esta matéria.
    O governo andou muito bem em não alterar agora a situação. Ia dar alguma coisa mal.
    Isto tem de ser visto com calma.
    Contudo, se há docentes incapacitados para trabalhar, têm direito a aposentarem-se por incapacidade.

    • Lopes on 29 de Junho de 2024 at 16:42
    • Responder

    Caro Mendes.
    Para um docente se poder aposentar tem de ser a CGA a permiti-lo.
    Conheço colegas que pediram para ir à junta médica da CGA, têm atestado multiusos com incapacidade elevada(+ de 80% de incapacidade permanente), e foi-lhes negada a aposentação.
    Não devemos opinar sem termos a certeza do que estamos a dizer.

    1. Muito triste, espero que este governo pense bem no que vai fazer e legislem de modo a permitir essas aposentações. Seria benéfico para todos: professores, escola e, sobretudo, alunos

    • JáSemFigados on 29 de Junho de 2024 at 19:35
    • Responder

    Como estou grato por estar quase quase de saída! 🙏🙏

    A vós que ainda ides ficar, muita paciência para aturar tanta canalhice.

    Não! Não tenho certificado muitiusos por burrice minha. Mas infelizmente tenho um bom cardápio…

    Saio, porque estou prestes a atingir a idade da reforma. Não num topo, mas nem tudo é dinheiro. A saúde fala mais ato.
    Espero ainda poder vir a acompanhar o crescimento de dois netinhos. Sei que já não posso pedir muito. Só uns aninhos … 🙏🙏
    Só o tempo o dirá …

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