PISA – Literacia financeira dos alunos portugueses caiu

Literacia financeira dos alunos portugueses caiu em linha com os outros domínios avaliados pelo PISA

  • Os alunos portugueses obtiveram um desempenho em literacia financeira de 494 pontos, em linha com a média dos países da OCDE.
  • Face a 2018, o desempenho dos alunos portugueses em literacia financeira diminuiu 11 pontos, uma queda superior à verificada na média dos países da OCDE que participaram no módulo de literacia financeira nos ciclos de 2018 e 2022.
  • Os alunos portugueses têm um contacto menos frequente com atividades e tarefas de literacia financeira na escola do que na média dos países da OCDE.
(…)
RESULTADOS DE 2022
Os alunos portugueses têm um desempenho em literacia financeira de 494 pontos, estatisticamente em linha com a média dos 14 países da OCDE que participaram neste domínio (498 pontos). Portugal encontra-se em 9.º lugar no ranking dos 20 países/economias participantes e, no conjunto dos 11 países da União Europeia, é o sétimo país com desempenho mais elevado (Comunidade Flamenga da Bélgica 527 pontos; Dinamarca 521; Países Baixos 517; Chéquia 507, Áustria 506, Polónia 506).
84,5% dos alunos portugueses atingem o nível básico de literacia financeira (82,1% na OCDE). Os restantes 15,5% são considerados “low-performers”, conseguindo, na melhor das hipóteses, reconhecer a diferença entre necessidades e desejos, tomar decisões simples sobre os gastos diários e reconhecer a finalidade dos documentos financeiros diários, como uma fatura. No oposto, 6,6% têm um nível de proficiência elevado (“top performers”) (10,6% na OCDE), conseguindo aplicar uma ampla variedade de termos e conceitos financeiros, analisar produtos financeiros complexos e resolver problemas financeiros não rotineiros, que provavelmente só virão a ter relevância na sua vida adulta.
Em 2022, as diferenças no desempenho dos alunos portugueses por sexo, por estatuto imigrante e por estatuto socioeconómico acompanham o padrão da média da OCDE. Os rapazes têm melhor desempenho em literacia financeira do que as raparigas (diferença de 8 pontos em Portugal e 5 na OCDE), os alunos imigrantes pontuaram abaixo dos alunos não imigrantes (diferença de 26 pontos em Portugal e 31 na OCDE) e os alunos de contextos socioeconómicos favorecidos têm melhor desempenho do que os de contextos desfavorecidos (diferença de 74 pontos em Portugal e 87 na OCDE). Tal como o desempenho dos alunos nos domínios principais avaliados no PISA 2022 – matemática, leitura e ciências –, o estatuto socioeconómico dos alunos é um forte preditor do desempenho em literacia financeira.
Os alunos portugueses de 15 anos estão ao nível da média da OCDE no que diz respeito a práticas financeiras responsáveis: 91% dos alunos afirmam verificar o troco que recebem e 93% poupam dinheiro em casa, pelo menos uma vez por ano. Em relação à utilização de produtos financeiros, a percentagem de alunos portugueses com conta bancária diminuiu de 2018 para 2022 (45% vs. 38%), mas, em 2022, mais alunos portugueses afirmaram ter um cartão de débito (27%). Estes valores estão substancialmente abaixo da média dos países da OCDE, onde 63% dos alunos têm conta bancária e 62% têm cartão de débito. Em comparação com a média dos países da OCDE, os alunos portugueses realizam atividades financeiras digitais com menos frequência e sentem-se menos confiantes na utilização de serviços financeiros digitais.

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7 comentários

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  1. A literacia financeira deveria ser uma disciplina obrigatória a partir do 9º ano dada pelo grupo 430 e não um conteúdo inserido na Cidadania lecionada de forma transversal. Com exceção dps alunos dos cursos profissionais ligados à gestão, contabilidade, comércio administração e aos que têm a disciplina de Economia A, os restantes saem da escola sem saberem nada relativos a impostos, aplicações financeiras, contratos de trabalho, etc. É uma lacuna grave na formação de alunos que estão obrigados a frequentar a escola até aos 18 anos.

    • Mainada on 27 de Junho de 2024 at 17:57
    • Responder

    Subscrevo. Literacia financeira deveria ser obrigatória e lecionada exclusivamente por docentes do 430 que é quem, nas escolas, por norma, entende do assunto. Haveria certamente reflexos positivos, não só diretos, mas também indiretamente na compreensão política dos cidadãos. A prazo, Portugal melhoraria.

      • Luluzinha! on 27 de Junho de 2024 at 18:24
      • Responder

      Até aqui não deixa de ser enfadonho , desocupado e sem vida! Meu Deus…

    • Ulme on 27 de Junho de 2024 at 18:31
    • Responder

    No meu tempo a isso chamava-se economia de merceeiro .

    Agora até tem de se ensinar a poupar…

    Qualquer dia ensina-se a defecar.

    • Margarida Monteiro on 27 de Junho de 2024 at 20:07
    • Responder

    Aprende-se com os pais e familiares que nos rodeiam, diariamente….nao num conteúdo teórico…
    Os pais querem parecer ricos…

    • Profista on 27 de Junho de 2024 at 23:21
    • Responder

    A culpa é dos alunos. Que precisam de ser incentivados, ‘tadinhos!

    Morriam se tivessem de pensar para respirar…

    • Irra, tudo na escola! on 28 de Junho de 2024 at 11:00
    • Responder

    Não há mais nada para colocar nas escolas?
    Como hão de tomar banho, vestir se, falar, comer, etc, etc… Ao que isto chegou!
    Tudo aprendizagens em / da família.
    O currículo escolar já está cheio como um ovo.
    As crianças e jovens portugueses são dos que passam mais tempo na escola com prejuízo da sua saúde mental, dizem os entendidos.
    Algumas disciplinas já abordam esses temas como a literacia financeira, a saúde sexual, etc, etc.
    Chegam muito bem.
    Os pais e a família + alargada que treinem essas competências.
    Irra! Tudo na escola! Tudo na escola!
    Só falta lá dormirem, como nos colégios internos ingleses. Mas aí as famílias pagam bem.

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