Mais de 46.000 Professores à procura da “terra prometida”?

Encontram-se a decorrer vários Concursos de Professores, entre os quais o Concurso Interno…

– “No concurso interno de professores para o ano letivo de 2024/2025 mais de 46 mil (46.088) docentes concorreram para sair, o que representa um aumento de 37% face ao último concurso, em 2022, cujo número de pedidos de mudança foi de 33.700. Há agrupamentos onde mais de 90 professores querem mudar para outra escola.” (Jornal Diário de Notícias, em 17 de Junho de 2024)…

O número elevado de oponentes ao Concurso Interno, 46.088 Professores, não pode deixar de suscitar alguma perplexidade, uma vez que esse total corresponderá a cerca de 30.6% da Classe Docente, se considerarmos que o respectivo universo rondará os 150.649 indivíduos (Pordata, dados relativos ao ano de 2022)…

E 30.6% da Classe Docente é um contingente que não poderá ser ignorado, nem escamoteado, nem apoucado…

Não haverá grande dúvida de que essa percentagem representará um número muito significativo de Professores…

Expectavelmente, muitos desses 46.088 Professores terão concorrido na tentativa de se aproximarem da respectiva área de residência, mas muitos outros tê-lo-ão feito, sobretudo, por se sentirem insatisfeitos, injustiçados ou frustrados no actual local de trabalho…

A criação do cargo de Director permitiu que alguns tomassem para si o estatuto de “divindades”, uma espécie de semideuses, dotados da autoridade necessária para poderem exercer tal cargo de forma autoritária e discricionária, se assim o pretenderem…

Plausivelmente, a debandada de mais de 46.000 Professores poderá, em muitos casos, estar intimamente relacionada com essa forma de “executar localmente as medidas de política educativa”, aludindo ao Preâmbulo do Dec. Lei Nº 75/2008 de 22 de Abril…

Dos 46.088 Professores oponentes ao Concurso Interno, quantos olharão para a liderança da sua escola actual e pensarão algo semelhante a isto:

“Arre, estou farto de Semideuses!

Onde é que há gente no mundo?”

(Poema em Linha Recta, Álvaro de Campos).

Afinal, do que fogem 46.088 Professores?

Afinal, o que procuram 46.088 Professores?

De forma metafórica, podemos, talvez, considerar que uma parte significativa da Classe Docente pretenderá sair do Agrupamento onde se encontra, plausivelmente à procura da “terra prometida”…

De forma metafórica, podemos entender a “terra prometida” como um local de trabalho gerido democraticamente, onde os profissionais de Educação possam expressar sem receio as suas opiniões, onde, enfim, se sintam respeitados e valorizados pelos seus superiores hierárquicos…

Mas aqui poderá colocar-se este problema:

– A “terra prometida” existe mesmo ou não passará de uma efabulação?

Se a “terra prometida” não existir, poderemos ter mais de 46.000 Professores crentes numa quimera, ansiosos por algo impossível de concretizar…

Nesse caso, valerá a aproximação à área de residência:

– Mal por mal, será sempre melhor ficar perto de casa do que longe de casa…

E, já agora, não pode deixar de se referir que o tempo de espera, iminentemente penoso e angustiante, pelo conhecimento dos resultados dos vários Concursos de Professores é, de todo, inaceitável e desumano, ainda para mais num país que, ainda há pouco tempo atrás, por ocasião das Eleições para o Parlamento Europeu, andou a apregoar a sua fantástica capacitação digital e tecnológica…

Ou será que o anterior também não passa de uma quimera?

Que raio de país este, onde a fantasia teima em mascarar e asfixiar a realidade…

Paula Dias

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2024/06/mais-de-46-000-professores-a-procura-da-terra-prometida/

52 comentários

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    • Toufartadisto on 29 de Junho de 2024 at 14:44
    • Responder

    Sugiro que o blog faça um inquérito (parecido com os das intenções de voto) dirigido a esses 46000 para que se descubram as verdadeiras razões de estarem em concurso…

  1. A maior parte são QZP que foram obrigados a concorrer.
    O aumento de candidaturas em relação ao ultimo Interno é quase todo devido a novos QZP que entraram para os quadros desde o ultimo Interno.

  2. A maior parte dos diretores que conheço, e isto não generalizando, apenas andam à procura de estatísticas de sucesso (impostas doentiamente à força e completamente falsas…) e de projetos muito floreados, mas que não servem para nada, tudo para poderem ficar bem no retrato e, quem sabe, assim poder aspirar com mais vigor a altos voos lá para os lados dos municípios portugueses (ouvi dizer que houve para aí um civil qualquer que também fez uma coisa parecida e foi para um sítio chamado Conselho Europeu, o lá o que é… ).

    1. 😂😂😂

    • Paulo a Dias (o tarefeiro) on 29 de Junho de 2024 at 16:40
    • Responder

    Gostei deste texto da Paulinha a Dias…

    • Maria Ferreira on 29 de Junho de 2024 at 16:51
    • Responder

    Gostei da reflexão e subscrevo.

    • Mainada on 29 de Junho de 2024 at 16:58
    • Responder

    O número enorme de professores de QA que concorreram serve diretamente para desestruturar completamente a vida dos QZP que, até agora, tinham uma vida estável. Parabéns.

      • Ana Montana on 29 de Junho de 2024 at 17:31
      • Responder

      Temos pena. É que vivemos num país livre e os professores são livres de se apresentar ao concurso. Não me parece, pela experiência que tenho, que os colegas de qzp estejam preocupados os colegas de qe/qa. Essa sua afirmação
      , além de ridícula, é maldosa. Farta de gente desta nas escolas que a única coisa que querem é prejudicar os outros e trabalhar está quieto. Vocês gente engraxadora não enganam quem trabalha!

        • Mainada on 29 de Junho de 2024 at 17:34
        • Responder

        És muito lesta a julgar (para o mal) e, ousaria dizê-lo, QA (e concorreste).

    1. O que vai restruturar a vida dos QZP não é o numero de QA que concorrem mas sim o trem sido obrigados a concorrer e, por isso, muitos irem passar a QA

        • Mainada on 29 de Junho de 2024 at 17:42
        • Responder

        Sim, claro, é o conjunto de tudo, o processo. Haver muitos QA a concorrer faz parte, não é tudo. Mas pode ser bastante. Claro que a culpa não é de quem concorre, mas de quem delineou todo o processo.

          • QZP on 29 de Junho de 2024 at 17:51

          O numero de QA que concorrerem este ano é semelhante aos que concorreram nos ultimos Internos. A diferença está nos QZP

          • Mainada on 29 de Junho de 2024 at 18:04

          Se bem me lembro, apontou-se que o número de QA a concorrer tinha crescido bastante (inclusive aqui, neste blog). Agora já não consigo facilmente ir encontrar o artigo em que isso se salienta…

  3. O aumento de QA foi de menos de mil.
    O grande aumento foi de QZP e o aumento de QZP, do numero de novos QZP relativamente ao ultimo Interno.

    Ou seja tem mais candidatos pq o numero de QZP aumentou e foram obrigados a concorrer.

      • Mainada on 29 de Junho de 2024 at 18:46
      • Responder

      A ser assim, o blog (como outros media) não tem sido claro e induziu-me em erro. Lamento e agradeço o esclarecimento que me impede de continuar a tecer críticas infundadas. Fui induzido em erro, não foi por mal.

    • Fernando on 29 de Junho de 2024 at 20:56
    • Responder

    Várias questões:

    Os colegas de QENA/QA concorrem, muitos porque não se reveem na gestão das escolas, para se aproximarem da residência ou para irem para escolas que, nos anos anteriores, viam essas vagas ocupadas por QZP, muitos deles menos graduados. Só faço esta observação porque alguém aludiu ao facto de os QZP estarem, de alguma forma, com a vida mais dificultada. Eu sou QENA e estou a concurso, para algumas escolas onde, antes, dificilmente entraria porque os QZP ocupavam os lugares e eu era remetido para a 3.ª prioridade, na MI. Sou um acérrimo defensor da graduação profissional e, aliás, discordo que os professores de QA/QENA tenham de ir para a 3.ª prioridade, na mobilidade interna. Mais uma vez, acho que deveria ser a graduação profissional e talvez as tantas vagas sejam ainda mais, porque, entretanto, muita gente se reformou e a vaga já não foi a tempo de ser declarada para o concurso.

    Mais uma vez, vão ser colegas menos graduados a ocupar esses lugares, entretanto libertos, porque não há uma visão de curto prazo. O que se deveria ter solicitado aos diretores era: até setembro, quantos colegas se vão reformar? Embora saibamos que, por vezes, há atrasos na CGA, talvez assim se dotassem as escolas das verdadeiras necessidades, que, em muitos casos, estarão longe de serem residuais.

    Depois, uma referência às mobilidades estatutárias: muita de falta de professores em Lisboa é devida às requisições para tudo quanto é planos do cinema, das artes, da leitura, da literacia científica, dos organismos disto e daquilo. Se muitos voltassem às escolas, o problema ficaria, certamente, atenuado.

    Por fim, concordo com o que é dito acerca dos tempos de espera. Quando eu comecei a dar aulas, os concursos eram em papel. Agora, com tudo informatizado, o tempo de espera continua a ser o mesmo. Aliás, vai ser desafiante ver os professores que ficarem colocados no Algarve, à procura de casa, depois do dia 15 de julho…

      • Mainada on 29 de Junho de 2024 at 21:17
      • Responder

      Mas há um problema a inquinar o processo. A DGAE pediu às Direções o número de vagas que previam para os diferentes grupos. Foi generalizado essas indicações serem completamente ignoradas, quer atribuindo vagas a menos (0 ou mesmo negativas onde tinham sido indicadas diversas vaga) ou vagas a mais (vagas criadas onde não existem, o que vai dar origem a horários zero e lesar seriamente quem nelas for colocado). É mau para todos e não se entende.

    • Fernando on 29 de Junho de 2024 at 21:27
    • Responder

    Desconheço se foi assim. E, neste momento, haverá assim tantos horários «zero». No agrupamento onde eu trabalho, em Lisboa, forma abertas 6 ou 7 vagas. Algumas correspondem a lugares de QZP, outros a reformas, porque andamos o ano todo a ter turmas mais, porque ninguém vinha para os horários… Além disso, os horários zero concorrem em primeira prioridade. Se antes havia X QZP e agora há um número de vagas que corresponde, grosso modo, aos docentes de QZP que existiam, se há tanta falta de professores, não consigo compreender como é que se traça um cenário em que existirão assim tantos horários zero, nomeadamente em alguns grupos.

      • Mainada on 29 de Junho de 2024 at 23:09
      • Responder

      Não há nenhum estudo sobre até que ponto foi assim. Mas o próprio Arlindo mencionou aqui uma situação. E na minha escola (ou deverei dizer, ex-escola) sei que foi exatamente assim e que a Direção foi aos arames, de tal modo foi flagrante. E vão-se ouvindo coisas que apontam precisamente sempre nessa direção… Em todo o caso, parece um velho vício, só que em esteróides e com o problema da atribuição de vagas inexistentes. Ainda um dia destes encontrei um amigo que foi Diretor (agora está reformado e não terminou a carreira como Diretor, foi uma passagem), que me disse: “Ó xxxxxxxxxx, já eu ficava furioso porque pedia vagas e não mas davam. Ou seja, para que é que eu tinha o trabalho de indicar as vagas?”. Quanto a os horários zero concorrerem na primeira prioridade na MI, já o fazia enquanto QZP e estava onde queria e me queriam, com concursos normalmente a cada 4 anos e não anuais.

    • Ultracongelado on 30 de Junho de 2024 at 10:34
    • Responder

    O que subverteu os nossos concursos e agravou significativamente o problema das zonas com falta de professores foi precisamente o deixarem os professores qzp concorrerem na mobilidade interna para fora do seu qzp e, ainda por cima na primeira prioridade, à frente de colegas qa / qe, muitas vezes mais graduados. O problema agravou -se significativamente quando os contratados passaram a efetivar obrigatoriamente em qzp. Efetivavam onde abriam as vagas, que era onde faziam falta, mas na mobilidade interna fugiam imediatamente do seu qzp à frente de colegas qa / qe muito mais graduados.
    Ora, parece-lhe justo que para você ficar colocado onde quer e onde o querem estejam a colocar, onde não quer um colega seu com maior graduação profissional? Se a sua resposta for afirmativa, diz muito acerca do seu carácter e do seu sentido de justiça.

      • Fernando on 30 de Junho de 2024 at 10:54
      • Responder

      Claro! Concordo inteiramente. É certo que quem concorria para quadro de escola o fazia porque queria, mas foram sucessivamente prejudicados. Ficavam longe de casa, depois tentavam a mobilidade interna, em terceira prioridade, e às vezes lá conseguiam, nas zonas mais carenciadas. Os QE, muitas vezes mais graduados, longe ou em escolas que não lhes interessavam tanto; os QZP, em escolas que interessavam mais aos QE e, na maior parte dos casos, com menor graduação.

      Aliás, muitos foram os professores que mudaram de QE para QZP porque havia vantagem nisso. Para mim, o que está em causa nem é a figura do vínculo contratual; é, simplesmente, a graduação profissional que, apesar de não ser um sistema perfeito, é o mais justo, num país que vive de esquemas e de amiguismos.

      E espero, de facto, que os concursos voltem a ser anuais, como eram em 1998, quando eu comecei, e antes disso. Nos últimos anos, nos intervalos entre concursos, abriam lugares em escolas que eram ocupados por menos graduados, muitas vezes, e os QE impedidos de concorrer ou remetidos para uma prioridade em que quase ninguém ficava. Com tanto professor a reformar-se, os próximos anos terão de corresponder a abertura de lugares, ainda que em menor quantidade do que se viu neste ano.

      Poderá haver horários zero, mas penso que serão situações pontuais, porque entre março e o dia 15 de julho, já terão saído mais uns milhares de professores e os diretores terão essas horas para atribuir.

      • Mainada on 30 de Junho de 2024 at 11:48
      • Responder

      A verdade é que nunca concorri, na MI, para fora do meu QZP. Outra verdade é que me limitei a cumprir as regras vigentes, como, aliás, não poderia deixar de ser. O resto, são opiniões e julgamentos de carácter por parte de pessoas a quem não reconheço esse direito (de certeza que não são perfeitas e, como não as conheço de lado nenhum, até posso imaginar que possam ser muito imperfeitas).

        • Ultracongelado on 30 de Junho de 2024 at 17:22
        • Responder

        Ok! Pelos vistos, respondeu que sim à questão formulada. Está tudo dito!

          • Mainada on 30 de Junho de 2024 at 17:34

          Para além de se julgar acima de quem discordar de si, sofre de autismo? Só tem que dizer que sim e eu compreenderei. Assim não sendo, como é que posso avaliar o seu carácter? Pode ser um sádico, um egocentrista, um toxicodependente, um alcoólico, um perverso, um agente político, como é que eu posso saber? Tudo o que tenho de si são pretensas certezas e exclamações…

          • Ultracongelado on 30 de Junho de 2024 at 21:34

          Não sou eu que preencho os comentários a todos os artigos publicados no blog e alguns com insultos a quem expressa opiniões diferentes das que, ingenuamente, julga ser a única. Assim, mais uma vez, parece-me que estamos esclarecidos sobre quem é o egocêntrico aqui.
          Se dúvidas houver, basta ler todos os comentários a este e aos últimos dez artigos publicados no blog para ver quantos comentários publicou e a linguagem que utiliza.

          • Mainada on 30 de Junho de 2024 at 21:48

          Claro que a sua esperança é convencer alguém com mais uma afirmação lançada ao ar… Ou isso ou, ainda por cima, é um stalker. Pior: um stalker irritado com a liberdade de pensamento e expressão!

          • Mainada on 30 de Junho de 2024 at 22:38

          Mas, para que não restem dúvidas sobre quem aqui é mentiroso e incendiário, convido quem tiver paciência a, como diz, ler (e, acrescento, contextualizar) todos os comentários a este e, sobretudo, como tão claramente salienta, aos últimos dez artigos publicados no blog para ver a linguagem que utilizo.

          • Fernando on 30 de Junho de 2024 at 22:49

          A liberdade de pensamento e de expressão são reguladas pela justiça. A linguagem que usa e os insultos que profere, só surgem porque se esconde atrás de um computador. Se fosse na vida «real», essa liberdade de expressão talvez desse origem a processos de difamação, calúnia ou ofensa.

          • Fernando on 30 de Junho de 2024 at 22:58

          Aqui fica o «best of». A contextualização fica a cargo dos leitores ou da interlocutora que escreveu as mensagens.

          «O número enorme de professores de QA que concorreram serve diretamente para desestruturar completamente a vida dos QZP que, até agora, tinham uma vida estável. Parabéns.»

          »O resto, são opiniões e julgamentos de carácter por parte de pessoas a quem não reconheço esse direito (de certeza que não são perfeitas e, como não as conheço de lado nenhum, até posso imaginar que possam ser muito imperfeitas.»

          «Para além de se julgar acima de quem discordar de si, sofre de autismo?»

          «Assim não sendo, como é que posso avaliar o seu carácter? Pode ser um sádico, um egocentrista, um toxicodependente, um alcoólico, um perverso, um agente político, como é que eu posso saber? Tudo o que tenho de si são pretensas certezas e exclamações…»

          «Claro que a sua esperança é convencer alguém com mais uma afirmação lançada ao ar… Ou isso ou, ainda por cima, é um stalker. Pior: um stalker irritado com a liberdade de pensamento e expressão!»

          «Vai-me perdoar, mas, tenho que o dizer, desconfio dos moralistas militantes. Majestáticos.»

          «Passa da falácia para a ironia.»

          • Mainada on 30 de Junho de 2024 at 23:01

          Sim, sim, limito-me a repetir: quem tiver paciência, que pesquise, contextualize e avalie. Não escondo nada. E acrescento que V. Exa, aparentemente atacado de azia, também não falaria como fala numa situação da ‘vida normal’.

          • Mainada on 30 de Junho de 2024 at 23:06

          Olhe, e não faça dos seus colegas estúpidos, publicando um conjunto de frases selecionadas e descontextualizadas. Todos somos professores. À partida, conseguimos avaliar sem a preguiça da sua ajudazinha.

          • Fernando on 30 de Junho de 2024 at 23:21

          Tem toda a razão. Em situação de vida normal, já seria eu a ter um processo em cima.

          • Mainada on 30 de Junho de 2024 at 23:29

          Acha? Que negativismo! Fiquemos por aqui, proponho eu, porque estamos a falar de tudo menos de Educação…

    • A.silva on 30 de Junho de 2024 at 12:20
    • Responder

    Muito se tem falado sobre este concurso e sobre as novas regras do mesmo.

    Mas estarei enganado ou boa parte das regras foram resultado das reinvindicações dos representantes dos professores e derivadas das imposições da UE?

    Vamos lá então:
    – Não foi sempre uma exigência dos sindicatos a realização de concursos anuais?
    – Não foi sempre uma exigência dos sindicatos que a graduação profissional fosse o principal fator de graduação dos professores nos concursos?
    – Não foi uma imposição da UE a vinculação dos professores contratados?

    Pelo que se vê os sindicatos não respeitaram a vontade dos seus sócios pois exigiram concursos anuais e com respeito pela graduação profissional quando, aparentemente, há muitos professores QZP (não vou ter medo das palavras) que estavam acomodados com a sua situação (sobretudo -e conheço alguns – que ficavam anos a fio na mesma escola) e que ainda afirmavam que era mais vantajoso ser QZP que QENA/QA.

    Pelo que se vê o estado português ter cumprido uma exigência da UE não foi feito como deveria ter sido pois obrigou os agora vinculados a concorrer a todo o país (incluindo as zonas onde há necessidade de professores) e não somente às zonas onde esses professores gostariam de ficar.

    Obviamente que finalizado o concurso haverá professores que ficarão contentes, outros conformados e alguns (espero que não muitos) descontentes.
    Mas sempre houve professores agradados com a escola onde estão e professores desagradados com a sua colocação. Poderão é não ser os mesmos…

    PS: sou professor do quadro, estou há mais de 25 anos na mesma escola, numa zona a mais de 300km da que era a minha zona e adaptei-me (que remédio).

      • Fernando on 30 de Junho de 2024 at 14:01
      • Responder

      Subscrevo o que referiu. Era mesmo essa acomodação, porque muitos QZP sabiam que ficavam ali anos a fio. Agora, muita coisa veio baralhar o esquema: os da vinculação dinâmica, os QE, os QZP…. Quase todos. Mas também importa não esquecer que muitos QE concorrem a cinco ou seis escolas e que nem todos vão conseguir mudar, logo ficam no seu lugar de origem.

      Como refere, o que se conseguiu, foram reivindicações dos sindicatos e de muitos docentes, com as quais, no geral, eu concordo. Eu estou há 8 anos, a 150 km de casa, porque nunca abriam vagas mais perto da residência, ou quando abriam, eram para os QZP, que estavam na segunda prioridade e as ocupavam. Em 24 anos de serviço, o mais perto que estive de casa foi a 80 km. Ainda era contratado. Estou a concurso e duvido que me consiga aproximar, porque há muita gente mais graduada a concorrer para onde pretendo. E ainda bem que assim é. Mesmo que não mude, há um critério justo, universal, aplicado a todos, que deve ser o princípio básico da administração pública e dos concursos que abre.

    • Mainada on 30 de Junho de 2024 at 14:50
    • Responder

    Que diabo, nunca imaginei que fosse causar tanta controvérsia. Cada um de nós tem a sua vida, que é a única que temos, e é normal que nos preocupemos com isso, principalmente quando há, uma vez mais, alterações de regras, para bem, para mal ou para sabe-se lá bem o quê…

      • Fernando on 30 de Junho de 2024 at 15:55
      • Responder

      Com o devido respeito, a questão está mesmo no «cada um tem a sua vida», porque, salvo honrosas exceções, cada um, atualmente, só olha para o seu umbigo e para a forma que lhe dá mais jeito, e não me refiro só aos docentes. Olhe, a mim dava-me jeito que colocassem primeiro as pessoas com nomes começados por F, por ser Fernando. É por isso que a classe docente e a sua carreira chegaram a este estado. Não pensamos no coletivo, mas no que nos dá mais jeito, conforme as conveniências de cada um. Ponha-se por um momento no lugar dos outros, que também têm a sua vida, a única que têm. O plural que usou no seu texto não é de modéstia, é majestático.

        • Mainada on 30 de Junho de 2024 at 16:22
        • Responder

        Vai-me perdoar, mas, tenho que o dizer, desconfio dos moralistas militantes. Majestáticos.

          • Fernando on 30 de Junho de 2024 at 16:41

          Como reconheceu, nunca pensou que causaria tanta polémica. É como quando se vai na autoestrada em contramão e achamos que somos nós que estamos bem.

          • Mainada on 30 de Junho de 2024 at 16:54

          Bela falácia. Continue que vai bem…

    • Fernando on 30 de Junho de 2024 at 16:57
    • Responder

    Pois vou. Leia todas as intervenções decorrentes da sua e veja o que os colegas defendem e os argumentos que aduzem. Boa sorte para o seu concurso e que fique na escola que realmente deseja.

      • Mainada on 30 de Junho de 2024 at 17:04
      • Responder

      Passa da falácia para a ironia. Desejo-lhe tudo de bom.

    • Efender on 1 de Julho de 2024 at 10:18
    • Responder

    Tanta literatura e filosofia sobre uma coisa que só tem um comentário: ESTE CONCURSO SERÁ FULMINANTE E NUNCA MAIS HAVERÁ CONCURSO IGUAL NEM DE PERTO NEM DE LONGE.

    Já sugeri que se preparasse um plano parecido com os de prevenção dos incêndios. O INEM não vai conseguir dar conta das apoplexias e dos achaques. Cada colocação de QZP representa um TIRO. Vai uma aposta?

    Exemplo:
    1. QZP colocado na António Arroio > QA colocado em Unhos;
    2. QZP colocado no Camões > QA da Passos Manuel;
    3. QZP colocado no Filipa de Lencastre > QA das Olaias;
    4. QZP colocado no Pedro Nunes > QA do Alto do Lumiar;
    5. QZP do Rainha D. Leonor > QA do Bairro Padre Cruz;
    6. QZP Escola de Música > QA Fonseca Benevides
    7. QZP Maria Amália > QA Marquês de Pombal

    E assim sucessivamente…

    Digam-me se não vai ser apoplético?!

    Vai ser de arromba! E preparem-se está quase a rebentar.

      • Mainada on 1 de Julho de 2024 at 13:03
      • Responder

      Alguém que põe os nomes nas coisas (com algum exagero ou não, ainda teremos que ver)! Como é que ponho um like?

      • Maria on 1 de Julho de 2024 at 19:32
      • Responder

      Claro que quem não for de Lisboa não vai perceber onde quer chegar. Mas que teve a sua graça, lá isso teve

    • Luís Miguel Cravo on 1 de Julho de 2024 at 12:36
    • Responder

    Cara Paula…..
    Já lhe passou pela cabeça contabilizar os que abandonaram a profissão?
    Desafio feito.

  4. Um facto que ainda não foi referido nestes comentários, por ser inconveniente.
    Nos concursos os QZP são obrigados a concorrer ao seu QZP todo.
    Ainda no ano passado eram enormes e o professor QZP tanto poderia ficar a 10 quanto a 200 km de casa.
    Agora os QZP diminuíram para cerca de 50 km na sua maior distância.
    Quando um QA concorre, concorre apenas para algumas escolas e não corre este risco de ficar tão longe.
    É algo hipócrita da parte dos QA dizerem que os QZP têm só vantagens.
    Se assim fosse, porque razão nos concursos os QA não mudam para QZP?
    Os QA só falam das listas de graduação, mas não falam da obrigação de se concorrer para o QZP inteiro.

      • Mainada on 1 de Julho de 2024 at 14:53
      • Responder

      Claro.

      • Maria on 1 de Julho de 2024 at 19:36
      • Responder

      Vou partir da sua premissa: “Quando um QA concorre, concorre apenas para algumas escolas” para questionar se um QA em Lisboa que queira regressar à terra Natal, por exemplo em Braga, se concorre apenas a algumas escolas?!?

      Está a falar dos muitos QA que já são QA na zona que pretendem e apenas querem ir para a escola do lado, mas nem todos, infelizmente, estão nessa situação.

    • Tayari on 1 de Julho de 2024 at 14:31
    • Responder

    Gostei@

  5. Boa tarde!

    Cuidado com o texto – e o fio sintático [e afins!!!]. Respeitemos a língua portuguesa, por favor! Não pretendo ser desrespeitoso nem indecoroso, mas quem escreve para fóruns públicos de médio ou largo escopo – de livre e espontânea vontade [e não coagido!] – tem responsabilidades acrescidas, certo? Com estima! MF.

  6. Sem duvida, esta proporcao indicaria um número considerável de professores.

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