Uma Breve Antecipação do Próximo Ano Letivo

Não se entende como se reduz a oferta  educativa para 2023/2024 ao mesmo tempo que se vinculam quase 8 mil professores.

Esta redução dos créditos para 2023/2024 vai reduzir imenso o número de professores contratados em 2023/2024 e muitos deles vão se arrepender de não terem optado pela vinculação dinâmica.

O que vale é que não se prevê uma redução nas baixas médicas dos docentes em serviço (pelo contrário) o que pode contrabalançar esta redução de horários disponíveis.

 

Recuperação de aprendizagens: continuidade dos apoios aos alunos é “quase impossível”

 

A medida criada como resposta aos efeitos da pandemia, com término em 2023, foi estendida por mais um ano, mas as escolas não vão contar com mais docentes, como aconteceu nos últimos anos letivos. Diretores estão “à beira de um ataque de nervos”.

Apoios de Português, Matemática, Português Língua não Materna (PLNM), projetos de combate ao abandono escolar, disciplinas da oferta complementar como Inglês ou Filosofia para Crianças estão em risco.

O alerta é de Filinto Lima, presidente da direção da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), que afirma ao DN que os diretores estão “à beira de um ataque de nervos” com a retirada do chamado crédito horário, uma medida implementada no Plano de Recuperação, que permitia o reforço de professores para fazer face à perda de aprendizagens provocada pela pandemia de covid-19.

“Este é o maior problema da escola pública”

 

O Plano de Recuperação das Aprendizagens vai, assim, contar com menos professores nas escolas no próximo ano letivo, deixando cair muitos dos apoios dados desde 2021, quando as escolas começaram a contar com mais horas para contratar docentes. O ministro da Educação, João Costa, justificou a medida com o fim do programa de fundos comunitários. Uma decisão que, segundo Filinto Lima, “fará abortar também projetos que melhoram o sucesso escolar ou que previnem o abandono do ensino”.

Para o presidente da ANDAEP, a falta de recursos humanos com o término do crédito horário é, “neste momento, o maior problema da escola pública”. “Precisamos de recursos humanos nas escolas. Lidamos com crianças e jovens e os recursos humanos são fundamentais. E falo também na questão dos assistentes operacionais, que está ultrapassada. A fórmula aplicada para contratar assistentes é antiga e deve ser atualizada. As câmaras como a de Vila Nova de Gaia percebem as dificuldades das escolas e dão-nos mais funcionários, mas devia ser uma regra em todo o país”, sustenta.

Pedidos mais professores para alunos estrangeiros

 

Segundo Filinto Lima, chegam cada vez mais alunos estrangeiros às escolas portuguesas, muitos em dezembro e janeiro, altura em que em países como o Brasil termina o ano letivo. Para esses alunos, a disciplina de PLNM é “essencial”.

Contudo, só com um mínimo de 10 alunos é possível formar turma e contratar um docente. Caso contrário, os estudantes ficam com uma aula de apoio por semana e apenas havendo crédito horário nas escolas. “Vamos pedir ao Ministério da Educação mais professores de PLNM. É mais um desafio para as escolas, não só da língua, mas também na socialização. Mais uma vez, são necessários recursos humanos para trabalhar com estes jovens”, explica.

Filinto Lima relembra as palavras do Papa Francisco, “que referiu há dias, na Jornada Mundial da Juventude, que a educação é uma área prioritária em qualquer país”. “Espero que o governo português e o de todos os países tenham escutado as palavras dele. Falo da educação, da saúde. É preciso dar ouvidos a pessoas que nós admiramos e é preciso que as palavras se levem à prática”, conclui.

 

Número de alunos aumenta

 

Segundo dados publicados no site da Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), as escolas ganharam mais de 15 mil alunos num ano, tratando-se da primeira vez em que se regista uma subida de estudantes em mais de uma década. A queda da natalidade tem feito descer o número de alunos nas escolas portuguesas, uma tendência que se inverte agora com a entrada de alunos estrangeiros na educação.

O Ensino Básico e o Pré-escolar registaram o maior número de matrículas, desde 2021, com 72 420 crianças inscritas já este ano letivo no Pré-escolar e 75 829 novos alunos no primeiro ano do 1.º Ciclo. O 7.º ano lidera a tabela de subidas, com um aumento de 10,65%, passando de 69 970 para 78 315 alunos.

O ensino privado segue a mesma linha de aumento do número de alunos estrangeiros. “Nas escolas com contratos de associação, de ensino gratuito, a realidade é igual à das escolas públicas. O grande aumento é na emigração diferenciada, que se sente nos colégios privados. Temos cada vez mais alunos estrangeiros e de muitas nacionalidades”, conta, ao DN, Rodrigo Queiroz e Melo, diretor-executivo da Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo (AEEP).

O responsável adianta ainda a existência de um aumento na procura dos estabelecimentos privados. “Os últimos dados oficiais indicam um ligeiro crescimento do privado. Em Lisboa e no Porto, onde há maior poder de compra, os privados têm uma lista de espera extensa”, afirma.

Próximo ano letivo vai ser de “guerra total entre ME, docentes e sindicatos”

 

Filinto Lima teme arrancar o novo ano letivo como terminou o anterior. “Estamos a prever uma guerra total entre o ME, docentes e sindicatos. Não vai existir estabilidade no próximo ano letivo”, sublinha. O presidente da ANDAEP acredita que os problemas deste ano letivo, marcado por protestos e greves, se vão manter.

“É uma guerra por tempo indeterminado. Um braço-de-ferro longo. O Presidente da República vetou o diploma da recuperação de serviço, mas logo se percebeu que não iria satisfazer os professores e os sindicatos. É positivo o que vai ficar no diploma, mas duvido que seja calendarizada a recuperação total do tempo de serviço congelado. O governo não está disposto a devolver o tempo de serviço, como se fez na Madeira e nos Açores”, conclui.

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23 comentários

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    • António Gomes on 10 de Agosto de 2023 at 23:19
    • Responder

    Oh merda ambulante tu ainda não te transformaste em bosta alienígena?

    • Amélia Rodrigues on 11 de Agosto de 2023 at 0:52
    • Responder

    Cá está de novo o Antoninho!! Aquele que continua a ter uma dor de cotovelo imensa dos professores!! Enquanto os professores queimavam as suas pestanitas a estudar, que fazias tu, Antoninho?? Roçavas o teu traseiro pelas esquinas! Enquanto os professores se esfalfam a tentar ensinar e a aturar criaturas mal educadas como tu, que fazes tu, Antoninho? Roças o traseiro nas esquinas sebentas e os cotovelos na pocilga da tua vida sem vida! Estudasssssses!

    • Luís Miguel Cravo on 11 de Agosto de 2023 at 2:56
    • Responder

    “….vão arrependerem-se…”?! A sério?
    Realmente…

    • Escola pública on 11 de Agosto de 2023 at 11:36
    • Responder

    O problema é que os ricos não precisam da escola pública para recuperar aprendizagens.Podem pagar explicações aos filhos.Resolvem o problema.

    Portanto, vamos sempre bater na mesma tecla. Quem fica para trás sem algumas aquisições são os mais desprotegidos, os filhos dos pobres e dos explorados nas caixas dos hipermercados,que não têm dinheiro nem alternativas para os filhos. E que nem tem consciência do que está a acontecer.

    Onde estão as associações de pais a gritar?
    Já as ouviram?

    São os professores e diretores que falam disto na comunicação social
    Mas aos professores não lhes compete andar a falar disto.Nao são ministério da educação.Tem muito com que se preocupar. Temos que lutar pela carreira.
    Somos ou não somos profissionais?
    Ou somos missionários franciscanos?

    O que é espantoso é que quem toma estas decisões são pessoas que constituem um governo socialista e que deviam estar preocupados com as desigualdades.Para isso foram eleitos.
    Tristemente de socialistas só têm o nome.

      • Dani Lopes on 11 de Agosto de 2023 at 13:07
      • Responder

      Mas o mal é que alguns professores só dão importância aos alunos filhos de pais ricos e que podem pagar os apoios que os filhos precisam, e os alunos que são filhos de pais que não tem como pagar esses apoios, como o meu que tem o 2 escalão de abono, está no 2 ano tem défice de atenção e hiperatividade e foi muito desprezado e tratado como se fosse um preguiçoso. Alguns professores são uns interesseiros, nem sequer tem perfil e aptidão para o que estão a fazer, não exercem a profissão porque o gostam de fazer, mas sim a espera de alguma coisa em troca, e no caso do meu filho aconteceu exatamente isso

        • Anonimo on 11 de Agosto de 2023 at 13:38
        • Responder

        A tratar os professores como este governo trata não espere que vão para a profissão pessoas abnegadas e por amor à camisola.
        Ninguém vive do ar, mas parece que este governo quer que os professores o façam. Com os médicos é o mesmo. Já os enfermeiros viram a luz ao fundo do túnel. É conforme os apetites governamentais.
        Compreendo o que diz, mas sem tratar bem os profissionais, não se pode ter qualidade.
        Desculpe a comparação, mas se quer o carro arranjado como deve de ser, não o vai colocar na mão de um sucateiro que até consegue desapertar uns parafusos, mesmo que o faça muito barato, não é?
        Para este governo, qualquer um pode ser professor, mesmo que ganhe uma miséria.
        Já para ser político … isso é que tem de ser bem pago. Ou receber luvas.

    • Dani on 11 de Agosto de 2023 at 14:35
    • Responder

    Desculpe lá o que um assunto tem a ver com o outro? Eu vou arranjar o meu carro onde posso ir, se não tenho dinheiro para ir ao mais caro, vou ao mais barato, o que interessa andar de consciência tranquila e cara lavada! Numa escola pública tem que se dar o maior apoio e o maior incentivo a quem precisa, não é a quem não precisa. Se eu fosse rica o meu filho estava numa escola particular e não pública. Todos nós sabemos que o governo é o maior culpado nisto tudo, o problema é que os professores acabam por descarregar o seu descontentamento em quem não tem culpa, nos mais pobres e naqueles que mais necessitam. No meu trabalho, eu não vou descarregar o meu descontentamento em quem não tem culpa, não é justo! Muito menos quando se fala de crianças!

      • Anonimo on 11 de Agosto de 2023 at 21:00
      • Responder

      Mas onde é que os professores descarregam o seu descontentamento em quem não tem culpa?
      Pode elucidar-me, por favor?
      O que tenho visto ano após ano é os professores a darem horas e horas fora do sue horário aos alunos e à Escola Pública.

    • Luisa on 11 de Agosto de 2023 at 15:38
    • Responder

    Dos Filintos nao tenho eu pena…há muito que deveriam ter tomado uma posição 🙄
    resolvia o problema deles e o nosso.

    • Tuba on 11 de Agosto de 2023 at 22:52
    • Responder

    Se acabaram com o crédito extra afinal quais são as medidas do plano de recuperação das aprendizagens que foram prolongadas? A ver que valor têm…

    • Antonio on 12 de Agosto de 2023 at 18:49
    • Responder

    “O que vale é que não se prevê uma redução nas baixas médicas dos docentes em serviço (pelo contrário) o que pode contrabalançar esta redução de horários disponíveis.”
    Gostei…!!!
    Lamento que ninguém ponha fim a este esquema das baixas fraudulentas…mas é o que temos!
    .

    • Paulo Pereira on 13 de Agosto de 2023 at 13:01
    • Responder

    António, pelo que percebi dos teus comentários tu tens um aleijão na alma e não há muletas nem andarilho que te salvem. Que tal umas aulas com a Paula Bobone? Chafurda ai, és o maior nessa arte.

      • Betequeen on 15 de Agosto de 2023 at 11:54
      • Responder

      Há infiltrados a quem o administrador do blog deveria vedar o acesso.

      Trata-se de um blog alusivo a Educação e admite-se toda a espécie de lixo que só cá está para incendiar sem conhecimento de causa, que compreende tanto de educação como eu de engenharia aeroespacial.

      Aos pseudodoutos em Educação, sugiro que façam propostas coerentes, pertinentes e dignas de registo.

      Limitam- se a destilar veneno contra os professores.

      Eliminem- nos!

      Não têm esta opção?

      Este blog desilude-me cada vez mais pois admitem todo o tipo de bosta, não são seletivos.

      Degradante….

    • Betequeen on 15 de Agosto de 2023 at 11:38
    • Responder

    Já li alguns comentários e compreendo o motivo pelo qual a educação está num pântano… Malcriados, malformados, faltas de respeito, admitidas num blog através do qual se deveria chegar a um consenso, tentar encontrar soluções, debater as questões com seriedade e honestidade intelectual, etc, etc…. É uma vergonha!

    • Betequeen on 15 de Agosto de 2023 at 12:01
    • Responder

    É simples de resolver….

    Srs administradores, bloqueiem este António Tavares….

    Não está a dar nenhum contributo… Pelo contrário…

    Bye bye, incendiário e arruaceiro!

      • Docentecommuitoorrgulho on 15 de Agosto de 2023 at 23:36
      • Responder

      Concordo inteiramente consigo, bloquear esse António Tavares, já devia ter sido ontem!
      Faltas de respeito e maldizeres, não podem mesmo ser admitidas!

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