Sobre o Diploma Que Foi Promulgado

Contas do ministro tapam a realidade e só enganam quem quer ser enganado!

 

Sobre o diploma que foi promulgado:
As contas do ministro tapam a realidade e só enganam quem quer ser enganado!

O ministro da Educação demonstrou ontem que sabe usar os números para criar cenários que disfarçam a realidade. Afirmou que com o diploma agora promulgado há 65 000 professores que irão progredir… que se saiba todos os professores irão progredir na carreira, salvo se ela for, mais uma vez, congelada. A questão é se essa progressão será feita no sentido de, em breve, os professores estarem integrados no escalão a que têm direito, de acordo com o seu tempo de serviço, ou se progredirão, ainda que um ano antes, para patamar que fica dois ou mesmo três escalões abaixo daquele que seria o correto.

O ministro da Educação sabe que o diploma agora promulgado:

  • Não recupera um único dia dos 6 anos, 6 meses e 23 dias que continuam a ser negados aos professores, apesar de cumpridos;
  • Não elimina as vagas para progressão aos 5.º e 7.º escalões;
  • Não acaba com as quotas que tantas injustiças provocam na avaliação dos docentes;
  • Gera novas assimetrias entre docentes (como abaixo se exemplifica);
  • Mantém a discriminação dos docentes do continente em relação aos seus colegas das regiões autónomas e também em relação à generalidade da Administração Pública.

 

O ministro da Educação sabe que este diploma, como o próprio já afirmou anteriormente, apenas cria a possibilidade de os professores aspirarem chegar a um dos três escalões de topo da carreira, como se o Estatuto da Carreira Docente não fosse o mesmo para todos.

O ministro da Educação sabe que este diploma não é um acelerador, mas um aspirador, pois para além de só permitir aspirar a chegada a um dos três escalões de topo, também aspira, como se fossem lixo, os 6 anos, 6 meses e 23 dias que ainda não foram recuperados.

Em conferência de imprensa o ministro deu o exemplo de professora que tendo estado 2 anos em lista de espera no 4.º escalão e mais 1 no 6.º iria agora recuperar 3 anos de serviço; sejamos rigorosos: essa professora não recupera qualquer tempo de serviço perdido durante os 9 anos de congelamento, apenas anula a perda acrescida provocada pelo regime de vagas. Ao exemplo dado pelo ministro pode contrapor-se o do professor que, tendo perdido os mesmos 3 anos a aguardar vaga para progredir, é excluído deste diploma por, num dos anos de congelamento (no caso concreto, em 2012-2013), ter sido colocado num horário com menos duas horas letivas que, uma semana depois, já tinha sido completado. Este docente acrescenta 3 anos aos mais de 6,5 ainda congelados, gerando-se uma nova assimetria entre docentes: uma semana, em mais de nove anos, com menos duas horas letivas provoca uma diferença de 3 anos de tempo de serviço na carreira.

Face à situação, os professores não terão alternativa à luta que continuarão a desenvolver a partir de setembro, responsabilizando o governo por toda e qualquer perturbação que a mesma venha a causar nas escolas. A FENPROF reafirma a sua disponibilidade para, a partir de setembro, substituir a luta por uma negociação séria e consequente, da qual resulte um processo faseado, a desenvolver ao longo da Legislatura, de recuperação do tempo de serviço que continua por contar.

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10 comentários

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  1. A Luta Continua!

      • Pesado on 23 de Agosto de 2023 at 12:23
      • Responder

      Esta luta, como tem vindo a ser feita, é muito fraquita.
      Isto só lá vai com insurreição geral e guerra com armamento pesado, por terra, mar e ar.
      Acabem com vigílias, acampamentos patéticos, caravanas de palhaçada e discursos mansos, tipo abrileiros.

        • Contra os canhões on 23 de Agosto de 2023 at 12:28
        • Responder

        Isso mesmo.
        A Fenprof já está a caminho de Moscovo, para negociar a ajuda balística pesada e o empréstimo de 5 canhões de pólvora seca.

    • Assim sendo on 23 de Agosto de 2023 at 9:38
    • Responder

    Se continuarem a brincar às marchas e marchinhas, grevezinhas, vigílias, acampamentos e mais não sei o quê vai ficar tudo como dantes.
    Ou os professores saem da sua zona de conforto, arregaçam as mangas, lutam com unhas e dentes e com medidas que deixem mossas. Ou então a postura do governo será igual ou muito parecida à do ano letivo anterior.

    • Verdades on 23 de Agosto de 2023 at 11:32
    • Responder

    Não pararei nunca a luta!
    Enquanto todos não forem tratados por igual, não pararei!
    Somos todos portugueses, somos todos professores e, há luz do direito, da justiça e do bom senso, somos todos merecedores do mesmo tratamento como pessoas, profissionais e cidadãos.

    Assim, enquanto TODOS, TODOS, TODOS não isentarem de vagas aos 5.º e 7.º escalões, e não apenas alguns, sejam porque entraram antes de 2005, seja porque estão a dar aulas na Madeira ou nos Açores, NÃO PARAREI!
    Somos a única profissão em que há vagas para aceder a um escalão remuneratório. Não há mais nenhuma profissão em que tal aconteça.

    Enquanto TODOS, TODOS, TODOS não recuperarem todo o tempo de serviço que trabalharam e que não lhes foi contado para futuras progressões, como é de direito e é a única forma de se progredir na carreira na função pública, NÃO PARAREI!

    Até lá estarei SEMPRE nas diversas iniciativas que forem acontecendo e forem o mais eficazes possíveis.

    Aguardo que os sindicatos assumam posições de força, caso contrário acho que deverão ser os próprios professores a organizarem-se, como aliás aconteceu este ano independentemente de filiações sindicais, e façam as ações concretas para reinvidicarem os nossos direitos.

    Somos mais que profissionais. Somos profissionais da Educação, que têm o dever de dar o exemplo a quem ensinam. E nesse exemplo está o do civismo!

    NÃO PARAMOS!!

    • Lua e Sol on 23 de Agosto de 2023 at 12:44
    • Responder

    Para além de greves, todo o dia a todo o serviço, greve ao sobretrabalho, greve a serviço extraordinário, etc., mais o quê?
    Não obedecer aos Serviços Mínimos?

      • Anónimo on 23 de Agosto de 2023 at 13:03
      • Responder

      Serviços mínimos que, em 50% dos casos, acabam por ser declarados ilegais, ainda por cima!

    • Anonymus on 23 de Agosto de 2023 at 14:05
    • Responder

    Para se fazer alguma coisa, a classe tinha de estar mesmo mobilizada. O que é que se assistiu no ano anterior? Tudo, menos verdadeira mobilização: greves declaradas que não foram feitas, serviço extraordinário e sobre-trabalho que os lambe-botas do costume se apressaram a executar para que tudo corresse bem e o sistema continuasse a funcionar com uma distribuição extra de “xalentes”, dispersão por uma data de iniciativas pífias que tiraram força às reivindicações principais, e perdas de tempo em manifs, acampamento, vigílias, caravanas pela EN 2, tudo ótimo para tirar selfies para por nas redes sociais mas que nada trouxe à luta, obediência canina a serviços mínimos ilegais… Foram tantas as argoladas que já nem sei. Se a classe continuar com a mesma atitude, dentro dum ano estaremos aqui a repetir a mesma conversa. E isso é chato

    • Lua e Sol on 23 de Agosto de 2023 at 16:38
    • Responder

    E, para além de tudo, um Governo com uma maioria absoluta…
    Em todo o caso, mesmo que não tivessem maioria absoluta…
    No passado, o PSD (Rui Rio) e o CDS também lixaram os professores…
    Isto já podia estar resolvido.
    Entretanto, existem dois verdadeiros Países (Açores e Madeira) em que o tempo de serviço é recuperado…
    Estes políticos (os do Continente) deviam ser saneados… (Governo/Deputados do PS sobretudo).
    Nem Salazar dividiu/separou Portugal da Madeira e dos Açores. Professores de 1ª e os de 2ª…
    Nem Salazar tratou os professores como este PS o faz!
    O Tribunal Constitucional, não existe?!
    O 25 de Abril foi-se?!

    • Pobre Povo on 23 de Agosto de 2023 at 17:05
    • Responder

    A constituição é para ser aplicada para alguns…

    Para aqueles que detêm determinadas características, nomeadamente, serem dotados de uma genética excelente para que não fiquem doentes e, adicionalmente, terem dependentes biológicos ou adotados que possuam genética semelhante, ou melhor ainda, não terem dependentes ou ascendente alguns, ou se os tiverem, que os ignorem caso necessitem de assistência.

    Com estes requisitos, conseguem progredir, sem eles, ooppppsss, bem, azar, nada contra, vais para a lista, não é discriminação ok… Não é de todo! Ninguém tem nada contra serem/ficarem doentinhos ou terem filhos ou pais doentinhos…

    PS – para os mais distraídos, isto ´foi sarcasmo.

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