O cérebro adolescente – João André Costa

 

Os adolescentes, já se sabe, são irresponsáveis, imaturos, impulsivos, apaixonados. Movidos por causas, aí estão eles de bandeira em punho e punho em riste rua abaixo e rua acima, eternamente insatisfeitos e convencidos até ao âmago da sua existência não só da sua razão mas também desta invencibilidade, imunidade e imortalidade.
Os adolescentes, já se sabe, vivem para sempre e acrescentam mais um “i” de infertilidade à sua condição eterna.
O mundo é seu e está a saque, disponível e vulnerável e a vitória sempre certa e a razão para tamanha inocência não tem a ver com o epíteto”rasca” de outros tempos que são os nossos tempos quando a injustiça grita e cospe na cara de quem sai à rua mas sim e somente com o desenvolvimento, mais precisamente a falta de desenvolvimento, cerebral.
Trabalhar com adolescentes, estudar com adolescentes, crescer com, entre e para adolescentes é viver e promover o desenvolvimento cerebral hoje e sempre inconformado quando já não se é criança mas nem por isso adulto e a razão pura e simplesmente biológica.
O cérebro reptiliano à nascença, cheio de sobrevivência e instinto, vai desenvolver-se de trás para frente ao longo dos anos para dar lugar ao pensamento e o pensamento, a capacidade cognitiva e de discernimento, a compreensão vem sempre no fim.
E sim, na adolescência o córtex pré-frontal ainda está em vias de maturar, carecendo de orientação, assertividade, compreensão mas também carinho e afecto se, como professores e pais, pretendemos formar esta sociedade do amanhã.
A imaturidade do cortéx pré-frontal é a imaturidade adolescente e o porquê do recurso à amígdala, estrutura cerebral associada às emoções, agressividade e instinto, para a tomada de decisões.
A base da impulsividade e dos comportamentos irreflectidos é assim a razão para dar aos jovens com quem trabalhamos todos dias uma segunda, terceira, quarta e mais oportunidades.
E não, não é nem razoável nem expectável ter nos jovens a nossa capacidade de análise e compreensão, tantas vezes falível e a humildade igualmente basilar no ensino.
Os jovens, os adolescentes, os nossos alunos não são, não podem nem devem ser responsabilizados como se de adultos fossem se a capacidade de pensamento e decisão é dominada por áreas do cérebro em tudo menos capazes.
E se o córtex pré-frontal feminino tem o seu pico de desenvolvimento sináptico por volta dos 11 anos de idade, já com os rapazes o mesmo acontece aos 14 anos de idade, deste modo explicando a maturação cognitiva precoce das alunas de todos os dias.
Acrescente-se a estes processos o excesso de dopamina no cérebro adolescente sempre que gratificado para apreender a necessidade de recompensa imediata em tudo incapaz de esperar e à qual a escola e os professores devem estar atentos.
A recompensa, dependente da relação entre professor e alunos, será proporcionalmente maior à relação entre os professores e demais
dirigentes e não esqueçamos a realidade onde
estamos inseridos.
Valorizar a escola pública, acredite-se ou não, é promover o desenvolvimento do cérebro adolescente e o resultado sempre da nossa inteira responsabilidade.

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7 comentários

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    • Luís Miguel Cravo on 13 de Agosto de 2023 at 11:52
    • Responder

    Peço desculpa….. Os adolescentes a quem se reporta o artigo são de onde? Portugal?..
    🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣

    • Luluzinha! on 13 de Agosto de 2023 at 12:04
    • Responder

    Que ficção é esta? Tem a certeza de estar a falar de adolescentes da atualidade?

    • Tiago on 13 de Agosto de 2023 at 15:13
    • Responder

    É ima análise cientifica com respaldo consensual no meio, não há como não concordar.

    • José Gonçalves on 13 de Agosto de 2023 at 16:11
    • Responder

    Concordo em tudo com o que está escrito, no entanto o que está escrito não reflete a realidade do “sentimento jovem” de hoje. Se este é um espaço para se falar da escola e dos seus problemas, então foquemo-nos nisso. O jovem/adolescente de hoje não sabe lidar com a derrota, com a desilusão, com o fracasso: tudo lhe é dado e arregaçado. Tudo se faz (muito mais do que se devia) para que o aluno atinja as aprendizagens essenciais (leia-se: o professor põe e o aluno dispõe: o ator principal é o aluno mas é o professor que tem de trabalhar para que o aluno chegue – como numa passadeira rolante – à sua meta).
    Tudo o que o jovem absorve da sociedade traz para dentro da escola: corruptos, gatunos, criminosos que são pseudo-julgados nos tribunais e devido ao ciclo vicioso das nossas instituições, pouco tempo depois saem em liberdade, portanto: nada lhes acontece: a escola é (salvo raras exceções – falta de padrinho ou de sorte talvez…) o reflexo da sociedade: alunos que nada fazem ao longo do ano e no final do ano dá-se a aparição da Virgem Santa nota positiva… abençoada estatística e meta proposta a atingir no início do ano letivo.
    Li no texto do autor que devemos dar ao jovem “todos os dias uma segunda, terceira, quarta e mais oportunidades. (…) não é nem razoável nem expectável ter nos jovens a nossa capacidade de análise e compreensão (…) os nossos alunos não são, não podem nem devem ser responsabilizados como se de adultos fossem. Lá está: podes fazer tudo o que quiseres hoje, amanhã terás outra oportunidade para voltares a fazer o que quiseres.
    O mundo não é feito de vontades egoístas: é feito de pessoas que vivem em sociedade, que têm de decidir o que fazer, como fazer e com quem fazer. P.e., não é depois de se disparar a arma que se pede desculpa, há que instruir o jovem que se disparar a arma, vai haver consequências e nada melhor que sentir na pele a consequência por um ato menos grave e contextualizado na sala de aula do que esperar que o jovem faça algo que de tão grave que seja, não tem remédio.
    Esta situação faz-me lembrar aqueles jogos eletrónicos de estratégia: se num determinado nível tivermos de enfrentar um adversário, temos de nos esforçar para o conseguir: se não me esforçar o suficiente, não atinjo a minha meta. Depois aparecem os “códigos” e o jogo torna-se mais fácil, mas também menos interessante. O papel do jovem hoje na sociedade é igual: o nível é difícil, há que se esforçar, mas não é preciso esforçar muito pois à primeira dificuldade alguém lhe fornece os “códigos” para ultrapassar o problema: É sorrir e acenar…

    • Sardanisca II on 13 de Agosto de 2023 at 16:14
    • Responder

    Texto de enorme conjunçao estrutural, advida de fatores intrépidos mais que interessantes no intenso palrar do infinito extrudido, mas que se passa injetota do multisistema nacional abrileiro das madrugadas sem qualquer velocidade de parca estruturação penosado infinito.

    • sage on 14 de Agosto de 2023 at 3:25
    • Responder

    Quem escreveu este texto certamente não lida com “determinados “adolescentes, não é possível ser-se tão ingênuo ou então trata-se de alguém adulto mas imaturo. Há jovens e jovens e eles sabem muito bem o que fazem e as consequências dos seus actos. Se desreponsabilizamos estes adolescentes nas suas atitudes desviantes, se não existe uma penalidade, ou seja se tudo é aceite em nome de um “cortex em desenvolvimento” a impunidade reinante, o gozo generalizado alastra-se e teremos uma futura sociedade onde será díficil de viver. Tenha paciência mas a sua teoria é mais um fator de justificar a ausência e subtilmente defender a inversão de valores éticos morais. Para termos uma sociedade minimamente equilibrada é imperativo educar/ensinar a esses jovens até para o bem destes porque as crianças como o jovens necessitam de enquadramento de REGRAS para o seu bom desenvolvimento integral como ser humano. Registe: Toda a ação gera uma reação…toda a escolha tem uma consequência.

    • shrktalhrm on 24 de Agosto de 2023 at 7:10
    • Responder

    Your post has left me speechless.

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