Diretor de uma escola não é dono da escola – Joaquim Jorge

Diretor de uma escola não é dono da escola

A propósito de uma notícia que li no jornal Público este Domingo, referia que o Ministério da Educação instaurou um processo a director escolar que quis contratar a mulher. Para além do director, há mais visados, os elementos dos júris tinham conhecimento desta situação.

Infelizmente pela não contagem do tempo de serviço, os professores têm concentrado a sua luta primordialmente na recuperação desse tempo.

Mas há outros problemas de enorme gravidade numa escola. Um deles, é a forma abusiva, tendenciosa e prepotente com que alguns directores exercem o seu cargo.

Um dos representantes dos directores de escolas é director numa escola em Gaia, presidente dessa associação e presidente de junta de freguesia em Gaia eleito pelo PS. Está tudo dito, sobre acumulação de cargos, isenção, imparcialidade e independência!

Um director de uma escola foi eleito pelos professores para os representar e defender os seus interesses. Porém, depois de eleito é duro com os professores da sua escola e fraco e obediente para com o ministério e ultimamente com as câmaras.

Sempre fui contra esta nova forma de gestão de uma escola. A forma mais democrática é uma direcção colegial, estilo conselho directivo.

Um director é um professor como outro qualquer e deve ter um sentido humano elevado. Hoje é director, amanhã volta ao lugar de onde saiu.

Por outro lado, não é ele que paga aos professores, mas sim, o ministério.

Com esta forma de dirigir uma escola, há muita gente dependente de um director: avaliações de professores, colocação de professores, emprego de pessoal não docente, etc.

Um director tem tendência para usurpar os seus poderes e depois dá nisto.

Reparem que o director fez com que o júri aceitasse os seus critérios de contratação do lugar em questão.

As pessoas têm medo, até têm medo de pensar de maneira diferente.

A democracia deve começar numa escola, mas está a tornar-se um resquício de uma ditadura.

Uma escola não é uma empresa. Uma escola é um espaço de convivência de pessoas em que se deve enaltecer o respeito mútuo e as suas idiossincrasias.

Uma escola não é do director, é, sim, de toda a comunidade escolar.

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5 comentários

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    • Pedro Silva on 14 de Agosto de 2023 at 16:47
    • Responder

    O diretor de uma escola não é eleito pelos professores desde 2008 com a publicação do DL Nº 75/2008 posteriormente alterado pelo DL nº 137/2012. É eleito e empossado pelo Conselho Geral, órgão com 21 elementos onde os professores estão em minoria.

  1. De acordo.

    • Teresa Feio on 14 de Agosto de 2023 at 21:18
    • Responder

    Completamente de acordo!

    • Teresa on 16 de Agosto de 2023 at 9:24
    • Responder

    Completamente de acordo! É muito triste que uma pessoa tenha na mão decisões, que mudam a vida das pessoas para bem ou para mal. No caso das quotas é uma vergonha ver que só vão para os amigos e para outros que detenham cargos do seu interesse, e nos quais estão pela sua própria mão. Lamentam muito a situação, têm muita pena dos coitados que ficam anos à espera, mas na hora da verdade tudo é controlado e orientado para os seus eleitos. É a vida! Ganham os espertos e claro a culpa não é deles que haja quotas! Mas não é só aqui que o poder acaba, em muitas outras situações uns são privilegiados e outros humilhados, independentemente do valor profissional e humano que tenham. Penso que o voto devia ser de toda a comunidade educativa como já foi em tempos.

    • almethalyapoles on 23 de Agosto de 2023 at 11:37
    • Responder

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