Afinal um veto já não é um veto…

 

 O Presidente da República vetou, no passado dia 26 de Julho, o Diploma do Governo relativo ao tempo de serviço dos Professores, que previa a implementação de determinados mecanismos de aceleração da progressão na Carreira Docente (Site oficial da Presidência da República Portuguesa)…

 

A propósito da Vinculação Dinâmica e das decisões do Presidente da República, defendi isto noutro texto:

 

– O Presidente da República, à semelhança do que fez relativamente ao Diploma da “Aceleração da Carreira” dos Professores, deveria ter vetado também o da Vinculação Dinâmica…

 

– Como não o fez, acabou por tornar-se cúmplice de mais uma ignomínia perpetrada pelo actual Governo…

 

– Claro está que na Assembleia da República o Partido Socialista tem maioria absoluta e que isso, obviamente, significará a aprovação do que o Governo quiser, uma vez que neste “paraíso à beira-mar plantado” a mentalidade dos Partidos Políticos ainda não atingiu a maturidade necessária para conseguirem proceder de outra forma…

 

– Mas um veto ainda é um veto e isso também ainda terá algum significado, pelo menos, em termos políticos…

 

Depois das declarações do Presidente da República em 30 de Julho passado, justificando o veto relativo ao Diploma da “aceleração da Carreira” dos Professores, mas que agora, previsivelmente, passará a promulgação, extraio as seguintes conclusões, admitindo que me enganei redondamente, pelo juízo que fiz nas afirmações anteriormente citadas:

 

– Afinal um veto já não é um veto…

 

– Afinal, o Presidente da República, ao que tudo indica, continuará a ser cúmplice de muitas acções governativas injustas e discricionárias…

 

– Passados apenas quatro dias, um veto pode dar lugar a uma promulgação, bastando, para tal, que o Governo faça “microscópicas” alterações num texto, sem, contudo, alterar as suas reais intenções…

 

– As pretensões do Governo permanecem, obviamente, intocáveis e inalteráveis, mudando-se ou acrescentando-se apenas uns palavreados, para disfarçar a imutabilidade dos respectivos intuitos…

 

– Dois dos principais órgãos de soberania do país, o Governo e o Presidente da República, entretêm-se com “jogos de palavras”, numa atitude que denota um total desrespeito por aqueles a quem se destinam os “enigmas de palavras” ou as “palavras cruzadas”: os Professores…

 

– Depois desta rábula entre o Governo e o Presidente da República, já não subsistem dúvidas de que a obstinação, a arrogância e a perversidade deste Ministério da Educação não irão, certamente, desaparecer por via de um veto presidencial…

 

Ninguém precisa de “portinhas abertas”, nem de “migalhinhas” atiradas para o chão, nem de encenações ignominiosas e degradantes…

 

Em resumo, já não resta mais nada, nem ninguém, aos Professores, a não ser eles próprios…

 

A não ser que aceitem desempenhar o papel de “joguetes” em patéticas interpretações ficcionais ou que tolerem a “cegueira” da ilusão e do faz de conta…

 

Se queres ser cego, sê-lo-ás”… (José Saramago, Ensaio sobre a Cegueira).

 

Uma nota final para aqueles cidadãos que, nos últimos dias, após o conhecimento do veto presidencial, fizeram uso da sua condição de Jornalistas ou de Comentadores para:

 

– Hipoteticamente, difundir informações deturpadas acerca da Carreira dos Professores e da recuperação integral do tempo de serviço, parecendo confundir a sua opinião pessoal com a obrigação de relatar os factos com rigor e exactidão e interpretá-los com honestidade, conforme, aliás, estipula o Código Deontológico dos Jornalistas (Site oficial do Sindicato dos Jornalistas);

 

– Hipoteticamente, veicular factos não comprovados, sem ouvir todas as partes com interesses atendíveis no assunto abordado, plausivelmente contrariando o que estipula o Código Deontológico dos Jornalistas (Site oficial do Sindicato dos Jornalistas);

 

– Hipoteticamente, pretender, de forma encapotada, fazer fretes políticos ao Governo, em vez de informar objectivamente os seus concidadãos…

 

Todos os cidadãos têm o direito, inalienável, de poderem expressar as suas opiniões livremente, incluindo naturalmente os Jornalistas e os Comentadores…

 

Mas, hipoteticamente, quando um cidadão faz uso da sua condição de Jornalista ou de Comentador e não distingue entre uma notícia objectiva e uma opinião pessoal, dificultando o esclarecimento cabal da opinião pública, algo não irá bem na apregoada Democracia…

 

(Paula Dias)

 

 

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7 comentários

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    • Portinhola entreaberta on 1 de Agosto de 2023 at 10:45
    • Responder

    Não vi as marcas do anel, que o seu dedo me mostrava
    Só vi o seu olhar de mel, sem segredos, como água
    O que diziam não ouvi, pois pensava ser maldade
    Acreditei só quando vi, com os meus olhos, a verdade
    Afinal havia outra e eu sem nada saber, sorria
    E por ele andava louca pra ser sua mulher, um dia
    Afinal havia outra, uma família, um lar, uma casa
    E eu era no fim de contas, o amor das horas vagas
    Não quis saber da sua idade, pra quem ama pouco importa
    Ainda é sua pouca vontade, que eu passasse à sua porta
    Nem os encontros mais furtivos, me puseram mais alerta
    Só quando vi a olhos vistos, percebi, não estava certa
    Afinal havia outra e eu sem nada saber, sorria
    E por ele andava louca pra ser sua mulher, um dia
    Afinal havia outra, uma família, um lar, uma casa
    E eu era no fim de contas, o amor das horas vagas
    Afinal havia outra e eu sem nada saber, sorria
    E por ele andava louca pra ser sua mulher, um dia
    Afinal havia outra, uma família, um lar, uma casa
    E eu era no fim de contas, o amor das horas vagas
    Afinal havia outra e eu sem nada saber, sorria
    E por ele andava louca pra ser sua mulher, um dia
    Afinal havia outra, uma família, um lar, uma casa
    E eu era no fim de contas, o amor das horas vagas…

    • Anonimous on 1 de Agosto de 2023 at 13:57
    • Responder

    Vivemos o principio do fim da democracia. O Estado de Direito já era, caído por quem o diz defender e por um partido que se gaba de ter estado na sua formação. Afinal parece que apenas se serve do Estado, em vez de o servir.

      • Vicente Manuel on 1 de Agosto de 2023 at 15:30
      • Responder

      A verdade pura. Isto já não vai lá com palavras. É HORA DE ARREGAÇAR MANGAS E COMEÇAR A Fazê-los cair que nem todos. Cambada de oportunistas.

    • Gardner on 1 de Agosto de 2023 at 16:06
    • Responder

    Em democracia, ainda que representativa, é nas urnas, com o voto de cada um de nós, que devemos mostrar a nossa “felicidade”.

    • Estêvão Silva on 1 de Agosto de 2023 at 16:38
    • Responder

    Parabéns Paula Dias pelo textos que tem publicado.
    Aposentado há 13 anos, fico admirado que ainda acreditem no Costa (primeiro), lembrem-se que ele é do tempo da “Lurdinhas”, no Costa (ministro) e no Marcelo…. “Um veto é um veto, mas depois já não é um veto….”

    • Quando chegar a hora on 1 de Agosto de 2023 at 17:52
    • Responder

    Todos estão descontentes, revoltados, indignados… mas na hora de mostrar tudo o o que nos vai na alma, votam PS porque têm de votar no partido. Têm de votar na esquerdalha que trata tão mal os PROFESSORES e têm delapidado a ESCOLA PÚBLICA.
    Tenham coragem de dizer basta no sítio certo.
    Tenham coragem e não dêem maioria aos Costas.
    Nas próximas eleições, nas europeias tenham a coragem de mostrar o cartão vermelho a toda a esquerdalha.

    • Lua e Sol on 1 de Agosto de 2023 at 20:32
    • Responder

    Marcelo e Costa são a mesma coisa…
    Só nos resta fazer GREVES, todos os dias a todo o serviço, logo após o dia 1 de setembro.
    Nada mais nos resta.

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