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O triunfo da indiferença?
Nas próprias escolas alastrou uma indiferença simétrica. Não me refiro sequer à crescente apatia dos docentes perante o modo como se têm generalizado os abusos dos poderes locais, mas à própria indiferença com que, passada alguma agitação epidérmica muito localizada, foram encarados vários novos normativos publicados nos meses estivais.



2 comentários
Por mera coincidência, hoje, logo pela manhã, tinha enviado uma cartinha ao secretário Costa.
Pela seguinte frase se conclui que estou longe da “indiferença”:
«Não é fácil deixar obra tão vasta de destruição da escola pública, que no passado se entendia como local de ensino de qualidade, visando o progresso colectivo de um povo e a ascensão social dos mais pobres. Encontramos alguns paralelismos, bastante mais atenuados, em territórios anexados, nos quais a potência ocupante visava o aniquilamento cultural e económico da população ocupada. Mas encontrar uma política tão fortemente deletéria como a que vem sendo perpetrada por este ministério, intencionando transformar os alunos menos favorecidos do país – a sua esmagadora maioria – numa horda de mentecaptos, e parecendo ter como objectivo, claríssimo, instituir o domínio social dos filhos das famílias possidentes, com capacidade financeira para frequentarem colégios privados, é realização que só nas mais tenebrosas ditaduras encontra algo assemelhável. O Despacho n.º 6605-A/2021, de 6 de julho de 2021, ao revogar todos os programas e metas curriculares vigentes, e instituir um ensino, para todos os alunos do sector público, reduzido a objectivos e a conteúdos mínimos (metaforicamente designados como “aprendizagens essenciais”), coroa toda uma política coerente de devastação nacional, que pareceria impensável num Estado de direito democrático de um país da União Europeia. »
Cada um come o que quer e o que pode comer. Já agora não faltava mais nada! Daqui a nada põem-nos uma rolha no cú para cagarmos à hora que lhes convém.