3 de Setembro de 2021 archive

Não Sei Porque Tem Vindo à Baila a Municipalização

… e o receio que os docentes sejam transferidos para os municípios em Janeiro de 2022.

Nenhum município quer os professores. 🙂

Já ouvi alguns dizerem bem alto que para terem mais problemas não os querem, e…

…está salvaguardado na transferência de competências que os docentes nunca passarão para os municípios.

Cheiram-me a preparação de alguma tentativa de meter medo aos professores para uma manifestação que possa ocorrer lá para o início de outubro, onde se geralmente se celebra o dia mundial do professor.

Há tantos argumentos para voltar a juntar os professores, mas este não parece ser um bom argumento.

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Lista de Colocações Açores (03-09-2021)

Concurso Pessoal Docente 2021/2022

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“Não consigo dormir. Não é fácil. Tem sido penoso”

 

Anabela Santos vai fazer 160km por dia para não deixar de apoiar o filho e os pais. Graça Carvalho já fez 200, mas, agora, ficará a viver na vila onde foi colocada porque já se sente “envelhecida”. Carla Areias Silva ainda não foi colocada, no entanto, sabe que o mais provável é que fique em Lisboa novamente. Alberto Veronesi sugere medidas para ajudar os professores deslocados.

Professores deslocados. “Não consigo dormir. Não é fácil. Tem sido penoso”

A vida de Anabela Santos foi quase sempre a de professora deslocada desde 1997: tirou o curso em Viseu, passou por Lisboa e esteve cinco anos nos Açores e na Madeira. Regressou ao continente e foi colocada em Cinfães, onde esteve três anos, a 80 quilómetros de casa, e posteriormente deu aulas em Viseu, onde lecionou seis anos.

Pelo meio, esteve no Viso e também em S. Pedro do Sul, aproximadamente a 20 quilómetros de casa. Agora, é com muita tristeza que a docente de Português e História do 2.º ciclo, de 46 anos, verifica que voltará a fazer 160 quilómetros por dia, tendo sido colocada novamente em Cinfães.

“Estou muito descontente e tenho tentado a todo o custo que me oiçam. Infelizmente, sabia que isto iria acontecer”, desabafa a mulher mãe de um adolescente de 17 anos. Além do filho, tem a seu cargo os pais idosos.

“E também tenho o meu marido. Ele é polícia, trabalha por turnos e, por isso, temos duas profissões difíceis. Vou fazer 160km por dia e aquilo que me assusta mais é o nevoeiro, o gelo e a neve na serra todos os dias. Corro perigo”, explica a professora, adiantando que, quando as listas de mobilidade interna foram veiculadas no site da Direção-Geral da Administração Escolar, no passado dia 13 de agosto, percebeu que uma colega que se encontrava num lugar anterior ao seu – em termos de anos de serviço e de graduação – viu o pedido de reapreciação de mobilidade por doença ser deferido. Logo, deixou o lugar que ocupava numa escola em S. Pedro do Sul e que Anabela tanto deseja.

“Tentei mexer-me, fui ao Sindicato dos Professores da Zona Centro e a advogada fez uma exposição por escrito. Até à data, o Ministério da Educação não respondeu. Para espanto meu, anteontem verifiquei que foi colocada uma colega contratada a 3km de minha casa, tendo menos seis anos de serviço do que eu”, avança, assumindo que o facto de os professores se organizarem entre si para que ninguém fique sem boleia é o único fator facilitador da jornada dos professores deslocados. Contudo, mesmo existindo a entreajuda, não é simples.

“Em 2009, nevou muito e houve semanas em que me levantei às 4h e cheguei às 10h à escola. Tínhamos de ir pela A24, passar pela Régua, voltar e chegávamos seis horas depois. Parece-me que, neste momento, há mais condições para passar a serra, porque há um limpa-neves, o que é menos mau no meio disto tudo”, constata e, por isso, não ficou surpreendida quando se apercebeu de que, no ano letivo passado, a 28 de outubro, havia 396 horários por preencher, 42 dos quais completos e 253 superiores a oito horas letivas, de acordo com Vítor Godinho, dirigente da Fenprof.

A informação foi, à época, avançada pelo Jornal de Notícias, que esclareceu que em Lisboa estavam 181 professores em falta, em Setúbal 77, em Faro 34 e no Porto 22. Por disciplina, era possível afirmar que as disciplinas de Português, Inglês, Geografia, Física e Química, Matemática do 3.º Ciclo e Secundário eram aquelas que tinham mais horários por preencher volvido mais de um mês do início do ano letivo.

“Não consigo dormir. Não é fácil”, diz entre lágrimas e pedidos de desculpa. “Se não houvesse a serra, a escola seria ótima. Mas, com este problema… É muito complicado. E já tenho 46 anos. Fiz muitos sacrifícios pela profissão e ver a forma como o Ministério me ‘compensa’…. É triste”, declara, asseverando que “se houvesse justiça, estas situações seriam devidamente ponderadas. Como professora, ensino que devemos lutar pelos valores da democracia, mas como é que posso fazê-lo se os valores da igualdade e da justiça não prevalecem?”, questiona com desânimo.

 

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Motivam-se os professores castigando-os e maltratando-os…

 

O homem, não se contendo, olhou-me e chorou, evidência de que os homens também choram. Um colega que, na impossibilidade de um futuro melhor, com angústia, suplicava no olhar que lhe devolvessem o passado. Décadas de sacrifícios familiares para conseguir ficar próximo de casa e, de súbito, arrancado das entranhas da família, foi novamente arremessado para longe da sua vista, deitando por terra anos de suado esforço percorrendo estradas até ter conseguido, finalmente, estar próximo do seu lar.
Nada é mais injusto do que tratar de forma diferente o que é igual.
Esta é a história da classe docente acometida por uma tutela indolente que tem vindo a criar desigualdades de tratamento; não bastando a desigualdade imposta na progressão da carreira, a nível da colocação de professores têm vindo a multiplicar-se as prioridades, diretivas e normas que transformaram o mundo dos profissionais de ensino numa terra sem lei.
E o último grito da estupidez e da iniquidade chegou até nós no concurso de Mobilidade Interna através da remoção dos horários ditos incompletos (os quais acabavam sempre por serem completados pelas escolas com o imenso trabalho que existe para atribuir). Como consequência, professores que, por mérito próprio, nos últimos anos iam ficando a trabalhar perto da sua residência, foram atirados para as últimas escolhas que fizeram na ordem de preferências, enquanto as suas primeiras escolhas ficaram para 1 de setembro para professores menos graduados. Professores com menos tempo de serviço e, alguns, com médias de curso mais baixas, serem brindados com lugares perto de suas casas, enquanto os mais graduados são atirados para longe, é bem demonstrativo da injustiça deste concurso que desvaloriza o mérito e o esforço.
Mas, mais preocupante é o facto de haver colegas que acham correto poderem ficar com esses horários, pouco se preocupando se é justo, esquecendo-se que um dia lhes poderá vir a acontecer o mesmo. Um tenebroso mundo de miséria demonstrativo de que tudo o que aprendêramos foi tentar conseguir ultrapassar os outros agarrados ao medo de que estes nos pudessem ultrapassar a nós.
Não supunha, por certo, que depois de no concurso extraordinário de 2018 se ter corrigido uma medida idêntica que havia sido implementada no ano anterior, obstinadamente a tutela se tenha lembrado de, em 2021, repetir a mesma medida repisando a atrocidade cometida a milhares de professores, demonstrando trejeitos de prepotência, mesquinhez e vingança.
A recusa em ser parente passivo da injustiça leva-me a não aceitar ser concebível que se continue a decidir em manobras de secretaria o futuro dos professores, num contínuo processo de desprezo pela graduação profissional.
Tudo isto se reveste de supina gravidade numa profissão onde os professores são porta-vozes dos valores de esforço, mérito e justiça tentando incuti-los nas novas gerações, mas que para si veem estes valores serem completamente ignorados.
Este ato desumano e iníquo levará a quatro anos de vidas dificultadas, famílias separadas e muito desespero a desabar sobre professores que deveriam ser valorizados e merecerem o respeito pelos sacrifícios de tantos anos de trabalho e mérito profissional que os colocaram à frente nas listas de graduação. Mas não! Num país onde tudo funciona ao contrário, onde se pratica a injustiça com incúria e desprezo, brinca-se com a vida das pessoas como se elas fossem lixo. Depois exigem que os professores sejam diligentes e se apresentem nas escolas com uma motivação profissional extraordinária, quando são maltratados e castigados, vítimas de injustiça altamente perniciosa que semeia o desestimulo.
Infelizmente, não faltavam razões para acreditar que atos destes seriam espectáveis numa classe política maculada por um manancial de suspeitas de corrupção, sem escrúpulos nem sentido de estado, muito menos sentido de justiça e de equidade no tratamento dos cidadãos perante uma Constituição que defende que todos os cidadãos deverão ser tratados de igual modo perante a lei.
Manejam habilmente decretos-lei e portarias em atos de governo contra o povo, longe do propósito de melhorar a qualidade de vida das populações de acordo com o valor maior de justiça e equidade que norteia os estados de direito.
É por estas e tantas outras que a profissão é cada vez menos atrativa, o desgaste físico e psicológico são elevadíssimos e o grau motivacional dos seus profissionais estão em níveis perigosamente baixos.
A despeito desta aberração legislativa, é absolutamente necessário que alguém de direito tenha a consciência de que não se podem tratar as pessoas desta forma leviana, perversa e facciosa e que tenha a dignidade de intentar para que se reponha justiça.
Carlos Santos

 

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Uma arma de destruição educativa – Mário Silva

 

Estava sentada olhando para o ecran do computador com uma expressão facial visivelmente agastada e aborrecida. Pensando que seria o retomar de mais um ano com previsivel avalanche de burocracia inútil que desvia daquilo que ela gosta de fazer- preparar e lecionar aulas- cumprimento afavelmente para desanuviar o estado psicológico. Olhou para mim, e com sorriso sereno, afirmou: ”Olha, o 6º escalão vai ser o meu topo da carreira!…”, apontando para o ecran. Aproximei-me e vi que estava aberto um documento pdf que se intitulava “Lista Definitiva de 2021 de Graduação dos Docentes Candidatos às Vagas para a Progressão ao 5º Escalão da Carreira”. Também estava aberta a lista para progressão ao 7º escalão, ambas com mais de duzentas páginas!… Em ambas estavam mais de 4 mil docentes!…

A desgraçada estava colocada para lá do 4000 e aí compreendi a afirmação. Sentei e comecei a fazer contas com ela, estabelecendo uma premissa teoricamente possível mas racionalmente improvável: supor que não tinha ido para a lista negra. Tendo 52 anos e ainda beneficiando de 1 ano da recuperação do tempo de serviço, iria entrar no 6º com 53 anos, no 7º com 57 anos, no 8º com 61 anos, no 9º com 65 anos e no 10º com 69 anos…! Conclui-se que se quisesse usufruir da remuneração do 10º escalão teria de trabalhar para além dos 70 anos…! Quem considera isto exequível e realista?…

Presumindo que fica na lista 4 anos (cenário otimista) e que não fica na lista negra no 6º escalão, só pode almejar terminar a carreira no 8º escalão; presumindo que também fique retida no 6º escalão, então terminará no 7º escalão.

Tendo noção realista que o poder governamental será sempre ocupado pela dupla PS/PSD (eventualmente com a muleta BE/PCP ou CDS), os 3 anos de serviço que faltam jamais serão recuperados, pelo que é evidente que estes docentes sabem que a sua carreira está definitivamente destruída. Qual será a motivação profissional destes milhares de docentes, sabendo que mesmo que façam tudo muito bom, estará vedado o acesso ao 8º, 9º e 10º escalões?

Que prejuízo grave irá acontecer, pedagógico e pessoal, para docentes e estudantes, por causa deste modelo de gestão governamental apenas obcecado com o valor orçamental?

Se o objetivo seria destruir o sistema educativo, as vidas dos docentes e dos estudantes, então idealizaram um procedimento eficaz para isso…

 

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