Não sendo caso único, numa escola perto de mim, este ano, sem qualquer parcimónia, o ME, arrogante e insensato, rejeitou as propostas da direção e não aceitou a manutenção do número de turmas no 5º ano, tendo autorizado menos uma turma.
Publicamente, numa oratória propagandista, anuncia preocupações com questões relacionadas com a segurança dos alunos nas escolas neste período de pandemia e a intenção de reduzir o número de alunos por turma para propiciar a melhoria das aprendizagens.
Mas na prática (e este é um exemplo), opõe-se veemente a estes objetivos, obrigando a turmas grandes com o máximo de alunos em salas sobrelotadas, comprometendo o rendimento escolar e podendo prejudicar a segurança sanitária de professores e alunos nesta época de extraordinária preocupação com a saúde pública.
Esta é a metodologia de cortes cegos de quem gere o ensino a partir de gabinetes sem conhecer a realidade no terreno, num ministério tutelado por alguém que não é professor, não conhece a realidade das escolas e dos seus utentes, demonstrando maior preocupação e presença física em assuntos e eventos relacionados com o desporto.
Ainda há poucos meses, inacreditavelmente um dirigente de uma confederação de pais, diante dos órgãos jornalísticos televisionados, opôs-se à proposta de redução do número de alunos por turma, argumentando que as escolas não tinham salas suficientes para isso.
Só é lamentável que os pais e encarregados de educação e, principalmente, as associações de pais que os deveriam representar, ao longo dos anos não se tenham preocupado com estas e outras situações denunciadas e reivindicadas pelos docentes e, subjugados a outras agendas, tenham optado por replicar o discurso da tutela em constante confronto com os professores, não reconhecendo serem estes quem efetivamente tem zelado pelo interesse dos alunos e pela qualidade do ensino.
É o país que temos, bem condimentado com pais e políticos cuja atuação ou a falta dela, não raramente prejudica professores, alunos e o futuro do país.
Carlos Santos



4 comentários
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Sobre aquele que faz de ministro já tudo foi dito. Sobre aqueles que fingem defender os direitos dos alunos e dos pais, ainda muito há para dizer (seria bom esclarecerem-se os interesses que os movem)
Bingo! É que o Sr. da CONFAP defende tudo menos os alunos.
Lembram-se do Albino, presidente da CONFAP nos tempos de Sócrates e de Maria de Lurdes Rodrigues?
Aquilo é que foi um presidente, da CONFAP!!!!!
Claramente nas escolas que conheço por dentro , no terreno, a abertura de turmas, o desdobramento, a abertura de opções no secundário, a redução de alunos por turma TEM SIDO TODAS REJEITADAS.
O que passa para a comunidade?
O governo está a controlar a pandemia, o governo está a reduzir alunos por turma, o governo é só €€€ e abre tudo o que é curso, desdobra turmas, aumenta recursos , materiais e logística de forma eficaz nas escolas… etc etc…
A Comunicação social , como recebeu milhões €€€€ do governo, ajuda nessa promoção de imagem para a comunidade ficar enganada.
Conclusão: está tudo pior. Piorou a exigência no ensino, piorou o número de alunos por turma apesar de serem menos no país, piorou o distanciamento físico nas salas de aula, piorou a escolha de opções por parte dias alunos e cada vez mais há mais negócios paralelos (explicações e afins) e menos qualidade no ensino.