A escola ao deus-dará? – João André Costa

 

Na escola, cujo nome omitimos por questões de confidencialidade, estava tudo bem e esteve sempre tudo bem. Até não estar. Até porque a professora de Inglês já vinha a fungar desde as férias. A fungar, mas também a tossir. Os testes rápidos, no entanto, não deixavam margem para dúvidas: negativo, e por conseguinte uma constipação apenas. Até deixar de o ser. Depois foi o professor de Educação Visual a ficar doente. À 5ª de manhã toda a gente faz o teste rápido e como era 5ª e era de manhã o teste deu obviamente negativo mas como o professor insistia em dizer que não se sentia bem, toca de fazer outro teste em casa à noitinha e o teste positivo por conseguinte e por conseguinte já vamos em dois professores em casa. Depois foi o contínuo da escola, o faz-tudo que arranja tudo e tudo arranja a testar positivo e a ficar doente e em poucos dias já vamos em três. Ironia das ironias, quem a seguir ficou doente foi a Directora que nunca lá esteve durante o primeiro ano da pandemia sob o pretexto de ter um pretexto, um familiar doente, ao que parece mas nunca confirmado. Ninguém sabe ao certo, mesmo se todos sabem. Mas como a Directora é a Directora e só quem está por cima é que tem direito a ter medo das duas uma, ou o resto do mundo está cheio de corajosos ou então não temos outro remédio. Outro remédio senão continuar. E continuámos. Ainda aqui estamos. E ai de quem disser alguma coisa, mesmo se todos dizem todos os dias na escola a trabalhar, com ou sem pandemia ao longo dos 18 meses mais longos desta vida. Mas continuemos, a sangria não se fica por aqui e temo estar ainda por continuar e de facto continua ou não estivesse a professora de Ciências agora em casa, professora essa que por acaso não quis ser vacinada e o marido, por acaso, com uma insuficiência renal, só por acaso e eu já não sei o que pensar sobre o que esta gente pensa, ou talvez não haja nada para pensar e se calhar somos nós que somos muito exigentes. Ou preocupados. Ou conscientes. Mas agora é tarde e aqui vai mais uma para casa com o coração nas mãos. De caminho, e no espaço de duas semanas, já são cinco os professores doentes, não, minto, seis, o professor de Informática foi ontem para casa e agora diz que também testou positivo, ele e dois alunos com quem esteve e a pergunta que toda a gente faz é por que carga de água não ficou mais ninguém doente, a escola já é conhecida como a “escola do coronavírus” e entre mais miúdos e pessoal auxiliar supostamente doentes, ou assim lhes dizem entre desculpas esfarrapadas para não vir, a escola já está a metade, tal e qual como nos tempos da pandemia. Mas ainda estamos na pandemia. Por isso é que está toda a gente doente. A única diferença é a ausência de hospitalizações e óbitos e na ausência de hospitalizações e óbitos as autoridades de saúde não lhes dizem nada, continuem a fazer testes rápidos que a escola é para continuar aberta e quanto ao uso de máscara é convosco e a escola ao deus-dará, daqui a pouco sem alunos nem professores mas ainda e sempre aberta, qual aldeia gaulesa, ainda e sempre resistente ao invasor. Porque sim. Porque a imunidade de grupo, a almejada imunidade de grupo tão apregoada pelo governo de sua majestade nos primeiros tempos da pandemia parece ser, lá está, ainda o objectivo final. Até porque na corrida das vacinações o Reino Unido acabou por ficar um pouco para trás, agora com 70% da população vacinada e a precisar de um empurrão extra. Por conseguinte, deixe-se o vírus à solta. Livre. Sem rédeas. Mas a que preço? Na escola ainda ninguém está gravemente doente e ainda bem. Mas do susto já ninguém os livra.

 

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4 comentários

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    • Simas on 27 de Setembro de 2021 at 11:31
    • Responder

    Ó doutor João Costa, VC é um covideiro. Parece aquelas Karens que vão viver com máscara até 2050!!!!
    Diga-me lá uma coisa, esse pessoal que está “positivo” tem doença grave ou só uma constipação com alguma tosse e febre que passa numa semana?
    VC nunca teve gripado?
    Se não tem doença grave qual o problema???? A vida na Terra é assim cheia de vírus. Ficamos imunizados ao convivemos com eles.

    Homem sai e viva.

      • Roberto Paulo on 27 de Setembro de 2021 at 23:46
      • Responder

      Ó doutor palerma, «nunca teve»? Do verbo «tar»? Já nem ligo ao resto das baboseiras.

      Vossa anomalia é professora? Se a resposta for afirmativa, Nosso Senhor Jesus crucificado e ressuscitado ajude os pobres dos seus alunos, que desaprendem com Vossa burrice o que terá aprendido, eventualmente, com docentes mesmo-mesmo.

        • Roberto Paulo on 27 de Setembro de 2021 at 23:47
        • Responder

        *o que terão

        • BB on 28 de Setembro de 2021 at 13:49
        • Responder

        Nunca vi tanto ódio e tanta baboseira juntos.
        Se corrigir assim os seus alunos , pobres dos desgraçados estão tramados do verbo tramar.
        A mim parece-me que sabe muitos verbos mas sabe pouco do único verbo que vale a pena conjugar que é o verbo AMAR.

        São covideiros, sim, e dos baratos mas ainda bem que o Almirante acordou. ” Conhecerás a verdade e a verdade te libertará ” João 32:8

        A melhor e mais duradoura imunidade é a imunidade natural que é uma dádiva de Deus . E, esses todos que não querem morrer mas que já estão todos mortos, são os mortos vivos, não sabem que só acontece aquilo que Deus permite, aquilo que Deus quer.

        Sento-me na beira do rio e os meus inimigos vejo-os passa boiando. É só uma questão de tempo.

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