Como vai ser o terceiro ano de escola em pandemia? – Filipa Chasqueira

 

Como vai ser o terceiro ano de escola em pandemia?

Lembro-me bem de quando os casos de covid começaram a aparecer no nosso país e mesmo antes das escolas fecharem os pais optaram por ficar com os filhos em casa. Ainda ninguém sabia o que ia acontecer e, com o que se via pelo mundo, fora muitos temiam o pior.

Ainda assim, acho que naquela altura nem mesmo os mais pessimistas imaginavam que após dois anos e meio ainda íamos andar nisto. Tentou-se tomar sempre as decisões mais sensatas para proteger tudo e todos, mas as crianças foram ficando para trás.

Se, no início, quando ainda ninguém sabia com que linhas o vírus se cosia, fechar as escolas foi também uma forma de proteger os mais novos, a partir do momento em que se percebeu que a transmissibilidade e probabilidade destes grupos desenvolverem doença grave eram muito baixas, deixou de se ter em conta o supremo interesse da criança em todas as decisões que a implicaram.

Por meados de março do ano passado pensava-se que quinze dias de telescola resolveriam tudo e não fariam mal a ninguém. Tudo bem. Ainda não sabíamos com o que estávamos a lidar. Mas os 15 dias passaram a três meses – o final do 2.º período e o 3.º período completo.

Em setembro, quando os alunos regressaram à escola ela estava muito mudada – dos berçários à faculdade as restrições eram mais que muitas, desde máscaras a distanciamentos, a um ano inteiro de testes por tudo e por nada e isolamentos profiláticos a torto e a direito. Até que chegámos a fevereiro e as crianças se viram novamente em casa. A brincar, a brincar, passaram dois anos letivos nisto.

Dos mais novos aos mais velhos, as repercussões são gigantescas. Não só, naturalmente, ao nível da educação, mas também da saúde física e mental e do seu bem-estar. Segundo professores e auxiliares, as crianças voltaram muito mais ansiosas e agressivas à escola e basta ver o aumento da procura de consultas de psicologia e psiquiatria para se perceber que nada disto lhes passou ao lado.

E não estamos sequer a falar da quantidade de bebés que nasceram e permaneceram no hospital apenas na companhia da mãe, sozinha sem o apoio do pai, dos parques infantis sempre fechados, das atividades extracurriculares que abriram tarde ou nem chegaram a abrir.

A questão agora não está em saber se as decisões tomadas foram as mais acertadas para a contenção do vírus, mas perceber que o bem-estar e os interesses dos mais novos foram ficando esquecidos e que esta conta vai continuar a ser paga durante muito tempo.

Ainda não sabemos o que o novo ano escolar nos reserva e como as crianças poderão vir a ser afetadas por esta ou outras variantes novas. Seja como for, não podemos continuar a subestimar o impacto físico e emocional que este vírus está a ter nos mais novos e eles não podem continuar a servir de escudo para os mais frágeis.

Os bebés, crianças e jovens não são menos vulneráveis, estão a crescer, muitos estão ainda no início da vida. Mas, curiosamente, ninguém parece muito preocupado em protegê-los.

 

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3 comentários

  1. Tens toda a razão, Filipa. Só podem estar a gazar connosco.

    • Francisco Gonçalves on 1 de Setembro de 2021 at 10:35
    • Responder

    “…Ainda assim, acho que naquela altura nem mesmo os mais pessimistas imaginavam que após dois anos e meio ainda íamos andar nisto.”

    Eu sei que a pandemia anda a dar cabo dos nervos a toda a gente.
    Ainda assim, julgo que a autora do texto escreveu “dois anos e meio”, por engano. Tudo começou em março de 2020, o mesmo será dizer, há um ano e meio.

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