22 de Janeiro de 2020 archive

35 horários em OE para professores de Português lecionarem TIC

Com as novas orientações sobre as habilitações para lecionar TIC emanadas pela DGAE, todos poderão concorrer a estes horários. Basta ter uma qualquer formação creditada em TIC.

 

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REUNIÃO CORDATA MAS SEM ATA – Pró-Ordem

 

 

REUNIÃO CORDATA MAS SEM ATA

 

1 – A Associação Sindical dos Professores Pró-Ordem reuniu hoje com o Ministro Tiago Brandão Rodrigues e com os seus dois Secretários de Estado para a área da Educação, todos eles membros do XXII Governo Constitucional, os quais não obstante terem tomado posse há mais de três meses, só agora receberam a Pró-Ordem, bem como as restantes organizações de pessoal docente.

Em virtude de se tratar da primeira reunião desta Legislatura, a Pró-Ordem apresentou de viva voz a Suas Excelências, titulares do órgão de soberania Governo, nuns casos, a necessidade de abertura de processos negociais, noutros casos de mera audição sindical, no seguinte sentido:

Recuperação do restante tempo de serviço – 6 anos, 6 meses e 23 dias – de modo ao reposicionamento no competente escalão e à respetiva subida de índice remuneratório.

– Um regime específico de Aposentação Docente, que tenha em conta a sobrecarga de trabalho e o desgaste rápido, agravado com a crescente indisciplina dos alunos.

– Baixar a idade para haver direito à redução da componente letiva.

– Reduzir a carga burocrática nas escolas e por horários de trabalho legais.

– Revisitar o atual regime legal de concursos para a docência.

Melhorar as escolas degradadas tornando-as mais “amigas” dos docentes e discentes, mais confortáveis no inverno e no verão e procedendo completamente ao fim do amianto.

– Valorização do estatuto legal do corpo docente tipificando – sem margens para dúvidas – a agressão aos professores – de qualquer nível ou grau de educação e ensino – como crime público, conferindo-lhe caráter de urgência e disponibilizando patrocínio judiciário aos docentes agredidos.

– Reformular o atual regime de gestão escolar com o reforço da colegialidade e da participação docente.

2 – Na sua resposta os três membros do Governo presentes limitaram-se a elencaram aquilo que consideram ter sido toda uma série de realizações em prole da escola e dos seus profissionais docentes e não docentes, afirmando que valorizam muito o conjunto das organizações sindicais.

Relativamente ao crime de ofensas corporais cometido sobre docentes, o Ministro manifestou-se atento e interessado, mas citou Jurisprudência que já o tipifica como crime público, porém, devido à separação de poderes existente no seio do Estado, a sua perseguição consequente constitui uma competência própria e autónoma do Poder Judicial.

Embora a equipa governativa tenha mostrado grande cordialidade e abertura a futuros procedimentos negociais, nesta reunião não ficou calendarizado nenhum processo negocial sobre os assuntos supra-referidos, não tendo sido elaborada qualquer ata.

Ficou apenas o compromisso por parte do Ministro da Educação de que estas reuniões irão acontecer sempre que se entenda necessário e com a periodicidade que se entenda adequada.

Lisboa, 22 de janeiro de 2020

O Presidente da Direção

Filipe do Paulo

 

 

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Declaração de João Dias da Silva no final da reunião com o ME

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Comunicado FEPECI sobre a reunião com o ME

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PREVPAP – Perguntas frequentes – Aditamento (FAQs

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Resumo da reunião ME/Sindicatos

 

Reunião de pura propaganda cor de rosa. O ME tudo faz em prol da escola publica.

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As vidas de 2020 – Carmo Machado

As vidas de 2020

Ser professor é lidar diariamente com muitas vidas. As nossas, as de alguns colegas e as muitas (demasiadas) vidas dos nossos alunos que, quer queiramos quer não, acabam por se entrecruzar com as nossas nas muitas horas em comum passadas nas salas de aula, em visitas de estudo, nos corredores, no bar da escola e até, muitas vezes, fora da escola.

Com o recomeço das aulas neste segundo período, fui confrontada com uma situação que me deixou a pensar. Tinha uma hora de direção de turma entre as nove e as dez horas da manhã e fui a correr à reprografia (que fica afastada, quase na outra ponta da escola) buscar as fichas individuais dos alunos que mandara imprimir para entregar aos pais na reunião de encarregados de educação. Ao passar por uma zona que dá acesso ao wc dos professores, reparei que alguém estava deitado num banco comprido e estreito de cimento onde os alunos gostam de se sentar nos intervalos das aulas. Aproximei-me lentamente. Não havia ali mais ninguém e pensei que talvez o aluno se estivesse a sentir mal. Mas ele dormia profundamente e ouvia-se o seu ressonar. Entretanto saiu uma colega da casa de banho que, perante este panorama, manifestou a sua indignação para com o aluno, criticando-o por estar a dormir em pleno espaço escolar. Eu, confesso, preocupei-me em perceber o que se passava com aquele aluno e com a sua vida.

Conheço o L. desde o oitavo ano de escolaridade. É meigo, humilde, educado. Vive com um familiar distante e os pais ficaram algures em África. As suas dificuldades linguísticas fizeram-no repetir o nono ano mas conseguiu chegar ao décimo segundo onde agora se encontra a marcar passo numa tentativa de o concluir (deixou duas disciplinas em atraso, Português e Matemática). Nesse dia,  L. chegara à escola às oito para ter aula mas perante a ausência do professor, a seguinte só seria às dez. Com duas horas de espera, o L. não desistiu e em vez de abandonar a escola, decidiu esperar pela aula seguinte – duas horas depois. Estendeu-se no único local que lhe permitia descansar um pouco, tapou a cabeça com o capuz do seu casaco e adormeceu. Quantas vezes não senti vontade de fazer o mesmo… Devo dizer-vos que se eu tivesse uma mantinha comigo, tinha tapado o L.

A minha escola, como todas as escolas, tem muitas vidas que fazem pensar. Ontem, no final de uma aula, a poucos minutos do toque das dez, desabafei que estava com fome e perguntei aos meus alunos o que tinham tomado ao pequeno-almoço. Numa turma de trinta, só três tinham comido algo antes de sair de casa: bolachas de chocolate. Antes do intervalo grande da manhã (vinte minutos), é triste ver os alunos aflitos de urgência para sair da aula e acorrerem ao bar onde compram uma ou duas sandes de pão branco com manteiga e um sumol. Basta espreitar a longa fila que ali se forma e os alimentos que consomem para perceber que algo está muito mal… Sigo para a aula seguinte e sou confrontada com mais uma situação, das muitas com que um professor se confronta no seu dia a dia: duas adolescentes, altas e robustas, engalfinhadas, numa luta corpo a corpo de respeitar, seguida de uns puxões de cabelos e concluída com alguns palavrões atirados com vigor. Gajos, stora!, diz-me uma aluna de ar pacato enquanto me pisca o olho.

Mas nem sempre é assim. A angústia de não saber como lidar com os problemas de sexualidade de alunos ou alunas, muitas vezes totalmente desconhecidos dos pais ou encarregados de educação, assalta-me muitas vezes. Pode ser mais um tormento para o professor que é diretor de turma. Porque o aluno desabafa connosco e ficamos – quantas vezes – sem saber o que fazer. A B. é lésbica e namora com a C. de uma outra turma do mesmo ano. A mãe não sonha e se sonhasse não gostaria. A B. tem apenas catorze anos. A mãe retirou-lhe o telemóvel para a castigar pelas más notas do primeiro período e não a deixa encontrar-se com os amigos. Apenas lhe permite encontrar-se duas vezes por semana, à noite, para ir ter com as “amigas”. Uma delas a C. Que fazer? Contar à mãe quando B. pede por tudo para não contarmos?

Outra aula, numa turma do décimo primeiro ano, tento quase desesperadamente que uma turma de jovens adormecidos consiga ler alguns excertos da obra de estudo obrigatório, a peça Frei Luís de Sousa de Almeida Garrett, quando a A. desabafa perante todos: Antes, quando era mais nova, gostava muito de ler livros. Mesmo, stora! Mas agora a escola ocupa-me o tempo todo e já não leio…

Nem eu, querida…, apeteceu-me responder-lhe. Mas calei-me a tempo. A aluna em questão acabou de completar dezasseis anos de idade. Numa média de cento e vinte alunos, há um que lê (livros). A N. chega sempre à aula de Português com um livro novo que abre nos intervalos. Há dias, a N. pediu-me se em vez de estar atenta à aula, podia ficar a ler o seu livro… Obviamente, respondi-lhe que não. E estupidamente, também.

Na última aula da primeira sexta-feira do segundo período, a C. pediu-me: Stora, posso vir cá para a frente para perto de si? Lá atrás sinto-me bué alone…Podes, sim! Podes sentar-te aqui ao meu lado. Faz-me companhia que eu hoje sinto-me exatamente como tu.

Hoje quando entrei em casa, após duas semanas de aulas, esgotada de tantas tarefas e diferentes, de tantas vidas e diferentes, dei por mim  a pensar que a autonomia e a flexibilidade são só para as escolas. Não para os professores!

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Sindicalistas socialistas não acreditam que este governo defenda os trabalhadores

Se aqueles que outrora sustentaram as lutas socialistas, já não acreditam na capacidade de negociação de um governo, dito, socialista, é porque algo vai mal com este socialismo. Ou é isso ou a democracia está em perigo.

Sindicalistas não perdoam a Costa “falta de respeito”

Militantes representantes dos trabalhadores queixam-se de ser “escorraçados” pelo Governo e deixados de fora da negociação coletiva.

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