Onde estão os 5604 professores que vincularam no QZP 7?

Davide Martins

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Desde 2014 vincularam 10648 professores em Portugal Continental… mais de metade (5604) no QZP 7. Ainda assim continua a ser a zona do país onde a falta de professores mais se faz sentir. Analisei então o fluxo dos que aí vincularam, que pode ser visto no mapa seguinte:

Alguns factos:

  • Saíram para diferentes QZP’s do continente 1405 professores (cerca de 400 para horários inferiores a 22h);
  • há 1626 que não constam nas listas de colocados porque:
    • ficaram ao abrigo da mobilidade por doença;
    • foram para as ilhas;
    • conseguiram obter colocação em QA;
    • requereram um conjunto de outros mecanismos  de mobilidade com pouca relevância (em termos absolutos) a nível nacional.
  • Apenas 2573 professores (menos de metade) estão garantidamente no QZP 7.

Este assunto já foi abordado no Expresso e, com base noutros mapas aqui publicados, percebe-se que muitas das necessidades permanentes do sistema (em Lisboa e Algarve) estão a ser asseguradas por professores contratados. Sabemos que em muitos grupos também estes começam a escassear e parece-me certo que os mecanismos de Mobilidade terão de sofrer alterações, de forma que as vinculações consigam atenuar (e não agravar) as falhas permanentes das diferentes áreas geográficas. (Re)pensar os moldes dos concursos ignorando estas circunstâncias é perder uma oportunidade!

Não será a redução da área geográfica dos QZP’s o argumento/isco criado pelo governo para obter um compromisso à esquerda ou direita?

Algo do género: “Nós reduzimos as áreas geográficas, reordenamos os professores de acordo com a graduação em cada QZP, mas vocês deixam passar a lei que lhes limita a Mobilidade.”

É uma suspeita que eu tenho…

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13 comentários

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    • Paulo Anjo Santos on 5 de Dezembro de 2019 at 15:41
    • Responder

    De certa forma, sem que tenha refletido muito sobre o assunto, parece-me que a limitação à mobilidade faz algum sentido, as pessoas não podem concorrer para sitios partido do pressuposto que vão mudar facilmente, acho que isso cria desequilibrios que tornam o sistema pouco eficiente.

    Mas até posso mudar de opinião, como sou contratado não é assunto que conheça bem… até porque já fiz da mobilidade a minha vida 🙂

    • maria on 5 de Dezembro de 2019 at 16:39
    • Responder

    A explicação, parece-me, é simples.
    Por sua livre iniciativa , concorreram ao QZP7. Após a colocação, “descobriram” que estavam longe de casa e…
    a) daí zarparam através da mobilidade estatutária (legitimamente) ,ou

    b) “meteram” baixa médica (tantos!)

      • Paulo Anjo Santos on 5 de Dezembro de 2019 at 18:06
      • Responder

      Pois a mim parece-me correto que mudem, se entretanto aparecer uma vaga mais perto de casa, a qual concorram e fiquem colocados. Se usam outras artimanhas, menos lícitas enfim, já não digo nada…

      Pergunto-me é, se não houvesse esta mobilidade, será que as necessidades de professores na zona de Lisboa e Algarve não se verificava?! Tenho dúvidas, porque não sei se os professores que concorrem para estas zonas e mudaram o teriam feito na mesma se soubessem que não poderiam mudar?! Provavelmente não, e o problema está no facto de em Lisboa e Algarve nunca ter havido professores suficientes para as necessidades. Até há uns anos, a carreira era suficientemente atrativa para que professores de outras zonas (sobretudo do norte do país), viessem colmatar essas necessidades, agora já não é… e, ou fazem alguma coisa, ou as crianças destas zonas vão ter ainda mais falhas do que já têm.

      Ontem estive com pessoal da escola onde estive no ano passado, em Lagoa. Lá têm falta de professores desde o início do ano e não conseguem arranjar ninguém. Nem alguém que tenha apenas o 12º ano… por acaso gostava de ter a certeza que uma escola pode aceitar alguém com o 12º ano se não tiver outro candidato?! E se sim, quanto é que ganharia um professor com este tipo de formação, num horário completo? Alguém sabe? A pessoa com quem falei ontem está na direção da escola desde há uns meses, ele acha que sim, mas nem tem a certeza…

    • Alecrom on 5 de Dezembro de 2019 at 19:07
    • Responder

    Agora Fenprof está menos paralítica, lol. Alguma vez vamos permitir que nos roubem um direito tão fundamental como o direito à mobilidade? Isso é impensável. Não somos masoquistas, pááá😃!

    • M110 on 5 de Dezembro de 2019 at 22:11
    • Responder

    Por acaso nem todos os docentes entraram no QZP 7 porque quiseram. Eu estava no QZP 7 no ano em que mudaram o número de anos necessários para entrada no quadro, de 5 para 3. Ainda me faltavam 2 anos anos, portanto, fui “obrigada” a entrar ou não celebrava mais nenhum contrato com o estado.

    • P.da Silva on 6 de Dezembro de 2019 at 9:14
    • Responder

    Os professores concorrem para ganhar vínculo ao ME. Os QZP devem reduzir-se aos distritos, como já assim foi. Os mecanismos de mobilidade devem continuar. O que não pode continuar é um professor do QZP 7, por exemplo, por ter mais graduação, ocupar uma vaga/horário numa escola do QZP 3 para o qual também concorreu um professor deste QZP, ficando este de fora ou colocado numa preferência inferior. Nos QA isto não acontece, porque há-de acontecer nos QZP`S? É injusto e discriminatório. Os QZP`S, mais os chamados “horários zero”, deviam concorrer sempre na 1ª prioridade na Mobilidade Interna, dentro do seu QZP. Isto não está a acontecer e daí a debandada de outros QZP, sobrelotando uns e esvaziando outros. Uma caldeirada, à portuguesa. Confundir para reinar no caos…Típico de governos para quem a Educação e os professores só são prioritários em campanhas eleitorais e na abertura dos telejornais….

      • Prof on 6 de Dezembro de 2019 at 10:42
      • Responder

      É injusto obrigar um docente vinculado a um QZP a concorrer apenas a esse QZP, pois desde 2013 que milhares de vagas foram disponibilizadas apenas no concurso externo sem que o pessoal do quadro também pudesse concorrer. Recordo que antes de 2013 os contratados vinculavam nas vagas que sobravam do interno e portanto se pretendessem vincular teriam que arriscar para onde houvesse vaga. Ora, vincularam colegas com menor graduação em QZP´s que também eram do interesse dos que já estavam vinculados, pelo que é legitimo que tendo graduação superior possa ocupar uma vaga doutro QZP. Há professores que vivem nos limites geográficos de 2 QZP´s. Ora interessa-lhes colocar umas escolas de um QZP e outras de outro, caso contrário ainda ficam no extremo do seu QZP e outro menos graduado fica em escolas mais perto. No tempo em que os docentes eram obrigados a concorrer apenas ao seu QZP não havia ultrapassagens e assim todos sabiam ao que iam. Agora com esta injustiça de concursos desde 2013 não se pode passar a ter essa obrigação.

      Acho bem que os vinculados a QZP pudessem passar a pertencer ao QZP de colocação de 2018/19 ou 2019/20 dado ter sido pacífica a mobilidade interna de 2018.

      Se obrigarem os QZP´s a concorrer ao seu QZP vão disparar as mobilidades por doença e depois coloquem os médicos em tribunal!!!!!!!!!! Estamos a falar de docentes na casa de 40, 50 e 60 anos, não estamos a falar de jovens na casa dos 20 ou 30.

      Como o colega sabe um docente de QA poderá concorrer em mobilidade para qualquer outra escola no continente ou ilhas pelo que um docente QZP também poderá continuar a poder fazê-lo. Um docente QA com horário zero é obrigado a concorrer, se o colega acha que não tem vaga no seu QZP concorra também para outras escolas de outro QZP.

    • P.da Silva on 6 de Dezembro de 2019 at 13:15
    • Responder

    Um professor do QA pode concorrer à Mobilidade mas só é obrigado se tiver horário zero. O QZP é sempre obrigado a concorrer. O professor do QA mesmo concorrendo à mobilidade, se assim quiser, e não a obter, NUNCA perde o seu lugar/horário na sua Escola. Os professores de um determinado QZP são constantemente ultrapassados, injustamente, quanto a mim, por outros vindos de outros QZP. Quando concorremos aos QZP nada nos obriga a concorrer a todos. Quando concorremos sabemos sempre ao que nos sujeitamos – mais perto ou mais longe do nosso local de residência. As regras são claras e se arriscamos para longe também temos de estar preparados para isso, pois então não concorríamos. É tudo uma questão de opção.
    Nunca disse, pelo contrário, que era contra a mobilidade dos QZP. Disse que era contra as ultrapassagens nos QZP, o que é bem diferente.

    • Hélder Peixoto on 6 de Dezembro de 2019 at 14:20
    • Responder

    Por acaso nem todos os docentes entraram no QZP 7 porque quiseram. Eu estava no QZP 7 no ano em que mudaram o número de anos necessários para entrada no quadro, de 5 para 3. Fui “obrigado” a entrar ou não celebrava mais nenhum contrato com o estado.
    CONCORRI COM AS REGRAS ATUAIS E AGORA TENHO ALTERAR?!
    É JUSTO?!
    No momento que concorri ainda ninguém sabia das alterações!!!

    • Hélder Peixoto on 6 de Dezembro de 2019 at 14:23
    • Responder

    Por acaso nem todos os docentes entraram no QZP 7 porque quiseram. Eu estava no QZP 7 no ano em que mudaram o número de anos necessários para entrada no quadro, de 5 para 3. Fui “obrigado” a entrar ou não celebrava mais nenhum contrato com o estado.
    CONCORRI COM AS REGRAS ATUAIS E AGORA QUEREM ALTERAR?!
    É JUSTO?!
    No momento que concorri ainda ninguém sabia das alterações!!!

    • Luísa Neves on 6 de Dezembro de 2019 at 14:42
    • Responder

    Sou de Vila Real e vinculei no QZP 7… tinha 2 opções:

    -recorria a todas as artimanhas possíveis (como algumas pessoas que eu conheço fizeram) para ir trabalhar perto de casa (algumas andam todos os anos ainda mais ansiosas do que andavam enquanto contratadas);

    ou

    -ganho paz de espírito e tranquilidade e mudo-me com a minha filha para Lisboa… foi o melhor que fiz!

    Se podia trabalhar no QZP 7 enquanto contratada, ainda melhor posso enquanto QZP… muito mais estabilidade e com a certeza de que fiz a coisa certa. Se os ordenados podiam ser melhores… sem dúvida, mas esse não é o ponto principal! Por mim, quem entra num QZP, fica nesse QZP… nem percebo como é possível equacionar outro cenário!

    • P.da Silva on 6 de Dezembro de 2019 at 23:05
    • Responder

    Deixemo-nos de tretas. Cada professor QZP devia concorrer obrigatoriamente a todas as escolas do seu QZP e só depois a todas as escolas dos QZP que quisesse. Assim havia equilíbrio e os horários eram praticamente todos preenchidos.Neste momento os QZP só existem “no papel”, pois qualquer professor QZP pode concorrer a qualquer QZP. O que acontece atualmente é que há professores de outros QZP a ultrapassar colegas nos seus QZP de vinculação. Isto é injusto e desequilibra totalmente, como se está ver, a colocação de professores nos horários disponíveis nas escolas. Na prática, o que acontece é que existe apenas um QZP nacional para onde todos concorrem – uma treta, é o que é!
    Por fim, só é QZP quem concorre para tal. Quem não quer, não concorre, logo também não se sujeita. Opções…apenas opções, caros colegas!

    • Paulo Anjo Santos on 7 de Dezembro de 2019 at 1:56
    • Responder

    Acho que tens razão, só que acho que se eles dificultarem a mobilidade vão continuar com o mesmo problema, se deixarem de ter possibilidade de mudar, ou esta for muito difícil, muita gente não vai concorrer para o QZP 7 e 10 porque nesse caso terão de ter em conta que têm de mudar de residência ou passar anos a pagar para trabalhar, o que certamente poucos quererão… agora querem porque sabem que, de uma forma ou de outra, conseguem mudar!

    O problema tem a ver com o facto de no Algarve e grande Lisboa não haver professores suficientes para as necessidades do sistema, e nem com os que ainda estão dispostos para ir para lá ganhar para as despesas chegam… No Algarve o problema acho que tem aumentado também porque cada vez há mais alunos estrangeiros. Não tenho dados fiáveis que sustentem isto, mas é um facto que, nos últimos anos, têm vindo muitos estrageiros viver para cá, uns por estilo de vida, outros porque aqui encontram trabalho. E também é um facto que tenho muitos alunos de outras nacionalidades, já dei aulas onde se fama mais Ucraniano do que Português… e há de tudo, franceses, ingleses, canadianos, alemães…

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