19 de Janeiro de 2016 archive

E o Que Responderá Tiago Brandão?

David Justino referiu na Quadratura do Círculo da passada semana que o ideal era suspender este ano qualquer exame ou prova e com debate e ponderação ao longo deste ano lectivo retomar em 2016/2017 o caminho que seja amplamente decidido.
Parece-me mesmo ser esta a melhor solução e quanto mais se conhece as opiniões públicas contra a radicalização na eliminação dos exames do 4º e do 6º anos mais me convenço que seja o melhor a fazer neste ano lectivo.

Ninguém morrerá se durante um ano não houver provas ou exames no ensino básico.

 

Aferição só se faz no final do ciclo e não a meio, defende David Justino

 

 

Presidente do Conselho Nacional de Educação reagiu, no parlamento, ao modelo aprovado pelo ministro Tiago Brandão Rodrigues.

 

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O presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE) defendeu nesta terça-feira no parlamento que as mudanças na educação devem acontecer de forma gradual e que só é possível fazer aferição das aprendizagens no final do ciclo, não a meio, como proposto agora pelo Ministério da Educação.

“A natureza dos testes que é proposta é uma natureza de diagnóstico, nem são de aferição, porque eu só posso aferir no final de cada ciclo. Nem todos os miúdos aprendem à mesma velocidade e da mesma maneira. O primeiro ciclo é aquele que dura mais tempo, são quatro anos, precisamente para estabilizar os processos de aprendizagem. Só posso fazer a aferição em torno do padrão quando o padrão estiver estabilizado. E essa estabilização faz-se no final, não se faz a meio. O que se põe aqui é converter testes intermédios em provas de aferição. Só que aferição é feita no final do ciclo, não a meio”, defendeu David Justino, presidente do CNE e ex-ministro da Educação do PSD.

O Ministério da Educação (ME) decidiu aplicar provas de aferição no 2.º, no 5.º e no 8.º ano de escolaridade e manter apenas exames no 9.º ano. Só estes últimos é que contam para a nota final do aluno. O ME justificou a introdução de provas de aferição a meio dos três ciclos de escolaridade do básico com a necessidade de se “poder agir atempadamente sobre as dificuldades detectadas” naquela avaliação.

Numa audição da comissão parlamentar de educação a propósito do parecer do CNE sobre avaliação externa apresentado no início do mês, onde se defendia a manutenção dos exames do 6.º e 9.º ano, David Justino disse que não podia quantificar “o impacto” das alterações anunciadas pelo ministro Tiago Brandão Rodrigues, por ser algo novo. Já quanto ao tempo em que foi tomada esta decisão — e que foi tornada pública um dia depois de o CNE ter divulgado o seu parecer — David Justino defendeu que “estabilidade não representa deixarmos tudo na mesma, e que se é preciso mudar, muda-se”. “Mas em especial na educação, a mudança deve ser gradual. Isso orientou muito a posição do CNE”, frisou.

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GOP2016: Alunos do ensino básico terão menos carga disciplinar

A redução da carga disciplinar excessiva dos alunos do ensino básico e mais apoios sociais para as crianças carenciadas são algumas das medidas previstas na proposta das Grandes Opções do Plano (GOP) para 2016-2019.

No documento, que o Governo enviou ao Conselho Económico e Social, pode ler-se a intenção de promover “uma maior articulação entre os três ciclos do ensino básico, atenuando os efeitos das transições entre ciclos, através da gestão integrada e revisão dos currículos do ensino básico e da redução da carga disciplinar excessiva dos alunos”.

A Lusa questionou ao final da tarde o Ministério da Educação sobre de que forma seria feita esta redução de carga disciplinar e em que anos letivos, estando ainda a aguardar uma resposta.

A medida foi inicialmente anunciada no programa eleitoral do PS, em maio do ano passado, onde se lia também a proposta de reduzir para metade o insucesso escolar do ensino básico, uma medida que surge agora também na proposta das GOP para o próximo quadriénio.

Assim, o combate ao insucesso escolar e a garantia de 12 anos de escolaridade serão as linhas que deverão orientar o atual Ministério da Educação.

“Para tal combate ao insucesso escolar será desenvolvido um Programa Nacional de Promoção do Sucesso Escolar, nas suas vertentes de formação contínua, projetos locais de inovação pedagógica e enriquecimento e valorização curricular”, lê-se no documento a que a Lusa teve acesso.

O ME pretende ainda alargar a rede e qualificar a educação de infância, valorizar o ensino secundário e diversificar a sua oferta formativa, melhorar a qualidade dos cursos científico-humanísticos através da criação de Programas de Desenvolvimento do ensino experimental.

O reforço da ação social escolar, a valorização dos profissionais da educação e a modernização dos modelos e instrumentos de aprendizagem são outras das medidas previstas e já anunciadas no programa de governo.

No reforço do pré-escolar, o documento sublinha a universalidade da oferta da educação pré-escolar a todas as crianças dos três aos cinco anos e os programas de acompanhamento e formação dos educadores, articulados com as ações previstas para o 1.º ciclo do ensino básico.

in Diário Digital/Lusa

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Sobre o Limite de Número de Grupos em Concurso

Parece-me extremamente penalizador para os docentes que concorrem ao concurso externo apenas poderem candidatar-se a dois grupos de recrutamento.

Na lista de ordenação ao concurso de contratação do ano lectivo 2015/2016 existiram 2476 que candidataram-se a mais do que dois grupos de recrutamento. Se os docentes investiram na sua formação para alargar os seus horizontes, não vejo porque razão possa haver um limite no número de grupos de recrutamento em concurso.

Aliás, pensar que existe um limite destes é o mesmo que pressupor que o concurso será realizado como nos moldes anteriores, com a apresentação de uma candidatura única, preenchida com as escolas, a duração do horário e o número de horas em concurso.

Como sabem, defendo uma candidatura dinâmica, em que a qualquer altura do ano os candidatos possam acrescentar, retirar ou modificar preferências e que o número de horas para um determinado horário possa ser privilegiado em relação ao grupo de recrutamento que está na candidatura do docente.

O que actualmente existe é que todas as preferências sejam vistas em primeiro lugar num determinado grupo de recrutamento para só depois se passar às preferências do segundo grupo de recrutamento.

 

 

número de grupos

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Aposta Para Hoje

Para 89 milhões.
euromilhoes 19 janeiro

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Proposta do ME, Diploma de Concursos

O Ministério da Educação enviou aos sindicatos de professores uma proposta para alteração do regime de concursos  que determina o fim da BCE.

Acaba com uns “instrumento” injusto, responsável pelo “imbróglio” em que se tornaram os concursos dos últimos anos.

Principais Alterações:

– Os candidatos ao concurso externo podem ser opositores, no máximo, a dois grupos de recrutamento para os quais possuem qualificação profissional.

– Deixa de haver diferenciação das colocações em TEIP.

– São critérios objetivos de seleção, a seguir obrigatoriamente, para os grupos de recrutamento previstos no Decreto-Lei n.º 27/2006, de 10 de fevereiro e no Decreto–Lei n.º 176/2014, de 12 de dezembro:
a) A graduação profissional nos termos do n.º 1 do artigo 11.º;
b) Para efeitos de desempate é utilizado o previsto no n.º 2 do artigo 12.º.

–  Esgotada a possibilidade de colocação de docentes profissionalizados, pode a escola, a título excecional, selecionar docentes com habilitação própria, seguindo os critérios de seleção identificados no n.º 6, substituindo classificação profissional pela classificação académica acrescida de 0,5 pontos por cada ano escolar completo, arredondada às milésimas, nos termos da subalínea iii), da alínea b), do n.º 1 do artigo 11.º.

(fica aqui a proposta retirada da página do SPN)

Proposta do Ministério da Educação

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O forno lento do Inferno

 

Conhecemo-nos há muitos anos. Desde o tempo em que transportávamos ao colo os sonhos do futuro como se a abóboda celeste pendesse sobre nós. Lançámo-nos ambas na profissão ao mesmo tempo, voando sobre precipícios de realidade que eram meros abismos onde desenhávamos pontes e erguíamos estátuas de inspiração rebelde.

Ser professoras, mais do que um desejo, era a nossa missão.

Desde esses imemoráveis tempos, muita pedra nos fez tombar no caminho. Passaram já 20 anos desde o início de todos esses tempos abismais, ferozes, audazes.

Perdemos grande parte da esperança entre escombros, grande parte da audácia esgotou-se num tempo feito de cedências e espera. Sucumbimos ao desencanto, dispersou-se em nós o desassombro das coisas felizes.

No entanto, não nos perdemos uma da outra, apesar dos silêncios e da distância, a gargalhada firme a estilhaçar medos.

Por isso, o telefonema de hoje deu-me um murro forte no estômago. Andamos nisto há 20 anos, é uma vida, feita de sacrifícios e muita raiva acumulada.

A Carlota agarra-se ao telefone como um náufrago num bote meio vazio.

“O que é que eu faço? O que é que eu faço?”.

Onde andam as soluções quando se fecham todas as portas? Sugiro-lhe que agarre no carro e quebre os quilómetros num ápice, se não a ouvem ao telefone, terão de a ouvir em pessoa.

Afinal, tudo não passou de um engano, um lapso, um descuido extemporâneo, qualquer pessoa vê que não é uma mentira, que não faz sentido continuar a alimentar as chamas do inferno se a Bolsa de contratação está moribunda. Que espécie de colegas temos que insistem na bárbara cegueira, na inflexível surdez?

“Já viste? Porque me enganei no campo que dizia “outras habilitações” – escrevi licenciatura pré-Bolonha” uma espécie de esclarecimento da minha licenciatura e dizem que prestei falsas declarações, não aceitam que foi um estúpido engano, não aceitam…”

O desespero na sua voz é tão palpável que percebo que a cólera é uma pestilenta virose que os outros plantam dentro de nós.

Se for excluída, a Carlota fica impedida de concorrer este ano letivo. Desempregada, sozinha com dois filhos adolescentes. Sem direito a comer o pão que o diabo amassa lá naquele sítio a que concorreu.

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Uma fornalha de malditos que cozem os outros em lume brando.

Deve dar-lhes gozo, erradicar as pessoazinhas que se candidatam lá, para as bandas da Brandoa.

As pessoazinhas que estão dispostas a fazer 90 km diários, quase duas horas de viagem, uma fortuna em portagens, para que lhes seja contado o tempo de serviço.

Deve dar-lhes gozo, deve, apontarem os dedinhos e dizerem que não, que estão excluídos, que não merecem aquele lugarzinho porque foram “desonestos”.

Deve dar-lhes gozo a imbecilidade de serem desumanos e miseramente rudes.

Contudo, o destino tem destas coisas maravilhosas e improváveis. A Carlota ia já a caminho do forno do diabo, quando recebeu o telefonema de outra escola à qual também concorreu noutra Bolsa. Aceitava? Quando é que podia começar? Nem comprovativos de coisa nenhuma, nem nada.

Deu meia volta ao carro e regressou a casa.

Desta vez a providência salvou-lhe 20 anos de não carreira, de não enquadramento em lado nenhum.

Na terra do forno do Demo devem já estar a cozinhar outro acólito, imagino. O gozo que lhes dá, consigo ver bem, por entre as chamas do lume lento, o gozo que lhes dá.

De facto, pode  acabar-se com o monstro nas escolas, mas, às vezes, é impossível matar o monstro que habita certas pessoas…

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