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Jul 17 2012

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Nas escolas e nas ruas, professores admitem radicalizar os protestos

Nas escolas e nas ruas, professores admitem radicalizar os protestos

 

Nos sindicatos e na blogosfera começam a detectar-se sinais de “revolta” de quem não terá trabalho em Setembro. Depois dos contratados, muitos professores do quadro vão ficar este ano sem lugar nas suas escolas

Depois de semanas de incerteza sobre quantos ficariam sem actividade lectiva, os professores começaram, ontem, a dar sinais de revolta. É o que diz Mário Nogueira, dirigente da Federação Nacional de Professores (Fenprof ), mas também César Paulo, que há menos de um mês criou um grupo no Facebook em defesa do vínculo dos contratados. Ambos dizem temer “a radicalização dos protestos” de milhares de docentes desempregados. “Ainda em Julho”, arrisca Nogueira. Ou, “pelo menos, em Setembro”, prevê César Paulo.
Centenas de professores têm sido informados nos últimos dias de que não terão horário atribuído no próximo ano lectivo
Foi na sexta-feira que terminou oficialmente o prazo para os directores identificarem os professores que, segundo os seus cálculos, não terão componente lectiva em 2012/13. Mas só ontem, através de contactos dentro da própria escola nas redes sociais, se começou a ter “uma noção mais clara da brutalidade do despedimento que o Ministério da Educação está a promover”, diz César Paulo. “Alguns ainda choram, desesperados. Outros já dizem para avançarmos, que estão dispostos a tudo. Começa a ser assustador”, reflectia ontem aquele professor.

Na semana passada, Mário Nogueira previu que as medidas tomadas pelo ministério de Nuno Crato — como a criação dos mega-agrupamentos, a revisão curricular e o aumento do número de alunos por turma — provocassem a extinção de cerca de 25 mil horários. Ontem, ele e Manuel Pereira, presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), já diziam temer que a situação seja “ainda pior”. Há notícias de agrupamentos com 50, 60, 90 e até mais de cem “horários zero”. Ou seja, de professores do quadro, com 15, 20 e até 30 anos de serviço, que terão de ir a concurso por não terem lugar nas respectivas escolas. Para estes, para já, a violência “é psicológica” — na pior das hipóteses ficam noutra escola ou com horário zero, mas a receber os seus vencimentos. “Mas para milhares e milhares de contratados, que foram essenciais ao funcionamento do sistema, há essa violência e a outra, a de não saberem como vão pôr comida na mesa, em Setembro”, zangava-se ontem Manuel Pereira.
Todos os professores e dirigentes contactados pelo PÚBLICO disseram que se vê gente a chorar nas escolas. “Os do quadro sentem-se descartados. Nós, que estivemos dezenas de anos a contrato, começamos a ter uma noção clara de que é o fim. A profissão acabou”, lamentava ontem César Paulo. Na página do Facebook que criou há cerca de um mês — e que juntou num ápice mais de 20 mil membros — planeavam-se vigílias e viagens à Assembleia da República já nesta quinta-feira, dia em que Nuno Crato é ouvido no Parlamento. Mário Nogueira, pela Fenprof, promete “acção” ainda este mês.

“O ministério pode muito bem ter acendido o rastilho de um movimento que vai estalar nas ruas sem que alguém o possa controlar”, dizia ontem o líder da Fenprof.

“Entre os milhares de professores que ficarão desempregados há muitos casais, com filhos, com empréstimos para pagar”, lembrou ontem Arlindo Ferreira, um dos promotores de um dos mais participados blogues sobre Educação.

Arlindo foi um dos foram chamados pela direcção da respectiva escola esta segunda-feira: “Éramos 32. Chamaram-nos para uma reunião e explicaram-nos por que nos mandavam para destacamento por ausência de actividade lectiva”. Tenta descrever o ambiente, mas não encontra as palavras. Diz que “o sofrimento e a desorientação” das pessoas, “mesmo dos directores”, “são indescritíveis”. E lembra que o ministério, neste momento, já tem “os números” — “Se não o querem dizer, não digam. Mas reflictam sobre eles e ajam, ao menos isso”.

 

17 Jul 2012

Edição Público Porto

Educação

Graça Barbosa Ribeiro

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