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Sobre a diferença da doença em MPD – Carlos Santos

Ao ler detidamente a proposta de trabalho negocial do ME sobre a Mobilidade por Doença eis, colegas, que se encontrou a resposta para todos os nossos problemas.
Pois eu gostaria de saber se dois professores com a mesma doença, passam a poder deixar de ser tratados da mesma maneira só porque um é QA e o outro é QZP?! Será que, por decreto, as doenças passam a doer de maneira diferente consoante o vínculo profissional da pessoa que a tem?
Foi com esta mentalidade enviesada de diferenciação seletiva que se cometeram e ainda se continuam a praticar atos hediondos, como o holocausto nazi.
E será que contar 50km em linha reta até à sede de concelho é justo? E de onde veio esse número mágico? Se for em autoestrada faz-se em 25 minutos, se atravessar p. ex. uma serra ou uma grande metrópole, estaremos a falar de uma viagem penosa de mais de uma hora e meia que, ida e regresso, contabilizaria mais de 3 horas ao volante. Que ato de transbordante generosidade este a que se propõe o ME para com quem está em sofrimento ou com doença incapacitante.
Este princípio é profundamente ilegal e vai contra a igualdade de direitos entre os cidadãos consignados na Constituição portuguesa e atenta contra os próprios direitos humanos. Não se pode considerar que é um cidadão de segunda só porque se é quadro de agrupamento ou um inválido com direito a ser perseguido e descartado pelo seu governo apenas por ter uma doença incapacitante.
Ainda pensei que estas almas se lembrassem que pessoas com doenças degenerativas, crónicas e incuráveis, ficassem dispensadas de todos os anos terem de passar por este angustiante processo concursal. Mas, não, fizeram precisamente o contrário. Olhando para esta proposta do ME, nota-se como torna tão apetecível este imaginário de caça às bruxas. Havemos de as caçar todas e queimá-las vivas na praça pública para gáudio do povo, para que se faça justiça… e para que esqueçam da barriga cheia de misérias em que a maioria vive, sobretudo para o povo que está no ensino! Pega-se em algum caso de suspeição, generaliza-se e admoesta-se severamente todos os outros.
O país está a deparar-se com um corpo docente muitíssimo envelhecido, desgastado, desmotivado e doente e com uma tremenda falta de professores. Após anos a fio a destratar e explorar os profissionais da educação que descambou numa situação de falta de professores, uma vez que muitos abandonaram uma profissão pouco atrativa e quase ninguém quer formar-se para ser professor, a solução encontrada foi continuar a maltratar e perseguir que contribui para que o ensino vá funcionando.
Conheço bem essa proverbial piedade cristã inquisitória, persecutória e de maus costumes que nunca saiu da nossa cultura nem da nossa maneira de estar de tão enraizada que está entre nós, como sucedeu com a inquisição onde foram cometidas tantas atrocidades, como aconteceu numa das mais longas ditaduras do mundo (quase meio século) onde se alimentaram perseguições, torturas, denúncias e censura. Ao que parece, nada disto mudou. As pessoas passaram a usar smartphones e a tecnologia de última geração (quase tudo importado), mas a mentalidade continua na mesma (só é pena não terem também importado alguns valores e atitude social e de cidadania de alguns povos do norte da europa).
O retrato acabado desta mentalidade umbiguista e pouco recomendável foi facilmente revelada pela primeira figura do estado quando anunciava que a desgraça do Covid19 noutros destinos turísticos, era uma oportunidade para o turismo nacional; que a guerra e instabilidade no leste da europa causados pela guerra na Ucrânia, eram uma oportunidade para o país propiciando investimento neste nosso canto onde reina a estabilidade longe do conflito sangrento. A ruína moral não conhece limites.
Perdoem-me eu não me conseguir rever nesta mentalidade tão portuguesa que, na ausência de conseguir fazer melhor, se satisfaz em tirar proveito da desventura dos outros e sentir-me, por vezes, altamente inadaptado ou mesmo um marginal face a esta cultura.
Encontramos esta tremenda capacidade de descobrir vantagens na miséria alheia na típica cínica observação portuguesa “Estamos mal, mas olha que há quem esteja pior!” Que medíocre.
Este projeto de intenções, altamente pernicioso, só irá somar desgraça em cima de quem já está desafortunado, despejando mal sobre quem já está mal. Isto só irá fazer com que os professores, que já de si estão mal, ainda fiquem pior e acabem por não aguentar vendo-se obrigados a meter baixa médica e a ficarmos com menos professores disponíveis. Que bela solução para resolver o problema da falta de professores. Que medidas tão atrativas para chamar mais gente para a profissão.
Isto está longe de ser um processo de escrutínio relativamente à veracidade da situação dos professores doentes; trata-se, isso sim, de um cáustico e penoso processo de humilhação sumária de pessoas que se encontram debilitadas por estarem doentes pressionando para que desistam e metam aposentação antecipada, algumas das quais sem direito praticamente a uma reforma. Dissimuladamente, pretendem que os professores morram para não terem de lhes pagar as reformas.
Os governos continuam a dividir para reinar e os professores, numa ignorância maliciosa e numa cobiça desmedida quase científicas, continuam a aplaudir a desgraça alheia, esquecendo-se que amanhã lhes poderá acontecer o mesmo. Ontem amputavam-se os membros e os ouvidos taparam-se; hoje cortam-se as orelhas e a língua cala-se; amanhã corta-se a língua e os olhos observam; depois extraem-se os olhos e o nariz torce para o lado; então chegará o momento em que nada mais haverá para retirar de um cadáver disforme e sem préstimo… assim está o corpo docente, doente e sem alma.
Não é, certamente, preciso assim tanta perspicácia para se descobrir como esta profissão se tornou tão mal-amada, a classe docente tão dividida quanto humilhada e as suas condições profissionais tão degradadas.

(Carlos Santos)

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O Primeiro Não Acordo

FNE sem acordo na mobilidade por doença e renovação de contratos

 

A FNE esteve esta manhã, de 30 de maio de 2022, no Ministério da Educação (ME) para a negociação suplementar relativa às matérias das regras de mobilidade por doença e da criação de um quadro de maior estabilidade nas Escolas para os Docentes contratados.

Desde início deste processo de negociação (a 16 e 18 de maio de 2022) que a FNE mostrou discordâncias de fundo em relação a cada uma destas matérias que o ME quer implementar de forma apressada e para contribuir para respostas de índole imediata e transitória para problemas que deviam ter sido analisados, discutidos e com soluções encontradas mais cedo e com maior consistência para ambas as matérias.

Em relação à questão do regime de mobilidade por doença, o ME reduziu de 25 para 20 km a distância em que os professores podem escolher as escolas da sua preferência, de forma que garantam o acompanhamento médico que precisam para si ou familiares e no restante pouco alterou daquilo que era essencial da proposta de partida, nomeadamente na insistência de um limite por escola para o acolhimento dos professores em situação de mobilidade.

Para a FNE não há assim o acolhimento daquilo que eram os seus pressupostos para este regime. No seu entendimento, todos os professores deveriam ter a possibilidade de serem colocados na escola que lhes permita a maior proximidade com o apoio médico necessário. A proposta do ME não responde a este objetivo, é incompleta, cria limitações e vai criar situações de injustiça ao permitir que uns professores sejam acolhidos e outros fiquem de fora deste regime de mobilidade.

Sobre as renovações de contratos a FNE considera que este mecanismo vem subverter a lógica com que as pessoas concorreram e as consequências de concursos futuros para os docentes que agora vão ver renovados os seus contratos. O processo traduz-se em situações acumuladas de injustiças que, podendo responder ao que é a preocupação do ME em ter professores já colocados através da renovação de contrato, vem introduzir fatores de enorme perturbação no respeito pela lista graduada e pelas expetativas daqueles que concorreram de uma determinada forma e outros que agora percebem que as suas expetativas são, afinal de contas, defraudadas. Todos estes motivos impediram qualquer acordo da FNE, nestas matérias, com a tutela.

Na verdade, registaram-se durante a negociação alguns avanços e pequenas alterações em relação a cada um dos modelos. Mas aquilo em que o ME evoluiu não significou qualquer alteração de fundo dos pressupostos de partida, o que provocou um grande distanciamento entre a proposta governamental e as soluções defendidas pela FNE.

Os educadores e professores podem confiar que, da parte da FNE, fica a garantia da continuação do acompanhamento quer em relação a um novo regime de mobilidade por doença justo no quadro do futuro diploma de concursos, como também no que vier a ser o novo regime de seleção e recrutamento de professores, em defesa da justiça, equidade e transparência do sistema educativo e em nome de melhores condições de vida e de trabalho para todos os profissionais da Educação.

Declaração de João Dias da Silva no final da reunião:

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E de 25 Km passou para 20 Km (grande alteração)

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Há 8 mil Professores Deslocados por Doença

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Carta Aberta ao Ministro da Educação por Técnicos Superiores

Exmo. Senhor Ministro,

Dr. João Costa

 

Dirigimo-nos a V. Exa. enquanto técnicos superiores para transmitirmos o nosso descontentamento relativamente a alguns aspetos da nossa área profissional. Não são só os professores que andam irritados, como afirma na sua primeira entrevista como Ministro, ao jornal “Expresso”. A estes podem juntar-se as insatisfações dos técnicos do Ministério da Educação:

 

– Por não estarem a ser concedidos os pedidos de consolidação da mobilidade na categoria, decorridos 6 meses de mobilidade no local destino. Por isso, também nós, técnicos superiores, ”andamos com a casa às costas”, como salienta na entrevista acima referida. Talvez num modo ping pong, entre o agrupamento de origem, para o de destino e depois, novamente, para o de origem!

O Sr. Ministro refere que “Valorizar os professores é também dizer: É aqui o teu local de trabalho, é aqui que podes organizar a tua vida.” Quando é que os técnicos superiores, que efetivaram via PREVPAP (Programa de Regularização Extraordinária de Vínculos Precários na Administração Pública), que tiveram de regressar ao Agrupamento/Escola, onde não exerciam funções há 3 anos e voltaram a percorrer quilómetros de distância relativamente à sua zona de residência, poderão dizer o mesmo? E para quando o direito à mobilidade por doença, tal como usufruem os professores, Sr. Ministro?

 

– O Ministério da Educação promete abrir vagas para os professores, com a finalidade de conceder mais estabilidade a esta classe. Vivendo a mesma realidade, os técnicos superiores têm também direito à abertura de vagas, sabendo à priori e de forma transparente, quais são essas escolas, para que possam exercer o direito à mobilidade e consequente consolidação e deixarem de ser reféns do que o PREVPAP proporcionou neste âmbito.

Existem, ainda, outras alternativas que o Sr. Ministro pode proporcionar como, por exemplo, a possibilidade de os técnicos superiores concorrerem anualmente, primeiro às vagas de contratação de escola, as quais, devem ser só depois ocupadas recorrendo a técnicos contratados.

E o que dizer dos técnicos com vínculos precários, que estão sujeitos, há anos, a verbas de fundos comunitários e à existência de projetos de escolas? Para quando a estabilidade dos recursos humanos no Ministério da Educação?

 

– O Sr. Ministro refere na mesma entrevista que a carreira dos professores não é estimulante e reconhece que “vai dando saltos mais rápidos do que um técnico superior com habilitações semelhantes.” Foi por se deparar com essa situação, que fracassou o último concurso de admissão de inspetores escolares, que não quiseram enveredar para a carreira de técnico superior, com mais dificuldades de progressão.

Para quando uma carreira mais atrativa para os técnicos superiores, proporcionando uma progressão mais rápida e com melhores condições de trabalho?

 

– Por último, questionamo-nos porque é que o estudo sobre bem-estar e saúde mental nas escolas, abrangeu apenas alunos e professores. Porque é que se valorizam mais uns que outros, quando todos – técnicos superiores, técnicos especializados, assistentes técnicos e assistentes operacionais – vivem na mesma casa?

 

O Sr. Ministro porta-se como o bom aluno que sabe a matéria toda. Conhece a realidade dos recursos humanos do Ministério da Educação. Mas sabe porque é que não lhe atribuímos nota máxima? Porque tem de saber aplicar e concretizar essa matéria.

O Sr. Ministro mostrou conhecer que existe “correlações positivas entre bem-estar emocional e resultados académicos (…) e que melhorar resultados também passa por ter psicólogos, assistentes sociais, etc.”. O Ministério da Educação teve de confrontar-se com uma pandemia para validar essa brilhante conclusão! Mas aferir não chega. Há que chegar a causas e resoluções. Não basta reconhecer a relevância dos técnicos. Há que ajustar rácios entre o número de alunos/técnicos, garantir condições de trabalho, dignificar a carreira, agilizar e clarificar o processo de mobilidade e de consolidação e preservar a saúde mental de quem cuida.

 

Ainda há muito para fazer ao nível do recrutamento, gestão e carreira dos recursos humanos do Ministério da Educação. Se não trata bem quem vive na sua casa, não vão ser só os alunos que irão apresentar “taxas de abandono escolar”. Aliás, já se verificaram muitos casos de técnicos superiores que abandonaram o Ministério da Educação, mudando-se para outros ministérios, por verem a mobilidade e consolidação entre escolas indeferida.

 

Cumprimentando V. Exa. pelas novas funções em que se encontra investido, manifestamos a nossa disponibilidade para o diálogo e para a construção de soluções justas e urgentes.

 

Os Técnicos Superiores do Ministério da Educação.

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João Costa Desmontado – Parte 5

Rectificações – O Meu Quintal

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7% os professores em mobilidade por doença

 

São cerca de 7% os professores em mobilidade por doença. Ou seja, estimam os líderes da Federação Nacional de Professores (Fenprof) e da Federação Nacional da Educação (FNE) com base na informação divulgada nas reuniões no Ministério da Educação, são “cerca de oito mil docentes”. Há agrupamentos com mais de cem docentes com destacamento. A maior concentração encontra-se em escolas dos distritos de Braga, Viseu, Vila Real e Bragança.

“Se o ministério desconfia de casos fraudulentos, reforce as juntas médicas nestes quatro distritos”, insiste Mário Nogueira. Para o líder da Fenprof, se o Governo não ceder em algumas das propostas, as baixas médicas podem aumentar porque os casos mais graves serão os que não podem aceitar as novas regras, garante.

Recorde-se que na proposta entregue às organizações o Governo defende que todos estes docentes, em mobilidade, tenham no mínimo seis horas letivas por semana. E que o requerimento só possa ser feito se os docentes estiverem colocados a mais de 25 quilómetros da sede do agrupamento e sujeito às quotas por agrupamento, cujo sistema também será criado.

 

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E quem avalia o desempenho dos pais?

Naturalmente, sem generalizar, os pais e encarregados de educação são uns seres perfeitos, que sabem tudo e são melhores do que todos os professores (os quais têm imensos defeitos), mas que, por algum motivo, não sabem educar a sua prole (embora a maioria não o reconheça).
A coisa até estava a ir muito bem, seguindo o plano divino com o principezinho, até aparecer a escola e os professores para estragarem tudo.
Mas já que os pais gostam tanto de avaliar a prestação dos professores, vamos lá, então, falar sobre Avaliação de desempenho (não dos professores que passam a vida a serem avaliados, inclusivamente pelos pais). O que urge questionar é quem avalia o desempenho dos pais.
Na meninice dos nossos pais, estudar era inacessível. No nosso tempo estudávamos, ajudávamos os nossos pais e, passar o ano e tirar boas notas, era uma obrigação nossa. Na geração dos pais dos nossos alunos, os seus pais prometiam-lhes uma prenda se passassem o ano ou tirassem boas notas. Atualmente, a coisa deu uma reviravolta e são os meninos a impor as regras aos pais. Então estes dão-lhes adiantado os tabletes, os smartphone ou as consolas de jogos antes da chegada do velhote de barbas brancas, da Páscoa e do final do ano, se os meninos prometerem estudar e tirar notas decentes. E este comportamento invertido passou a fazer parte do relacionamento de pais que já têm dificuldades em relacionarem-se com os filhos de uma outra forma que não seja aceitarem a chantagem mercantilista dos rebentos. Uma inversão de papéis em que o adulto se submete à chantagem da criança que é quem manda e manipula.

Os encarregados de educação (expressão ainda incompreensível por quem tutela a educação dos filhos) não se apercebem de que a obediência e o respeito mútuos, mas sobretudo da criança para com os adultos, conquista-se com diálogo para que estas compreendam a razão das atitudes. A falta de diálogo é a principal fonte da disfuncionalidade familiar que acaba por desembocar na escola com o aparecimento de cada vez mais crianças mal-educadas e indisciplinadas que não sabem respeitar regras, adultos e colegas.
Um estudo recente que revelou que as crianças passam, em média, mais de 3 horas e meia por dia em frente de ecrãs – a maior parte delas sem nenhum acompanhamento o controlo por parte de um adulto por perto – só vem comprovar que grande parte delas estão abandonadas dentro das próprias casas com as famílias perto, mas longe do olhar.

Então, naturalmente, vão surgindo palavras malditas. “NÃO” é a palavra que a maioria das nossas crianças não estão habituadas a ouvir. Mas, embora seja uma palavra que não estejam acostumadas a escutar, as crianças usam-na com frequência numa relação invertida que estabelecem com os pais, na qual vestem a pele do adulto, sendo elas quem manda e encerra qualquer conversa ou pedido dos pais sentenciando com o terminante argumento “não”. Sem se darem conta, demitindo-se das suas obrigações parentais, vários pais estão a criar pequenos tiranos.

Daí o embate que sofrem quando chegam à escola e começam a escutar os primeiros “Nãos”. Sentem uma enorme frustração quando, pela primeira vez sentem que nem tudo é feito segundo a sua vontade pois, muitas delas não têm o hábito de serem contrariadas. Os pais nunca quiseram contrariar os filhos para não criarem neles o sentimento de frustração. “Frustração” essa outra palavra que os pais evitam a todo o custo que chegue até aos filhotes, dando-lhes tudo o que pedem e no imediato, não os habituando ao mundo real onde a frustração fará parte da vida. Resultado: acabará por gerar mais um conflito com os professores na escola. Depois surgem miúdos com problemas comportamentais e um rol de psicólogos que não conseguem descobrir de onde vêm tantas crianças e jovens deprimidos, frustrados e revoltados. Culpa dos pais que não querem que os filhos embirrem com eles preferindo o jogo fácil de os comprar com bens materiais, não lhes dando o essencial, a educação. Crianças que aprendem que o importante é o «ter» acima do «ser» e que tudo na vida lhes irá ter às mãos de maneira fácil. Nada mais errado e nocivo.
Pais que não sabem ensinar as crianças a lidar com a frustração, a saber esperar, a ceder e a respeitar. Então, além de “gastadora”, a criança torna-se teimosa, depressiva e intolerante.
Mas sempre é mais fácil comprar os filhos com bens materiais do que gastar tempo a conversar sobre assuntos relevantes. Não há diálogo, logo não há espaço para haver educação. Os miúdos estão com o tablet ou smartphone no quarto, à mesa e até, logo de manhã, no carro onde não os largam, enquanto os pais lhes colocam a mochila às costas ou lhe apertam os atacadores.

Quantas vezes se escuta da boca de um aluno expressões tão simples como “bom dia”, “posso entrar?”, “obrigado”, com licença”, “se faz favor”, “desculpe”,…? Mas isso seria uma exigência de requinte excêntrico numa sociedade onde, impunemente, os pais vão à escola pressionar, ameaçar e agredir professores e funcionários. Se a lei caísse logo em cima com punições judiciais severas e céleres, não teríamos uma sociedade degradante onde grassa o desrespeito e a violência. Perante o número crescente destas intoleráveis situações de brutalidade, será de estranhar que os seus rebentos, pelo exemplo, também não tentem fazer o mesmo? Por algum motivo é vulgar os professores dizerem “basta vermos os filhos para imaginarmos como são os pais”.
Pais que à porta da escola deseducam pelo mau exemplo cuspindo, deitando beatas e lixo para o chão, usando linguagem imprópria, quando não estão a estacionar em locais proibidos, em segunda fila, em cima dos passeios ou de passadeiras, ou a fumarem dentro das viaturas com as crianças lá dentro, fazendo precisamente o oposto daquilo que nós, professores, ensinamos aos seus filhos na escola.
Todavia, se os pais fossem responsabilizados pelos atos dos seus filhos e obrigados a cumprir serviço comunitário na escola sempre que o filho apresentasse mau comportamento, talvez as coisas não tivessem chegado a este ponto tão degradante.

Pais que se escudam atrás da falta de tempo para educar o filho, mas que acham que os professores são obrigados a ensinar os conteúdos escolares e ainda educar mais de vinte de cada vez. Não têm tempo para educar o filho ou para ir à escola colaborar na sua educação, mas têm tempo para o futebol, reality shows e novelas e para criar grupos no WhatsApp ou Facebook para difamarem a escola e os professores.
Mas, pais que não são um bom exemplo para os filhos, quer pelas atitudes, quer pela linguagem usada, não se apercebendo da importância que têm na vida dos mais novos com carácter ainda em formação, estão a transmitir uma deficiente educação. Muitos erros cometidos a que se somam a falta de acompanhamento, criando crianças malformadas e sem figuras de referência em casa. E era tão simples, bastava educar pelo exemplo.

Contudo, não creio que todos os pais compreendam que a educação vem de casa. Que os principais responsáveis pela educação dos filhos são os pais e não a escola. Que o papel da escola é o de informar, formar, complementar e reforçar a educação que deve vir de casa, mas, principalmente, o de transmitir conhecimentos. Quem cria é a família a quem cabe assumir as responsabilidades educativas.
Lamento que, neste nosso país de fachadas, os pais não vejam a educação dos filhos como uma prioridade. Um bom carro à porta, dinheiro para a “bola”, para umas boas férias e outros devaneios, são sempre mais importantes do que o parente pobre – a educação dos filhos. Noutros países, assim que o bebé vem ao mundo, é hábito os pais abrirem uma conta onde se vai acumulando um pé-de-meia para quando, um dia mais tarde, o filho for para a universidade. Por cá falar disso é motivo de riso.
Certamente que a classe docente está convencida que não é só importante a educação dos filhos, mas também a educação dos pais, muitos deles nunca tendo saído do papel de progenitores para assumirem verdadeiramente a função de pais.

Que se deixe de andar constantemente a avaliar o desempenho dos professores e se comece a avaliar o desempenho e a responsabilidade dos pais e, certamente, não só ficará a ganhar o ensino, mas também a sociedade.

(aos excelentes pais que foram obrigados a ler o texto, as minhas mais sinceras desculpas; àqueles a quem assentou a carapuça, têm bom remédio, há bons fármacos para a azia)

Carlos Santos

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O espírito de missão dos professores não compensa

“Um dia irei acordar a meio da noite
invadid@ de profunda tristeza e,
só então irei dar-me conta do que é
estar deitad@ ao lado da solidão
a um mundo de distância de ti…”

Ainda povoa o meu pensamento aquele dia em que muitos foram torturados por aqueles que convidavam os professores a saírem da sua «zona de conforto» e emigrarem. Hoje, como sempre, prevalece a ideia de que eles têm de ter um espírito de missão e aceitar ir para escolas a dezenas ou centenas de quilómetros dos seus lares durante os anos que forem necessários à causa pública.
A todas essas pessoas da nossa sociedade que invejam uma vida de professor que consideram pouco exigente, bem paga, com muitos benefícios, que tirem o curso e se candidatem à profissão para também poderem usufruir dessas tais facilidades de que falam. Que se sujeitem a esses confortos com “a casa às costas”, com os filhos atrás ou compelidos a abandonar a família. Por algum motivo existe um reduzido número de novos candidatos à profissão, demonstrando o desinteresse das pessoas em “calçar os sapatos dos docentes”.

Muitos daqueles que tanto esquadrinham as suas vidas e os expõem a uma infinita galeria de censura, nunca se deram ao trabalho de tirar um curso e os que tiraram uma formação superior não se submetem aos sacrifícios por que têm de passar os professores. Não o fazem nem querem fazer, pois muitos são os que não aceitam ofertas de emprego longe de sua casa e, muitos outros, nem sequer emprego que não lhe interesse por ser mais rentável e cómodo ficar em casa. Não creio que seja necessário dar muito crédito às palavras de quantos criticam a classe docente, mas que a sua zona de conforto é a sua terra e, de preferência, sem necessidade de percorrer uma grande distância para ir para o trabalho, enquanto não se escandalizam com o facto de a zona de conforto dos professores se estender de norte a sul do país até às ilhas.
Todos lhes apontam o dedo, mas ninguém quer a sua profissão, nem o árduo trabalho, nem fazer sacríficos que os prejudiquem a si e às suas famílias. Nesta terra, toda a gente tem direito a uma zona de conforto que propicie o tão necessário aumento da natalidade, menos os professores.

Quanto à classe política, assim que são eleitos, são imediatamente recompensados com diversificadas ajudas de custo, de alojamento e de deslocação (já para não falar daqueles que mentem sobre o seu local de residência para extorquir numerário ao erário público). Só aos docentes lhes é exigido que tenham viatura própria para se deslocarem diariamente para poderem trabalhar ou a arrendem casa a centenas de quilómetros do seu domicílio não tendo direito a nenhum subsídio nem apoio. Mas para que a classe política possa ter a sua zona de conforto, corta-se nas verbas para a Educação.

Na realidade, o que sabem eles deste e de outros desconfortos dos profissionais da educação?
O que sabem sobre tantos sacrifícios e incómodos pelos quais têm de passar para exercerem a sua profissão?
O que sabem eles dos horários de trabalho que não têm um lugar, um dia ou hora para cumprir, pois invadem constantemente a privacidade do seu lar?
O que sabem eles de todas essas zonas de conforto reservadas aos professores que mais ninguém quer?
O que sabem eles, afinal, do que é ser professor?
Só mesmo a ignorância e o hábito da maledicência os leva a que tanto asneirem; e o insinuam porque não sabem do que falam, uma vez que não o sentem na pele.

“Ao fim do dia, ao regressar à noite àquela cela onde vou cumprindo esta pena, a este quarto, este refúgio, esta alcova, a esta jaula invisível que se transformou num leito de solidões, prova viva de vidas desconjuntadas, encontro-me desprovid@ de tudo o que mais prezo.
Nas ocasiões em que me sinto tão só que me é impossível pôr sentimentos nas palavras, deixo-me levar por esse rio de lágrimas e deixo as palavras escorregarem dos sentimentos.
Então, um dia, talvez um dia…
Um dia irei acordar a meio da noite
e não estarei sozinh@.
Não te enviarei mais mensagens ou telefonemas
nem sentirei a tua falta ou vontade de chorar.
Porque nesse dia irei acordar a meio da noite
e estarás deitad@ a meu lado
e não a um mundo de distância.”

Carlos Santos

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Calendário das Mesas Negociais para dia 30 de Maio

Numa rápida análise pelas páginas de alguns sindicatos encontrei as horas das suas reuniões da negociação suplementar. As reuniões serão feitas individualmente com cada organização sindical e será uma longa maratona negocial para a equipa do Ministério da Educação.

Não sei se ao longo do dia podem surgir informações sobre alguma alteração às propostas finais, ou se essa informação será apenas dada após a última reunião negocial.

 

A Federação Nacional da Educação (FNE) vai estar presente dia 30 de maio, pelas 11h00

SIPE – Já está marcada a negociação suplementar, solicitada pelo SIPE,  com o ME, para o dia 30 de maio às 14h00

FENPROF – ME convoca negociação suplementar para dia 30, às 15:30 horas...

STOP – Nova reunião com o ME a 30 maio (17:00)…

 

 

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E Sobre Quantas Erradas Ponderações O Ministério da Educação Toma Decisões?

A edição do Expresso coloca hoje a retificação da entrevista dada pelo Ministro da Educação, onde referiu que em 2021 havia 30% dos professores no topo da carreira.

Já o poligrafo tinha dado como falsa essa informação do Ministro.

Segundo o Ministério da Educação “Os valores corretos são cerca de 2% em 2018 e 18% em 2021, sendo os valores referidos resultantes de uma outra ponderação sobre a evolução da massa salarial”.

 

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A Crónica de Sábado

Sábado – O Meu Quintal

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As lágrimas não se fazem ouvir” Hoje em destaque

Por medo ou vergonha, a maior parte das vítimas não denuncia. Por sua vez, muitas escolas escondem o problema debaixo do tapete ou desvalorizam-no, mas o bullying e o cyberbullying deixam marcas que ficam para sempre.

Reportagem Especial: “As lágrimas não se fazem ouvir”

O que leva uma criança ou jovem a agredir outros de forma intencional e repetida, e o que é preciso ser feito para que este flagelo não continue a crescer, é o que mostramos na Reportagem Especial: “As lágrimas não se fazem ouvir”.

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Alunos da Madeira usam mais os Manuais Digitais do que os de Continente

 

Estudantes envolvidos no projecto-piloto do continente apenas recorrem aos recursos online durante o tempo de aulas. Os dados de utilização da plataforma Escola Virtual, que agrega manuais escolares das diferentes editoras, mostram região autónoma “na vanguarda” da transição digital, segundo a Porto Editora.

 

Alunos da Madeira usam manuais digitais de forma mais intensa que os colegas do continente

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“Somos o animal com a infância mais longa, para quê aprender tudo à pressa?”

 

Na última lição na FMH, pediu um novo contrato social para educação. E que as escolas libertem não só as crianças mas professores e investigadores.

“Somos o animal com a infância mais longa, para quê aprender tudo à pressa?”

Atirada para este ano por causa da pandemia, a última lição de Carlos Neto, o professor e investigador que pôs o direito a brincar das crianças na ordem do dia, aconteceu ontem num pavilhão cheio da Faculdade de Motricidade Humana, na Cruz Quebrada. Na hora da despedida, os reptos foram os que acompanham uma carreira de defesa do espaço e tempo para o “corpo em movimento”, mas também de perspetiva sobre a vida na universidade, desde os primórdios da sua entrada nas lides do desporto em 1970, na altura para fazer o curso de instrutor no Instituto Nacional de Educação Física – a escola que viria a ser, depois do 25 de Abril, o Instituto Superior de Educação Física de Lisboa e hoje é a FMH, integrada na Universidade de Lisboa.

Carlos Neto invocou os mestres – alguns que já partiram, e que abriram os caminhos nesta área em Portugal, como os pedagogos João dos Santos, Noronha Feio e António Paula Brito – e defendeu que a escola que construíram sempre inquietos não poderá ficar parada no tempo perante uma sociedade e tempos desconhecidos e imprevisíveis.

“A melhor brincadeira era jogar à pedrada” 

“Vim de um mundo diferente, de imaginação, de fantasia, de bem-estar, de busca de prazer, elevação, iluminação e transcendência que é o estado de espírito de uma criança”, começou Carlos Neto, lembrando o percurso que procurou fazer ao longo da carreira, tanto na observação como no ensino. E que partiu da sua própria vivência, recordou.

“Nasci num país pobre, em 1951, numa cidade que após o fim da Segunda Guerra vivia em pobreza, num regime ditatorial. O que eu tinha à minha mão como criança era o jornal O Século que o meu pai comprava todos os dias, um livro que havia em todas as casas que era a Bíblia e a emissora nacional. Tínhamos uma escola, uma escola que era uma igreja e ditatorial também, onde o ensino era replicativo e expositivo, como ainda hoje é. Tínhamos uma segunda escola, que era uma escola da aprendizagem da vida, a escola da rua, que está em vias da extinção. Hoje não vemos crianças na cidade. Infelizmente essa escola acabou”, disse, lembrando os amigos de rua e as partidas de futebol no Sport Clube Leiria e Marrazes, onde jogou.

“A melhor brincadeira que tinha era jogar à pedrada com os meus amigos e às lutas, porque isso ensinava-nos a ser mais fortalecidos, ter mais capacidade de compreender os outros e fairplay”.

Em 1970, entrou na escola de instrutores de Educação Física de Lisboa, em anos de inquietação, que o acompanhou sempre, lembrou o presidente da FMH, Luísa Sardinha, que o descreveu como um professor comprometido dentro e fora de aula e uma influência decisiva para o estudo científico da aventura de ser criança.

“Esta escola foi talvez aquela que mais influências teve do Maio de 68. Recordo-me de irmos a Paris só para comprar livros”, lembrou Carlos Neto. Os que mais o marcaram e seriam as novas bases de trabalho foram Fenomenologia da Percepção, de Merleau-Ponty, A Imagem do Corpo, de Paul Schilder, A Formação do Símbolo na Criança, de Jean Piaget e do Do Ato ao Pensamento, de Henri Wallon, recordou. “Nesta escola tínhamos ainda um corpo que era visto ainda apenas na perspetiva da ginástica sueca”.

 

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Lista Colorida – RR36

Lista Colorida com Colocados e retirados da RR36.

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Assistente Técnico vs Telefonista

 

 

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224 Contratados colocados na RR36 + 31 com caráter excecional

Foram colocados 224 contratados na Reserva de Recrutamento 36 + 31 com caráter excecional. Seguem as tabelas com a sua distribuição por QZP.

Curiosamente o QZP 1 é aquele onde mais professores têm beneficiado desta medida extraordinária de lançamento de horários COMPLETOS e ANUAIS, que é, como todos sabemos, a zona onde mais se faz sentir a falta de professores.

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RR37 só para os GR 100 e 110

Reserva de Recrutamento (RR37) – PEDIDOS DE HORÁRIOS APENAS DISPONÍVEIS PARA OS GR 100 E 110

 

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Listas relativas ao 𝗖𝗼𝗻𝗰𝘂𝗿𝘀𝗼 𝗜𝗻𝘁𝗲𝗿𝗻𝗼 𝗱𝗲 𝗣𝗿𝗼𝘃𝗶𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼 2022/2023

 

Publicadas Listas relativas ao 𝗖𝗼𝗻𝗰𝘂𝗿𝘀𝗼 𝗜𝗻𝘁𝗲𝗿𝗻𝗼 𝗱𝗲 𝗣𝗿𝗼𝘃𝗶𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼 2022/2023

– Lista de colocação – https://www.madeira.gov.pt/Portals/16/Documentos/Docente/Concurso/ListaColocacaoInterno_20220527.pdf?ver=2021-06-29-145248-487

– Lista ordenada definitiva de candidatos admitidos – https://www.madeira.gov.pt/Portals/16/Documentos/Docente/Concurso/ListaOrdenadaDefinitivaInterno_20220527.pdf?ver=2021-06-29-145248-487

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Reserva de recrutamento n.º 36

Publicitação das listas definitivas de Colocação, Não Colocação, Retirados, Listas de Colocação Administrativa e Listas de colocação adicional de carácter excecional – 36.ª Reserva de Recrutamento 2021/2022.

Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de segunda-feira dia 30 de maio, até às 23:59 horas de terça-feira dia 31 de maio de 2022 (hora de Portugal continental).

Consulte a nota informativa.

SIGRHE – aceitação da colocação pelo candidato

Nota informativa – Reserva de recrutamento n.º 36

Listas – Reserva de recrutamento n.º 36

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Concurso Externo de docentes do ensino artístico especializado da música e da dança 2022/2023 – Listas Provisórias

Estão disponíveis para consulta as listas provisórias de admissão e de exclusão do Concurso Externo do ensino artístico especializado da música e da dança para o ano escolar 2022/2023.

Listas Provisórias

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Tentativa de criação de um Programa extraordinário de vinculação dos docentes na AR

 

Mais uma voltinha no carrossel… é para a menina, é para o menino…

Programa extraordinário de vinculação dos docentes

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Também o PAN Dá Entrada de Projeto Lei Para a Revogação das Quotas de Acesso ao 5.º e 7.º Escalão

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Também o PCP deu entrada de uma Recomendação para a Eliminação das Vagas para Progressão ao 5.º e 7.º Escalão

Fosse no tempo da geringonça e tudo isto fazia mais sentido.

 

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Criminalidade em ambiente escolar diminuem em 2020/21

Durante o ano letivo de 2020/21 registaram-se 4494 ocorrências em ambiente escolar sendo 53% de natureza criminal. Em relação ao ano letivo anterior houve uma diminuição de ocorrências de 6,8% sendo de 9,4% a diminuição nas de natureza criminal.

A distribuição pode ser analisada no gráfico abaixo.

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Ofensas sexuais aumentaram nas escolas

 

No ano lectivo passado, foram registados 113 casos de ofensas sexuais, mais 29 comparativamente ao ano anterior, quando foram contabilizadas 84.

No ano lectivo passado, foram registados 113 casos de ofensas sexuais, mais 29 comparativamente ao ano anterior, quando foram contabilizadas 84.

Ofensas à integridade física (978), injúrias e ameaças (666) e furtos (273) representam novamente a maioria das ocorrências registadas dentro e fora das escolas, havendo ainda casos de vandalismo (140), roubo (73), posse ou consumo de estupefacientes (58), posse ou uso de arma (55) e ameaças de bomba (três).

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Por que faltam professores

 

Há pelo menos dez anos existe evidência de que, se nada fosse feito, os professores haviam de faltar. A inércia venceu a evidência de uma década.

Por que faltam professores

“Ao longo da última década, o CNE tem vindo a alertar, em relatórios e recomendações, para o envelhecimento do corpo docente […]. Estudos recentes apresentam projeções das necessidades de recrutamento de novos docentes para os próximos anos […].” Começava assim o programa do seminário “Faltam professores! E agora?…”, organizado pelo Conselho Nacional da Educação (CNE). Os qualificados estudos ali apresentados pelo professor Luís Catela Nunes (NovaSBE) e professora Luísa Loura (Pordata) poderiam ter sido encomendados/desenvolvidos antes? Sim, poderiam. Não foram desenvolvidos, porquê? Não havia forte evidência sobre a possível falta de professores? Sim, havia.

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Acesso aos 5.º e 7.º escalões de novo na Assembleia da República

Bloco de Esquerda baseia-se nos pressupostos da petição n.º 216/XIV/2 elaborada pelo Arlindo Ferreira e assinada por 14781 docentes para lançar um Projeto de Resolução pela remoção dos obstáculos à progressão de docentes para 5º e 7º escalões.

Mais uma vez. Tantas vezes vai o cântaro à fonte que um dia deixa lá a asa.

 

Projeto de Resolução 56/XV/1 [BE]

Pela remoção dos obstáculos à progressão de docentes para 5º e 7º escalões

 

 

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Sobre as Juntas Médicas para Pedido de Certificado Multiusos

… existe um atraso de 29 meses.

 

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Carta aberta ao Ministro da Educação – Carlos Santos

Excelência, Sr. Ministro da Educação, João Costa

Em entrevista ao «Expresso» V. Ex.ª referiu que “Os professores foram formados para dar aulas só a bons alunos. Era como formar médicos para verem só pessoas saudáveis.”

Estas palavras vêm na índole dos seus antecessores que denotaram uma aversão visceral aos professores, com a novidade de esta conter um certo requinte calculista por se imiscuir entre outros dizeres lisonjeiros da sua pessoa para com a classe (da qual, orgulhosamente, faço parte), permitindo-lhe considerandos destes altamente perniciosos e que envergonhariam qualquer profissional, que faço questão de refutar. Uma frase que encerra em si mesma um atestado de incompetência à classe docente, conotando-a de impreparada e, sobretudo, de não estar à altura do que dela se espera.
Sem acrimónia, cabe-me esclarecer V. Ex.ª que, para quem tinha obrigação de saber muito sobre aquilo que se passa nas escolas, parece demonstrar estar muito longe do conhecimento de causa acerca da realidade vigente. Para sua informação, na escola pública, os professores não têm só “bons alunos” como, pelo contrário, recebem igualmente todo o género de estudantes, com diversificada ordem de problemas que a sociedade cria e não resolve. Uma escola com profissionais que se veem obrigados a lidar e a dar resposta a tudo e a todos. Contrariamente ao que afirma, as turmas são de dimensão exagerada, heterogéneas e, grande parte delas, problemáticas, obrigando os professores a trabalhar em sala de aula com diversas realidades em simultâneo e, frequentemente, sem adequadas condições materiais. Alunos de educação inclusiva, com problemas de saúde, de aprendizagem, de comportamento, de integração, de acompanhamento do currículo ou que não se reveem no currículo que é disponibilizado pelo sistema de ensino. Alunos com diferentes ritmos de aprendizagem, com motivações dispares, muitos deles vindos de famílias desestruturadas onde grassa o abandono familiar; crianças órfãs de pais vivos, sem acompanhamento, espancadas ou a presenciarem a violência doméstica, retiradas aos pais para serem afastadas de maus-tratos ou da prostituição (sei do que falo, pois cá em casa houve professora que teve de depor em tribunal para as “salvar”); crianças violadas, outras que percorrem quilómetros a pé entre casa e escola, outras, ainda, a quem temos, além de matar a fome do conhecimento, matar a fome do estômago. Os tais professores que, ao que se subentende, são incompetentes e impreparados, têm de ser professores, pais, companheiros, psicólogos, orientadores, terapeutas, animadores culturais e motivacionais, assistentes sociais e muito mais que não se deveria impor a um professor, mas que a escola de hoje exige e os docentes correspondem o melhor que sabem e podem. Mas, sobretudo, são obrigados a lidar com alunos cada vez mais difíceis devido à enorme falta de regras e de educação que deveria vir de casa, mas que falta por manifesto incumprimento de pais que se têm demitido das suas obrigações por falta de tempo ou por défice de responsabilidade.
Como se não bastasse o supracitado, os docentes ainda são obrigados a lidar com constantes alterações legislativas, algumas das quais contraditórias e de difícil implementação por excessiva burocracia de um sistema educativo que, desde há alguns anos, adotou o «compliquês».
Fica V. Ex.ª ciente de que, no meio de tantas dificuldades com alunos difíceis, encarregados de educação que se demitiram das suas obrigações parentais e de acompanhamento aos seus educandos e que, não raras vezes, empreendem um comportamento agressivo para com o corpo docente, os professores têm feito um trabalho extraordinário para colmatar as falhas que vêm de fora da escola, pelo que, devo dizer-lhe, Sr. ministro, essas suas palavras, além de as considerar um infeliz impropério, vieram aromatizadas de injustiça e ingratidão.

E os professores são obrigados a lidar com crescente indisciplina, ameaças e violência verbal e física por parte de pais e alunos graças a mensagens infelizes como estas e as dos seus antecessores que colocam os professores com uma imagem fragilizada perante a opinião pública e à mercê de pessoas malformadas.

Confesso que gostaria de me ficar por aqui, mas não me é possível embargar a voz perante uma outra sua frase ao «Expresso» onde verbalizou que “Metade dos professores sentem-se irritados”, a qual me parece conter em si uma adjetivação, no mínimo, afrontosa.

A um(a) professor(a) que tem de abandonar a sua casa, marido/esposa e os filhos lavados em lágrimas, sem ter forma de lhes explicar o motivo de ir embora e os deixar ficar para trás e só longe deles possa desaguar em lágrimas a sua tristeza numa longa viagem onde afoga o seu desgosto, vá lá dizer-lhe que aquilo que ele(a) sente é irritação.
Quando um professor tem de despender uma parte substancial do seu vencimento numa segunda renda ou em combustível (ambos cada vez mais caros), sofrendo o degaste de décadas amarrado ao volante para ir para a escola e a assistir ao crescimento dos filhos sem a sua presença, penalizado pela ausência de atualizações salariais, vá dizer-lhe que tudo isso só lhe causa irritação.
Quando um professor, perante o clima de extrema dificuldade e adversidade da profissão, faz um enorme esforço para cumprir com brio as suas obrigações profissionais, trabalhando uma média de 46 horas semanais (segundo estudo efetuado recentemente) e, administrativamente, os governos lhe roubam mais de seis anos e meio de serviço para efeitos de progressão numa carreira já de si com imensos entraves, considera que sentirá uma mera irritação?
Quando, segundo estudos de 2016, 2018 e 2019, mais 60% do corpo docente estava em burnout ou à beira da exaustão (valor que se deverá ter agravado consideravelmente com a exigência das aulas à distância e a quase ausência de períodos de interrupção letiva e de férias nos dois anos anteriores devido à pandemia), ter de escutar um ministro reduzir toda essa fadiga e desgaste, esforço acrescido e desilusão dos professores à adjetivação “irritação”, será aceitável?
Uma classe com média de idade superior a 50 anos devido a má gestão ministerial e prolongamento exagerado da carreira de uma profissão de desgaste rápido, que implicou a acentuada degradação da saúde de um corpo docente envelhecido que se vai arrastando e sacrificando mais do que pode, não estará um pouco mais do que irritado?
E o que poderá dizer a classe acerca do clima de suspeição que V. Ex.ª levantou publicamente sobre a honestidade dos professores em geral e dos que estão portadores de doenças incapacitantes ou que têm a seu cargo familiares diretos doentes e que se virão obrigados a fazerem-se à estrada, quando relatórios clínicos atestam a sua incapacidade para tal? Sabendo que a sua saúde irá piorar, estarão eles simplesmente irritados?

À esmagadora maioria dos professores entregues a um estado de desânimo e insatisfação, extenuados e doentes, devido à crescente exigência que o ensino impõe a um professor e à parca retribuição verbal e financeira que recebem, diga-lhes que isso não é nada de especial, que apenas estão irritados.
Não foi graças aos professores que temos a mais escolarizada geração de sempre?
Professores que, embora com todas estas dificuldades, não abandonaram os seus alunos e as suas obrigações e têm aguentado os reiterados ataques dos sucessivos Ministros da Educação, deveriam merecer outra consideração e, certamente, melhores ministros; ministros conhecedores da real situação das escolas e aquilo que é efetivamente importante para todos os agentes envolvidos no sistema de ensino, incluindo os mais ignorados, mas fundamentais, os professores.
Na realidade, se o Sr. ministro indicia ter dificuldade em respeitar os profissionais que tutela, como poderão esses profissionais esperar o devido respeito por parte da restante sociedade?
Se nos tempos que correm V. Ex.ª tiver a coragem de, durante um mês, calçar os sapatos de um dos muitos professores que passam por tantas dificuldades, talvez consiga entender o que realmente significa para os professores essa tal “irritação” de que fala, mas, certamente, desconhece.

Atentamente,
um de tantos outros professores supostamente «irritados», Carlos Santos
(enviada a quem de direito)

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Negociação Suplementar dia 30 de Maio

Para o próximo dia 30 de maio, segunda-feira, o Ministério da Educação convocou as organizações sindicais para a obrigatória negociação suplementar solicitada pelos sindicatos.

Esta será a última reunião de negociação do documento sobre a Mobilidade Por Doença e a Renovação de Contratos.

Não se esperam grandes alterações à proposta de 18 de maio, contudo a uma pergunta que o Diário de Notícias me fez sobre que medidas a meu ver não deveriam avançar, eu respondi “Não devem avançar medidas que impeçam um docente em Mobilidade por Doença comprovada, não continuar numa escola da sua proximidade, quando, porventura, for possível renovar o contrato nessa escola de um professor com horário anual e incompleto.

Aguardo com alguma expectativa esta reunião final.

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E o burro sou eu?

O governo pretende que em 2026 o salário mínimo atinja, pelo menos, 900 euros. Nada de mais justo para as pessoas poderem viver com o mínimo de dignidade… desde que houvesse o bom senso de atribuir iguais incentivos/atualizações salariais a todas as outras profissões com salários acima do mínimo, como acontece com os professores que não conhecem aumentos visíveis há quase década e meia. De lá para cá, com promessas a evaporarem-se no ar, o salário dos professores manteve-se inalterável, enquanto o salário mínimo duplicou e, com este aumento anunciado, em breve a diferença entre eles será apenas residual.
Creio que este género de políticas seletivas só contribuirá para afastar os jovens do interesse em prosseguir os seus estudos e investir nas suas qualificações para sua realização pessoal, mas também, convenhamos, para aspirarem a um emprego com melhor salário. Olhando para o custo-benefício, facilmente compreenderão que os jovens irão reconhecer que, financeiramente, será inútil investir na sua qualificação.
Veio-me à memória um ex-aluno aluno preguiçoso (como tantos outros que passaram pelas nossas aulas), que se baldava às aulas, moía o juízo e se estava nas tintas para os estudos, que pelo salário mínimo de 900€ poderá ficar a trabalhar perto de casa num emprego sem exigência de qualificações; o seu professor, que queimou as pestanas a formar-se, a tentar passar conhecimentos e a ajudar os alunos a se instruírem, com elevado grau de qualificações, formação contínua e grande responsabilidade em mãos, ganha os mesmos 900€, mas vai trabalhar para longe de casa e ainda se vê obrigado a gastar uma boa parte do salário em deslocações e/ou alojamento. Mesmo um professor que, ao fim de muitos anos de serviço, finalmente consiga entrar para o quadro, recebe pouco mais de 1.100€, mas descontando as tais despesas de contexto, ainda ficará umas centenas de euros abaixo do salário mínimo. E mesmo docentes a trabalhar há 30 ou mais anos, a deixar uma parte do salário nas estradas/hospedagem, dificilmente tirarão um rendimento superior ao salário mínimo.
A esta miséria salarial, ainda acresce o tempo despendido em deslocações, o enorme desgaste físico ao volante e psicológico provocado pelo afastamento da família e formação paga pelo próprio, fatores que o tal ex-aluno não tem de suportar.
Fazendo as contas à qualidade de vida e aos rendimentos, afinal quem é o esperto, o professor ou o ex-aluno que não quis estudar?
Será que, neste contexto, valerá assim tanto a pena um cidadão formar-se?
É este o incentivo que o governo encontrou para ter uma população mais qualificada que permita competir com outros países?
É esta a melhor maneira de atrair jovens para a profissão e colmatar a falta de professores?
Quando temos um país que não valoriza as habilitações e acha normal que os poucos jovens que tem qualificados vão trabalhar para as caixas de supermercado e call centers, nada há a acrescentar quanto à oratória hipócrita e populista dos nossos politiqueiros.
Quanto a esse tal ex-aluno preguiçoso a quem os professores insistiam para estudar para poder vir a ter um futuro melhor (não há pai ou professor que não o aconselhe) ao ver os desgraçados dos professores com vidas tão miseráveis e instáveis quanto os seus salários, suponho que pense “… e o burro sou eu?”

Carlos Santos

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Aceitem e aprendam a ser infelizes!

 O Estudo “Saúde psicológica e Bem-estar”, recentemente publicado, relativo a Alunos e Professores, mais não fez do que comprovar, estatisticamente, a existência de uma realidade gritante, empiricamente conhecida de todos há muito tempo…

 Entre outras conclusões, o referido Estudo atestou que: “o ambiente da escola e a qualidade da gestão dos agrupamentos escolares aparecem associados ao sofrimento psicológico dos docentes”…

 Face a tal conclusão, os respectivos autores, recomendam designadamente que, e com carácter de urgência, se proceda a uma “ação concertada com as direções dos agrupamentos de escolas, de modo a promover a sua sensibilização para a importância da sua ação no clima do agrupamento e no bem-estar e saúde psicológica dos alunos, do corpo docente e, em geral, do ecossistema escolar”…

A anterior recomendação, aparentemente bem intencionada, não deixa, contudo, de afigurar-se como incompatível e inconciliável com o disposto no Decreto-Lei nº 75/2008 de 22 de Abril…

E aí é que estará o cerne do problema e, plausivelmente, a origem da maior parte do mal-estar identificado residirá também aí:

Quando se fala sobre a “qualidade da gestão dos agrupamentos” não poderá deixar de se considerar que esse atributo estará indubitável e irremediavelmente correlacionado com a vigência do Decreto-Lei nº 75/2008 de 22 de Abril e dependente do mesmo…

Sabendo que esse normativo legal instituiu a Ditadura nas escolas, que perdura desde 2008, abolindo o pensamento crítico e independente e impondo uma Democracia “postiça” e “travestida”, sem credibilidade e pervertida pela manipulação, como se pode melhorar o clima de um Agrupamento sem que tal Decreto seja revogado?

Como se pode “sensibilizar” uma Democracia impostora para a importância de valores que ela própria ignora e não pratica?

Se a postura corrente e habitual de uma determinada Direcção de Agrupamento passar por ser tirânica e ditatorial, como se pode sensibilizá-la para a importância das consequências dessa sua acção “no clima do agrupamento e no bem-estar e saúde psicológica dos alunos, do corpo docente e, em geral, do ecossistema escolar”?

Nessas circunstâncias, quem assumirá o papel de “sensibilizador”?

De forma alegórica, nas condições do Decreto-Lei nº 75/2008 de 22 de Abril, a “sensibilização” sugerida pelos autores do Estudo corresponderá ao mesmo que acreditar na possibilidade de um Tubarão-Branco deixar de ser um animal carnívoro ou um exímio predador…

Perante as principais conclusões deste Estudo, a primeira decisão daí decorrente, da competência do Ministro da Educação, deveria consumar-se pela revogação imediata do Decreto-Lei nº 75/2008 de 22 de Abril, uma vez que parece comprovado que o efeito tóxico e perverso do actual modelo de administração e gestão estará na génese de um ambiente escolar patogénico e lesivo…

Mas, e pela obstinação que tem vindo a ser observada, certamente que isso não irá acontecer… Assim sendo, não fará qualquer sentido continuar a encomendar Estudos, dilapidando dinheiro do erário público, para posteriormente ignorar ou escamotear as respectivas conclusões…

Em função das recentes conclusões, virá, agora, por certo, o Ministro, através de todos os meios de Comunicação Social, mostrar a sua sentida e profunda preocupação com o sofrimento psicológico dos Alunos e dos Professores…

As soluções indicadas por si para o problema, passarão, expectavelmente, por continuar a entupir e a atulhar as escolas com mais projectos, e projectos, e projectos, perfeitamente ilusórios, irrelevantes e inconsequentes do ponto de vista da resolução do problema e que, em vez disso, significarão mais uma carga de trabalhos para os que já trabalham insanamente nas escolas…

Sem a revogação do referido Decreto, bem pode o Ministro da Educação perorar com todas as “ladainhas esotéricas” e ininteligíveis, camufladas de “inovação”, que nenhuma delas resolverá o problema de fundo… Aliás, duvida-se mesmo que exista um interesse genuíno em resolvê-lo…

As efectivas boas práticas em Saúde Psicológica não podem ignorar a origem ou as causas de um problema. Identificada a origem ou as causas, há que, em primeiro lugar, agir sobre as mesmas e, só posteriormente, sobre as suas consequências… Até porque dificilmente alguma consequência será eliminada se nada for feito na origem do problema, continuando-se num círculo vicioso, do qual não será possível sair…

No caso presente, prevê-se a manutenção de todas as consequências do problema, em particular a continuidade do sofrimento psicológico identificado em Alunos e Professores, em vez de se agir sobre a principal causa do problema que, dêem-se as voltas que derem, não deixará de ser esta:

– A acção perniciosa de muitas Direcções e o respectivo contributo negativo no clima sentido em grande parte dos Agrupamentos…

Em vez de se encontrarem estratégias ou medidas para eliminar o sofrimento psicológico, o Ministro parece mais apostado na implementação de estratégias que parecem ter como principal objectivo aprender a aceitar e a lidar com esse mal-estar…  

Tudo menos eliminar a principal causa do mal-estar…

“Aceitem e aprendam a ser infelizes!”, parece ser o lema…

Hipocrisia e utopia. Apenas isso…

 (Matilde)

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“Uma tristeza tão grande que parece que não aguentas”

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Portugal está entre os “Rolls-Royce” da educação mundial

A especialista em currículos escolares Amapola Alama, da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), comparou esta quarta-feira Portugal a um Rolls-Royce pela qualidade do seu sistema educativo, incluindo-o entre os 40 melhores do mundo.

Portugal está entre os “Rolls-Royce” da educação mundial

As declarações da directora da Unidade de Assistência Técnica aos Estados-membros da UNESCO no Bureau Internacional da Educação foram proferidas no 2.º Encontro Nacional de Autonomia e Flexibilidade Curricular, que a Direcção-Geral de Educação tem a decorrer desde terça-feira no centro de congressos Europarque, em Santa Maria da Feira, e que esta manhã reuniu cerca de 800 participantes nesse auditório do distrito de Aveiro.

Acumulando mais de 30 anos de experiência no apoio a países em processos de reforma educativa, sempre com o objectivo de melhorar a qualidade e relevância dos respectivos currículos, Amapola Alama fez a comparação entre o sistema português e o automóvel de luxo ainda antes de ouvir a síntese do ministro português da Educação sobre a transformação curricular em curso desde 2015 nas escolas nacionais e os modelos de monitorização implementados para avaliar as respectivas mudanças.

“Vocês são o Rolls-Royce dos sistemas de educação. Estão entre os 40 países de topo no mundo da educação”, disse a especialista à plateia, constituída sobretudo por directores de agrupamentos escolares e centros de formação, representantes dos organismos da tutela e outros profissionais e agentes do sector.

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Fidalguia sem comedoria é gaita que não assobia

O mínimo que se deveria fazer seria atualizar para valores mais coincidentes com a realidade atual, mesmo que ainda não considerando a inflação imposta pela guerra no Leste europeu.

Fidalguia sem comedoria é gaita que não assobia

A Comissão Europeia, no “Relatório do Pacote de Primavera do Semestre Europeu”, alertou: a pequena diferença entre o valor do salário médio e o valor do salário mínimo poderá desencorajar os portugueses a investirem na educação. E sublinhou, ainda, que “embora os recentes aumentos do salário mínimo possam reduzir a pobreza daqueles que trabalham, também podem desencorajar os indivíduos a investirem na sua educação, devido à pequena diferença relativa entre os salários dos pouco e dos altamente qualificados”.

 

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A Escola Resolve – Carlos Santos

Na nossa sociedade a responsabilidade está defunta. Todos acham que os problemas sociais podem e devem ser resolvidos pelas escolas. Menino bate no pai, a escola resolve com acompanhamento psicológico; meninos batem insistentemente nos colegas, a culpa não é dos pais que moram debaixo do mesmo teto e são um mau exemplo ou nem repararam estar a criar uma pestinha mesmo ali ao lado, fechado no quarto, horas intermináveis atrás de um televisor, de um telemóvel ou de uma consola de jogos violentos, porque a responsabilidade nunca é deles, é do Diretor de Turma que não viu o que estava a acontecer mesmo debaixo do seu nariz, ali ao lado no recreio ou fora dos portões da escola; pais não prestam atenção aos filhos nem os educam, mais Cidadania nas escolas; o PIB desce porque o país está cheio de corruptos que enchem os noticiários com processos judiciais que no fim não dão em nada porque, no fim do dia ficam todos em liberdade ou fogem com o saque, mete-se mais educação financeira e a escola resolve; os acidentes nas estradas aumentam e os carros dos ministros ultrapassam largamente os limites de velocidade e matam pessoas, mais educação rodoviária; pai bate na mãe e nos filhos, maridos matam as suas mulheres, mais educação de igualdade de género; as florestas ardem devido a interesses dos madeireiros e às lixeiras a céu aberto de um povo incivilizado, mais educação ambiental; não chove, mais pressão sobre Religião e Moral para se fazerem rezas da chuva; jovem viola colega, padre viola criança, homem viola idosa, pastor viola ovelha, mais educação sexual; cai uma ponte, há uma inundação na baixa, um tremor de terra nas ilhas, tráfico de droga no algarve, fuga aos impostos ou há falta de água, não há problema, a escola resolve. Para todos os males sociais, a escola tem sempre de ter uma resposta.
Os professores vão onde ninguém quer ir, estão com quem ninguém quer estar, ouvem o que ninguém se deu ao trabalho de escutar e têm de resolver o que ninguém na sociedade conseguiu ou quis solucionar.
Muitos pais são negligentes na educação dos filhos, os políticos incompetentes na legislação impraticável que criam e a população irresponsável por falta de cumprimento cívico, moral e ético, mas culpam os professores pelos males que criam e não sabem resolver.
No meio de todo este laxismo e irresponsabilidade coletiva, os miúdos não rendem nas escolas e os resultados são fracos. Então, culpam-se os professores que não sabem ensinar. A solução é baixarem o grau de exigência e lá se vai nivelando por baixo ano após ano, os alunos passam todos, as escolas respiram de alívio, o ministério vangloria-se que os resultados escolares são bons, os pais ficam satisfeitos e a população vai ficando mais ignorante e, qualquer dia, para ter um diploma só é preciso preencher os exigentes requisitos de terem conseguido sentar o traseiro numa cadeira e levado uma caneta numa mão e um telemóvel na outra. Para quê complicar?! Nos últimos anos tem sido assim e tem dado excelentes resultados! Os chatos dos professores é que complicam! Se os professores não sabem como passar os alunos, então que tirem mais formação e se sujeitem ainda a mais avaliações. Que se lhes dê mais mais burocracia para terem como justificar a petulância de, sequer, pensarem em reprovar um aluno e que lhes caia a inspeção em cima caso não tenham preenchido um dos 33 documentos que fariam com que o rebento conseguisse passar de ano. Estes professores são uma praga que exigem demais dos miúdos. Passando-os (independentemente do que aprendam), eles ficam contentes e toda a gente fica feliz. Porque, quem é dono disto tudo e manda em tudo isto, no fundo do seu enorme coração, só quer uma população educada, bem informada e capaz de ter uma atitude crítica e de pensar pela própria cabeça, nada mais.
E quanto aos professores, quando se tornam incómodos, faz-se uma legislação apropriada e eles, supostamente letrados e dificilmente manipuláveis, facilmente se viram uns contra os outros e ficam por mais uns tempos entretidos a tentar salvar a própria pele. O truque é precisamente esse – mantê-los ocupados, distraídos com inutilidades e encherem-nos de preocupações para não importunarem. Absorvidos num trabalho cada vez mais reduzido ao inútil preenchimento de papeladas, mais burocracia, constantes mudanças no sistema, mais responsabilidades, mais reuniões inúteis, menos estabilidade, ordenados progressivamente mais baixos (relativamente à subida do custo de vida), mais horas de trabalho, menos benefícios, uma aposentação mais longínqua e uma reforma cada vez mais miserável, acaba por não sobrar tempo para pensarem e olharem em redor para se aperceberem como têm sido prejudicados (ia dizer “lixados”, mas não fica bem a um professor, só aos pais à porta das escolas que partilham com todos, incluindo as crianças, o mais belo do vernáculo da língua de Camões… isto quando não estão a cuspir e a deitar papeis para o chão ou a estacionar em cima dos passeios).
A informação artificial, que é distribuída gratuitamente por todos em toda a parte como se fosse fast-food, é absorvida avidamente por toda a sociedade dando-lhes a satisfação pelo facilitismo, porque é um descanso haver alguém que pensa por nós. Assim se mantém toda a gente feliz e sem problemas, pois a escola resolve!

Carlos Santos

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A uma só voz… – Carlos Santos

Perante o estado de desânimo total em que se encontram os profissionais de educação, o que faz o ministério que os tutela?
Nada que para o ministério não fosse considerado natural.
Tempos houve em que a palavra “natural” tinha um significado cómodo para uns e doloroso para outros. A escravatura era tão natural para os esclavagistas, como um tormento para os escravos, mas não foi pela injustiça sentida pelos segundos que os primeiros a deixaram de impor. Numa época em que sempre que surgia um escravo a protestar, ou achassem que um trabalhador agrilhoado não rendia o pretendido, amarravam-no a um poste e chicoteavam-no obrigando todos os outros a assistirem para dissuadir mais rebeliões, torná-los ainda mais submissos propiciando o aumento da produtividade. Fizeram-no até ao dia em que os escravos tomaram pelas suas próprias mãos e a uma só voz a sua liberdade.
Ora, de uma forma diferente, mas de metodologia semelhante, sem que o admita abertamente, este executivo pretende maltratar professores que estão doentes, pondo-os a trabalhar em sofrimento longe da sua residência indo contra as recomendações médicas, lançando suspeitas de carácter e honestidade sobre todos, desmoralizando de forma exemplar toda uma classe que já foi tão humilhada. Um ato que serve de aviso a todos os outros.
Não satisfeito com tanto de mal que tem dito e feito em tão pouco tempo, o ministro João Costa, hábil nas palavras expeliu a observação cínica “Os professores foram formados para dar aulas só a bons alunos”, passando mais um atestado de incompetência à classe docente, conotando-a de impreparada e, sobretudo, de preguiçosa.
Esta continua a ser a política preferida, a nauseante política do medo, tão arraigada que está num país com uma longa história de autoritarismo.
Em vez de motivarem os professores para melhorarem o desempenho, continuam com uma certa afeição por denegrir publicamente a sua imagem, a desvalorizar o imenso trabalho que efetuam e a passar a mensagem exemplar de que são uns incapazes e de confiança duvidosa, para os tentar quebrar através do ataque vil à sua já baixa autoestima, para silenciá-los e torná-los mais submissos e resignados.
Longe do vergonhoso período da escravatura, os atos e as palavras na boca do MEC têm funcionado como um chicote no ânimo e na vida dos professores.
Mas só o irão fazer até onde e quando os docentes deixarem; até ao dia em que os professores compreenderem ser absolutamente necessário tomarem pelas suas próprias mãos a liberdade dos seus próprios destinos, lutando a uma só voz pela sua dignidade.
Carlos Santos

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Morreu um colega do 1° ciclo da Abelheira (Viana do Castelo), escola do Calvário – Luis Caçador

Hoje foi a enterrar um professor do meu agrupamento. 

Muitas flores e a tristeza profunda de uma comunidade. Eu coloco aqui esta, que arranquei de uma trepadeira na rua.
A flor da paixão, do maracujá.
Num destes dias iremos fazer uma homenagem ao nosso colega, Filipe Caçador, com os alunos e família na escola do Calvário onde exerceu a paixão de ensinar.
Pouco mais novo que eu, a vida falhou-lhe e vai faltar-nos a nós. Não era próximo. Trabalhava no 1º ciclo e era mais novo, mas estivemos há anos juntos nesse projeto bonito que é o TEIP de Darque. Muito elogiado pelo seu trabalho por alunos, pais e colegas.
O funeral teve o conforto de alma que tem para os professores os enterros de professores. Alunos e alunas a lembrar o seu professor, que vai viver um pouco enquanto houver um aluno que se lembre. Podemos ser uma profissão cheia de problemas mas os miúdos de 6 anos que começaram a ler com alguém vão ter memória disso, se viverem ainda no século XXII.
Os políticos medíocres vão ser esquecidos, mas a memória do prazo longo da vida é nossa. E creio que vai ser do Filipe em muitas vidas dos seus alunos.

texto de Luis Sottomaior Braga

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