AJDF – Contribuição para o Estatuto da Carreira Docente na Audição da Comissão de Educação e Ciência da AR.
Abr 15 2026
AJDF – Contribuição para o Estatuto da Carreira Docente na Audição da Comissão de Educação e Ciência da AR.
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Abr 15 2026
A *AJDF*, *hoje, pelas 14 horas*, será ouvida *na Assembleia da República, na Comissão Parlamentar de Educação e Ciência* (CEC), no âmbito do Grupo de Trabalho constituído para o *processo de revisão do Estatuto da Carreira Docente (ECD).*
*A delegação da AJDF faz-se acompanhar pelo Doutor Ricardo Nascimento*, da *Pragma Advogados*, responsável pela elaboração do *documento que contém as propostas da AJDF*.
*Acompanhe em:* https://canal.parlamento.pt/
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Abr 14 2026
Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de quarta-feira, dia 15 de abril, até às 23:59 horas de quinta-feira, dia 16 de abril de 2026 (hora de Portugal continental).
SIGRHE – Aceitação da colocação pelo candidato
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Abr 14 2026
Encontra-se disponível até às 23h59 horas de 20 de abril de 2026 (hora de Portugal continental), a aplicação eletrónica para efetuar a 1.ª Validação para o Concurso Nacional Interno e Externo, destinado a Educadores de Infância e a Professores dos Ensinos Básico e Secundário.
SIGRHE – 1.ª Validação 2026/2027
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Abr 14 2026
Procede à quinta alteração ao Despacho Normativo n.º 6/2018, de 12 de abril, com a redação dada pelo Despacho Normativo n.º 2-B/2025, de 21 de março.
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Abr 14 2026
O problema vai muito para lá disso…reuniões para aprovar candidaturas, prazos, burocracia, candidaturas, concursos para elaborar projetos, burocracia, projetos, concursos de adjudicação, burocracia, mão de obra… e podíamos continuar por mais 3000 caracteres e não acabava o processo.
Fernando Alexandre elogiou descentralização educativa, mas admitiu falhas na relação entre municípios e escolas e alertou que as 500 escolas a precisar de obras não se resolvem de uma vez.
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Abr 13 2026
Encontra-se disponível, até às 23:59 horas do dia 16 de abril de 2026 (hora de Portugal continental), a aplicação informática Apuramento de Vagas, destinada à recolha das necessidades permanentes dos estabelecimentos de ensino artístico especializado.
SIGRHE – Concurso Ensino Artístico 2026/2027 – Apuramento de vagas
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Abr 12 2026
Confesso uma coisa que me inquieta cada vez mais quando entro em escolas e falo com professores. Há um cansaço novo no ar.
Não é só o cansaço das reuniões, dos relatórios, dos conflitos, das turmas difíceis ou das famílias em sofrimento. É outro.
É o cansaço de ouvir, mais uma vez, que a solução vem aí embrulhada em tecnologia, com promessa de futuro, brilho de palco e linguagem de revolução…
E, no meio disso tudo, muitos professores olham para a inteligência artificial e pensam uma coisa muito simples e muito séria: outra vez a mesma história, mas agora com máquinas a fingir que nos compreendem.
Eu percebo esse medo. E seria intelectualmente desonesto não o dizer. Porque há perguntas que já estão a crescer dentro das escolas,…
Se um aluno usa IA para pensar, escrever e organizar ideias, o que é que ele está realmente a aprender?
Se a escola proíbe ou condena esse uso nos alunos, mas celebra esse mesmo uso nos adultos, que mensagem moral está a passar?
Se começamos a delegar na máquina aquilo que antes exigia esforço cognitivo, hesitação, tentativa, erro e reformulação, não estaremos a treinar uma geração para parecer competente sem ter construído competência verdadeira?
E a mais incómoda de todas: quando a inovação começa a substituir o juízo do professor, ainda estamos a modernizar a escola ou estamos a desautorizar, devagarinho, quem a sustenta ?
O meu receio não é a tecnologia em si.
O meu receio é a velha tentação humana de chamar progresso àquilo que apenas reduz esforço imediato e aumenta dependência futura.
Já vi isto antes com outras modas educativas. Chegam com palavras grandes, prometem libertar tempo, democratizar aprendizagem, personalizar ensino, revolucionar tudo.
Depois, no terreno, sobra muitas vezes mais confusão, mais desigualdade e mais pressão sobre os mesmos de sempre.
E por isso compreendo perfeitamente o professor céptico que pensa: lá vem mais uma vaga tecnossalvacionista, cheia de entusiasmo, mas sem uma resposta robusta para a pergunta decisiva. Isto melhora mesmo o pensamento das crianças e dos jovens ou apenas melhora a aparência de modernidade dos adultos?
Talvez o ponto mais perigoso seja este: podemos começar a confundir fluidez com inteligência.
Um texto rápido não é necessariamente um pensamento profundo.
Uma resposta correta não é o mesmo que uma mente formada.
Uma ferramenta poderosa não substitui carácter, discernimento, leitura lenta, escrita sofrida, silêncio intelectual e confronto honesto com a dificuldade.
E quando uma escola perde respeito por esse processo, perde muito mais do que método.
Por isso, antes de celebrarmos a IA como salvação pedagógica, talvez devêssemos ter coragem para fazer perguntas menos confortáveis e mais adultas.
Quem fica mais forte com isto? O professor ou o sistema?
O aluno ou a sua preguiça cognitiva?
A aprendizagem ou apenas a produção?
A ética ou a conveniência?
A liberdade interior ou a dependência elegante?
Há alturas em que a tecnologia não entra na escola como ferramenta. Entra como atmosfera. E quando uma atmosfera se instala sem pensamento sério, o perigo maior não é substituir professores. É substituir lentamente a ideia de que pensar custa, demora e forma a alma.
E, por vezes, estas tecnologias chegam-nos embrulhadas em excesso de marketing, interesses pouco transparentes e uma coreografia de palco demasiado previsível.
São apresentadas como inevitáveis, quase redentoras, muitas vezes por alguém mais treinado para impressionar do que para compreender verdadeiramente o que se passa numa sala de aula real.
E é precisamente aí que o professor desconfia, e bem: quando há demasiado brilho no discurso e pouca seriedade nas consequências, o mais prudente não é a rendição. É a lucidez.
Uma escola que troca relação humana por fascínio tecnológico arrisca cair numa deriva tecnocrática, esquecendo que educar não é acelerar produção, é formar pessoas.
Eu diria que a verdadeira inovação não vem do brilho da ferramenta, mas do interior da prática pedagógica, e que o digital só tem valor quando reforça a educação como bem público em vez de enfraquecer o lugar do professor.
Porque uma cultura que confunde fluidez com inteligência está a correr um risco sério, porque carácter, discernimento e confronto com a complexidade não se descarregam de uma máquina.
Se a escola continuar a substituir experiência vivida por soluções fáceis e ecrãs sedutores, teremos crianças cada vez mais adaptadas à passividade e cada vez menos preparadas para explorar, frustrar-se, pensar e crescer a sério.
O “erro moderno” repete-se com fatos novos. Sempre que uma ferramenta começa a seduzir mais do que a verdade difícil do crescimento, o adulto sensato abranda e faz perguntas.
Alfredo Leite
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Abr 12 2026
O ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, abordou, esta sexta-feira, os desafios do sistema educativo em Portugal, perante centenas de professores, em Guimarães.
O ministro da Educação, Ciência e Inovação admitiu, esta sexta-feira, no Education Summit 2026, em Guimarães, que é necessário garantir a igualdade de oportunidades no acesso a uma educação de qualidade em todo o território nacional.
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Abr 11 2026
A escola é, muitas vezes, como aqueles parceiros de uma relação que abusam, agridem, manipulam e controlam os seus pares…
Gritar, humilhar publicamente, culpar e acusar de forma despropositada e excessiva, ignorar o diálogo, desferir críticas destrutivas ou agir de forma discricionária e autoritária são exemplos de alguns comportamentos manifestados pela escola, dentro de cada escola…
A escola tem uma interacção perturbada e conturbada com os seus parceiros de relacionamento… Não existe nessa relação a serenidade e o apaziguamento necessários para o estabelecimento de compromissos leais e justos, entre as partes envolvidas…
Na escola, muitas vezes, a paz é falsa e simulada, a tranquilidade é aparente e decorre apenas da inacção, do evitamento ou da indiferença…
A relação tóxica e abusiva, muitas vezes estabelecida entre a escola e os respectivos parceiros, ilustra bem a perturbação relacional existente…
A rejeição ou o divórcio entre a escola e os seus parceiros parece inevitável:
– Os que ainda permanecem na relação anseiam por poder sair dela o mais rapidamente possível e libertar-se da asfixia constante a que são sujeitos;
– Grande parte dos possíveis novos parceiros desiste da relação, mesmo antes de a ter experimentado…
Lidar com o desapego e o desencanto dos primeiros e com a rejeição explícita dos segundos talvez não seja fácil para a escola, mas também não a faz mudar a atitude prepotente e doentia, frequentemente observada…
A escola trai, engana e ludibria os seus parceiros de relação. Também não os reconhece nem os valoriza…
A infidelidade é prática comum e corrente, existem muitos parceiros que são despudoradamente “encornados” pela escola… No fundo, a escola adora “saltitar de nenúfar em nenúfar”…
A escola gosta de “flirtar”, mas não tem coragem para assumir compromissos sérios e consumar algumas relações. Para a escola, não há ninguém insubstituível, nem amores incondicionais…
Todos, num certo momento, podem ser descartados, rejeitados, preteridos ou trocados. E sobre isso que não haja qualquer ilusão ou engano…
A escola não sabe namorar porque não consegue manter com os seus parceiros uma relação afectiva baseada no comprometimento, na cumplicidade e na confiança…
Não há reciprocidade de sentimentos entre a escola e os seus parceiros… A escola perdeu a capacidade de seduzir e de atrair. A escola tolera-se, mas não se deseja…
A escola não quer saber de relações saudáveis, nem de Ideais ou de Princípios…
Esses ficam apenas muito bem descritos e defendidos em compêndios teóricos, elaborados por “sábios” que nunca pisaram numa escola, a não ser, talvez, em ilustres cerimónias de inauguração ou em visitas previamente agendadas, sempre muito bem encenadas, dominadas pela artificialidade e preparadas com todo o brilho e devoção…
A escola é como um amante manhoso, interesseiro e desleal: as juras de amor e a sedução só duram o tempo necessário para se encontrar um substituto…
A escola rege-se por aquela desculpa esfarrapada, frequentemente utilizada para justificar o fim de um relacionamento e para esconder ou mascarar a rejeição: “o problema não és tu, sou eu”…
Dessa forma, a escola procura o indulto, ao mesmo tempo que assume uma postura profundamente egocêntrica, hipócrita e cobarde… Trata-se de uma estratégia ardilosa que, à primeira vista, pretende suavizar a culpa dos parceiros e retirar-lhes o ónus da responsabilidade da separação, mas, também, e intencionalmente, esvaziar de pertinência qualquer argumento apresentado com o objectivo de reverter a ruptura e o afastamento…
Nessas condições, não há reatamento possível porque não há nada que os parceiros possam fazer para evitar a separação, a causa da mesma não é controlável por eles, está fora do seu alcance…
Mas a submissão que a Escola exige aos seus parceiros é tão intolerável quanto o é a inércia e a resignação destes últimos face a tal exigência…
Na escola não se vive, funciona-se e nem sempre se sobrevive…
A escola, como muitos agressores, regozija-se e “esfrega as mãos de contente” pelo silêncio tácito dos que permanecem neutrais e conta com a sua irrevogável cumplicidade e conivência…
A escola não é um parceiro de Bem e por isso não é recomendável… Como se fosse um parceiro clandestino, a escola, cada vez mais, se confronta com dificuldades para ser vista como alguém que se apresenta à família ou que se assume perante os amigos…
A escola espera ser amada, mas não consegue amar ninguém… A escola só ama a si própria…
Mas essa condição também não impede que se estabeleça com ela uma espécie de relação amor-ódio, repleta de ambivalência emocional e de sentimentos contraditórios, que naturalmente tendem a entrar em conflito…
Não adianta romantizar a relação com a escola:
– No momento actual, a escola é um agente potencialmente patogénico, para aqueles que com ela se cruzam…
E espanta a forma como, muitas vezes, se reage à intimidação ou à agressão, perpetradas pela escola:
– Idolatria, cumplicidade e dependência face aos agressores, plausivelmente pelo medo de eventuais retaliações…
Raios partam a tolerância à manipulação e a atração por relacionamentos abusivos e tóxicos, evidenciadas por tantas pessoas…
Raios partam a hipocrisia, a cobardia e a ausência de solidariedade, tantas vezes observadas, quando algum parceiro tenta libertar-se do agressor, recusando “vender a alma ao diabo”…
Sendo este texto um assumido devaneio, saturado de metáforas, pergunta-se:
– Quem nunca fingiu prazer, tendo a escola como parceiro?
Cada vez mais, o “casamento” com a escola se parece com isto:
– “Casaste por amor ou por interesse?”
– “Deve ter sido por amor, que interesse não lhe vejo nenhum…”
A escola perfeita não consome álcool, não fuma, não ingere açúcar nem gorduras saturadas, não engana, não mente e, principalmente, não existe…
A escola é, cada vez mais, como um ex-amor:
“Gostaria que tu soubesses
O quanto que eu sofri
Ao ter que me afastar de ti”
“Nos desgastamos
Transformando tudo em dor”
(Martinho da Vila, Ex-Amor).
Escrevi este texto há alguns anos, em circunstâncias muito particulares. O Blog DeAr Arlindo publicou-o, pela primeira vez, em Agosto de 2023. Relendo-o hoje continua a fazer sentido para mim, ainda que as circunstâncias que me levaram a escrevê-lo se tenham alterado…
Fará sentido para mais alguém?
Paula Dias
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Abr 10 2026
Há uma tendência curiosa, para não dizer trágico-cómica, nas sociedades modernas: quanto mais complexos se tornam os problemas das crianças, mais rapidamente os adultos olham para a escola como se fosse uma espécie de centro de reparação universal. A criança não respeita regras? A escola que resolva. Está viciada no telemóvel? A escola que proíba. Não sabe lidar com frustração? A escola que ensine. Em breve, se o miúdo não comer a sopa, ainda se pede ao diretor de turma que intervenha com um plano estratégico.
A frase de Kristina Kallas cai como uma pedra neste lago de ilusões: “a responsabilidade parental é menos discutida do que a responsabilidade dos professores.” E é difícil não concordar, ainda que isso doa um bocadinho, sobretudo a quem já delegou metade da educação dos filhos no Google Classroom e a outra metade no TikTok.
Vivemos na era do “pai em modo avião”. Está presente, mas não responde. A criança cresce com autonomia — não aquela autonomia saudável, mas uma versão premium de “faz o que quiseres enquanto eu trato da minha vida”. Depois, quando inevitavelmente algo corre mal, entra em cena o clássico: “A escola devia ter feito mais.”
Devia? Talvez. Mas fazer o quê exatamente? Ensinar matemática, português, ciências… e, já agora, valores, limites, empatia, gestão emocional, nutrição, cidadania digital e, se sobrar tempo, como dizer “não” sem fazer birra. Tudo isto com turmas de vinte e tal alunos, cada um com a sua história, e com uma burocracia que faria um funcionário das finanças pedir baixa por stress.
Entretanto, o professor tornou-se uma figura quase mitológica: uma mistura de psicólogo, assistente social, mediador de conflitos e, ocasionalmente, docente. Falta-lhe apenas capa, embora, sejamos justos, muitos já andem em modo sobrevivência, o que é uma espécie de superpoder moderno.
O problema não está apenas na exigência. Está na transferência silenciosa, e confortável, de responsabilidades. Educar dá trabalho. Dá conflitos. Dá cansaço. E, sobretudo, dá aquela coisa pouco popular chamada coerência. É muito mais simples esperar que a escola faça o “trabalho difícil” e depois aparecer nas reuniões para perguntar por que razão o filho não respeita regras… regras essas que nunca existiram em casa.
Claro que isto não significa absolver a escola de tudo. Nem cair na tentação fácil de culpar os pais por todos os males do mundo. Há desigualdades, contextos difíceis, realidades complexas. Mas uma coisa é certa: nenhuma política educativa, nenhum decreto, nenhum projeto inovador substitui aquilo que acontece, ou não acontece, dentro de casa.
E aqui entra o paradoxo delicioso: exige-se cada vez mais da escola, enquanto se esvazia progressivamente o papel educativo da família. Resultado? Professores exaustos, pais indignados e crianças… confusas. Muito confusas.
Talvez esteja na altura de um pequeno ajuste civilizacional. Nada de revolucionário, apenas recuperar uma ideia antiga, quase vintage: os pais educam, a escola ensina. Simples, não é? Quase suspeito de tão simples.
Mas enquanto isso não acontece, continuaremos neste espetáculo peculiar: pais em “modo avião”, professores em “modo super-herói” e alunos a assistir, entre um scroll e outro, a ver quem ganha esta batalha de expectativas.
Ninguém ganha. Mas dá um excelente material para crónica.
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Abr 09 2026
Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de sexta-feira, dia 10 de abril, até às 23:59 horas de segunda-feira, dia 13 de abril de 2026 (hora de Portugal continental).
SIGRHE – Aceitação da colocação pelo candidato
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Abr 09 2026
Fernando Alexandre aponta desigualdades entre Norte e Sul do País que colocam em causa missão da escola pública.
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Abr 08 2026
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Abr 07 2026
a) Entre 22 de abril e 1 de junho, para a educação pré-escolar e para o 1.º ano do ensino básico;
b) Entre 16 de junho e 29 de junho, para os 6.º, 7.º, 8.º, 9.º e 11.º anos de escolaridade;
c) Entre 1 de julho e 13 de julho, para os 2.º, 3.º, 4.º e 5.º anos do ensino básico;
d) Entre 15 de julho e 22 de julho, para os 10.º e 12.º anos do ensino secundário.

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Abr 06 2026
A Federação Nacional da Educação (FNE) reuniu esta 2ª feira, dia 6 de abril de 2026, no Ministério das Finanças, com a Secretária de Estado da Administração Pública, Marisa Garrido, num encontro que contou igualmente com a presença do Ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre.
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Abr 05 2026
Mãe. Pai.
Parem de dizer que as férias são para eu “descansar” se me deixam perdido…
Eu não preciso de liberdade total. Preciso de direção.
Vocês chamam liberdade a deixar-me fazer o que quiser. Eu chamo-lhe abandono.
Deixam-me acordar quando calha, adormecer com um ecrã na cara, comer sem horário, passar horas em jogos e vídeos que nem me lembro depois… e acham que isso me faz feliz?
Não faz.
Excita-me. Distrai-me. Mas não me organiza.
Eu não sei regular isto sozinho. O meu cérebro ainda está a aprender. Se vocês saem do comando, alguém ou alguma coisa entra. E normalmente são os ecrãs.
E os ecrãs não educam. Programam.
Sabem o que é que eu preciso mesmo?
Que me parem.
Que me digam “não”.
Que decidam por mim quando eu ainda não consigo decidir bem.
Preciso de horas. De limites. De rotina suficiente para o meu corpo perceber o que vem a seguir.
Não para me controlarem. Para me darem chão.
E preciso de brincar. A sério.
Preciso de correr até me cansar, de cair, de me sujar, de inventar coisas, de estar aborrecido sem um ecrã a salvar-me a cada minuto.
O aborrecimento não é um problema. É o início do pensamento.
Quando me tiram isso e me dão estímulo constante, estão a roubar-me a capacidade de me organizar por dentro.
Depois chegam as aulas… e eu sou o “agitado”, o “distraído”, o “que não para quieto”.
Mas ninguém vê o que veio antes.
Não é só comportamento. É desregulação.
E agora vocês, professores…
Quando eu voltar… não entrem logo em modo “dar matéria”.
Eu não sou um computador que reinicia em setembro.
Eu venho de semanas sem estrutura, com o cérebro acelerado, com pouca tolerância ao esforço, com o corpo desorganizado.
Se me pedem foco imediato, vão perder-me.
Primeiro ajudem-me a voltar.
Criem rotina clara. Digam-me o que vai acontecer. Repetidamente.
Deem-me pequenas vitórias. Coisas que eu consiga acabar.
Mostrem-me que consigo antes de me mostrarem tudo o que ainda não sei.
Falem comigo como alguém que está a reaprender a estar ali… não como alguém que já devia estar pronto.
E sim, usem aquilo que sabem e usam bem quando não estão cansados.
Não é elogiar tudo. É reconhecer esforço real.
Não é ignorar o erro. É orientar sem humilhar.
Não é motivação vazia. É criar condições para eu sentir competência outra vez.
Se fizerem isso… eu volto mais depressa.
Se não fizerem… vão passar semanas a lutar contra um sistema que eu nem sei explicar.
No fundo, é simples.
Eu não preciso que me facilitem a vida.
Preciso que me organizem o mundo até eu conseguir fazê-lo sozinho.
E isso… começa muito antes de eu entrar na sala de aula.
Por favor, cuide de si. Também ouço as notícias do burnout dos professores. Sei que é muito difícil, mas digo de coração.
PS: Curioso como alguns adultos passam a vida a pedir autonomia… enquanto lhes retiram exatamente aquilo que a constrói: limites claros, estrutura estável e tempo real para serem crianças.
Alfredo Leite
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Abr 04 2026
Quantos às vagas para os outros técnicos especializados, competirá às escolas decidir, em função das necessidades do estabelecimento de ensino em causa, quais os profissionais a recrutar.
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Abr 03 2026
Não sou eu quem o diz. Quem o disse, implicitamente, foi o próprio Ministro Fernando Alexandre, a propósito do debate sectorial, ocorrido na Assembleia da República no passado dia 1 de Abril:
– “O ministro afirmou que os números anteriormente divulgados estavam “profundamente errados” e garantiu que, após revisão dos dados, o número de horários por preencher é residual. Segundo explicou, existem ainda 488 horários por ocupar, dos quais cerca de 260 correspondem a horários completos, representando entre 0,2% e 0,4% do total.”(Notícias SAPO, em 1 de Abril de 2026).
– “Fernando Alexandre sublinhou também que há escolas com professores em excesso, defendendo uma melhor redistribuição de recursos humanos. “Quando há escolas com professores a mais, estes professores fazem falta noutras escolas”, afirmou.” (Notícias SAPO, em 1 de Abril de 2026).
Note-se que o Ministro que anda há, pelo menos um ano, a empatar e a adiar a divulgação do número oficial de alunos sem aulas, é o mesmo que veio agora assegurar que, afinal, os números anteriormente divulgados estavam profundamente errados, que os horários por preencher são meramenteresiduais e que até há escolas com docentes em excesso.
Depois das declarações anteriormente citadas, não restará ao Ministro outra alternativa que não seja a de comprovar, factualmente, os dados apresentados por si, mostrando a todos as evidências que sustentam a sua alegada razão. A responsabilidade inerente ao facto de ser Titular da Pasta da Educação assim o impõe.
Em particular, aguarda-se pela fundamentação que permitiu afirmar que “os números anteriormente divulgados estavam profundamente errados” e pelo elenco das escolas onde existirá excesso de Professores.
Urge, igualmente, outro esclarecimento da parte do Ministro e que se prende com a atribuição de horas extraordinárias aos Professores.
Em 22 de Dezembro de 2025, numa entrevista concedida ao Jornal ECO, Fernando Alexandre reconheceu a importância da atribuição de horas extraordinárias, para colmatar o problema dos alunos sem aulas:
– “Por ano, estamos a gastar mais de 20 milhões de euros em horas extraordinárias. Isto é um esforço grande dos professores, obviamente, mas também há uma distribuição grande. Ou seja, a maior parte dos professores está a dar três, quatro horas a mais. É isso que está a dar.”
Tomando em consideração o anterior, pergunta-se:
– A contabilidade agora apresentada por Fernando Alexandre considerou ou não a atribuição de horas extraordinárias, a praticamente todos os Professores? Essa atribuição de horas extraordinárias é ou não vista por si como um “novo normal”e, assim sendo, passará a ser algo recorrente e corriqueiro?
Já se perdeu o conto ao número de pessoas que trabalham naÁrea da Educação, mas não só, que nos últimos tempos temvindo a terreiro considerar que a falta de Professores deixou de ser um problema pontual, para passar a ser iminentemente estrutural.
Por um lado, custa acreditar que tantas pessoas possam estar equivocadas; por outro, quem, no dia-a-dia, conhece a realidade das escolas, não poderá deixar de ficar, no mínimo, perplexo, perante os dados agora apresentados pelo Ministro Fernando Alexandre.
Ainda assim, neste momento, parece que existem dois cenários, em termos teóricos:
– Se o Ministro Fernando Alexandre conseguir comprovar cabalmente os dados apresentados por si no dia 1 de Abril passado, isso significará que acabou a falta de Professores ou,até, que a mesma, afinal, nunca existiu. Quem a considerou como uma realidade, estava equivocado.
– Se o Ministro Fernando Alexandre não conseguir comprovar cabalmente os dados apresentados no dia 1 de Abril passado,dará, obviamente azo, a que se questionem a honestidade intelectual, a ética e a transparência da sua acção governativa.
A palavra de um Ministro é muito importante, mas tem que ser coerente com os dados que a realidade providencia.
No caso presente, e dada toda a controvérsia que tem sido suscitada pelas inúmeras discussões à volta da falta de Professores, a palavra do Ministro Fernando Alexandre não poderá deixar de se fazer acompanhar por provas concretasque sustentem as suas mais recentes alegações. A credibilidade da sua acção governativa também dependerádisso.
Espera-se naturalmente que não tenha havido a intenção de, em troca da recuperação do tempo de serviço, pretender queos Professores se mostrem disponíveis para aceitar e suportartudo o que lhes queiram impor, como horas extraordinárias até à exaustão e a continuidade de catadupas de tarefas burocráticas.
A única certeza que neste momento existe é que alguém estará equivocado:
– Ou os que advogam a falta de Professores como um problema estrutural, entre os quais me incluo; ou o Ministro Fernando Alexandre, cujos dados apresentados recentemente alegam o contrário.
Veremos o que a realidade terá a dizer…
E que provas serão apresentadas pelo Ministro…
Paula Dias
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Abr 02 2026
Francamente, custa-me aceitar que se legisle tanto sobre o que não se conhece por dentro. Parece-lhe descabido dizer que qualquer responsável máximo pela educação devia passar um ano inteiro no ensino público, a sério, e em vários níveis de ensino, antes de decidir o destino de quem lá trabalha?
Pela experiência que tenho acumulado como formador e licenciado em Psicologia, e por andar constantemente de escola em escola, há uma ideia que se confirma vezes sem conta: o problema da educação não está apenas no 1.º ciclo e no pré-escolar, embora nesses níveis seja mais fácil vê-lo a olho nu.
O desgaste espalhou-se por todo o sistema.
Do que vou ouvindo no terreno, o professor de hoje já não é apenas alguém que ensina. Organiza turmas, trata de matrículas, responde a exigências administrativas, elabora relatórios, sobretudo quando é diretor de turma, gere conflitos, tenta articular com famílias e ainda segura emocionalmente contextos cada vez mais complexos. Há dias, um professor dizia-me que sente que passa o dia inteiro a apagar fogos e a tentar, no meio deles, dar uma boa aula. E isso resume muita coisa.
Aquilo que me chega, de norte a sul do país, é uma sensação de saturação profunda. Turmas grandes, contextos inclusivos exigentes, alunos com necessidades muito distintas, ritmos diferentes, fragilidades emocionais, dificuldades cognitivas e, demasiadas vezes, pouco apoio concreto. Defendo isto com convicção: há uma enorme diferença entre decretar inclusão e criar condições reais para ela existir. Sem recursos humanos, sem formação verdadeiramente prática e sem tempo, a inclusão corre o risco de se transformar numa palavra bonita a pousar em cima de uma realidade exausta.
Dito isto, também considero importante afirmar algo que nem sempre é cómodo: os professores não são os culpados deste sistema, mas continuam a ter margem para crescer em aspetos decisivos. Podem fortalecer a forma como comunicam sob pressão. Podem trabalhar melhor a firmeza sem agressividade. Podem afinar a gestão emocional para não deixarem que o cansaço lhes roube a clareza. Podem ser mais consistentes nos limites e mais intencionais na cooperação entre colegas. Nem tudo depende deles, evidentemente. Mas há uma parte que ainda depende. E essa parte, quando é cuidada, protege a autoridade, a saúde mental e a qualidade da presença em sala.
Daquilo que observo, as respostas sérias têm de ser muito menos cosméticas. É preciso cortar burocracia de forma corajosa. É preciso reduzir o número de alunos nas turmas mais exigentes. É preciso garantir apoio especializado visível e útil nas salas inclusivas. É preciso dar formação aplicável no dia seguinte, não sessões simpáticas para cumprir calendário. E é preciso aproximar violentamente os decisores da realidade concreta da escola pública.
Recentemente, ouvi um professor dizer-me uma frase dura e honesta: “nós ainda queremos fazer bem, mas estamos cansados de fingir que isto é normal”. E talvez seja esse o ponto central. Isto não é normal. Não devia ser tratado como normal. E um país que habitua os seus professores ao excesso acaba, mais cedo ou mais tarde, por ensinar às crianças/jovens uma lição perigosa: a de que cuidar do essencial pode sempre esperar.
A minha leitura é simples: muitos professores estão a carregar peso a mais há tempo demais…quando um sistema exige resistência sobre-humana para cumprir o básico, o problema agiganta-se.
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Abr 01 2026
O ministro da Educação afirmou esta quarta-feira (1) no Parlamento que o número de horários por preencher nas escolas é de448, um valor atualizado a 26 de março e que, segundo Fernando Alexandre, representa uma descida significativa face aos 1.208 registados dois meses antes, a 26 de janeiro de 2026. A redução, explicou, resulta não apenas das colocações entretanto realizadas, mas também da correção de erros administrativos que inflacionavam os números iniciais.
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Abr 01 2026
Encontra-se disponível até às 23h59 horas de 13 de abril de 2026 (hora de Portugal continental), a aplicação eletrónica da Candidatura para o Concurso Nacional Interno e Externo, destinado a Educadores de Infância e a Professores dos Ensinos Básico e Secundário.
SIGRHE – Candidatura 2026/2027
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Abr 01 2026
O prazo para apresentação da candidatura decorre entre 1 abril e as 23:59 horas (Portugal continental) de 13 de abril de 2026 (correspondendo a 8 dias úteis).
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Mar 31 2026
Não são raros os fenómenos sociais que se formam lentamente, acumulando sinais que durante muito tempo parecem dispersos, até que um dia se tornam impossíveis de ignorar. Raramente têm uma causa única; quase sempre resultam da convergência de vários fatores.
O que hoje observamos nas nossas escolas – o não reconhecimento da autoridade dos professores e assistentes, a falta de docentes, episódios crescentes de indisciplina, de preocupante violência, bullying e ciberbullying, sofrimento psicológico e uma cada vez mais intrusiva ingerência parental -, parece ser o resultado de várias transformações profundas, de fissuras que se tornaram quase simultâneas na última década e meia. Quatro dessas fissuras ajudam a compreender o momento que hoje atravessamos.
Comecemos pela primeira. Desde a Lei n.º 85/2009, plenamente aplicada a partir do ano letivo de 2012/2013, a escolaridade obrigatória passou a estender-se até aos 18 anos ou ao 12.º ano. A intenção era, e continua a ser, inteiramente legítima: prolongar a permanência na escola e reduzir desigualdades, favorecendo a equidade social e a mobilidade educativa.
Mas o problema não esteve no princípio em si, esteve na forma como o sistema foi chamado a absorver essa mudança. Prolongar a escolaridade obrigatória significou trazer para dentro da escola mais adolescência, diversidade social, expectativas contraditórias e, em muitos contextos, manter dentro da instituição alunos profundamente desligados do sentido escolar. Alargou-se a missão da escola, mas sem lhe dar o correspondente reforço da autoridade, de alternativas e de recursos. Surge, então, a primeira fissura.
A segunda abriu-se quase ao mesmo tempo. No início da década de 2010, o digital deixou de ser apenas um instrumento e passou a ser um verdadeiro ambiente social. Redes como Facebook, Instagram ou TikTok transformaram-se em estruturas permanentes de socialização. A partir de 2012, com a rápida massificação dos smartphones, a influência dessas redes passou a ocupar uma parte crescente da vida de jovens e adultos.
Diversos investigadores e organizações internacionais têm vindo a alertar para o impacto deste ecossistema digital na saúde mental dos adolescentes. Estudos amplamente discutidos, como os de Jonathan Haidt, associam o uso intensivo de smartphones e redes sociais a níveis mais elevados de ansiedade entre jovens. A escola, por natureza uma instituição que exige tempo, reflexão e enquadramento pedagógico, vê-se hoje confrontada com um universo digital que se move a uma velocidade muito superior à sua capacidade de regulação.
A terceira fissura, talvez a mais profunda, diz respeito à lenta erosão do estatuto do adulto e do papel da família. Durante anos confundiu-se autoridade com autoritarismo e exigência com opressão. Em muitos discursos pedagógicos e culturais consolidou-se a ideia de que o adulto deve evitar o confronto e negociar permanentemente, como se fosse um mediador constante entre todas as sensibilidades.
Esta mudança foi sendo apresentada como um progresso civilizacional, mas o que se perdeu pelo caminho foi algo essencial: a legitimidade cultural da autoridade parental. A fronteira entre compreender e ceder começou a desaparecer e, pouco a pouco, o exercício da autoridade dentro da própria família foi-se tornando mais hesitante. E se a palavra do adulto perde firmeza em casa, é a escola que acaba por sentir as consequências dessa fragilidade, sobretudo nos anos mais turbulentos da adolescência.
Importa, ainda sobre este tema, lembrar um dado demográfico relevante. Muitos dos pais dos adolescentes de hoje tiveram os seus filhos já dentro da cultura digital e cresceram, eles próprios, num contexto de erosão progressiva do papel do adulto. A mesma geração que cresceu com o smartphone nas mãos tornou-se também a geração que introduziu esses dispositivos, desde muito cedo, na vida dos seus filhos. O ecrã passou a ocupar um espaço crescente nas rotinas familiares, substituindo muitas vezes as conversas, as brincadeiras espontâneas e o tempo livre em que as crianças exploravam o mundo através do corpo e da relação direta com os outros.
Que fique claro que não se pretende aqui cair no frequente erro da generalização, pois a ação da maioria dos encarregados de educação não está refletida neste preocupante quadro. O que se pretende é alertar para um fenómeno real, preocupantemente crescente e cujos efeitos são devastadores, tanto para a formação dos nossos jovens como para o regular funcionamento das escolas.
Uma quarta fissura pode e deve ser apontada: o impacto de determinadas políticas educativas adotadas no final da década de 2000 e consolidadas no início da década seguinte. Reformas que alteraram o Estatuto da Carreira Docente, acompanhadas por um conjunto de políticas educativas apresentadas como inovadoras e inclusivas, mas frequentemente percecionadas nas escolas como excessivamente burocráticas e afastadas da realidade pedagógica, a par de um discurso político e mediático não poucas vezes desvalorizador da profissão docente, acabaram por fragilizar o estatuto social e profissional dos professores. Num período em que a escola enfrentava já profundas transformações sociais e tecnológicas, estas políticas contribuíram para um clima de desgaste institucional e para uma perceção pública menos valorizada da função docente.
As consequências dessa quarta fissura tornaram-se visíveis ao longo dos anos. Durante mais de uma década e meia o sistema educativo viveu sem renovação significativa do corpo docente, sendo hoje um dos mais envelhecidos da Europa. A isto soma-se o desgaste acumulado de quem permanece no sistema, confrontado com a eterna burocracia e contextos sociais cada vez mais complexos. Sem renovação geracional, a escola torna-se menos ágil para responder às transformações do seu tempo.
Ao juntarmos estas quatro forças – mais adolescência dentro da escola, mais ruído digital no quotidiano, menos autoridade adulta na vida dos jovens e um conjunto de políticas educativas que acabaram por fragilizar o estatuto da profissão docente – percebemos como se formou a tempestade perfeita. A escola tornou-se o ponto onde tudo converge: a ansiedade dos jovens, a insegurança de muitos pais, a pressão cultural das redes sociais e o desgaste crescente de professores que sentem, muitas vezes, que tudo lhes é exigido e quase nada reconhecido. E convém não esquecer algo essencial: há muito que se reconhece à escola o papel de elevador social, mas nenhum elevador funciona quando as políticas sociais falham do lado de fora dos seus portões.
A crise que hoje atravessa a educação não nasceu dentro da escola. Porque nenhuma escola consegue reparar sozinha aquilo que uma sociedade deixou degradar.
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Mar 29 2026
Como sempre se disse, a solução é um concurso centralizado de professores
Não me lembro de ter começado o título de um artigo com o clichê “como sempre se disse”. Não aprecio o registo, nem o semelhante “avisei que ia acontecer”. Mas como os concursos de professores fazem a síntese da queda da escola pública, não resisti. Portanto, a espécie de “como há muito venho dizendo” foi escolhida com mágoa e a pensar nos excessos partidários, ou ideológicos, que na bolha político-mediática se associavam à impreparação dos governantes.
E recorde-se, antes do mais, mirabolantes opiniões sobre os concursos centralizados de professores por lista graduada: interesses corporativos; controlo das escolas pelos sindicatos mais à esquerda; os mais retrógrados do mundo civilizado; devem ser entregues às escolas e aos municípios para que escolham os melhores e acabem com o flagelo da “casa às costas”.
Pois bem: os actuais governantes, que subscreveram a generalidade do coro político-mediático e têm dois anos de exercício, propõem agora a consolidação dos concursos centralizados de professores sempre por lista graduada. Prometem um concurso anual para os quadros das escolas, colocações diárias para as restantes necessidades e eliminação de contratações pelos directores escolares.
Perante tão surpreendente exercício de lucidez, esta viragem de 180 graus exige, para que se clarifiquem os detalhes do que está em causa – e já se sabe a importância dos detalhes -, um resumo do argumentário no registo de “como sempre se disse” e que se termine com um curto elenco de mais soluções inadiáveis.
Como sempre se disse, há muito que existem meios técnicos e humanos para que os concursos centralizados por lista graduada sejam um não-assunto de exemplares eficácia e transparência.
Como sempre se disse, os concursos centralizados eliminam de vez a peregrinação dos professores em busca de vagas em centenas de portais escolares, com a entrega de currículos em cada um como em 2013 ou nas décadas de 1970 e 1980.
Como sempre se disse, conceber os concursos exige conhecimentos sólidos que cruzem os sistemas de informação com a organização escolar e que assumam as palavras-chave da sociedade da informação e do conhecimento: confiança, transparência e simplificação.
Como sempre se disse, os concursos de professores devem seguir as notáveis automatizações do Multibanco e do “Banco Online” e também requerem que a inteligência natural analise e programe o essencial das bases de dados.
Como sempre se disse, foi trágica a alteração para quadrienal da periodicidade dos concursos internos (quadros das escolas). Muitos governantes desconheciam que todos os anos abrem vagas nesses quadros e que estes concursos são cruciais para as aproximações à residência. Têm que ser anuais e por lista graduada, como se efectivou em 2023, e os restantes concursos têm todas as condições para se resumirem apenas num e diário.
Como sempre se disse, a lista graduada (que combina as classificações académica e profissional com o tempo de serviço) é como a democracia: o pior dos modelos, à excepção de todos os outros.
Como sempre se disse, mudar os concursos para os municípios agravaria o clientelismo vigente no caudilhismo escolar e proletarizaria ainda mais os professores.
Como sempre se disse, seria despesista ter 308 centros de concursos. O argumento da escolha do perfil dos professores por proximidade é exclusivo. A natureza inclusiva do ensino público requer a elevação das organizações com profissionais contratados em concursos públicos e confiáveis e com ajudas financeiras às deslocações.
Como sempre se disse, a teimosia em acabar com a ideia moderna de concurso centralizado accionou sucessivas explosões dos professores por desconfiança nos concursos realizados pelas escolas.
Como sempre se disse, foram as duas décadas de precarização, e apesar das ameaças da Comissão Europeia, que infernizaram os concursos.
Como sempre se disse e em suma, a origem da falta estrutural de professores resume-se em quatro eixos responsáveis pelo clima de injustiças e de parcialidades que levaram à queda da escola pública: proletarização da carreira, onde se incluíram os concursos; modelo autocrático de gestão das escolas; inferno da burocracia, agravado com a ilusão do controlo nos mega-agrupamentos; quotas e vagas na farsa avaliativa do desempenho. Ou seja, se a escola é decisiva na educação para a democracia, a reforma dos referidos eixos é crucial para transportar mobilização, inovação, previsão, aspiração e governo.
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Mar 28 2026
Há uma ideia perigosamente romântica a infiltrar-se na educação contemporânea, a de que uma infância sem frustração é sinónimo de amor bem dado. Não é. É, muitas vezes, o primeiro passo para formar jovens emocionalmente frágeis, incapazes de lidar com o mundo real, esse lugar pouco dado a negociações, onde ninguém está particularmente interessado em saber se o “menino ficou triste”.
Frustrar uma criança não é maltratá-la. É, pelo contrário, um dos atos mais responsáveis e estruturantes que um pai ou mãe pode ter. Mas atenção, falamos de frustração com intenção, com medida e, acima de tudo, com afeto. Não se trata de negar por negar, mas de ensinar que o “não” existe e que não é o fim do mundo.
Hoje, muitos pais confundem proteção com permissividade. Evitam o conflito, antecipam desejos, removem obstáculos. Resultado? Crianças que crescem convencidas de que o mundo funciona à sua medida. Não funciona. E quando esse choque acontece, na escola, no primeiro “não” de um professor, na rejeição de um grupo, na exigência de um chefe, o impacto é brutal.
A frustração precoce é, na verdade, um treino para a vida. Ensina tolerância ao erro, resiliência, paciência, capacidade de adiar recompensas. Ensina, no fundo, a sobreviver. Porque ao contrário do que alguns parecem acreditar, nenhuma criança nasce equipada com estas competências. Elas constroem-se. E constroem-se, inevitavelmente, no desconforto.
A escola é o primeiro grande teste. Não é perfeita, longe disso, mas tem uma característica que a casa muitas vezes perdeu, regras que não são negociáveis. Uma criança que chega à escola sem nunca ter ouvido um “não” consistente, sem nunca ter esperado pela sua vez, sem nunca ter lidado com a frustração de não ser o centro do universo… está condenada a sofrer. E, pior, a falhar onde poderia ter sucesso.
E depois há o discurso, ingénuo ou conveniente, de que “cada criança tem o seu tempo” para tudo. Tem, claro. Mas não tem o direito de crescer à margem da realidade. O mundo não abranda para esperar que alguém desenvolva maturidade emocional aos 25 anos porque em casa nunca foi contrariado.
Pais que evitam frustrar os filhos não estão a poupá-los nem a protegê-los. Estão a adiar um embate que será mais duro, mais injusto e, muitas vezes, irreversível. A sociedade não educa com carinho. Não explica duas vezes. Não adapta regras porque alguém “não gostou”. E quando essa função passa dos pais para o mundo, o mundo ganha sempre.
Educar é preparar para a vida fora de casa, não criar uma bolha confortável onde tudo corre bem. É dizer “não” quando é mais fácil dizer “sim”. É permitir que a criança sinta desconforto, que falhe, que espere, que perca. Sempre com presença, sempre com afeto, mas sem ceder ao facilitismo.
Porque no fim, o objetivo não é criar crianças felizes a qualquer custo. É criar adultos capazes. E isso, goste-se ou não, começa com a arte, cada vez mais rara, de frustrar bem.
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Mar 28 2026
A Isabel apareceu-me no ecrã como quem bate à porta sem avisar, um rectângulo luminoso a abrir-se ao fim do dia, e lá estava a fotografia: a filha, ainda com aquele ar de quem não decidiu se é criança ou já outra coisa qualquer, encostada a um balcão cheio de folhetos coloridos, bandeiras minúsculas espetadas em mapas a prometer mundos e fundos.
E a legenda: treze anos e já a aprender a partir.
Lembro-me da Isabel na escola secundária, o cabelo preso com uma caneta, os cadernos desarrumados, a rir-se de tudo como se o futuro fosse uma coisa vaga, um rumor demasiado distante para incomodar.
Se nenhum de nós pensava em cursos, escolhas, decisões, preocupações, universidades, responsabilidades, muito menos pensávamos em países cujos nomes nem sequer sabíamos pronunciar.
Para quê? Os pais estavam presentes, a família providenciaria e o futuro não era apenas risonho, era confortável e tranquilo.
E a vida, um descanso.
Um regalo.
Era bom viver.
E agora a filha, com treze anos apenas e já a percorrer corredores de luz branca, a aceitar panfletos de universidades com nomes em inglês, alemão, nomes para dizer com a boca cheia num trava-línguas.
Imagino-a a pegar nos papéis com cuidado, como quem recolhe provas de uma vida possível, dobrando-os depois na mochila ao lado do estojo e dos cadernos de matemática. Uma infância de panfletos, uma adolescência de mapas.
E a Isabel, do outro lado da fotografia, fora do enquadramento, a olhar para a filha como quem vê um comboio a partir devagar enquanto diz para si mesma ainda haver tempo.
Tempo para um último beijo.
Tempo para um último abraço.
O último abraço.
Quando voltares, já não serás a minha filha, dizes.
E nada disto está a acontecer, nada disto vai acontecer, isto é uma grande patranha, a última patranha.
Um país sem vergonha nenhuma de ver os filhos partir. Os nossos filhos, não os filhos dos outros, entenda-se.
Sempre os nossos filhos, os primeiros na linha da frente contra os canhões, marchar.
E os canhões ficam na mesma…
Uma mãe a ver a casa esvaziar-se por antecipação, e a distância já não é uma hipótese, mas uma disciplina.
Talvez haja um orgulho tímido, envergonhado até, a crescer no meio do peito, misturado com um medo incapaz de confessar nas redes.
Porque a minha filha vai para o estrangeiro, a minha filha vai ser alguém na vida e o sucesso é para partilhar.
Ao contrário do silêncio de um quarto intacto, incólume, parado no tempo, e o silêncio ninguém fotografa, a solidão ninguém partilha.
Penso na rapariga, na filha da Isabel, a atravessar stands como quem atravessa fronteiras invisíveis. Há ali uma curiosidade, claro, um fascínio quase turístico: as imagens de cidades limpas, bibliotecas infinitas, campus a parecerem jardins.
Mas também há uma aprendizagem discreta da ausência, uma preparação para não pertencer completamente a lado nenhum. Nem daqui, nem de lá.
A Isabel partilhou a publicação com um coração e um emoji sorridente no fim, como quem procura simplificar não apenas palavras, mas emoções.
A Isabel a reduzir o mundo a um par de símbolos enquanto se engana a si mesma e está tudo bem, mesmo quando não está completamente.
Porque o verdadeiro estrangeiro começa muito antes da viagem, começa ali, naquele instante no qual uma rapariga de treze anos aprende a imaginar-se longe.
E o difícil não é partir, até porque partir é inevitável. O difícil é o ensaio para a partida. O difícil é este primeiro panfleto guardado na mochila, seguido de tantos outros.
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Mar 27 2026
Estudo do Conselho Nacional de Educação que pode servir de base ao novo formato com um ciclo de seis anos defende que monodocência dê lugar a “equipas educativas estáveis”.
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Mar 27 2026
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Mar 26 2026
Deixo aqui o link para o Estudo e saliente algumas partes:
No que concerne às modalidades de docência, e independentemente da estruturação dos ciclos, a solução apontada para a fragmentação reside na alteração dos modos de trabalho docente. A ideia de monodocência pura foi matizada: o sucesso educativo não depende do isolamento de um professor único, mas da existência de equipas educativas estáveis. A proposta dominante para a reconfiguração curricular passa pela redução do número de interlocutores no 2.º ciclo (pluridocência cooperativa com quatro ou cinco docentes) e pela instituição da figura do professor tutor ou gestor do currículo, que garanta o acompanhamento integral dos alunos. Sublinha-se a necessidade de transitar de uma coadjuvação passiva para uma colaboração efetiva no planeamento e na sala de aula, permitindo uma gestão integrada do currículo, que dê sentido às aprendizagens e combata a dispersão.
…
A gestão de recursos humanos – A estrutura dos grupos de recrutamento e o atual modelo de concursos foram identificados, transversalmente, como o maior obstáculo técnico e organizacional à mudança. Embora exista enquadramento legal que permita à direção da escola atribuir disciplinas afins ao mesmo professor, desde que possua a devida habilitação, a rigidez administrativa do sistema de colocações e a elevada
mobilidade docente continuam a limitar a autonomia de gestão das escolas. Na prática, a dificuldade dos diretores em selecionar perfis docentes adequados ao projeto educativo das escolas inviabiliza a estabilidade necessária à constituição de equipas pedagógicas coesas e à consequente operacionalização sustentada de um currículo integrado.
…
A profissionalidade docente – Reconhece-se a premência de realinhar a formação inicial e a contínua com as exigências de um currículo que se pretende integrado. As audições evidenciaram que a atual matriz formativa, frequentemente ancorada numa lógica monodisciplinar e no ensino segmentado de didáticas, não prepara adequadamente os docentes para o desenvolvimento de projetos interdisciplinares. A constituição de equipas pedagógicas coesas exige não apenas especial atenção na elaboração de horários, mas
sobretudo uma formação que capacite os docentes para o trabalho colaborativo e para a gestão flexível do currículo, superando a cultura de isolamento e o tradicional modelo de instrução. Para tal, sublinha-se a necessidade de investir em dinâmicas estruturadas de indução profissional e numa forte formação contínua em contexto de trabalho, que assuma a escola como uma verdadeira comunidade de prática. Através desta formação entre pares será possível dotar os docentes da segurança e das competências necessárias
para a coadjuvação, a diferenciação pedagógica e a gestão flexível reclamada para os primeiros anos de escolaridade.
…
Em suma, a reconfiguração curricular dos 6 aos 12 anos assume-se não apenas como uma necessidade de harmonização internacional, mas como um compromisso inadiável com a qualidade e a equidade no desenvolvimento integral das crianças.
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Mar 26 2026
Foi ainda destacada a importância de garantir um melhor planeamento das necessidades das escolas e de assegurar uma colocação atempada dos professores, idealmente até ao final do mês de maio, contribuindo para uma resposta mais eficaz às exigências do sistema educativo e para a organização da vida pessoal e profissional dos docentes.
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Mar 26 2026
Segundo o governante, do modelo atual mantém-se apenas o concurso interno, de mobilidade para professores dos quadros que queiram mudar de escola, que será antecipado para que os docentes já saibam, antes do final do ano letivo, onde estarão colocados em setembro.
Fernando Alexandre garantiu ainda que a colocação de professores continuará a respeitar a lista graduada nacional – com base no tempo de serviço e classificação no curso de habilitação para a docência – e adiantou que não deverão realizar-se novos concursos externos extraordinários, uma vez que os professores com habilitação própria (sem formação pedagógica) também poderão candidatar-se ao novo concurso externo contínuo.
O MECI reconhece que há ainda muitos detalhes por definir, mas espera concluir a discussão até junho, para que as novas regras possam ser implementadas na contratação de professores para o ano letivo 2027/2028.
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Mar 26 2026
Fernando Alexandre acaba com contratação direta pelos diretores e lança modelo centralizado de colocações diárias de docentes. Fenprof diz que graduação profissional acaba mas ministro desmente.
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Mar 25 2026
O que são as escolas?
Às vezes perguntam-me assim:
“Mas uma escola diferente é o quê, ao certo?”
E eu penso… diferente de quê?
Diferente daquela escola onde toda a gente anda a correr, mas quase ninguém sente que está verdadeiramente a aprender?
Diferente daquela escola onde se cumpre tudo… e, no fim, falta quase tudo?
Na minha opinião, quando uma escola tenta fazer diferente, não está a armar-se em moderna! Está, muitas vezes, só a tentar ser mais honesta com a realidade.
“Então inovar é acabar com tudo o que existia?”
Não.
É ter coragem para olhar para o que já não resulta e dizer: “assim não chega”.
É perceber que há alunos que precisam de mais espaço para pensar, mais tempo para fazer, mais autonomia para crescer e mais adultos a trabalhar uns com os outros, em vez de cada um fechado na sua sala, como se educar fosse uma coleção de ilhas.
E depois há escolas que arriscam. Que mexem no currículo. Que juntam professores. Que criam Projetos. Que apostam no trabalho autónomo. Que inventam roteiros de aprendizagem. Que dão aos alunos mais responsabilidade e aos adultos mais trabalho a sério.
Não é teatro!. É trabalho duro.
É tentativa, erro, escuta, afinação…
Num contextos escolar público que conheço, em Lisboa, isso tem passado por reorganizar alunos e docentes, usar projetos interdisciplinares, trabalho autónomo, roteiros de aprendizagem e apoio tutorial, repensando até tempos e espaços escolares.
“Mas isso funciona?”
Funciona sempre? Não.
Melhora tudo? Também não.
Dá mais sentido a muita coisa? Muitas vezes, sim.
Vai correr bem? Sim. Definitivamente.
Há muitos lugares em Portugal onde uma criança não é só mais uma cadeira ocupada.
Há muitos professores que não desistiram de pensar!
Há equipas que discutem, ajustam, inventam e voltam a tentar.
A escola pode ser exigente sem ser desumana. E deve.
A escola pode ter estrutura sem esmagar.
Pode ter liberdade sem cair no caos.
Uma escola que tenta fazer diferente não é uma escola perfeita. É uma escola viva.
E uma escola viva faz barulho, faz perguntas, comete erros, corrige, aprende.
Tal como os alunos.
Tal como os adultos.
Tal como a vida.
“E qual é o segredo?”
Não há segredo nenhum.
Há compromisso.
Há visão.
Há gente que, apesar de tudo, continua a aparecer e a dizer: “vamos outra vez”.
No fim, é isto que eu sinto: as escolas nunca são só edifícios, horários, projetos ou metodologias…
As escolas são as pessoas, não é ?
E quando as pessoas certas se juntam com coragem para fazer melhor, até as paredes parecem aprender.
Alguns dirão: “lá vem mais uma conversa bonita sobre inovação…”
E eu percebo esse ceticismo.
Na escola, já houve palavras caras, projetos vistosos e mudanças com bom aspeto no papel… mas pouco efeito real na vida de quem ensina.
Por isso, uma escola que tenta fazer diferente não pode ser só moderna no discurso.
Tem de ser mais honesta com a realidade.
Tem de dar mais sentido ao que se aprende, mais espaço ao que se vive e mais condições a quem lá trabalha.
Inovar não é deitar fora tudo o que existia.
Não é trocar exigência por confusão.
Não é pôr nomes novos em problemas antigos.
É olhar para o que já não chega e ter coragem para ajustar.
Porque uma escola viva não é uma escola perfeita.
É uma escola onde há tentativa, erro, compromisso, pensamento e gente que continua a aparecer para fazer melhor.
A verdadeira inovação não está em inventar uma escola nova. Está em ter coragem para humanizar a que já existe.
Alfredo Leite
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Mar 24 2026
O jovem de 17 anos foi visto a manusear uma arma no exterior da escola e as autoridades foram alertadas
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Mar 24 2026
A violência em idades precoces, seja no 1.º ciclo do ensino básico ou mesmo na educação pré-escolar em Portugal, deixou de ser um episódio raro para passar a surgir com inquietante regularidade nas notícias. Professores agredidos, auxiliares desrespeitados, colegas vítimas de comportamentos descontrolados, sinais de um problema mais profundo que não nasce na escola, mas que nela se manifesta com toda a sua força.
Importa, antes de mais, fazer um exercício de memória coletiva. Houve um tempo, não necessariamente melhor, mas certamente diferente, em que a educação familiar assentava em princípios claros de autoridade e consequência. Quando uma criança, num acesso de frustração, levantava a mão para bater num adulto, a resposta era imediata, um gesto firme que travava o impulso, um tom de voz elevado que marcava o limite, por vezes uma palmada que funcionava como símbolo inequívoco de consequência. Não se tratava apenas de punição, tratava-se da construção de uma fronteira.
Hoje, essa fronteira tornou-se difusa.
A pedagogia contemporânea, influenciada por correntes psicológicas modernas, privilegia o diálogo, a empatia e a autorregulação emocional. Em teoria, trata-se de um avanço civilizacional. No entanto, na prática, muitos pais não possuem as ferramentas emocionais, o tempo ou a consistência necessários para aplicar esse modelo. O resultado é uma educação híbrida, onde o discurso é sofisticado, mas a ação é inconsistente.
Como já alertava Sigmund Freud, “a civilização constrói-se sobre a renúncia ao instinto”. A criança não nasce socializada, nasce impulsiva, centrada no prazer imediato. A função do adulto é, precisamente, ajudá-la a lidar com a frustração. Quando essa mediação falha, o instinto prevalece.
Carl Jung acrescentaria que “aquilo a que resistimos persiste, mas aquilo que ignoramos cresce na sombra”. Ignorar ou relativizar comportamentos agressivos em nome de uma falsa compreensão emocional não elimina o problema, apenas o adia e o amplifica.
Na filosofia clássica encontramos ecos desta preocupação. Sócrates, frequentemente citado, ainda que de forma discutível, por criticar a juventude do seu tempo, já falava da necessidade de disciplina na formação do caráter. Platão, na sua obra sobre a educação na cidade ideal, defendia que a formação moral deveria começar cedo e ser conduzida com firmeza, “a alma da criança é moldável, mas também vulnerável ao desregramento”.
O que vemos hoje nas escolas portuguesas parece confirmar estas intuições antigas. Crianças que, perante a frustração, não encontram limites claros, testam constantemente a autoridade e estão a ganhar. E fazem-no porque aprenderam, consciente ou inconscientemente, que essa autoridade é negociável e inconsistente.
Importa aqui fazer uma distinção fundamental, a firmeza não é violência, e diálogo não é permissividade. O problema não está na evolução dos modelos educativos, mas na sua má aplicação. O diálogo exige competência emocional, consistência e autoridade. Um adulto que dialoga sem impor limites não educa, abdica das suas funções como educador.
A escola, por sua vez, tornou-se o palco onde estas falhas se tornam visíveis. Professores, já sobrecarregados com exigências curriculares e burocráticas, veem-se confrontados com comportamentos para os quais não foram preparados e que deveriam ter sido trabalhados no contexto familiar. A consequência é um ambiente educativo fragilizado, onde ensinar se torna cada vez mais difícil e às vezes impossível.
A questão que se impõe não é se devemos regressar ao passado, mas sim o que devemos resgatar dele. De certeza, não a palmada, mas certamente a clareza. Não o autoritarismo, mas a autoridade. Não o medo, mas o respeito.
Porque, no fim, educar continua a ser o mesmo desafio de sempre, preparar a criança para viver em sociedade. E isso implica, inevitavelmente, aprender que nem todos os impulsos podem ser seguidos, e que há limites que não se negoceiam. Ou vamos por este caminho ou como sociedade falharemos.
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Mar 23 2026
Alunos menores frequentam escolas da Sertã e de Castelo. Agressões estendem-se a auxiliares e colegas.
Três professoras do ensino básico da Sertã terão sido agredidas várias vezes e de forma violenta por dois alunos do 1º Ciclo que frequentam as escolas primárias da sede do concelho e da aldeia de Castelo.
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Mar 23 2026
Pelo país, escuto dos professores que estão a receber crianças e jovens com mais dificuldades de base e, ao mesmo tempo, com menos tolerância à frustração, menos autonomia e menos treino para tarefas simples que antes surgiam com mais naturalidade.
Vê-se no aluno do 1.º ciclo que pega mal no lápis e se cansa depressa.
Vê-se no do 2.º ciclo que já consegue falar sobre a matéria, mas demora demasiado a copiar do quadro, suja o caderno todo, desiste facilmente e irrita-se quando lhe pedem cuidado.
E vê-se no do 3.º ciclo que até percebe a matéria, mas escreve à pressa, mal, com pouca organização, e perde qualidade por falta de base, de método e de resistência ao esforço…
O que muitos professores me transmitem é uma mistura difícil de explicar a quem está de fora: empatia pelas crianças e jovens, preocupação genuína com as famílias e, ao mesmo tempo, um enorme cansaço por verem cair sobre a escola problemas que começaram muito antes da sala de aula.
Um docente reconhece quando uma criança quase não recorta bem, quando evita desenhar, quando não regula a força da mão, quando não sabe esperar, quando quer desistir ao primeiro erro, ou quando vive tão habituada ao estímulo rápido que tudo o que exige atenção mais lenta parece “uma seca insuportável”.
E o que muitos pensam, a meu ver com razão, é isto: não se pode pedir à escola que repare sozinha aquilo que o estilo de vida atual tem vindo a fragilizar.
Os professores também partilham, muitas vezes, que há uma injustiça nesta conversa.
Quando uma criança chega com dificuldades muito visíveis, há quem olhe logo para o pré-escolar ou para o professor titular como se ali estivesse o centro do problema. Mas quem está na escola sabe que a realidade é outra. Sabe que há crianças com poucas horas de sono, excesso de ecrãs, pouca brincadeira livre, pouco treino de autonomia, pouca persistência e demasiada cedência à volta delas.
Sabe que há pais exaustos, outros desleixados, famílias sobrecarregadas e rotinas frágeis. E sabe, sobretudo, que a escola está a tentar ensinar enquanto também compensa, regula, acalma, organiza e repara. Isso desgasta muito.
Parece-me que o sto já não é só uma questão de “não saber segurar no lápis”. Isso seria quase o sintoma mais visível e mais simples.
É o pré-adolescente que tem dificuldade em ouvir um “não”. É o adolescente que acha insuportável o esforço continuado.
Muitos docentes sentem que estão a trabalhar cada vez mais sobre capacidades humanas básicas que antes vinham mais consolidadas de casa: esperar, insistir, tolerar desconforto, ouvir, cumprir, recomeçar…
Talvez esteja na hora de parar de simplificar. Não é sério culpar educadores de infância ou os professores por tudo.
A infância mudou, o ambiente familiar e digital mudou, e isso tem consequências reais no corpo, na atenção, na motricidade, na linguagem, no comportamento e na aprendizagem.
Acima de tudo, sinto que desejam que alguém diga com honestidade aquilo que eles vivemos todos os dias: a escola pode ajudar muito, mas não pode continuar a ser tratada como oficina geral de reparação daquilo que a sociedade vai desmontando.
…não, não estamos a pedir crianças perfeitas. Estamos a pedir crianças mais acompanhadas, mais treinadas para a vida real, e menos entregues a atividades que anestesiam o desenvolvimento.
Ensinar já é exigente.
Ensinar e, ao mesmo tempo, reconstruir bases que deviam vir de trás, é um peso enorme.
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