A caneta acaba no silêncio de uma sala onde a autoridade foi sitiada. Antigamente o “não quero queixas da professora” era o selo de uma aliança sagrada entre casa e escola. Hoje a escola virou um tribunal de pequena instância onde o veredito é ditado por mensagens de telemóvel antes do toque de entrada.
Os pais demitidos da função de educadores assumem o papel de advogados de acusação. Transformam o erro do filho numa falha do mestre e o limite num atentado pessoal. Somos meros bonecos nas mãos de quem exige ser servido enquanto o respeito se dissolve em revisões de provas, exigências de notas e recursos de sanções disciplinares.
Neste tribunal a que chamam escola o professor está isolado no banco dos réus. Quando a família se torna o primeiro opositor da regra, a educação morre por asfixia. O esgotamento é o eco de um sistema que permitiu que o elevador social fosse sabotado por quem deveria ser o seu primeiro garante.
A sentença está dada e a luz apagou-se.




4 comentários
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Sem dúvida, mas também cabe a cada um de nós dar um murro na mesa e impor-se a este tipo de famílias e/ou diretores.
Quem cala, consente, e quem se agacha é humilhado.
Não raramente, observa-se colegas DT a falar com um encarregado de educação utilizando um tom de voz e uma postura de subserviência e de receio das suas próprias palavras. Tem que ser ao contrário, meus caros colegas! Nós é que representamos o Estado e quem, usualmente, está em falta é o discente e/ou a sua família! Nada de INVERSÕES!
Completamente de acordo. É quase uma espécie de purga pela ausência na educação dos filhos.
Mas nós temos que dizer as coisas como elas são e não ficar calados quando não têm razão…..depende também da nossa postura. Cordial, sim, educada sim, mas não permitir abusos seja de quem fôr. Se houver necessidade de dizer umas verdades, não ter medo. é o que eu sempre faço, seja a quem fôr.
Sacanas! Essa gentalha devia apanhar nos apêndices testais.