Na sexta-feira regressam as Reservas de Recrutamento, mas quantos professores ainda estão disponíveis para colocação?
Não muitos… como poderão ver no vídeo abaixo onde é analisada a percentagem de professores por colocar em cada grupo de recrutamento ao longo deste ano letivo.
Numa altura em que estamos aproximadamente a meio do total de Reservas de Recrutamento (se bem que este ano é previsível que haja mais uma ou duas no 1º e 2º ciclos), segue um vídeo com os 20 grupos de recrutamento que tiveram mais colocações ao longo deste ano letivo.
Este é o 1º de alguns vídeos com análises estatísticas deste ano letivo que serão publicados no canal.
“Vão vincular 2400 professores no próximo concurso” e “o concurso deste ano manterá as regras do último concurso” foram algumas das afirmações proferidas pelo Ministro da Educação e respetivos Secretários de Estado na comissão de Educação realizada hoje.
Quem quiser assistir na íntegra…
Fica o vídeo com a apresentação inicial da audição, onde se resume o processo de concurso dos professores contratados e algumas das injustiças que lhe estão inerentes:
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2020/10/audicao-alteracao-dos-horarios-a-concurso-e-do-modelo-de-recrutamento-de-professores/
A respeito deste artigo publicado no dia 16 de outubro:
Aproveitamos para esclarecer a situação descrita no artigo acima: tivemos conhecimento pelo professor de que foi a escola a denunciar o primeiro contrato (cujos pormenores não interessam para a situação em análise), tendo posteriormente a administração escolar aceitado reintegrar o professor em causa na lista para a reserva de recrutamento.
Desta forma, a situação foi resolvida de forma célere, não tendo o professor sido ainda mais penalizado (para além do stress causado pela situação) e conseguiu obter colocação num intervalo de horas semelhante na reserva de recrutamento seguinte.
Agradecemos o cuidado tido no esclarecimento desta da situação!
À semelhança da semana passada, publico os números referentes aos professores não colocados após a publicação da Reserva de Recrutamento 6.
Pela análise dos números, percebe-se que também no grupo 510 – Física e Química deixou de haver professores disponíveis no QZP 7 para as próximas reservas, apesar de as listas de não colocados contarem ainda com 255 candidatos.
O quadro abaixo torna evidente que o número de professores disponíveis tem vindo a diminuir, mas que o problema não tem o mesmo impacto em todo o território nacional.
Se não contabilizarmos os grupos de Educação Pré-Escolar, 1º ciclo e Educação Física, percebemos que restam pouco mais de 1000 professores disponíveis para preencher horários completos no QZP 7, número esse que será bem menor se considerássemos também os incompletos.
Há problemas estruturais que vão desde a formação de professores, até às condições de trabalho nas escolas, passando pela forma como a classe docente é vista pela sociedade civil, mas há também um problema geográfico que se tem sido agravado com os mecanismos de mobilidade existentes.
Na Secundária João de Barros, no Seixal, não se espera só pelo fim das obras, iniciadas pela Parque Escolar há mais de dez anos. Desespera-se por professores. Após um mês do início das aulas — período que devia servir para recuperar o que não se aprendeu no passado ano letivo, com o ensino à distância —, há turmas onde faltam seis docentes, o que significa que os alunos estão sem aulas em metade das disciplinas.
[…]
O diagnóstico está feito, mas faltam soluções. E os números comprovam que as dificuldades agravam-se de ano para ano. Só na primeira quinzena de outubro, as escolas viram-se obrigadas a pedir 1870 horários através do mecanismo de contratação de escola. Isso significa que já não há professores disponíveis nas tais reservas de recrutamento ou os que existem recusaram o lugar.
O processo começa sempre pelas reservas de recrutamento. Se ao fim de duas semanas os horários continuarem vazios, passa-se para a fase de contratação de escola. Só na semana passada foram solicitados por esta via 637 professores, mais do dobro do registado no ano passado no mesmo período (255). Os distritos de Lisboa, Setúbal e Faro são as zonas para onde é mais difícil encontrar professores. Informática, Geografia, Inglês, Português e Educação Moral e Religiosa são as disciplinas mais carenciadas.
As contas são feitas para o Expresso por Davide Martins, professor de Matemática no Agrupamento de Matosinhos e colaborador do blogue de Educação ArLindo. “Em 2019, desde o início do ano letivo até 31 de outubro, saíram 1322 horários em contratação de escola, o que já é um número considerável. Este ano esse valor já foi ultrapassado no dia 10, evidenciando que a falta de professores tem aumentado e se faz sentir cada vez mais cedo”, explica.
Se alguém me conseguir explicar, agradeço. Um candidato colocado num horário anual na RR1, volta ficar colocado noutro horário anual na RR4. Se houve algum erro na primeira colocação não deveria ter sido feita uma colocação administrativa?
É que se há alguma alternativa mais célere para resolver eventuais erros de colocação, era bom que fosse do conhecimento público…
Os Agrupamentos que mais horários solicitaram estão claramente concentrados nos QZP’s 7 (Lisboa e Vale do Tejo) e 10 (Algarve). Falamos apenas de horários acima de 8 horas, que não foram ocupados nas Reservas de Recrutamento.
O AE das Laranjeiras, em Lisboa, é aquele que mais horários solicitou (20 durante os 10 dias de outubro) e há um óbvio destaque da zona de Lisboa neste campo, mas também o Algarve aparece representado nas primeiras 12 posições (Silves e Portimão).
Parece evidente nesta lista a clara “hegemonia” das escolas dos QZP’s 7 e 10, mas a situação é ainda mais surreal ao percebermos que só a partir da posição 120º começam a aparecer as escolas do norte. (Clicar na tabela acima para ver o quadro completo)
Isto torna evidente que a falta de professores não se manifesta em todo o país da mesma forma. É verdade que há ainda milhares de professores no desemprego e que a norte a sua falta raramente se faz sentir, no entanto parece agora óbvio para todos que a sua escassez é uma realidade nalgumas regiões.
Mas desenganem-se aqueles que acham que esta escassez pode marcar uma mudança radical das políticas educativas: se não houver cedências, aproximação de posições e compromissos a médio prazo, assistiremos brevemente ao recrutamento “avulso” de professores sem qualificação; à ainda maior sobrecarga letiva dos restantes professores existentes nos Agrupamentos ou outros “mecanismos” que apenas afundarão ainda mais a classe docente e a Educação em geral.
Basta recuar poucos anos para se perceber como surgiu a componente de estabelecimento; os 1100 minutos; o fim de pares pedagógicos, estudo acompanhado e área de projeto… as possibilidades são inúmeras e a imaginação não tem limites quando toca a poupar no recrutamento de professores ou a sobrecarregar os poucos existentes.
Nos primeiros 10 dias do mês de outubro foram disponibilizados mais de 1660 horários para Contratação de Escola. Desses horários, 1421 são superiores a 8h (horários que não foram aceites ou para os quais não houve candidatos).
Estes números começam a ficar mais preocupantes quando percebemos que 261 são horários completos que há uns anos atrás teriam milhares de candidatos. Os grupos de Informática, Geografia e Inglês são os que apresentam maiores problemas e principalmente em Lisboa, Setúbal e Faro como se pode ver no quadro seguinte:
Num próximo post analisaremos os Agrupamentos onde faltam estes 1421 professores.
Segundo a lista de não colocados, após a RR5 existem 16707 candidaturas sem colocação, o que corresponde a 11349 professores, porque alguns concorrem a mais do que um grupo de recrutamento.
Ora, haverá a tentação de pensar que este número é elevado e que afinal a falta de professores que tem sido noticiada é um exagero sem sentido… NADA MAIS ERRADO e a própria subdiretora-geral da educação já o admitiu.
É certo que a falta não se faz sentir por todo o país da mesma forma: se a NORTE (por enquanto) os professores são suficientes e as substituições são relativamente rápidas, em Lisboa e Algarve a situação agudiza-se de forma preocupante de ano para ano.
Se retirarmos das listas aqueles professores que não concorreram para horários completos em Lisboa e Algarve… o número de professores possíveis para essas regiões diminui drasticamente.
Vejamos o QZP 7 (Lisboa e Vale do Tejo): das candidaturas não colocadas (16707) há, no máximo, 10333 disponíveis para essa região, porque os restantes garantidamente não concorreram para lá. Acontece que cerca de 8500 estão concentrados em 4 grupos (100, 110, 260 e 620). Restam 1500 candidatos para os restantes 25 grupos de recrutamento, uma vez que há 6 grupos que já não têm candidatos disponíveis.
Estamos apenas em outubro e falamos apenas de horários completos… se considerarmos os incompletos o problema torna-se ainda mais óbvio.
Fica a tabela com os dados… a mancha vermelha representa os grupos onde a escassez de professores mais se faz sentir.
Há pequenas mudanças que poderão amenizar este problema, mas a situação exige medidas estruturais que vão muito além de uma legislatura… em 4 anos não se formarão os professores necessários e em 4 anos não se tornará atrativa uma profissão que nos últimos 20 anos se tem vindo a degradar de forma óbvia.
É necessário que haja um rumo… sindicatos, governo, oposição e os próprios professores têm de perceber que é preciso fazer cedências; encontrar pontos de convergência e estabelecer uma politica educativa a médio prazo… se isso não acontecer, a Educação está condenada e o futuro do país hipotecado.