O Algoritmo – Paulo Guinote

Há cerca de uma semana a UTAO (Unidade Técnica de Apoio Orçamental) produziu, finalmente, o seu estudo sobre a recuperação do tempo de serviço docente, sete meses depois de ter sido pedido pelo grupo parlamentar do PSD.

 

O algoritmo

 

São mais de 100 páginas que dão uma sensação de complexidade e solidez, apresentando diversos cenários, apoiados em descrições metodológicas e quadros mais ou menos extensos. Haverá quem, perante isso, receie desbravar o que está escrito e é apresentado como facto fundamentado, preferindo replicar o que alguma comunicação social decidiu colocar em destaque.

Claro que o mais imediato foi escrever ou dizer que “em velocidade de cruzeiro”, a partir de 2028, o custo (bruto) da recuperação seria de 469 milhões de euros, tendo os mais atentos acrescentado que o valor líquido seria de 202 milhões. Só que essa formulação, nascida do conteúdo do próprio relatório, transmite uma ideia errada do valor em causa, pois esse é o valor total acumulado para o período de 2024-2028, e não o valor anual a partir de 2028. Na página 71 do relatório, no ponto 212, lê-se que a “aplicação da modulação da medida neste cenário 3 implicará a subida da despesa bruta (líquida) com pessoal no ano cruzeiro de 2028 em 469 milhões€ (202 milhões€) face à ausência de medida”, mas o valor refere-se à despesa total e não à despesa no ano de 2028.

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4 comentários

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    • Ultracongelado on 24 de Junho de 2024 at 8:18
    • Responder

    E assim se inquina a opinião pública contra a classe docente e se percebe bem a competência e a sensatez de quem cumpre a mui nobre tarefa de apoiar com estudos técnicos de elevadíssima e inquestionável qualidade a execução do orçamento. Já agora, quanto custará a UTAO até 2028?

    • Ulme on 24 de Junho de 2024 at 10:47
    • Responder

    A comunicação social nem se deu ao trabalho de ler o relatório.

    Triste…

  1. No página um:
    Hoje, vê-se como solução para a crise da imprensa a existência de reforçados apoios do Estado, esquecendo que é sobretudo a falta de qualidade e o viés criado por ‘mercadores da imprensa’ que mais contribuem para o afastamento do público e para a desvalorização (financeira) do papel dos jornalistas. Hoje, banalizaram-se muitas práticas terríveis – como as notícias pagas, as parcerias comerciais e a auto-censura com eventuais comparticipações financeiras –, e isso deveu-se à sua aceitação pelos jornalistas, que se calam e que até criticam ou ostracizam quem as denuncia. Há, além disso, uma espécie de omertà, de silêncio cúmplice, porque (quase) todos têm telhados de vidro, (quase) todos receiam represálias, (quase) todos pactuam para não afectar empregos, prebendas, amizades e ambições. Tem sido tudo isto a matar o Jornalismo, enquanto Luís Delgado vive na sua quinta em Santo Estêvão, o inenarrável Domingos de Andrade se vai tornar no homem-forte de um novo grupo editorial e a família Balsemão insufla ‘oxigénio’ em mais uma emissão obrigacionista depois das ajudas do Novo Banco. Presumo que “vai ficar tudo bem”. Assistimos, na verdade, ao Triunfo dos Porcos que emporcalham a democracia.”

    • Manuel on 25 de Junho de 2024 at 14:04
    • Responder

    Os portugueses desta forma, ficam a saber qual o contributo dos professores, para os diferentes orçamentos de estado dos últimos anos. Os professores foram espoliados nos seus ordenados e agora ainda são culpados.

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