O professor contínuo – João André Costa

 

São 8 da noite mas não são, pelo menos para o Pedro, professor de matemática em Londres já contam mais de 7 anos para orgulho da família e inveja da vizinhança.
Nota: os pais não se calam, a mãe no cabeleireiro ninguém pode com ela e entredentes as clientes dizem umas para as outras que em Portugal não tinha onde cair morto, para de seguida colocarem salsa nos ouvidos ao melhor estilo gaulês que a mãe galinha que é a mãe do Pedro não se cansa de cacarejar. Emproada! Fim de nota.
São 8 da noite e para o Pedro o dia ainda vai a meio, ou talvez exagere, no terço final que de matemática sabe o Pedro, na escola desde as 7 da manhã dia sim dia sim.
Porque para a semana vai ter uma aula observada, a segunda este período, a escola está em vésperas de ter uma inspecção e na Direcção há sempre razão para mais uma e outra aula observada.
Para o professor é que não e se as inspecções são de 4 em 4 anos às vezes mais parece serem todos os anos e mal uma acaba começa logo a preparação para a seguinte.
Como se fosse um campeonato de futebol e cada época dura tantos anos, sem férias nem descanso, só deveres e um ordenado infinitamente mais baixo, de três dígitos, três zeros corrige o Pedro, mas a mãe não é professora de matemática, nem eu, o Pedro é que é.
Além disso, esta sexta termina o prazo para a entrega da planificação do próximo período escolar e o Pedro a jurar a pés juntos ainda agora ter entregue a dita mas não e há sempre mais uma planificação, mais uma desculpa, mais uma obrigação.
Sem esquecer a devida análise e avaliação semanal de todos os cadernos de todos os alunos e respectivas anotações nos cantos das páginas entre autocolantes, estrelinhas e sorrisos, 8 vezes 3 são 24, 240 alunos contas redondas e os respectivos 240 cadernos às costas para casa e para a escola e agora devidamente empilhados e alinhados à espera de alunos e Direcção no dia seguinte.
E como agora é tudo “online” e está tudo na “cloud”, vulgo nuvem, ou nuvens, está tudo nas nuvens, ainda falta disponibilizar os trabalhos de casa para amanhã mais as aulas “online” para um aluno enfermo e já não é a primeira vez que uns pais apresentam queixa e não será a última.
Não obstante, e por serem 8 da noite, já 8 da noite ou ainda 8 da noite, o Pedro alomba agora com arquivos e arquivos de alunos, em tempos despejados ao acaso debaixo dos vãos de escada da escola e agora, chegados ao século XXI, devidamente classificados de perigo de incêndio.
Mas como o orçamento da escola pós-Brexit/Covid/crise climática/guerra na Ucrânia e a crise que se segue foi inevitavelmente reduzido, o contínuo da escola foi empurrado para a reforma e o que vale é que o Pedro é novo, não tem filhos (e em breve nem namorada) e a Direcção tem de ir para casa, pelo que voltamos ao princípio do texto, mais precisamente às 8 da noite e o Pedro de arquivos às costas, arquivos aos ombros, arquivos nos braços de uma ponta da escola para a outra.
Isto depois de ter andado a montar espelhos nas casas de banho dos alunos, buchas e parafusos na boca, berbequim e lápis nas mãos e aqui vai disto.
Ontem foram umas quantas fechaduras arranjadas, metidas para dentro à força dos pontapés dos alunos e a culpa, disse a mãe, é da escola por não fazer portas devidamente resistentes.
Para não falar nos buracos nas paredes, ocas pois claro, pelo que basta um murro de um aluno num mau dia e o Pedro armado de massa e espátula ao fim da tarde, ao fim da noite, as lâmpadas fundidas no tecto e o escadote às costas, as paredes por pintar, as casas de banho por limpar, o lixo por despejar, o chão para passar a pano.
E não, ainda não mencionei a vigilância dos alunos nos intervalos da manhã e da tarde mais a hora de almoço, dos alunos pois claro, não do Pedro a empurrar uma sandes e um sumo boca abaixo enquanto responde a e-mails, preenche relatórios e atende um colega ao telemóvel.
E sim, eu sei, já não se usa a palavra contínuo, contínuo é politicamente incorrecto e agora somos todos auxiliares de acção educativa. Mas como em Inglaterra esta questão lexical não se aplica, eventualmente o professor contínuo chega ao final da semana.
Desta vez saiu mais cedo, às 7 da tarde, e o Pedro só quer, não é pedir muito, uma cerveja à espera em casa, ou duas ou três, trânsito na estrada e o Pedro na bicicleta mesmo a tempo de um condutor abrir a porta de rompante e Pedro no chão e a bicicleta também.
O Pedro é rijo, saiu incólume. A bicicleta é que não, tem o volante dobrado em dois, as rodas completamente perras e dali por 12 horas pelo menos 600 libras de danos de acordo com o orçamento dado.
E como a bicicleta não cabe num transporte público, o Pedro tem duas horas pela frente a pé de velocípede às costas até chegar a casa.
A culpa, disse o condutor, é do Pedro por ter batido contra a porta do carro. E agora, quem vai pagar o arranjo da porta? A polícia já vem a caminho.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2022/11/o-professor-continuo-joao-andre-costa/

9 comentários

Passar directamente para o formulário dos comentários,

    • Sophie on 21 de Novembro de 2022 at 11:43
    • Responder

    Inglaterra não tem professores, tem de importa’-
    los do estrangeiro e faz deles escravos?
    Esses professores têm de fazer greve…”go on strike!”

    • Luluzinha! on 21 de Novembro de 2022 at 15:08
    • Responder

    Numa palavra: artigo irrelevante; porque tendencialmente pessoal e maçador.

  1. Desculpem, não entendi! Qual a moral da história do artigo publicado? Sou licenciada em Biologia e Geologia, pf. expliquem-me como se fosse uma criança de 13 anos!
    Maria

    • Não há € on 21 de Novembro de 2022 at 17:30
    • Responder

    Não passei do 1.º parágrafo!
    Sem nenhum gosto por historietas do Zézinho/ Joãozinho isto daqui/ aquilo dali…

    • What?! on 21 de Novembro de 2022 at 17:33
    • Responder

    Em Inglaterra os professores ganham e são bem melhor tratados do que cá. Textos que não corresponde à verdade.

    • Roberto Paulo on 22 de Novembro de 2022 at 1:50
    • Responder

    O Ministro Doutor João Bosta vai passar e cair no esquecimento como todos os quadrúpedes xuxas que por lá passam.

    Quanto a ti, chamas ignorante a quem não conheces. Vai-se, porém, ler a caca que escreveste e está prenhe de erros. Saíste-me cá um jumento!

    • João on 23 de Novembro de 2022 at 13:33
    • Responder

    Olha o Prof Karamba não trabalha….se estivesse a trabalhar e a não ser calaceiro não teria tempo de vir aqui comentar. Mas o karamba ainda não percebeu que a escola pública vai descer ainda mais com o facilitismo que é apoiado por estes políticos, em que, a maior parte não passa de corruptos. O karamba até pode ter grandes contas no banco. Mas se ele não levar por tabela com as consequências, certamente terá familiares que apanharão com elas. Só não percebo porque é que o karamba não emigra.

    • RT on 5 de Dezembro de 2022 at 17:17
    • Responder

    Lamento o palavreado de colegas professores aqui neste blog.Dizem que são professores….não sei.Entre os professores a que chamam de velhos, nunca vi nada disto….lamentável tanto ódio e falta de educação nesta classe que se diz “da educação”.

Deixe um comentário

Your email address will not be published.

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Discover more from Blog DeAr Lindo

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading