Chumbar um aluno tem “pouca eficácia” na melhoria dos resultados

A opção de chumbar um aluno para que consiga melhorar os resultados tem “baixa eficácia”, segundo dois estudos nacionais divulgados esta sexta-feira que mostram pouca diferença na recuperação de negativas entre estudantes retidos e os que passam de ano

Chumbar um aluno tem “pouca eficácia” na melhoria dos resultados, revelam estudos


Os estudos realizados pela Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) analisaram os resultados escolares dos alunos dos 2.º e 3.º ciclos, ou seja, do 5.º ao 9.º ano de escolaridade.

Olhando para os alunos que passaram de ano com negativas na pauta, a maioria conseguiu recuperar no ano seguinte e em alguns casos a taxa de sucesso chegou quase aos 90%.

Numa comparação entre o efeito de reter o aluno ou deixar que passe de ano, as diferenças nos resultados também são poucas, segundo os dados dos dois relatórios, que analisam as notas de oito anos letivos (entre 2011/2012 e 2019/2020).

Por exemplo, entre os alunos que no 8.º ano tiveram negativa a Ciências Sociais, mas que passaram de ano, 87% conseguiram ter positiva à disciplina no ano seguinte, em 2019/2020.

Já entre os que chumbaram e por isso voltaram a ter aulas a Ciências Sociais – disciplina a que tinham tido negativa -, a taxa de sucesso foi de 88%, ou seja, apenas mais um ponto percentual em relação aos que passaram com negativa.

A exceção é a disciplina de Matemática nos 6.º, 8.º, e 9.º anos de escolaridade, onde recuperar aprendizagens e ter sucesso parece ser mais difícil.

Por exemplo, entre os alunos do 7.º ano que tiveram negativa a Matemática apenas 31% teve positiva no 8.º ano no ano letivo de 2019/2020.

As vantagens de passar os alunos parecem ser mais notórias no 5º ano, quando não reter os estudantes tem um efeito positivo na recuperação das negativas a todas as disciplinas. Também neste ano, a exceção volta a ser Matemática, disciplina em que, segundo o Ministério, passar ou chumbar tem um “efeito neutro”.

Em comunicado, o Ministério da Educação considera que os resultados dos estudos confirmam “a baixa eficácia da retenção como medida para a melhoria dos resultados, sendo de estimular outras intervenções”.

Nos últimos oito anos, notou-se uma tendência de melhoria das notas e de menos negativas a todas as disciplinas. Para o Ministério da Educação, este fenómeno “mostra uma melhoria progressiva e consistente do sistema educativo português”.

Os estudos destacam ainda as disciplinas de Educação Física e de Educação Musical, por serem aquelas em que os alunos conseguem melhores resultados, com taxas residuais de negativas e cerca de 70% dos alunos com notas entre o 4 e 5 (em que cinco é a nota máxima).

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13 comentários

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    • Lucinda on 21 de Agosto de 2021 at 9:23
    • Responder

    O melhor é passá-los todos sem saberem nada e não fazerem nenhum, claro! Viva a cultura do ” Non fare niente”.
    Vamos para a escola só tomar conta deles…

    • N. Ribeiro. on 21 de Agosto de 2021 at 9:51
    • Responder

    DGEEC?? Mas isso existe??
    Ah.. é para arranjar uns gabinetes para os amigos.

    • Rui Manuel Fernandes Ferreira on 21 de Agosto de 2021 at 10:30
    • Responder

    Ciências Sociais no 8.º ano? Não será Ciências Naturais?
    Ficha técnica com M (mulheres) e H (homens)? Não serão raparigas e rapazes?

    Gosto quando se apresentam números bons resultantes de processos infelizes.

    PROPOSTA:

    Alterar a redação do,
    Artigo 32.º da Portaria n.º 223-A/2018, de 3 de agosto
    9 — No 1.º ano de escolaridade não há lugar a retenção, exceto nos termos do disposto no n.º 4.

    Passando a ler-se,
    9 — Não há lugar a retenção em todo o ensino obrigatório.

      • Zulmiro on 22 de Agosto de 2021 at 0:48
      • Responder

      Rapazes e raparigas, homens e mulheres? Essa lógica binária está ultrapassada, a biologia é coisa do passado, vivemos no paradigma LGBTQPLMNOP.

      • Falcão on 23 de Agosto de 2021 at 0:14
      • Responder

      Não é erro nenhum. Ciências Sociais no 8º ano sim senhor! É simples: bastou juntar as horas de História e Geografia numa só disciplina e está feito. O mesmo aconteceu com a junção da F-Q e CN numa única disciplina. É um filme em cartaz e em exibição em várias salas de cinema (de animação) de várias escolas deste país. Dispenso-me de fazer comentários sobre a eficácia, já nem tenho pachorra. Siga para bingo!

    • Nicómaco on 21 de Agosto de 2021 at 10:46
    • Responder

    Como podemos educar as nossas crianças e os nosso jovens para a vivência em sociedade democrática se não lhes propiciarmos as condições para que, Livremente, possam perceber as consequências de
    -Responsabilidade e integridade;
    – Excelência e exigência;
    – Curiosidade reflexão
    e inovação?

    • Lima on 21 de Agosto de 2021 at 14:02
    • Responder

    Chumbando não se ganha nada e passar sem saber o que se ganha? Que mensagem é que se passa?
    Que exemplo se dá quando o mundo do trabalho for a realidade dessas pessoas que nada fazem e passam igualmente?

    • maria on 21 de Agosto de 2021 at 16:17
    • Responder

    Confrontada com o escandaloso facilitismo , a Joaquina acha que 90% de” sucesso” é pouco :

    “… porra! Eu não percebo nada de gramática, mas com esta balda toda menos de 138% de sucesso é pouco. Mesmo 100% seria uma vergonha, quanto mais 90% ” .

    • Zaratrusta on 21 de Agosto de 2021 at 17:09
    • Responder

    O melhor é alargarem a todo o sistema de ensino o figurino das escolas profissionais, ou seja, para os alunos terem sucesso basta existirem, estarem matriculados e irem à escola uma vez por mês.

    • Zulmiro on 22 de Agosto de 2021 at 0:50
    • Responder

    Foi com base neste tipo de estudos que o José Sócrates chegou a primeiro ministro de Portugal contratou a Marilu para o ME.

    • Falcão on 23 de Agosto de 2021 at 0:22
    • Responder

    Só não percebo é por que motivo não acabam já com todos os exames e legislam de uma vez por todas o fim dos chumbos. Há uns anos, no Carnaval, arranjei um fato completo de palhaço, portanto, já sei o que devo levar vestido para as aulas, é tudo uma questão de adaptação e perspetiva. Além disso, até conto umas anedotas porreiras, tenho a certeza que conseguirei entreter muito bem os alunos, levando-os a um estado de absoluta felicidade, o fim último do atual sistema de ENSINO PÚBLICO!

    • Anselmo Santos on 24 de Agosto de 2021 at 14:29
    • Responder

    A meu ver, para a grande maioria dos alunos retidos, depois de todo o trabalho que fazemos para que transitem de ano, os mesmos não sentem motivação para, por si próprios tomarem a iniciativa, empenho ou esforço.
    Assim no ano seguinte, eles continuam a manter as mesmas atitude que, inevitavelmente, irão conduzi-los aos mesmos resultados.

      • Rui Manuel Fernandes Ferreira on 24 de Agosto de 2021 at 15:21
      • Responder

      Na mouche!
      E para quê ter mais motivação no ano seguinte se passaram de ano sem esforço?

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