Dias Sem Fio (de Prumo)

O meu desabafo pelos dias que vários de nós têm tido, calcorreando o país de mão estendida. Era excelente que um jornalista fizesse o percurso de um contratado percorrendo ofertas de escola. Gostava apenas que quem lesse isto passasse por nós e nos oferecesse um simples sorriso, sinal de apoio e cumplicidade, em vez de fingir que não nos vê.
Aos colegas que prosseguem a demanda, os meus votos de boa sorte.

 

Dias Sem Fio (de Prumo)

 

A primeira coisa que percebo é que a entrada já está cheia. Uns em pé, outros de cócoras, rabiscando, telefonando, picando o teclado de um telemóvel ou de um tablet. Alguns  sussurram a miserabilidade da sua condição a aspirantes de qualquer coisa, outros silenciam bem fundo a sua dor mordiscando os lábios. Em todos eles há o cansaço bem explícito do percurso – uma família que se tenta esquecer, uma outra cidade distante neste país que, para todos nós, está apenas dividido em quadros de zona. São vários os que palmilharam dezenas de quilómetros para, como pedintes, virem desaguar aqui de mão estendida. Sim, nada mais somos que isso mesmo: pedintes. Nos rostos de alguns são visíveis, também, as rugas do tempo – têm mais de catorze ou quinze anos de profissão, mas o sistema troça deles e escarnece, ainda, dos outros, os idiotas dos mais jovens que acharam que tinham um buraquinho de oportunidade para entrar pela porta da frente.

Eis-nos, portanto, todos, aqui.

São vários os que procuram a mesma brecha, revelando que, daí a pouco tempo terão que ser omnipresentes num outro lugar para irem, novamente, estender a mão às migalhinhas que caem no chão. O mais alto do grupo silencia umas jovens que gargalham a tristeza – a loira veio de Viseu, a morena de Beja. Num desabafo incontido, revela o seu asco pelo desprezo de que foi alvo – ao ligar para um outro local de entrevista, pedindo que lhe marcassem nova hora por não a poder cumprir, uma vez que aguardava ainda por uma outra, deram-no por desistente – ” quem não comparece é eliminado”.

O silêncio exala no minguado corredor e, depois, vários evidenciam ter passado pelo mesmo. “Até pelos colegas somos tratados como lixo…” remata alguém.

A campainha estridente toca e passam por nós, em passo acelerado, os miúdos com os seus risos de sineta melódica. Mais atrás, os passos indiferentes dos professores, os verdadeiros, os autênticos que nós aspiramos a ser um dia, desaparecem no suspiro de alguém.

Finalmente, chamam o meu nome. Nada podia ser mais caótico nas nossas vidas, nem a ordem de chegada é respeitada e eu, secretamente, agradeço pela confusão. Subo as escadas e o meu coração palpita de nervosismo – saberei responder a tudo sem enrolar a minha própria língua? Saberei vencer os restantes concorrentes com uma machadada de brilhantismo? Serei eu a candidata perfeita a ocupar um lugar neste concurso feito de ingratidão e miserabilidade?

Os meus interlocutores, júri do meu programa televisivo, estão sentados numa longa mesa, como um observatório em que nada mais sou que uma pequena formiga. Aparentemente fazem parte da direção, mas nenhum se apresenta ou me olha nos olhos. Seguem maquinalmente um questionário requentado e eu esforço-me por sorrir enquanto respondo, apesar de ninguém ver o meu rosto sequer ou aparentar interesse por alguma das minhas respostas.

Não sei quanto tempo passou entretanto, mas ao descer as escadas, lastimo não ter ouvido o público bater-me as palmas euforicamente. Despeço-me desejando boa sorte a quem fica e ainda oiço, ao fundo, alguém contar que a sua filha tem percorrido as mesmas escolas em que a mãe fica colocada, para não se separarem – uma por cada ano da sua vida, que são já dezasseis. Ao sair do portão, vislumbro o olhar enegrecido de uma fumadora que há pouco esperava comigo. Fez agora uma pausa na espera. Tem os olhos humedecidos e desvia de mim o olhar, enquanto soluça discretamente.

Também eu tenho vergonha e tenho nojo de toda esta humilhação e de toda esta indiferença e de toda esta atitude condescendentemente degradante com que somos brindados.

Contudo, no meio de tudo isto, eu até tenho uma tremenda sorte. Já vou na terceira entrevista do dia e consegui chegar com pontualidade. Sigo para a próxima, já depois do almoço que não pude comer para não gastar dinheiro, nem trocar as horas.

Quem sabe, talvez no caminho encontre, por azar ou acidente, o ministro que me diz que nada mais sou que uma candidata a professora, do alto do seu estéril gabinete estanque onde assina leis avulso como pacotes de batata frita sem sal. E, então, talvez mais do que vaiar a sua presença incómoda, mais do que gritar todo o asco que lhe tenho, eu lhe possa escarrar toda a minha dor e a dor de todos os colegas que, de norte a sul deste país, ainda a esta hora, estão agarrados a um computador, a um telefone, ou sentados numa qualquer cadeira sem assento, de mão estendida a pedir, a pedir por favor um lugarzinho, enquanto lá longe, muito longe, toda a família espera por cada um deles.

 

DG

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2013/09/dias-sem-fio-de-prumo/

72 comentários

2 pings

Passar directamente para o formulário dos comentários,

    • aaaa on 24 de Setembro de 2013 at 23:33
    • Responder

    Parabéns, colega! Retratou de forma precisa e excelente o que, realmente, acontece neste processo de contratação de escola. Boa sorte para si

    • maria on 24 de Setembro de 2013 at 23:36
    • Responder

    Uau! Que belo texto! Como estas palavras exalam sentimentos! Arrepiei-me ao ler. Senti que acompanhei o(a) colega neste breve percurso e estive lá, sentada a seu lado, perante os juízes. Revi-me nessa posição e penso que, infelizmente, muitos outros milhares também.

    • JL on 24 de Setembro de 2013 at 23:41
    • Responder

    :((((((

    • santos on 24 de Setembro de 2013 at 23:47
    • Responder

    Alguém me pode ajudar: Tenho alguém do meu grupo de recrutamento que quer permutar comigo, sou QZP com 22 h, sem reduções do 79; o colega é QE, com 20h, 2 h de redução do 79. Será que podemos permutar?

      • José on 24 de Setembro de 2013 at 23:59
      • Responder

      Colega, desculpe, talvez quase colega, peço – lhe um “minuto de silêncio” neste post, entende?

      • zeto on 25 de Setembro de 2013 at 0:57
      • Responder

      Tu nao tens lata… tens um feero velho… opah ganha juizo e liga para quem manda e ganha juizo….

      • Carlos Plágio on 25 de Setembro de 2013 at 9:26
      • Responder

      Tenha vergonha na cara e vá chorar a sua “infelicidade” para outro lado! Caso não tenha percebido, este espaço é de reflexão para contratados, com problemas um bocadinho mais sérios para resolver, não lhe parece? É o descaramento completo, até no mundo virtual os senhores dos quadros acham que podem menosprezar os colegas contratados!

    1. Realmente, colega Santos, tem todo o direito de permutar o que quiser mas devia ter um pouco de sensibilidade e não colocar precisamente neste post a sua dúvida …. ou nem se deu ao trabalho de ler o texto? O mal dos outros está fora da sua vista, não é? Mas nunca se sabe quando nos bate à porta!

    • António on 24 de Setembro de 2013 at 23:51
    • Responder

    Colega, estou solidário convosco.
    Sou Diretor e só faço entrevistas para os técnicos, fazendo questão de os receber todos, alterar horas e dias quando não podem, sentá-los com o júri e conversar.
    Para os grupos de recrutamento, usa-se a avaliação curricular. É mais expedito e protege-se mais quem anda à procura de colocação. Considero este sistema (aqui retratado) inumano, vexatório e desprovido de sentido, pois não é uma entrevista de 15 minutos feita por gente não habilitada que torna a escolha melhor – só mais fácil, por muito subjectiva.
    Um abraço a todos os que andam na senda das entrevistas.

    • José on 24 de Setembro de 2013 at 23:56
    • Responder

    Tristeza, muita. Depois de anos a investir ( materialmente e emocionalmente ) vivo num pais onde sou tratado como…. LIXO, pelos “inimigos”, “amigos” e “indefinidos”. Como se a Constituição tivesse este artigo: “Todo o professor “contratado” tem o direito a ser maltratado, e o dever de agradecer com um enorme sorriso. Já não tenho forças (ainda que o quisesse fazer) de “ofender” ninguém.

    • roma maria on 24 de Setembro de 2013 at 23:59
    • Responder

    A minha solidariedade para com a colega. Arrepiei-me ao ler este texto. Tenho 33 anos de serviço, já andei com a casa às costas, mas nunca passei por estas humilhações.Ou os colegas contratados se revoltam a sério, na rua, nos tribunais, com ou sem sindicatos ou viverão situações cada vez mais humilhantes. Revoltem-se! Saiam à rua!Basta!

    1. Depois de esvaziar a escola pública de contratados – passamos de 30 000 em 2007/2008 para pouco mais de 6 000 no presenta ano letivo – o MEC esvazou o poder reivindicativo deste subconjunto de professores de uma forma muito simples:
      «Contudo, no meio de tudo isto, eu até tenho uma tremenda sorte. Já vou na terceira entrevista do dia e consegui chegar com pontualidade. Sigo para a próxima, já depois do almoço que não pude comer para não gastar dinheiro, nem trocar as horas.«

      Sim, é verdade! Um professor contratado tem sorte se conseguir fazer 3 ou 4 entrevistas no mesmo dia, palmilhando os caminhos de Portugal. Já não se trata de ter “sorte” em ser colocado… basta que consiga encaixar no “horário” 3 ou 4 entrevistas e um dia sem almoço.

      O MEC sabe como entreter os professores contratados: 2 concursos em paralelo e centenas de combinações possíveis para cada professor. E nem a folha de excel serve de muita coisa…

      Depois dos contratados o MEC já está a “tratar” dos QZP’s. Julgo que no final da legislatura estarão “tratados” os “QA/QE” e a Escola Pública estrá em ponto-caramelo para ser concessionada a privados.

      Abraço fraterno de um professor contratado desempregado que se encontra em trânsito por Portugal e que se revê inteiramente nas palavras de DG

        • lourenço on 25 de Setembro de 2013 at 17:55
        • Responder

        Caro colega, admiro a sua capacidade de perspicácia e previsão do futuro. De facto é o que acontecerá: “Escola Pública estrá em ponto-caramelo para ser concessionada a privados”. Não esperem durante muito tempo para que esta medida seja acelerada e posta em prática em bom ritmo.
        De salientar que o PSD (Partido Social Democrata) possui uma série de colégios e empresas privadas que têm como únicos objetivos (i) financiar o partido político e (ii) alojar os jotas em lugares de destaque, com remunerações avultadas.
        O que está a acontecer no continente, em parte aconteceu na ilha da Madeira. Deixem-me explicar: o governo regional da RAM, durante muitos anos, financiou as escolas privadas, através de contratos de associação. As escolas privadas floresceram como cogumelos e viveram dias de franca prosperidade. Há cerca de um ano, deixou de financiar estas escolas privadas, asfixiando-as financeiramente, com contratos simples. Não tiveram outro remédio senão começar a cobrar uma mensalidade aos encarregados de educação.

        • lourenço on 25 de Setembro de 2013 at 17:56
        • Responder

        (Continuação)
        O que passará no continente será idêntico, com a diferença de na Madeira a Escola Pública não ter sido desmantelada, nem reservada para os alunos com NEE, com problemas comportamentais e de aproveitamento.
        O que, na realidade, se pretende, é desmantelar a Escola Pública e o restará dela, terá como finalidade o ensino de alunos que os privados não querem e se recusam a tê-los entre portas, para não “estragar” o bom nível nos ratings de excelência.
        Entretanto, os privados viverão a asfixia financeira, pelo decrescente financiamento do governo da república, o que levará à exigência de imposição de uma mensalidade aos encarregados de educação. Assim, se passará de uma Escola Pública tendencialmente gratuita, para uma escola privada paga – o ensino básico e obrigatório gratuito tem o seus dias contados.
        Não se iludam, a Educação, em Portugal é um grande mal para o PSD, PS e CDS. Analisem e sintam o rumo que a Educação está a tomar em Portugal.

      • GPL on 25 de Setembro de 2013 at 3:28
      • Responder

      Concordo com a colega roma maria. O texto é bom, sem dúvida, mas quando fazemos alguma coisa?!
      Compactuamos silenciosamente com todo este processo! Basta! Não é em casa que conseguimos seja o que for; cada vez nos silenciam mais, cada vez mais, há os que tentam um lugarzinho, quiçá, uma renovação e depois?

    • MGF on 25 de Setembro de 2013 at 0:32
    • Responder

    E ,há quem já não consiga subir” o palco da vergonha”, porque ,já se cansou de tantas representações,tantas vénias…,desiste, fica-se pelo caminho morto de cansaço.

    • jorge leal on 25 de Setembro de 2013 at 0:38
    • Responder

    Parabéns pelo seu texto

    • Pestanaaberta on 25 de Setembro de 2013 at 0:47
    • Responder

    Não consegui parar de chorar enquanto lia o texto e depois ao ler os comentários dos colegas…e não preciso dizer mais nada…nem consigo!!!

    • Gina on 25 de Setembro de 2013 at 0:49
    • Responder

    Parabéns pelo seu texto, pois retrata de forma fidedigna tudo aquilo que os professores contratados passam com as ofertas de escola.

    Boa sorte para todos nós!

    • Alex on 25 de Setembro de 2013 at 0:53
    • Responder

    DG:
    Fizeste-me chorar…que brava mulher junta-te ao clã e uiva a tua dor!

    • Rui on 25 de Setembro de 2013 at 1:06
    • Responder

    Tal e qual… Optem por avaliação curricular!!!!

    Mas quem é que no seu perfeito juízo vai percorrer mais de 400km, 600km ou até 1000km (ida e volta), gastando gasolina, portagens, desgaste e tempo para depois não ficar colocado? É assim que se gere o subsidio de desemprego? Isto a mim parece-me uma brincadeira de crianças obrigarem os contratados andarem a fazer um esforço financeiro e pessoal incomportável para os dias de hoje. Se quiserem fazer entrevista podem fazer por telefone, caso contrário enviando por email o CV, também conseguem fazer a análise curricular. Se assim não for, o “jogo da cunha” vai sair caro a muita gente que tem família para sustentar.

    • Democrato on 25 de Setembro de 2013 at 2:36
    • Responder

    Belo texto que retrata muito bem o que se passa com mais esta burrice inventada por este grande filho da puta e incompetente de ministro da cratinice. Se for mais de 50 km já não vou a entrevistas para passar por estas humilhações… ou é curricular ou nada! Quem perde não sou eu é a escola, não gasto nem mais um centavo com estes filhos da puta, entenda-se todos os que de uma forma ou de outra participam e são coniventes na organização destes eventos. Força colegas, havemos de limpar a escola destes filhos da puta!

    • Carlos on 25 de Setembro de 2013 at 2:48
    • Responder

    Melhor não podia ser escrito e relatado a verdadeira dor sofrida de todos quantos estão a passar por esta humilhação ( não me refiro em responder a uma necessidade que uma escola tem por um professor) mas ao ponto que uma classe profissional chegou (não somos diferentes dos outros desempregados porque todos procuram o mesmo “sobreviver”) mas ao desrespeito e indiferença como somos tratados na maioria dos casos por colegas da mesma classe . Um dia será feita justiça.

    • Ana on 25 de Setembro de 2013 at 7:37
    • Responder

    A estupidez das ofertas de escola é só para “meter” alguns que pelas listas nunca entrariam. Tem de se acabar com isto. Entrava tudo pela lista, sem prioridades desde o início, e ponto final. Simples e justo.

  1. A vivência nua e crua de quem ainda sente apesar de todas as dificuldades, de todos os embustes que esta profissão nos vai proporcionando ao longo da vida. A solução seria tão simples! Voltemos às listas de graduação e às colocações pelo Ministério e não à contratação pelas escolas. Todo este sistema humilhante seria evitado e tudo bem mais justo. Evitavam-se as filas de espera, o dinheiro que não se tem gasto nas deslocações longe de casa, muitas vezes do outro lado do país.

    • contratada on 25 de Setembro de 2013 at 8:36
    • Responder

    Este ano, por estar mesmo perto de entrar em licença de maternidade, não concorro a ofertas de escola. Por um lado, perco a oportunidade de poder concorrer a uma série de horários, por outro, como agradeço o facto de não ter de passar por estas humilhações. À autora do texto, em particular, que tão bem descreve o nosso sentimento, a nossa realidade, um abraço de gratidão por ter sido (de forma brilhante) a nossa voz. Aos contratados que se encontram a palmilhar o país à procura de emprego, um abraço de solidariedade e votos, para que o sacrifício e as humilhações, lhes tragam algo de mais positivo (algo difícil de conseguir, depois de tudo o que nos fazem passar). Como muitos comentadores já o disseram, era tão simples resolver isto… bastava que estas ofertas de escola fossem incluídas nas colocações pelo Ministério. É desumano o que nos fazem passar.

    • Carlos Plágio on 25 de Setembro de 2013 at 9:40
    • Responder

    “Também eu tenho vergonha e tenho nojo de toda esta humilhação e de toda esta indiferença e de toda esta atitude condescendentemente degradante com que somos brindados.”
    Não poderia dizer melhor e espero sinceramente que este texto chegue mais longe, ao tal “céu” do provérbio, a que não estamos habituados que as nossas “vozes de burro” cheguem…

    Fala-se por aqui em tomar uma atitude, mas quantos violariam no último momento uma ação concertada? Podemos decidir que os professores contratados não votam ou votam em branco – ou nulo, com uma frase combinada – já no próximo domingo, mas quem assume esse compromisso? Muitos certamente adeririam a várias iniciativas, como estar presente na dita futura prova e simplesmente não a resolver, mas tantos outros, procurando ganhar terreno com a frente de batalha dos colegas, assumiriam que participariam na estratégia “irrevogavelmente”, e já sabemos o que isso quer dizer. Somos maus uns para os outros, não estamos suficientemente unidos para marcarmos uma posição firme, pois sempre existirão os oportunistas (Lembram-se da avaliação? Quando uns tentavam inverter a situação, outros espertos foram em busca dos asteriscos!). Mas desejo firme e ansiosamente que alguém lance uma iniciativa exequível, pelo menos pelos que são moralmente bem formados. E não vale a pena contar com a comunicação social, chega a meter nojo o tratamento condescendente e miserabilista que dedicam aos assuntos da classe docente; é ela, em grande parte, a responsável pela péssima impressão que a opinião pública tem dos professores.
    Como é, o que escrevemos no boletim de voto no domingo??

    • Sónia Veríssimo on 25 de Setembro de 2013 at 9:56
    • Responder

    Que triste… só consigo chorar com isto tudo!

    • Maria P on 25 de Setembro de 2013 at 10:33
    • Responder

    Parabéns colega! Retratou muito bem o estado físico e psicológico dos professores contratados! Bem haja!

  2. Texto dolorosamente realista. Parabéns pela escrita e boa sorte.

  3. infelizmente, todo o texto retrata o estado físico e psicológico dos professores contratados. infelizmente, também, ninguém se lembra de fazer uma greve (haverá causa mais válida do que o combate a esta degradação dos professores?), nenhum diretor ou associação de diretores tomam uma posição sobre isto. entretanto, os professores contatados não colocados estão sujeitos a um doloroso esquecimento. a campainha toca e é hora de saída.

    • maria on 25 de Setembro de 2013 at 11:17
    • Responder

    Pois é assim mesmo, choram os pais e choram os filhos. Casa às costas filhos arrastados a meio do ano para uma nova escola, desemprego desassossego. Eu pergunto-me quando é que nos juntamos todos e lhes damos uma bela lição. PORQUE JÁ CHEGA.

    • Caos on 25 de Setembro de 2013 at 11:20
    • Responder

    O teu texto mostra uma coisa que falta a este governo, a este ministério e particularmente a este incompetente gelatinoso do ministro da educação: DIGNIDADE.

    • LP on 25 de Setembro de 2013 at 11:42
    • Responder

    É acabar já com esta treta das contratações de escola, é indecente! Dia 29 lá vou mostrar o cartão amarelo a este governo…

    • Maria on 25 de Setembro de 2013 at 11:49
    • Responder

    Que texto, meu deus! Estou consigo, em cada passo, em cada espera, em cada pensamento e em cada dor de me ver assim e de deixar os meus “lá longe”.
    Que texto!

    • Ana Salgado on 25 de Setembro de 2013 at 11:52
    • Responder

    Um bem haja a quem escreve assim e luta assim…

    • soraia on 25 de Setembro de 2013 at 12:11
    • Responder

    Pelo que li, estamos todos de acordo com o texto e todos com o mesmo sentimento de revolta e mágoa! Está na hora de tomarmos uma posição e de sermos ouvidos…
    Aparecem nas ofertas, colegas que nem se deram ao trabalho de concorrer ao concurso nacional ( a 2 qzps no mínimo) e agora ficam com os lugares á porta de casa. Outros de 2ª prioridade que saltam para o topo! Uma vergonha!
    Parabéns colega, pelo texto!
    E nós, para quando uma luta? Estamos à espera de quê? Estamos a ser humilhados por colegas nossos de quadro….E por todo o sistema…

    • Costa on 25 de Setembro de 2013 at 12:15
    • Responder

    A minha solidariedade para com a colega. Arrepiei-me ao ler este texto. Os olhos ficaram húmidos,apetece-me chorar.

    • José Carlos Gil on 25 de Setembro de 2013 at 12:33
    • Responder

    Sou QZP (longe de casa mas que se sacrifica para diariamente ver a família), fui contratado, mas nada disso interessa porque sou professor e é como professores que vejo e vi sempre os meus colegas contratados, alguns deles dos melhores profissionais com quem trabalhei. O texto é de tal forma pungente que quase não consegui escrever nada agora, mas senti que tinha de o fazer. O que mais me choca é a indiferença dos colegas, do quadro ou não, que por estarem colocados fingem não ver o que se passa, por pura indiferença ou cobardia. Quanto àqueles (colegas, directores ou não) que maltratam…bem para esses não encontro sequer um nome…
    Quero crer que um dia a justiça haverá de ser feita.
    Aceite a minha solidariedade e contem comigo para a luta (como já o fiz). Acredito que muitos mais estarão do nosso lado.
    Nos tempos mais negros, esqueça os que o/a agridem e refugie-se na família e amigos. São quem verdadeiramente interessa.

    • ana on 25 de Setembro de 2013 at 12:48
    • Responder

    A falta de dignidade com que somos tratados é total!
    Espero que este texto chegue longe porque tal como está escrito, imagino que ninguém ficará indiferente. Nem mesmo aqueles que nem se dignam a levantar a cara para olhar nos olhos de quem entrevistam.
    É revoltante e muito humilhante o que fazem a COLEGAS! Chega a ser pior que algumas questões raciais.
    Na minha opinião, não vale a pena fazer muitos km para entrevistas, principalmente se não formos os primeiros da lista. Estas entrevistas são um tapa olhos porque os candidatos já estão escolhidos.Dou os parabéns ao diretor que escreveu em cima e a muitos outros que procedem do mesmo modo. Quem age doutro modo é porque está a jogar… para escolher a pessoa que “já estava escolhida”. No meu entender, não nos deveríamos deslocar para este tipo de entrevistas. Além de nos prejudicarem monetariamente e em termos familiares, fazem-nos muito mal psicologicamente.
    Boa sorte para todos e desejo-vos que sejam tratados com dignidade e respeito.

    • Prof azeda on 25 de Setembro de 2013 at 12:52
    • Responder

    Parabéns colega, descreveu literalmente o que se passa connosco. Este texto deveria ser publicado noutros meios pois está muito bem escrito, conseguindo passar emoções e sentimentos.
    Devo dizer que muitos se esquecem que nós estamos a “pagar” agora mas estas gerações de crianças e adolescentes vão pagar bem caro a (des)educação que estão e irão ter. E, por conseguinte, o nosso país, no futuro. Enfim… Estamos entregues à mafia.
    Boa sorte para a colega. Eu também estou no barco.

    • EVT 0 on 25 de Setembro de 2013 at 13:50
    • Responder

    Não percebo, como é que o sistema permite este tipo de contrato de escola. É revoltante e muito humilhante o que fazem a COLEGAS! Também fui contratada durante 10 anos , mas nunca passei por essa situação . Mas no momento com 21 anos de serviço , estou em horário zero , e sou também tratada por aqueles que julgam ser os donos das escolas com desprezo, e até já me disseram que devia era aceitar a indeminização e sair do ensino.
    Boa sorte para todos. Coragem e positivismo.

  4. É desumano.

    • maria on 25 de Setembro de 2013 at 13:59
    • Responder

    É uma verdadeira vergonha e o unico culpado é o MEC.
    colega não tenho palavras,pois vivo esse sofrimento,enquanto conseguir ter força.
    eles fazem o que querem e solidariedade já não existe.
    vamos morrendo aos poucos…

    • Maria on 25 de Setembro de 2013 at 14:06
    • Responder

    Embora seja QA (agora e ainda também entre escolas), não posso deixar de lhe apresentar a minha solidariedade e admiração por este magnífico texto e por ter aberto a alma para todos nós. É frequente cruzar-me com colegas que aguardam no átrio, digo-lhes “Bom dia” com um sorriso, acho que é o mínimo que posso fazer para lhes aliviar o semblante carregado que enconde, muitas vezes, histórias inenarráveis. Sinto que às vezes não me veem, cansados que estão desta rotina.

    Não se sintam transparentes, nós vemo-vos e revemo-nos em vós. Todos temos amigos ou familiares que percorrem os vossos caminhos e desabafam connosco. Coragem!

    • Silvia 110 on 25 de Setembro de 2013 at 14:25
    • Responder

    Excelente texto revejo-me em tudo o que foi escrito, sinto-me humilhada, envergonhada, triste, abandonada, saio à rua e só me perguntam “então já estás colocada?????” que inferno. Tenho vergonha das apresentações quinzenais, enfim penso que não vale a pena tanto sacrifício que fiz sinto-me mal, muito mal
    Mudar de vida , é o que os meus familiares próximos dizem, mas fazer o quê? à minha volta só vejo desempregados , pessoas que até fazem tudo……ai Meu Deus que será de mim, que vou eu fazer depois de 11 anos nisto, só me apetece chorar………….

    • Patrícia Nobre on 25 de Setembro de 2013 at 14:39
    • Responder

    Ao ler este texto também me revi. ERA professora contratada, mas deixei de o ser!!!Como à dois anos que não ficava colocada, resolvi tentar outras áreas,pois infelizmente não vivemos sem dinheiro. Atualmente estou bem e gosto do que faço, mas continuo a partilhar da dor dos milhares de colegas que buscam um horário, por poucas horas que tenha.
    Boa sorte a todos!!!

    • CHACRAS on 25 de Setembro de 2013 at 15:36
    • Responder

    não tenho palavras….fiquei com lágrimas nos olhos…

  5. Pois é. Sempre traçei metas para a minha vida: Estudar para ser alguém, tirar uma licenciatura, casar, ter filhos, comprar uma casa… e os meus sonhos acabaram aqui. Gostava de concretizar os outros, mas também já desisti. Não eram assim tantos. Só queria que ao fim de 17anos de dedicação ao meu patrão este tivesse um pingo de decência e algum humanismo para comigo e para com centenas igual a mim.Não pedimos muito, só queremos que nos deixe continuar a fazer aquilo que fizemos durante a vida,não queremos grande dinheiro, o suficiente para por pão na mesa aos filhos, porque os nossos são filhos de professores logo não têm direito aos beneficios que por exemplo têm os do meu vizinho. Coitado era empreiteiro, faliu,mas continua a viver à grande e à francesa, não entendo…
    Uma coisa é certa: temo pelos meus atos, é que já me passou tanta coisa pela cabeça. Sinto-me tão inutil, por momentos tenho a mesma postura daquelas pessoas que já chegaram à reforma, a minha meta chegou ao fim…
    Só espero que a justiça divina não falhe e ver um dia estes sacanas a arder no meio dos infernos…

      • ana on 25 de Setembro de 2013 at 15:41
      • Responder

      Coragem, colegas.
      Temos que ter forças para aguentar e esperar por melhores dias. Tenho esperança que esses cheguem.
      Aguentem-se firmes!!! Somos muitos no mesmo barco. Não se sintam sós.

      • roma maria on 25 de Setembro de 2013 at 18:33
      • Responder

      Força, colegas! Isto vai ter que mudar! Por favor colegas, desprezem quem vos trata mal, não se deixem abater por gente que não merece as vossas lágrimas. Não podemos deixar que os sacanas dos políticos incompetentes e mentirosos destruam a nossa vida e a dos nossos filhos.
      Na minha escola, nunca, mas mesmo nunca, um contratado foi tratado como prof. de 2ª. Foram sempre tratados com respeito e deixavam saudades quando partiam.
      VAMOS LUTAR CONTRA OS SACANAS JÁ NO PRÓXIMO DOMINGO!

    • Fernandovsky on 25 de Setembro de 2013 at 16:08
    • Responder

    UM e apenas UM concurso nacional para todas as escolas sem autonomia, TEIP ou não TEIP.
    Seria mais justo e evitava o factor C bem como esta humilhação.
    Só nos resta lutar contra os que querem que esta prática continue.
    I hear you DG!

    • Cristina on 25 de Setembro de 2013 at 16:22
    • Responder

    Parabéns pelo texto!

    • Vasconce on 25 de Setembro de 2013 at 17:39
    • Responder

    Os mini concursos eram maus, mas isto parece-me bem pior. Sou professor do quadro e parece-me que nós temos que nos preocupar com estes colegas. Aqui está uma boa razão para fazer greves.

    • Zinda on 25 de Setembro de 2013 at 18:36
    • Responder

    Sou professora do QA, mas sinto a dor de alma dos colegas contrarados que viajam pelo país, como pedintes e são recebidos por”SRs DIRETORES”, que parecem que não são gente. Às vezes comentava com os colegas que só uma greve de 30 dias teria impacto, mas muitos diziam que precisavam do dinheiro. A verdade é que nos tiraram muito mais que um ordenado e ninguém deixou de comer. Só unidos e em luta é que a situação atual mudará.

    • Maria Ana on 25 de Setembro de 2013 at 18:39
    • Responder

    O meu abraço solidário a todos os colegas contratados que tanto de si têm dado à Escola Pública e que têm sido, por ela, tão maltratados.
    Aquilo que o MEC merecia era que nenhum contratado aceitasse qualquer horário. Queria ver quem brincava depois!…
    Mas como a faca e o queijo estão do lado do deles, e é preciso pôr pão na nossa mesa, lá vem a sujeição a este abuso e a esta falta de respeito contínuos e imparáveis.
    A todos, a melhor sorte.

    • Maria Ana on 25 de Setembro de 2013 at 18:41
    • Responder

    A única coisa que se está a pedir é TRABALHO, não é férias nas Caraíbas. Será pedir muito?

    • Carlos M on 25 de Setembro de 2013 at 19:04
    • Responder

    Mandem afixar em todas as escolas deste país… e já agora no gabinete do ministro da educação e do primeiro ministro.

      • soraia on 25 de Setembro de 2013 at 19:08
      • Responder

      BOA IDEIA CARLOS! Este texto tem de ser publicado em jornais, escolas e até em meios de comunicação… JÁ!

      • soraia on 25 de Setembro de 2013 at 19:12
      • Responder

      E uma jornalista acompanhar o dia-a-dia um professor contratado nestas entrevistas com camara oculta?!

    • Ana on 25 de Setembro de 2013 at 19:15
    • Responder

    Tal e qual… muito bem retratado! A par desta “pedinchice” temos as apresentações quinzenais… humilhante 🙁

    • filotnip on 25 de Setembro de 2013 at 19:37
    • Responder

    Estou solidária consigo !realmente este sistema envergonha a classe inteira! Esperemos que alguém mais iluminado perceba que para chegar onde está foi preciso um professor…
    Força!

  6. Os professores do 1º ciclo têm sido muito mal tratados quer pela tutela quer pelas direções de alguns agrupamento onde lhes arranjaram horários do pior!
    Os contratados são os estão mesmo mal e merecem solidariedade.

  7. É preciso não compactuar com esta ALARVIDADE!!!Precisamos continuar a lutar, não baixar os braços. Eu continuo cá para a luta…QZP, com horário zero, enojada com tudo isto e solidária com todos os que estão a passar por esta siuação… 🙁

    • Arreliada on 25 de Setembro de 2013 at 21:29
    • Responder

    Eu não sou propriamente professora mas sim Assistente Social.Concorro, no entanto às ofertas de escola para Técnicos Especializados de Serviço Social…passo pelo mesmo…horas a fio, km percorridos, projectos TEIP devidamente lidos e estudados, projectos imaginados para poder algum dia desenvolver em contexto educacional…e eis que, após cada entrevista, observada por 3 pares de olhos (em algumas apenas por um par – nem a constituição do Júri respeitam) saio com os ombros descaídos, as perspectivas e expectativas desfeitas, com falta de capacidade de gerir emoções …afinal o lugar “já está preenchido”…(é para a Técnica que lá estava o ano passado…mas ainda é segredo)…

    • rainha on 25 de Setembro de 2013 at 21:35
    • Responder

    Apoio a proposta da colega Soraia com a reportagem televisiva para denunciar estes abusos desumanos e inqualificáveis!!!!!!! Agora “votem” PSD nas autárquicas para os termos ainda mais ditadores não se esquçam…………………………

    • maria on 25 de Setembro de 2013 at 22:20
    • Responder

    nunca pensei ver assim o meu País;isto envergonha todos aqueles que são justos.
    lamentável.

    • Guadalupe on 25 de Setembro de 2013 at 23:42
    • Responder

    Parabéns DG, não diria melhor!

    • croc on 27 de Setembro de 2013 at 2:03
    • Responder

    Eu proponho que façamos uma ação conjunta, em tribunal, para entrarmos nos quadros. Já somos 4, mas poderemos ser mais. No Porto, estou, com mais 3 colegas, no advogado Carlos Batalhão, com esse objetivo, fazer justiça contra estes políticos sem alma, sem escrúpulos e sem gratidão. É lógico que isto tem os seus gastos e quantos mais formos, mais barato fica.
    Abraço e boa sorte a todos, contratados e quadros!

  8. “Também eu tenho vergonha e tenho nojo de toda esta humilhação e de toda esta indiferença e de toda esta atitude condescendentemente degradante com que somos brindados”.

    • Lucy22 on 28 de Setembro de 2013 at 16:59
    • Responder

    É uma verdade vergonhosa. E quase sempre a regra neste corre-corre dos professores candidatos às ofertas de escola.
    Pela primeira vez, depois de 19 anos de serviço e 16 ininterruptos em horários completos e anuais (os últimos seis no mesmo agrupamento) e sempre em concurso nacional, não fui colocada na contratação inicial. Assim, segui o caminho dos milhares de colegas que de há alguns anos a esta parte concorrem às ofertas de escola.
    Felizmente nas duas entrevistas a que fui recebi um tratamento impecável por parte das direcções, primando pela honestidade e seguindo a ordem da classificação profissional. Infelizmente, estas foram excepções que confirmam a regra.
    Para todos os colegas que continuam no afã incerto de uma colocação boa sorte!

    • Silvia Reis on 28 de Setembro de 2013 at 18:30
    • Responder

    Parabéns, pelo texto e pela oportunidade de ir a entrevistas. Infelizmente eu ainda não consegui ir a uma única que seja; leciono há 16 anos… Fui sempre contratada; este ano já perdi a esperança… Parabéns pelo retrato destas CE; nunca deveriam ter existido; se há uma lista de graduação e se cada um indicou as suas preferências, as contratações deveriam ser feitas centralmente; 48h bastavam para se apresentar o candidato na escola… Perde-se demasiado tempo com candidaturas e entrevistas… Venha a graduação… Boa sorte

  1. […] Dias Sem Fio (de Prumo) […]

Deixe um comentário

Your email address will not be published.

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Discover more from Blog DeAr Lindo

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading