O grande combate ideológico pela Educação
O anúncio pelo Governo de algo parecido com a generalização do cheque-ensino na Educação marca uma fase nova num processo em que, ainda deixando muitas pontas por apurar, se abre de forma mais evidente a porta para o financiamento do ensino privado e não, como se afirma de forma mistificadora, os alunos que pretendam escolher a escola da sua preferência.
Vou sintetizar a base ideológica de quem defende a existência da mercantilização da Educação ao abrigo de um aparente princípio filosófico da “liberdade de escolha”.
• O valor da liberdade é superior a qualquer outro.
• A concorrência num mercado alargado da Educação leva naturalmente à selecção dos melhores e à eliminação dos piores desempenho.
• As famílias têm o direito a escolher as escolas para os seus filhos, devendo o Estado subsidiar directamente essas escolhas em vez de as condicionar com a existência de um serviço universal de escolas públicas.
• A gestão privada é financeiramente mais eficaz do que a pública, pelo que o Estado poupará com essa opção.
O que oculta, de forma selectiva, esta posição: • Que a liberdade no campo social e económico, ao não ser regulada, traduz-se na lei do mais forte e no esmagamento dos mais fracos. Na Natureza, a liberdade sem entraves é o campo ideal dos predadores.
• Que a concorrência não impede que, naturalmente, num qualquer conjunto (de escolas, por exemplo), exista sempre um topo e uma base, piores e melhores. E que há uma opção de fundo a fazer quanto a escolhermos se queremos que todo o conjunto melhore de desempenho ou se não nos incomoda que a desigualdade aumente, desde que o topo avance ainda mais.
• Que o apoio às famílias deve ser feito de forma diferenciada, numa perspectiva de discriminação positiva dos mais desfavorecidos no acesso às ofertas educativas mais adequadas, tendo sido essa a tendência dominante na introdução e desenvolvimento da liberdade de escolha nos EUA, por exemplo.
• Que a gestão privada é tanto mais eficaz quanto esmaga os direitos laborais da maioria do pessoal docente e não docente, através da sua precarização e proletarização salarial.
Mas há mais do que isto, pois a investigação tem sido vasta nesta matéria e existem muitos dados disponíveis, mas nem sempre devidamente divulgados, que apontam na sua globalidade para o seguinte:
• A introdução da liberdade de escolha não melhora globalmente os resultados dos alunos, apenas se verificando uma distribuição mais diferenciada dos resultados, com o aumento da desigualdade dos desempenhos, contrariando a teoria de que as escolas piores desaparecem e são substituídas por outras melhores. O que acontece é um reforço da distribuição piramidal dos resultados.
• A introdução de cheques-ensino de tipo universal está associada a um aumento da guetização socio-educativa, com o reforço do carácter exclusivista das comunidades educativas, pois as famílias optam mais por escolas com um perfil homogéneo de frequentadores do que por ofertas de maior diversidade pedagógica. Em alguns países essa introdução está associada a quebras nos resultados globais dos alunos (a Suécia é o exemplo mais evidente).
• Os cheques-ensino são muito mais eficazes quando direccionados para minorias étnicas ou culturais em risco de insucesso escolar ou com problemas de inserção nas comunidades envolventes ou para grupos economicamente mais desfavorecidos do que quando são concedidos de forma indiferenciada e transversal.
• Em muitos países, a gestão privada das escolas financiadas pelo Estado não pode levar à acumulação ou distribuição de lucros pelos stakeholders, sendo os gestores remunerados pela sua função e não recompensados enquanto proprietários. É o caso, por exemplo, da Holanda. Este princípio visa a diminuição do risco de gestões economicistas viradas para o mínimo custo possível em detrimento da qualidade pedagógica e dos recursos humanos.
É muito importante deixar claro que, na situação actual, a liberdade de escolha não está sequer assegurada entre as escolas públicas, pois a autorização para abertura de turmas foi controlada ao pormenor, empobrecendo a oferta e levando ao afastamento de professores para situações de mobilidade. Igualmente importante é afirmar sem pruridos que a rede pública de ensino poderia receber mais alunos sem aumento dos custos para o Estado, sendo que a actual opção do Governo/MEC é, paradoxalmente, propícia ao aumento dos encargos públicos.
Em suma: o que está em causa é um combate ideológico, com reflexos económicos, em defesa da mercantilização da Educação e de uma concorrência que leva ao aumento dos fenómenos de desigualdade, em que se reforçam os mecanismos de diferenciação dos melhores em detrimento dos mais fracos. Do outro lado, sem se ficar anquilosada numa fórmula arcaica de Escola Pública, está quem considera que a Educação pode incluir mecanismos de concorrência regulada que vise uma melhoria global do desempenho, apoiando os mais carenciados no sentido da ultrapassagem das suas dificuldades.
É um combate Direita/Esquerda se o entendermos como uma oposição clássica entre os interesses particulares (privados) e a cooperação (pública) para a melhoria de todos. Só de forma acessória se trata de uma discussão em torno do papel do Estado, que acaba por pagar sempre o cheque. É um combate que tem traços muito específicos do nosso tempo, mas também uma indesmentível dimensão ética que está para além das disputas transitórias pelos milhões do orçamento do MEC.
Paulo Guinote, Jornal Público, 6 de Setembro 2013
Ainda o cheque-ensino
O presidente do “Fórum para a Liberdade de Educação”, Fernando Adão da Fonseca, interpelou os leitores do artigo que escreveu neste jornal, no passado dia 25, sob a epígrafe “A liberdade de educação e os inimigos da liberdade”. Antes, referindo-se à proposta de revisão do Estatuto do Ensino Particular e Cooperativo, classificou os comentários que se têm produzido sobre o tema em dois exclusivos grupos: os que visam “simplesmente confundir o esclarecimento do que está em causa” e os que demonstram “uma oposição reacionária a qualquer mudança”. Porque sou um dos interpelados (li o artigo) e porque sou um dos visados (ousei comentar o tema), importa dizer algo. Comecemos pelas interpelações. Pergunta Adão da Fonseca se o reconhecimento de pertencer aos pais a tutela primeira sobre a educação dos filhos traduz valores de “esquerda” ou de “direita”. A resposta é óbvia e é o articulista que a dá, quando nos recorda que o conceito está contido na Declaração Universal dos Direitos do Homem. Insiste Adão da Fonseca e volta a perguntar se o direito dos pais orientarem a educação dos filhos de acordo com as suas convicções religiosas, filosóficas e pedagógicas é coisa da “esquerda” ou da “direita”. E volta ele próprio a dar, liminarmente, a resposta ao que pergunta, com manifesta redundância, quando cita que tal direito está contido na Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia. Finalmente, reincide Adão da Fonseca, perguntando se é apanágio da “esquerda” ou prerrogativa da “direita” a liberdade de aprender e ensinar, que a Constituição da República Portuguesa consigna. As questões que Adão da Fonseca escolheu para interpelar os leitores não são propriedade da “esquerda” nem reduto privado da “direita”. São questões de direitos básicos, humanistas, que a todos incumbe proteger. Adão da Fonseca sabe-o e o que escreveu demonstra-o. Por que fez, então, tais perguntas? Porque quando estendeu o indicador acusando os autores dos comentários desfavoráveis à generalização do cheque-ensino se esqueceu do polegar espetado, que o aponta como querendo, ele sim, “confundir o esclarecimento do que está em causa”. E o que está em causa é saber se deve o Estado financiar o ensino privado e se podemos falar de Educação, como faz Adão da Fonseca, como “mercado da educação”.
Retomo o que já escrevi para relembrar que a Constituição da República fixa ao Estado (Artigo 75º) a obrigação de criar “uma rede de estabelecimentos públicos de ensino que cubra as necessidades de toda a população”. O DL 108/88 mandou que a referida rede se fosse desenvolvendo (Artigo 3º), começando por construir escolas em locais onde não existissem escolas privadas. Assim, o legislador protegeu, e bem, as escolas privadas já instaladas, numa lógica de economia de meios. Através de “contratos de associação”, o Estado tem vindo a pagar integralmente o custo do ensino que as escolas privadas ministram a alunos que habitam em zonas não cobertas pela rede pública. E continua a pagar, desta vez mal, em zonas onde a rede pública é suficiente, delapidando recursos públicos para proteger interesses privados. É aquilo e não mais que aquilo que o Estado deve financiar. O sistema de ensino português tem dois subsistemas: um público, outro privado (cerca de 20% da rede é privada). Querer tornar os dois indiferenciáveis, por via da falsa questão da liberdade de escolha, é uma subtileza para fazer implodir o princípio da responsabilidade pública no que toca ao ensino. Os cidadãos pagam impostos para custear funções do Estado. Uma dessas funções, acolhida constitucionalmente, é garantir ensino a todos. Quando pago impostos não estou só a pagar o ensino dos meus filhos. Estou a pagar o ensino de todos. Se escolho depois uma escola privada, sou naturalmente responsável por essa escolha. A diversidade também se cumpre permitindo que as escolas públicas se diferenciem umas das outras, por via autonómica efectiva.
Adão da Fonseca invoca diversos estudos que a associação que dirige tem divulgado, para sustentar a tese que defende. Mas acrescente-se que por cada estudo pró, podemos encontrar outro contra. Basta seguir as fontes de financiamento e conhecer a ideologia das instituições que os promovem. Se pendermos para as mais independentes, a bondade redentora do cheque-ensino estatela-se. Cite-se, por todos, o caso da Suécia, ainda que as condições económicas e sociais do país (detentor de um dos melhores, senão o melhor quociente GINI do mundo) torne sem sentido qualquer transferência de políticas para a nossa situação: os resultados dos alunos suecos caíram em sede de PISA, logo que o sistema se adoptou. E esta é, talvez, uma questão crucial a debater: podem os factos sociais surgir da importação/imposição de políticas alheias ou, outrossim, devem ser construídos socialmente, respeitando a realidade local, por maior que seja o novelo de dúvidas que a caracterize?
Santana Castilho, Jornal Público, 28 de Agosto de 2013




48 comentários
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Sou a favor do cheque-ensino. Tenho dois filhos a frequentar um colégio privado de matriz católica e devo acrescentar que recomendo. Sabem quantas faltas os professores deram às aulas nos últimos 3 anos? Nenhuma. Quando um professor não pode ir às aulas, estas são repostas posteriormente ou são permutadas. Na escola pública onde leccionei matemática nos últimos quatro anos nem consigo contar o número de substituições que fiz. Depois admiram-se que os resultados das escolas públicas são piores que os das privadas, e que o tipo de alunos é que justifica tudo.
Espero que fique sem emprego para que os seus filhos tenham de voltar à escola pública ou então vá leccionar para a escola privada que os mesmos frequentam. PARASITA!
Como pode falar em faltas dos colegas, levante as mãos para o céu e agradeça não ter motivos para faltar . Olhe que a vida dá uma volta em segundos.
Vozes de burro não chegam ao céu. O que desejares para mim desejo a dobrar para ti. Vai-te tratar.
Se é tão inteligente com pensa consegue verificar que não lhe desejo nada de mal, apenas a vida de tantos outros milhares de portugueses. Ninguém normal a não precisar de tratamento se lamenta por ter quatro anos de salário a leccionar no ensino público e os filhos a frequentar o ensino privado!
Minha cara tudo de bom lhe desejo ou ainda melhor do que teve até agora. Também tenho filhos mas não quero sustentar os vícios dos filhos dos outros, pois dos meus sou eu que o faço.
Sou totalmente contra o cheque-ensino, poupe que é o que eu faço, o nosso ordenado permite-nos pagar as escolinhas dos nossos filhos e seja competente para ajudar os filhos daqueles que não tem a mesma oportunidade.
Não é necessário ser mal-educada(o). A “Profa farta de medíocres” tem razão. Quantos professores do particular estão de baixa médica só quando há aulas (apresentam-se nas “férias”)? E “andam” nisto anos a fio!
Mal educada? Disse algum “palavrão”?
Teresa, menos, menos…
Não deseje aos outros aquilo que não quer para si!
Não desejo e quem de direito sabe que todas as noites rezo por todas as pessoas que existem na terra e não apenas pelos meus.
Se o privado é que é bom, porque não vai trabalhar para lá???!!!
Nem deve ser professor para falar assim!! Mas se for que fique sem horário é o q lhe desejo!!
A “Profa farta de medíocres” tem razão. Exemplo: Quantos professores do privado têm mobilidade por “doença” sem horário (respeitando quem realmente necessita)? Acho muito bem o cheque-ensino. Os pobres também têm direito de frequentar os colégios.
Há muita gente que pensa como nós, mas tem medo de expressar pois os “professorzecos” utilizam uma linguagem de uma qualidade tal que nem há adjectivos para a qualificar. Mas eu não tenho medo. Eu não tenho medo dos directores imbecis quanto mais de colegas imbecis.
A colega fala de barriga cheia, é assim que eu me sinto porque tenho uma vida estável e acredito ter saúde. Não tenho medo medo de nada e ninguém!
O que nos deferência é respeito pelo outro e a noção de que a nossa liberdade termina onde começa a do outro.
Parece-me existir aí alguma frustração! Ambicionou ou ser director(a) e saíram-lhe as contas furadas?
Tal como nos recomenda : trate-se.
Se fez substituições, a aula existiu. Se nada fez nas mesmas, o problema já não é de quem faltou mas de quem asseguro a sua falta. Sua portanto.
Ainda não percebi porque continua no sistema publico. Já ponderou bem as vantagens de lecionar no privado? Olhe, começa logo por não ter de assegurar as faltas dos outros. Que, segundo leio, não é grande apreciadora.
Eu também sou a favor de liberdade de escolha. Quem quer privado, escolhe privado, e paga privado. Simples, não é? Aliás isso acontece com tudo. Na educação é que pelos vistos é um mundo à parte. O monstro GPS começa a ser gordo demais e precisa de mais dinheiro estatal para manter as mordomias. E aí entram os decisores políticos, que legislam sobre matérias que deviam ser alvo de, no mínimo, debate na AR. Mas.. tudo se cala. Inclusive a oposição.
Eu começo a admirar os liberais. Afinal de contas ser liberal não passa de um ideal cujo fundamento é: tenho um negócio privado e exijo que seja o estado a custeá-lo na totalidade.
Isto até teria um aspeto positivo, se ainda houvesse margem para criação de mais negócios desses na área da educação. Sempre se tiravam mais pessoas do desemprego e se faziam empresários com o dinheiro dos outros. O problema é que nem isso há. Há escolas a mais ( sim são as privadas, as outras já existiam antes), e se as há, são as próprias que tem de arranjar forma de se sustentar. Se não conseguirem, fechem as portas.
Também estou admirado pelo facto de ainda ninguém se ter insurgido a reclamar medida idêntica para o superior. Parece-me justo que assim seja. Se os putos já tem idade para escolher, os graúdos mais idade terão.
Se calhar vou começar a dizer que sou liberal. Parece trazer evidentes vantagens financeiras.
PS: são os católicos de agora que normalmente são os corruptos do futuro. Diz-nos a história.
Ou seja, nas substituições, dou aulas de todas as disciplinas, é isso? Vai-te tratar!
Tanta “conversa” para não dizer nada. Quem falta é que deveria repor as aulas.
Nuno Crato está com o cheque ensino a delapidar recursos públicos para proteger interesses privados.
Prove o que diz com números.
Não ligue. A rapaziada só diz disparates. Lá nos cursos que tiraram na farinha amparo diziam os disparates que queriam e nada tinha que ser provado. Por isso adoro a matemática. Tudo é bem demonstrado que aqui não há pão para malucos.
Os senhores que falam tão mal do público por que razão não são coerentes e vão embora? Tratar das sua vidinhas no privado! O famoso cheque-ensino não passa de uma manobra negocial para alimentar “vícios privados” e, consequentemente, para potenciar desigualdades. A escola pública tem instalações, tem pessoal qualificado, tem qualidade! Só se distingue do privado numa coisa: não é seletiva nem discriminatória. Quantos alunos NEE frequentam o ensino privado? O que é privado é privado, o que é público, é público! Nada de misturas.
Quantos filhos dos políticos frequentam a escola pública?
Logo dos políticos, uma classe exemplar.
Quero saber se os diretores dos colégios vão aceitar alunos com grandes dificuldades de aprendizagem, que têm média de 4/5 negativas por período, por exemplo, mesmo com os cheques de ensino, acabando por baixar a média final de ranking de escolas, ou então alunos com problemas de comportamento, acabando por voltar a convidá-los a sair do colégio…. Se não há dinheiro para o ensino público também deveria haver cortes no financiamento privado…. se não concordam com o ensino público tem uma solução ir para o privado, acarretando sozinhos com a despesa até porque dá para colocar as despesas no irs. Agora o ME não deveria pagar para ter os alunos no privado, este investimento deveria ser todo canalizado nas escolas públicas, principalmente na aquisição de material… muitas das vezes sai do meu próprio bolso as custas de aquisição de material…. e já agora nestes últimos 3 anos só faltei uma vez e foi devido à neve.
Lena basta ver televisão. Ainda há pouco o Marques Mendes disse que o ensino privado sofreu cortes dos 300 milhões para os 200 milhões de euros. Toda a gente opina mas nunca vejo os dados ou os factos que suportaram essas afirmações.
Não deviam receber um tostão. É um negócio como outro qualquer. Se acha que tem qualidade pague. É tudo uma questão de números.
Ó Teresa, então a Teresa não paga para os outros? Quantos meninos da sua escola pagam o material escolar e as refeições? Agora multiplique pelo nº de escolas que há em Portugal. Se fizer bem as contas fica-lhe mais caro pagar o Escalão A a um menino actualmente que o futuro cheque-ensino por menino. A Teresa anda a pagar “cheques-ensino” desde que começou a pagar impostos.
O Marques Mendes não é uma fonte muito isenta….:-)
No público têm “4/5” negativas porque não há regras nem disciplina nem respeito pelos professores.
” nestes últimos 3 anos só faltei uma vez e foi devido à neve”. Essa falta deveria ser “injustificada” pois ninguém a obriga a deslocar-se.
Quantos NEE frequentam a escola pública? Um valor residual. A maioria dos NEE são apenas alunos preguiçosos a quem a escola pública lhes dá a esmola do ensino especial. Vão ser adultos falhados, sem a mínima capacidade profissional para vingar num mundo competitivo. O ensino especial é mais viciante que a heroína. Não conheço nenhum aluno que depois de ser NEE consiga escapar das garras do 910.
Obviamente no ensino privado só tens os verdadeiros NEE.
Infelizmente a “Profa farta de medíocres” tem razão.
Confesso que estive para não responder… Mas escrever assim de crianças especiais é aterrador! Provavelmente os seus filhos são “normais”… e os seus netos(as) serão? Pense nisso!
1.º As escolas privadas enviam os NEE para as públicas, não os recebem… ou pior, não os apoiam!
2.º As crianças com NEE podem ser tão ou mais competentes do que aquelas que a colega considera “normal” – veja-se o caso dos disléxicos famosos:
•Agatha Christie
•Alexander Graham Bell
•Anthony Hopkins
•Cher
•Danny Glover
•Erin Brockovich
•George H.W. Bush
•George W. Bush
•George Washington
•Guy Ritchie
•Harrison Ford
•Henry Ford
•Jewel
•John F. Kennedy
•John Lennon
•Keanu Reeves
•Keira Knightley
Leonardo da Vinci
•Pablo Picasso
•Patrick Dempsey
•Robbie Williams
•Robin Williams
•Salma Hayek
•Steven Spielberg
•Thomas Edison
•Tom Cruise
•Tommy Hilfiger
Walt Disney
entre outros…
3.º A colega deve ter tido na escola pública alunos com NEE… imagino que a sua elevada competência permitiu que a sua intervenção tenha contribuído para a formação dessas crianças! (estou convicto do contrário!);
4.º Falta-lhe formação humanista! Ainda vai a tempo de a adquirir…
Eu orgulho-me de ter contribuído, como professor da EE como do regular, para proporcionar mais e melhor para todos e acrescento, é tão bom ver a alegria no rosto de uma criança que SEMPRE foi considerada preguiçosa e hiperativa quando finalmente consegue, com ajuda, mostrar que vale tanto ou mais do que as “normais”!
Profa etc…
Ui! Você é um portento! Não admira que esteja farta de medíocres! Eu também estou farta de pessoas como você. A vida encarregar-se-á de lhe dar a sabedoria que necessita! Sou muito otimista em relação a pessoas como a sr.ª.
Sou professora do ensino público e por isso mesmo é que coloquei o meu filho no ensino privado.
A escola pública é aquilo que todos vocês, caros colegas, conhecem, existindo, obviamente, raras exceções.
Só mais uma pequena observação, 80% dos colegas dele (meu filho) são filhos de pais professores, que se encontram a trabalhar no público.
Agora pensem?
Há prioridades!
Discordo totalmente!
Apetece dizer:
Morremos com o nosso próprio veneno! ou “com amigos assim, não preciso de inimigos”.
Já agora dá que pensar: Não terei direito de optar por uma reforma “particular” (descontando para um sistema particular)? E de um médico “particular” (com cheque saúde)?
E porque não o acompanha nessa aventura?
Essa escola privada deve ser muito fatela para ter mais de 80% de filhos de professores. E os filhos dos médicos, juízes, enfermeiros, empresários, advogados?
ohhhhh
Daniel, Deus lhe responda!
Maria João, deduzo, então, que deveria trabalhar e contribuir para uma escola pública melhor… É para isso que lhe pagam, certo?
Sou professora e como tal considero minha obrigação defende-la quer na função de profissional, quer como mãe; o problema é que as classes sociais mais instruídas, com capacidade de mudar alguma coisa, olhando apenas para o seu umbigo, escolhem o caminho mais fácil e resolvem os seus problemas, conseguindo dormir descansados porque os seus filhos estão bem, independentemente dos filhos dos outros nem por isso; se todos nós tivéssemos lutado por uma escola pública de qualidade para os nossos filhos, teríamos agora uma escola publica boa tb para trabalhar! Quanto à qualidade da escola pública, custa-me que colegas digam e apontem o dedo ao seus pares, porque se há falta de qualidade nas escolas a culpa última é dos profissionais, ou eu tenho tido a sorte de trabalhar em sítios fantásticos durante 20 anos: todos os dias vejo gente dedicada, que procura não faltar, gente que apoia fora das suas horas letivas os alunos e pais ….há coisas erradas mas estão assentes nas escolhas e filosofias da tutela; claro que a escola pública tem que ter faltas, então eu que trabalho a 115 km de casa posso aguentar um ano inteiro? claro que faltei quando os meus filhos estiveram doentes ou eu; claro que faltei porque apanhei acidentes na estrada; claro que me apeteceu faltar naquele dia em que sai da escola as 23h30 e fiz viagem de 1h30 para chegar a casa e voltei a fazer outra para estar às 8h30; claro que me apeteceu faltar quando o meu corpo já não aguentava os 230 km diários ; claro que me apeteceu faltar quando me apercebi que ficava com metade do ordenado todos os meses: isto não faz de mim medíocre, faz de mim um ser humano, comparamos coisa que não são comparáveis.E a minha experiência de professor, mãe e tia diz-me que um bom aluno é-o em qualquer lado , tenho uma filha que é ótima aluna na escola pública; tenho uma sobrinha que foi das melhores alunas do país, aluna do ensino público e já passaram pelas minhas mãos bons alunos! Afinal a escola pública soube dar-lhes resposta.
Essa de estar a 115 Km para “justificar” as faltas é mais uma que degrada o ensino público. Ninguém a obriga a deslocar-se. Mude-se para a localidade do seu posto de trabalho.
Desculpe a frontalidade: você é uma besta! Mude-se daqui, já!
Rosa Moreira, totalmente de acordo consigo.
A desonestidade (ou a ignorância) é tanta que omitem, propositadamente, estudos que revelam que, no ensino superior, o melhor desempenho pertence dos alunos que frequentaram a escola pública. Isto diz tudo! E é isto que essa gente não quer ouvir!
Nada contra as escolas privadas, mas o estado não as deve apoiar financeiramente . Se são mesmo melhores, não haverá falta de burgueses a querer colocar lá os filhos.
Ricos mais ricos , pobres mais pobres, não obrigado! Paz.
Ferandovsky, deixe que lhe diga, mas a sua compreensão dos factos deixa muito a desejar.
Não são só os ricos que colocam os filhos no privado, são sobretudo os pais
atentos à sociedade, de uma forma geral.
Você pode colocar os seus filhos no privado, mas, se calhar, não pode é andar de Mercedes ou BMW. Tá a ver? Nem trocar de carro de 5 em 5 anos…
Há mentalidades mais pobres do que a própria conta bancária!
Irra!
Toquei nalguma ferida dona Maria João?
A desejar deixa a sua compreensão dos factos. O privado que invista do seu bolso e que tenha os lucros que merecer, mas NA MINHA OPINIÃO, o Estado não tem nada que financiar essas escolas, quando há escolas públicas que podem receber os meninos que não podem pagar as mensalidades. Ou acha que a escola pública deve ser só para a ralé da sociedade?
Se é tão atenta como apregoa, deve saber que quem valoriza os seus funcionários/empregados corre o risco de obter melhores resultados do que aquele que os despreza e ignora.
Agora tire as palas dos olhos e veja à sua volta!
O estado nunca me pagou nada. Colocar no privado foi uma opção que foi sempre, inteiramente, paga por mim.
Agora lhe digo, muitos vão ser os covardes que vão aproveitar o cheque ensino para colocar os seus filhos no privado.
Disso não tenho dúvida alguma!
A questão que se põe aqui não é se o ensino particular é melhor que o público ou vice-versa. Relativamente a isso há exemplos e contra-exemplos para todos os gostos. Escolas boas e más, públicas e privadas.
Também há motivações para colocar os filhos no privado de todas as cores e paladares. Há quem tenha tido experiências tão más nas escolas públicas que julga o todo pela parte. Há quem não consiga ser bom professor no público e portanto pense que todos os outros não o são. Há quem goste de passear os rebentos vestidinhos de uniforme. Há quem tenha crianças que não se adaptam ao ensino público por falta de competências sociais ou porque precisam de um ambiente mais controlado. Há quem julgue, genuinamente, que vai potenciar as capacidades do seu educando. E muitas outras razões.
E razões para ter os filhos na escola pública? Há quem o faça por não ter rendimentos suficientemente altos. Mas também existem muitos pais que, podendo pagar, optaram pelo ensino público. Porquê? Porque, de uma forma geral, tem uma população mais heterogénea e prepara melhor para a vida. O reconhecimento das diferenças e a capacidade de convivência com pessoas de diversos grupos sociais e com valências diferentes são competências que muitos encarregados de educação valorizam.
Com o cheque ensino, os pais não terão direito a escolher a escola. É o inverso. A escola terá direito a escolher os alunos e os pais. Neste momento, muitas escolas privadas, fazem uma entrevista em que avaliam o perfil da família e do aluno. Mas, em regra, quase todos são aceites desde que possam pagar… porque a crise impera. No futuro não será assim. Teremos escolas que trabalham para os rankings e que pretendem manter-se no topo. Para os alunos que têm problemas cognitivos ou famílias disfuncionais (e são muitos…) essa oportunidade está-lhes vedada. Famílias que defendem o cheque ensino partem do princípio que os seus educandos serão aceites… mas não me parece que seja sempre assim.
Uma escola privada é uma empresa que pretende maximizar o lucro. Foi para isso que a criaram. É isso que a motiva. Os pais dos alunos são clientes. Nesta compra e venda de serviços não há espaço (nem tem de haver) para questões sociais. Se um encarregado de educação tiver 3 filhos no colégio, em que 2 deles são excelentes alunos, é um bom cliente. Se tiver apenas um, com rendimento escolar médio, é um cliente a substituir, se houver essa oportunidade. É assim que se sinalizam alunos no privado. Claro que a “conversa” que é feita aos encarregados de educação não exatamente esta. Mas tudo isso depende da estrutura de marketing da empresa em causa. É como vender um automóvel ou uma casa…. diz-se o que o potencial cliente precisar de ouvir. E mostram-se números, muitos números, alguns manipulados… Por exemplo, se os exames nacionais forem feitos no colégio, a probabilidade de os alunos terem boas notas são mais elevadas… Sem querer generalizar, tudo depende da ética do empresário. Com certeza que haverá muitos empresários honestos mas… também haverá de outro tipo.
É verdade Ana “Uma escola privada é uma empresa que pretende maximizar o lucro. Foi para isso que a criaram. É isso que a motiva.”
E como tal precisa de alunos(clientes). Afinal Crato é ME do Estado Português ou é ME do Ensino Privado?
Ajudar quem mais tem e quem menos precisa, é esta a lógica do governo que temos.