Nos Açores já foi resolvido. Na Madeira será até ao fim do ano. E no continente, o que falta?

Há muito que deixou de existir qualquer dúvida, a injustiça provocada pelo reposicionamento docente pode ser corrigida. Os Açores já o fizeram. A Madeira fará o mesmo até ao fim do ano. Perante esta realidade, torna-se inevitável colocar uma pergunta: porque continua o continente à espera?
Os exemplos das duas Regiões Autónomas demonstram que o problema nunca foi jurídico, técnico ou financeiro. Se fosse, não teria sido possível encontrar uma solução. O que verdadeiramente distingue estas situações é apenas uma coisa, vontade política de corrigir uma injustiça que se arrasta há demasiado tempo.
Se essa vontade existisse no continente, a nossa petição e a projeto de lei nunca teriam sido necessários. Milhares de professores não teriam sido obrigados a mobilizar-se, a recolher dezenas de milhares de assinaturas e a lutar para ver reconhecido um princípio tão elementar como o da igualdade de tratamento.
Em vez de resolver o problema, o Governo e o Ministro da Educação continuam a fazer ouvidos moucos, adiando sucessivamente uma decisão que sabem ser justa. Preferem empurrar o problema com a barriga o máximo que conseguirem, como se o tempo apagasse a injustiça ou fizesse os professores esquecer.
Os professores têm memória. Não esquecem quem degradou a sua carreira, quem a tornou gradativamente menos atrativa e quem continua, ainda hoje, a não a valorizar e arecusar corrigir desigualdades criadas por decisões administrativas que nunca deveriam ter existido.
A valorização da profissão docente não se faz com discursos, anúncios ou campanhas de recrutamento. Faz-se com atos. Faz-se respeitando quem dedicou décadas à Escola Pública e garantindo que professores com percursos equivalentes são tratados com igualdade.
Quando uma injustiça é corrigida nos arquipélagos, torna-se cada vez mais incompreensível que o continente permaneça parado. Não há argumentos que resistam a esta evidência. Há apenas uma opção política, corrigir ou continuar a adiar.
Cada dia que passa sem uma solução representa mais um dia em que milhares de docentes continuam a ser prejudicados no presente e no futuro. O Estado, não valoriza a profissão docente e não contribui para recuperar a confiança de quem, durante anos, sustentou a Escola Pública.
A solução existe. Já foi encontrada em território nacional. O que falta ao continente não é capacidade para agir. É vontade para fazer justiça.

José Pereira da Silva

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3 comentários

    • Alexandre Ferraz on 29 de Julho de 2026 at 20:28
    • Responder

    Viva, é bem verdade. E também é verdade que, ao contrário de democracias bem mais recentes, a nossa ainda vai tendo alguma dignidade ao aprovar na generalidade, a 12 de junho passado, o projeto de Lei n.º 285/XVII/1.ª (com os votos contra do PSD e as abstenções do CDS-PP e da Iniciativa Liberal, tendo passado com os votos favoráveis da restante oposição). Entretanto a agora lei baixou à 8.ª Comissão (da Educação e Ciência) para discussão na especialidade, onde o texto ainda poderá sofrer algumas alterações e afinações antes da redação final e entrada em vigor. Esperemos que olhem para os exemplos dos Açores e Madeira.

      • Anónimo on 29 de Julho de 2026 at 21:45
      • Responder

      Falta vontade política de quem governa.
      Isso não mudou nem mudará.

    • FrankieAt on 30 de Julho de 2026 at 9:24
    • Responder

    Comparar ou (pouco) comparável. A diferença está entre fazê-lo para cerca de 5.000 docentes e fazer para 160.000 docentes. As implicações orçamentais são incomparáveis.

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