Vinculação Dinâmica: o verdadeiro pesadelo começa agora…

Em 13 de Maio de 2023, escrevi um texto sobre o Concurso de Vinculação Dinâmica, intitulado Vinculação Dinâmica: Dar com uma mão e tirar com a outra, publicado pelo Blog Dear Lindo, onde constam estas afirmações:

– Com a publicação do Decreto-Lei n.º 32-A/2023 de 8 de Maio, os Professores que, no presente, sejam opositores ao Concurso de Vinculação Dinâmica, ver-se-ão obrigados a concorrer a nível nacional no ano escolar 2024/2025…

– Isso significará que, em 2023/3024, muitos desses Professores poderão ficar colocados perto da sua área de residência, mas no ano seguinte não terão qualquer garantia de que o mesmo suceda, uma vez que serão obrigados a concorrer a todo o país, se pretenderem manter o vínculo que lhes foi concedido…

– Em 2024/2025, quantos dos Professores que agora sejam candidatos à Vinculação Dinâmica ficarão sujeitos à respectiva colocação em Agrupamentos situados a dezenas ou a centenas de quilómetros da sua área de residência?

– Com a manigância de obrigar os Professores a submeterem-se a um concurso a nível nacional em 2024/2025, em troca de um suposto vínculo concedido em 2023/2024, o Concurso de Vinculação Dinâmica parece encontrar-se suficientemente armadilhado para que, daqui a um ano, o preço a pagar pelo anterior se possa tornar absolutamente insuportável para muitos Docentes…

– Quantos anos terão que ficar reféns dessa situação, criada pelo Ministério da Educação, eventualmente longe de casa e da família?

– Definitivamente, o Estado, na figura do Ministério da Educação, não é uma pessoa de bem, muito pelo contrário…

– Se fosse uma pessoa de bem, com uma acção pautada pela idoneidade e pela boa-fé, como lhe competia, não daria com uma mão, para logo a seguir tirar com a outra…

– Pelo Concurso de Vinculação Dinâmica, o Ministério da Educação, com a anuência do Presidente da República, encontrou a “fórmula mágica” para mitigar a falta de Professores em zonas do país onde o custo de vida é incomportável para quem se encontre “desterrado”:

– Em 2023/2024, tenta seduzir os Professores com vinculações através de vagas, de certa forma, fictícias, válidas apenas por um ano e a extinguir no ano seguinte, obrigando, em 2024/2025, os recém vinculados a ocuparem vagas em regiões do país para onde poucos pretenderiam concorrer…

– Pelo Concurso de Vinculação Dinâmica, o Ministério da Educação, com laivos de crueldade, coloca, propositadamente, os Professores num dilema, de difícil resolução:

– Ceder à tentação do “prazer imediato” e concorrer a uma vaga efémera, através da qual se fica vinculado ou avaliar muito bem as eventuais consequências futuras de tal vínculo, recusando concorrer agora, para não se ser obrigado a viver um previsível pesadelo daqui a um ano?

– O ganho material decorrente de deixar de ser Professor Contratado compensará todas as expectáveis perdas inerentes aos gastos monetários (alojamento, transportes, alimentação, comunicações…), aliadas ao desgaste físico e psicológico, de ficar colocado a dezenas ou centenas de quilómetros da área original de residência, daqui a um ano?

– Em resumo, a Vinculação Dinâmica parece constituir-se como uma armadilha, a fazer lembrar a utilidade de um isco de pesca: apanhar os peixes mais distraídos e incautos…

– Peixe atento não morde o isco…

– Há que fazer “contas à vida” e avaliar, o mais objectivamente possível, todos os potenciais ganhos, mas também as expectáveis e incontornáveis perdas e despesas, para se evitarem arrependimentos e frustrações posteriores…

Passados cerca de oito meses desde a referida publicação, parece que as expectativas mais negativas face ao Concurso de Vinculação Dinâmica estarão a caminho de se confirmarem, concretizando-se, no momento actual, desta forma:

– “Há um grupo fechado do WhatsApp que reúne docentes que entraram nos quadros ao abrigo da vinculação dinâmica e que não querem dar aulas longe da área de residência. Preferem abandonar o ensino para ficarem perto da família.” (Rádio Renascença, em 3 de Janeiro de 2024)…

– “Há centenas de docentes, que entraram nos quadros do ministério da Educação ao abrigo da vinculação dinâmica, que garantem que vão recusar uma colocação longe da área de residência.” (Rádio Renascença, em 3 de Janeiro de 2024)…

– “De acordo com as regras, no próximo ano letivo os cerca de oito mil professores que entraram nos quadros através da vinculação dinâmica têm de concorrer a todo o país.” (Rádio Renascença, em 3 de Janeiro de 2024)…

Alegadamente, deixaram-se seduzir pelo embuste da Vinculação Dinâmica 7.983 Professores, conforme o número anunciado pelo Ministro da Educação em 25 de Julho de 2023…

Muitos dos Docentes “vinculados dinamicamente”, que deixaram de ser Contratados e que saíram da precariedade por terem obtido um vínculo laboral, ver-se-ão confrontados com todas as contingências e vicissitudes decorrentes de poderem ficar colocados longe da área original de residência…

Assim sendo, a saída da precariedade pode não ser um dado adquirido e irrevogável, uma vez que a recusa de concorrer a todo o país no próximo Concurso terá como principal consequência a perda do vínculo anteriormente concedido pela Tutela…

Parece que, no momento actual, se começa a percepcionar a verdadeira natureza da Vinculação Dinâmica:

– Uma armadilha arquitectada pelo Ministério da Educação, bem patente nas vinculações criadas através de vagas, de certa forma, fictícias, válidas apenas por um ano e a extinguir no ano seguinte…

– Uma manigância, saturada de perversidade, engendrada pelo Ministério da Educação, que encontrou, assim, a “fórmula mágica” para mitigar a falta de Professores em determinadas zonas do país, servindo-se da Classe Docente, da forma que melhor lhe convém, para resolver certos problemas, criados pela própria Tutela…

– Um embuste, potencialmente gerador de muitos arrependimentos, angústias e frustrações…

O pesadelo da Vinculação Dinâmica começa, verdadeiramente, agora…

Oferecido pelo Ministério da Educação, a Vinculação Dinâmica foi um “presente envenenado” que, ao invés de ter sido aceite, deveria ter sido “devolvido à procedência”…

Na verdade, o Concurso de Vinculação Dinâmica deveria ter ficado deserto de candidaturas…

Essa teria sido, aliás, a forma mais eficaz de devolver este “presente envenenado” à respectiva procedência…

Partindo do princípio de que se conheciam as consequências perniciosas da Vinculação Dinâmica porque se aceitou este “presente”?

Paula Dias

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9 comentários

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    • António on 8 de Janeiro de 2024 at 16:38
    • Responder

    Tanto argumento de charlatão para tentar falsificar a realidade.
    Então e os professores que estão as 10, 15, 20 longe de casa devem ser agora ultrapassados por estes recem chegados?
    Só há justiça se todas as vagas respeitarem o ordenação dos professores.
    Era o que faltava, trabalhar 3 anitos, entrar no QZP a portinha de casa e os outros que fizeram muitos sacrifícios serem comidos de cebolada.

      • José Pinto on 8 de Janeiro de 2024 at 17:53
      • Responder

      Já foram. Ou como eram contratados eram parentes pobres? Quem não aceitou este embuste, e viu os ratos a aceitarem a correr as migalhas do ministro, já penou e bem este ano com as ultrapassagens. E gente com muitos anos de trabalho dados às escolas.

    • Pedro_Norte on 8 de Janeiro de 2024 at 18:01
    • Responder

    A VD não interessa a ninguém; quem concorreu fê-lo de livre vontade mas contra todas as greves! Não era esse tipo de vinculação que se pretendia! Fiz 19 dias inteiros de greve no ano letivo anterior e, obviamente não concorri à VD. Era fácil perceber que estaria a assinar uma precariedade ainda maior.
    Agr chegam as consequências…

    • João Campos on 8 de Janeiro de 2024 at 18:40
    • Responder

    Uma classe sem sentido de orientação!
    Tudo se tenta para ultrapassar o colega!
    Somos professores e não pedreiros! Não que ser pedreiro seja uma desonra! Leiam! Não sejam iguais aos alunos! Voltamos ao mesmo de sempre – carneiros e cegos!
    O ME obrigou alguém na VD? Usou pistolas ou facas como meio de intimidação? Não, brincou com a falta de sentido de classe, mesquinhez e chico-espertice da rapaziada! Untou bem o frango e introduziu o limão!

    1. Nem mais.
      Só concorreu quem quis.
      Não venham agora chorar sobre o leite derramado, quando sabiam muito bem e foram avisados por todos, de quais as consequências.

    • Pobre Povo on 8 de Janeiro de 2024 at 19:18
    • Responder

    Tristes figuras estes da VD, desonestos e manipuladores, com gente assim merecemos outra Milú, Sócrates e demais, totalmente compatíveis com as caraterísticas evidenciadas por alguns.

    Não tem nada a ver comigo, pois já sou do quadro há uns bons anos, mas envergonha-me ver tanta desonestidade intelectual, manipulação e tentativa de prejudicar quem respeita e confia no legislado.

  1. Podem sempre deixar o vínculo.
    Tenho colegas que optaram por não concorrer à vinculação dinâmica, por razões familiares. Tenho colegas que concorreram e que disseram que se não lhes interessasse a colocação, voltavam para contratados. Outros resolvem mudar de vida e irem viver para onde há trabalho. São opções.
    Simples. Onde está o problema? Não há outras “n” profissões em que se tem que sair da zona onde se nasceu para trabalhar? E para quem emigra? É fácil? Não me parece.
    É difícil ser-se professor. Mas somos adultos e conscientes das decisões que tomamos, ou não?

    1. Claro.

    • Prof. do Quadro on 9 de Janeiro de 2024 at 8:06
    • Responder

    Vinculou quem quiz, qualquer candidato a VD, sabia que a vaga a que concorria era transitória, e que em 2024-25, teria de concorrer a todos os novos QZPs, e que ingressaria num destes como “tapa-buracos”, ou seja irá suprir faltas dos colegas QA/QE, substituições, no fundo vão fazer trabalho de contratado, com a diferença de saber que a 1 de setembro tem trabalho e não a andar apanhar bonés a espera de ser contratado. O inconveniente são realmente as distâncias que pode ser de centenas de KM, mas quem vai para Timor ou para uma EPE, também faz milhares de km. portanto cada um decide por si

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