Pelas amostras provindas da realidade, Luís Montenegro parece não ter aprendido com os erros do próprio Partido, em concreto com os que foram cometidos pelo PSD no passado recente…
E isso faz lembrar um aluno que repetidamente comete os mesmos erros em exercícios sobre uma determinada matéria, apenas porque não se deu ao trabalho de fazer uma correcção atenta e cuidada, logo na primeira vez em que se confrontou com o insucesso nessa matéria…
Além de não ter aprendido com esses erros, pior ainda, Luís Montenegro, parece disposto a repetir os mesmos enganos, em vez de os evitar, podendo vir a consumar, dessa forma, um inevitável e estrondoso “tiro nos próprios pés”:
– Luís Montenegro, enquanto Presidente do PSD, terá assegurado, como uma prioridade da nova Aliança Democrática, o regresso dos Contratos de Associação na Área da Educação, conforme veiculado pelo Jornal de Notícias em 16 de Janeiro de 2024…
O Presidente do PSD parece ignorar a má memória deixada pelos Contratos de Associação estabelecidos entre o Ministério da Educação, tutelado por Nuno Crato, e diversas entidades de Ensino Privado, que acabaram envoltos em inúmeras polémicas e controvérsias…
O Presidente do PSD parece ignorar que muitos desses Contratos de Associação se revelaram fortemente lesivos, danosos, para o erário público, sem que se tivesse comprovado, em muitos casos, a existência de inequívocos benefícios para os alunos…
Não nos esqueçamos que os Contratos de Associação foram criados tendo como principal objectivo assegurar o ensino em zonas do país onde a oferta pública não fosse suficiente…
Portanto, os alunos nunca poderão deixar de ser vistos como os principais destinatários dos pretensos benefícios decorrentes desses compromissos, assumidos entre o Estado e determinadas entidades de Ensino Privado…
O Presidente do PSD parece ignorar, ou desvalorizar, a existência de várias suspeitas da prática de alguns crimes como corrupção, peculato ou burla, que recaíram sobre muitos desses Contratos de Associação, conforme amplamente noticiado logo em 2014, pelos meios de Comunicação Social, o que deixou esses Contratos com consideráveis danos reputacionais (Veja-se, por exemplo, o artigo: “Colégios GPS suspeitos de corrupção”, Jornal Expresso, em 21 de Janeiro de 2014)…
A maioria dos profissionais de Educação, nomeadamente os Professores, não terá esquecido esse logro e com essa recordação é bem possível que venham, também, à lembrança outros “fantasmas” do passado:
– Depois de José Sócrates/Teixeira dos Santos terem levado o país à bancarrota, o que obrigou ao pedido urgente de ajuda financeira externa, Passos Coelho/Paulo Portas governaram durante quatro anos…
– Não parecendo satisfeitos com as inevitáveis medidas restrictivas e de contenção orçamental exigidas pela Troika, como condição para se efectivarem as várias tranches do respectivo empréstimo financeiro, Passos Coelho/Paulo Portas e Vítor Gaspar/Maria Luís Albuquerque, numa atitude que se pode considerar como “mais papista do que o Papa”, teimaram em ir além desses constrangimentos, deixando a maior parte do país a “pão e água”, obrigando muitos a emigrar, em particular jovens com formação académica superior…
E isso seria inevitável? Não, não seria.
Teria sido perfeitamente evitável se Passos Coelho/Paulo Portas tivessem tido maior consideração pelos seus concidadãos, demonstrando uma atitude mais humanista, em vez de se comportarem como meros executores de políticas ultra-liberais…
Recriar, no presente, os erros do passado não pode deixar de ser visto como uma decisão iminentemente insensata, talvez até disparatada, que poderá contribuir, de forma determinante, para o eventual desaire da Aliança Democrática, no próximo dia 10 de Março…
Ainda para mais, porque a pretensão de recriar os Contratos de Associação, acabará por ter como consequência mais óbvia a “ressuscitação dos fantasmas” do passado, em particular os que advêm da acção governativa protagonizada por Passos Coelho/Paulo Portas, quando o que se esperava era que o PSD actual conseguisse atenuar, ou até mesmo fazer esquecer, essas memórias da realidade passada, nada prazerosas…
Trazer do passado os Contratos de Associação e torná-los, no presente, num baluarte do Programa Eleitoral da Aliança Democrática, além de ser um erro crasso em termos de estratégia política, muito dificilmente contribuirá para dignificar a Educação…
Seguramente, nenhum dos problemas graves que afectam a Escola Pública, desde a falta de Professores até ao sucesso escolar fictício, será resolvido pelo estabelecimento de novos Contratos de Associação…
Assim sendo, que virtudes poderão ser reconhecidas a tais Contratos?
Assim sendo, que justificação poderá existir para se estabelecerem mais Contratos de Associação do que os actualmente existentes?
Por este caminho, Luís Montenegro arrisca-se a perder, de forma clamorosa, a oportunidade soberana de ganhar as eleições legislativas que se avizinham e de poder tornar-se 1º Ministro…
E, à partida, essa até deveria ser uma tarefa relativamente fácil, tendo em conta a prestação lastimável do último Governo liderado por António Costa, incluindo o desempenho de Pedro Nuno Santos enquanto Ministro das Infraestruturas, agora, também ele, candidato a 1º Ministro…
Pelo menos na Área da Educação, os Partidos Políticos que compõem a Aliança Democrática parecem encaminhar-se para alcançar a proeza de serem eles próprios a fornecer os argumentos necessários para não se votar nesse consórcio partidário…
Porque assumir como prioridade o estabelecimento de novos Contratos de Associação, sem justificações aceitáveis, em nada contribuirá para que a Aliança Democrática se afirme como uma alternativa credível e confiável…
E haveria tantas outras medidas a serem propostas como prioritárias…
Luís Montenegro, como Presidente do PSD, principal Partido Político da Aliança Democrática, terá uma responsabilidade difícil de escamotear na definição de uma estratégia que, pelo que já se conhece, se poderá qualificar como incompreensível e insensata…
A propósito da reunião do Conselho Estratégico do PSD, ocorrida em 12 de Novembro de 2023, Luís Montenegro declarou, nesse dia, que a recuperação integral do tempo de serviço dos Professores era uma garantia, se viesse a ser 1º Ministro (“Luís Montenegro Garante a Recuperação do Tempo de Serviço dos Professores”, Ensino TV, em 12 de Novembro de 2023)…
Será a recuperação integral do tempo de serviço suficiente para convencer os mais de 150.000 Professores a votarem na Aliança Democrática?
A recuperação integral do tempo de serviço fará esquecer alguns “fantasmas” do passado?
Neste momento, será muito difícil justificar o aumento de Contratos de Associação, mas a Escola Pública também não aguentará, por muito mais tempo, todos os estragos causados pela política educativa imposta por António Costa/João Costa…
A eventual continuação da política educativa vigente nos últimos anos acabará por destruir o que resta da Escola Pública…
Parece que estaremos num beco de difícil saída…
Paula Dias




11 comentários
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“Mais Contratos de Associação para quê?”
Para dar resposta à composição da sua lista de candidatos a deputados… dois exemplos:
1) Alexandre Homem Cristo
Candidato pelo círculo de Lisboa, é um “pseudo-especialista” em Educação e colaborador do Observador, conhecido pelas suas crónicas de desdém aos professores da escola pública. For accessor para a Educação pelo CDS-PP no Governo de Passos Coelho. Se calhar ajudou à criação da Bolsa de Contratação de Escola ou à implementação da PACC.
2) Emídio Sousa
Cabeça de Lista da AD pelo distrito de Aveiro e ainda presidente da CM de Santa Maria da Feira (em final do 3º mandato). Acérrimo defensor dos “amarelinhos” quando Alexandra Leitão terminou com a maior parte dos contratos de associação. Foi aluno do Colégio de Santa Maria de lamas, que era um desses colégios que tinham grande parte das turmas financiadas, apesar de vários agrupamentos públicos em redor (Agrupamento de Lourosa e de Paços de Brandão, por exemplo, todos no concelho da Feira).
Curiosamente, ambos com formação na “Católica”. E todos sabemos que os contratos de associação estão intimamente ligados a interesses eclesiásticos…
O Montenegro é o rosto da oposição que é pior que o que está. Uma vergonha!! Só querem privatizar o ensino e a saúde.
Temos mais alternativas…abrir a pestana.
E o resto é bem pior… colocações por avaliação do director (tipo ultra-BCE) e a PACC (o ideólogo desta AD requentada para a educação é aquele beto tinhoso que diz que os professores são todos maus e que se tem de dar (ainda) mais poder aos directores para exterminar qualquer resquício de autonomia e contestação dos professores).
Ou seja, o pouco que o PS fez bem (pressionado pela Geringonça) – corte aos amarelinhos, fim da BCE e PACC – estes badamecos querem reverter e ir mais além. E os fanáticos ultra-neo-liberais da IL ainda querem ir mais longe, sem falar do Chunga que quer exterminar a educação pública.
Esta direita radical do PSD para a frente não vai reverter a municipalização, a ADSE entregue às seguradoras com aumentos brutais, não vai mudar o modelo de gestão (ainda quer dar mais poder ainda aos Kapos), quer criar carreira própria para direcções com índices especiais e esqueçam a reposição do tempo de serviço (vão vir com as desculpas da “conjuntura”)
Nem mesmo a calhar, a madame Xoné, grande exemplo da meritocracia neste país, já veio dizer:
“que (o) modelo tradicional de financiamento de ensino já não funciona”.
Será coincidência? Claro que não, está-se a criar o cenário com ideólogos e financiadores com o cheiro dos resquícios do estado que não foi ainda delapidado . Por algum motivo esta senhoreca (e o rival herdeiro da Jerónimo Martins) criou uma fundaçãozeca sobre o “ensino”.
Não abram os olhos que não é preciso.
Muito bom texto, sem contar com a PACC que serviu para descartar docentes da profissão e ainda foram convidados a sair da zona de conforto, ou seja emigrar e agora há falta deles. Quem votar nuns governantes desta indólo só pode ser um verdadeiro sacana ignorante ou ter algo a ganhar. Fora PSD e CDS!! O país não precisa de energúmenes desta espécie. Mais vale votar nos pequenos partidos são tantos à escolha. As próximas eleições vão ser interessantes, ai vão vão.
O Dr Gabriel Mithá Ribeiro, deputado do Chega, seria um fantástico Ministro da Educação. Infelizmente a maioria dos professores não consegue ver para além da lavagem cerebral dos media … Continuem a votar na máfia dos interesses instalados PS-PSD e partidos satélites …
Com o devido respeito, a sua sugestão para Ministro da Educação deve ser uma brincadeira…
Ó João, se Mithá iria para esse ministério quem ficaria com o ministério da limpeza de retretes?
Não pode ser. Esse lugar já é dele.
E que tal ser o próprio Ventura para mostrar a todos que é muito educado, sobretudo quando começa aos berros que nem um bezerro desmamado?!
Contratos de associação…
Sinceramente!
Já basta ter o serviço que temos nas cantinas com esses “contratos”, bem como aqueles “contratos” com que essas empresas recrutam as suas trabalhadoras.
“Mais Contratos de Associação para quê?”
Para inflacionar as notas a burros.
Mas não há ninguém honesto neste país?
https://eco.sapo.pt/2024/01/18/montenegro-tera-assinado-declaracao-falsa-sobre-casa-de-espinho-para-ter-acesso-a-beneficios-fiscais/?utm_source=SAPO_HP&utm_medium=web&utm_campaign=destaques