No EDUSTAT foi disponibilizado um estudo com dados fornecidos pelo ME com dados sobre o Absentismo Docente.
Estes estudos são interessantes para análise das organizações, mas muito perigosos para análise da população em geral ou de quem pode ter interesse em denegrir a classe docente, porque facilmente se vão procurar comparações, muitas vezes desatualizadas e descontextualizadas, entre escolas próximas.

Este quadro geral mostra o que estamos a assistir com o envelhecimento do pessoal docente, onde cresce o número de atestados médicos superiores a 30 dias entre o pessoal docente com mais de 60 anos. E a tendência será aumentar a cada ano este número, visto que a população docente também envelhece.

Também me parece abusador olhar para este quadro e extrair daqui qualquer conclusão que o número de faltas cresceu muito em 2020/21. Lembro que este período decorreu em plena pandemia. Mas facilmente qualquer jornal sensacionalista poderá apresentar este número sem contextualizar este facto.

Quanto ao mapa geral do País não é visível que alguma região se sobreponha a outra no número de faltas superiores a 30 dias, porque tanto no norte como no centro ou no sul a mancha azul mais escura existe.

Esta base de dados referente à Realidade demográfica e laboral dos professores do ensino público em Portugal entre os anos letivos 2016/17 e 2020/21 foi desenvolvida no âmbito do estudo do EDULOG Necessidades de Professores em Portugal: Diagnóstico e Modelo de Gestão.
A informação está sistematizada por Ano letivo, NUTS III, Grupo de recrutamento e Agrupamento de escolas ou escolas não agrupadas, permitindo uma análise por caracterização sociodemográfica, oferta e procura, relação contratual, componente letiva e absentismo.
Nos dados apresentados foram excluídos alguns grupos de recrutamento e considerados apenas os professores que estavam efetivamente a lecionar em escolas. Face à necessidade de se preservar a confidencialidade da informação, sempre que um grupo de recrutamento apresentava menos do que quatro professores, optou-se por considerar dois professores. Por esse motivo, alguns dados correspondem a valores aproximados e podem diferir ligeiramente dos dados dos relatórios da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC).
Fonte dos dados: ESCXEL – Education Data Research
Fonte primária: Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC)




4 comentários
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Lindo presentinho de despedida …o do João !!!
A quem serve este estudo? Mais um grande estudo para demonstrar o quê?
Que os professores não podem estar doentes, numa escola que está doente? Onde o clima de trabalho é desmotivador, tóxico e doentio?
É mais uma facada na profissão ou o morto ainda estrebucha?
Deviam também fazer um estudo sobre o fenómeno de indisciplina e correlacionar esses dados com o absentismo dos docentes. E se existe mais percentagem de docentes ausentes entre os 50 a 60 anos, é porque há mais docentes com essas idades a lecionar e nada tem haver com a idade em si. Quem tem muito tempo de serviço está cansado, pois dar aulas há mais de 20 anos e com a indisciplina a aumentar, já não têm cabeça para aturar tanta má educação…Hoje a profissão de docente é, sem dúvida, uma profissão de desgaste e devia ser permitido, se assim o desejassem, aposentarem-se antes dos 67 anos.
Este estudo, referente ao período da pandemia e que mistura alhos e bugalhos, só serve para lançar areia para os olhos dos portugueses.
Regressem à lei anterior. 36 anos de serviço para a aposentação e o problema fica resolvido. Tão simples quanto isso!