Gasolina para o Chega

Escola com casas de banho e balneários sem género diz que mudança foi pacífica

 

Projeto “Escola às Cores” foi implementado no ano passado na Escola Básica Frei João, onde estudam 1.040 alunos do 5.º ao 9.º ano. Desde então, passaram a existir duas casas de banho e dois balneários individuais sem identificação de género.

No norte há uma escola com balneários e casas de banho sem identificação de género, a pensar nos alunos transgénero. Também são utilizados por estudantes com vergonha de usar espaços comuns, com problemas de saúde ou sem condições em casa para fazer a sua higiene.

No Agrupamento de Escolas Frei João de Vila do Conde há muito que estão a ser aplicadas as medidas de autodeterminação de género, aprovadas no parlamento no mês passado, e “nunca houve problema absolutamente nenhum”, assegurou à Lusa Paula Lobo, a professora que está por detrás desta mudança.

O projeto “Escola às Cores” foi implementado no ano passado na Escola Básica Frei João, onde estudam 1.040 alunos do 5.º ao 9.º ano. Desde então, passaram a existir duas casas de banho e dois balneários individuais sem identificação de género.

A ideia surgiu quando vivenciou os problemas de um aluno transgénero que “não se sentia bem na casa de banho dos rapazes e, quando tentava entrar no das meninas, a funcionária não deixava”, contou a professora de Educação Física.

Paula Lobo sentiu que eram precisas novas regras que fizessem da escola um espaço seguro e acolhedor e a solução veio a revelar-se bastante simples: As placas das casas de banho destinadas a pessoas com deficiência foram retiradas e substituídas por outras – Wc Comum.

“Agora é para todos, independentemente do género, se é aluno, professor, não docente ou até se vem de fora. São casas de banho individuais que só podem ser utilizadas por uma pessoa de cada vez. Foi fácil, não levantou quaisquer problemas e, também por isso, não percebo os discursos de ódio e de medo quanto às mudanças aprovadas no Parlamento”, sustentou.

Os deputados aprovaram, em dezembro, um conjunto de medidas que as escolas devem adotar, tais como assegurar “o bem-estar de todos” no acesso às casas de banho e balneários, “procedendo-se às adaptações que se considerem necessárias”.

O diploma, que está agora nas mãos do Presidente da República, não obriga à criação de espaços mistos, mas exige que todos tenham acesso.

“Há vários casos de crianças e jovens que acabam por passar o dia sem ir à casa de banho”, contou, por seu lado, a psicóloga Ana Silva, da Associação de Mães e Pais pela Liberdade de Orientação Sexual e Identidade de Género (AMPLOS), sublinhando que muitos “sabem que correm o risco de serem insultados ou mesmo agredidos”.

Além das casas de banho, o projeto “Escola às Cores” deu origem a dois balneários individuais e “as razões para os usar podem ser por questões de identidade de género ou não”, explicou Paula Lobo.

Dos oito utilizadores, apenas cinco alunos usam estes balneários por questões de identidade de género. Depois, há histórias de quem tem vergonha de se despir em frente aos colegas, de quem não tem as melhores condições em casa para tomar banho ou mesmo de saúde.

Também aqui, só entra um aluno de cada vez, ficando garantida a privacidade e segurança e, até hoje, “nunca houve nenhum problema”, garantiu a professora que trabalha no agrupamento há 26 anos.

Existem outras escolas onde as mudanças também estão a ser pacíficas, referiu a psicóloga Ana Silva: “Há um colégio particular em Lisboa, que teve formação sobre o assunto, e nunca houve qualquer problema. Têm este ano um aluno trans e correu tudo bem com das casas de banho ou do nome social”.

Também a Escola António Arroio, em Lisboa, é apontada como um bom exemplo pelo presidente da Amplos. O filho de António Vale é transgénero, frequentou a escola artística e “nunca teve problemas”. Mas nem todas as histórias correm bem, alertou António Vale.

Ana Sousa é mãe de dois adolescentes e a sua experiência corrobora esta ideia. Enquanto os filhos frequentaram a Frei João de Vila do Conde “correu tudo bem”, mas a mudança para outra escola, no 10.º ano, trouxe problemas ao filho mais novo que é trans.

No início do ano letivo, Ana falou com o diretor de turma, que “foi amável e recetivo, mas colocou entraves a mudar de nome”.

Já com o segundo período de aulas a decorrer, ainda há professores a tratá-lo pelo nome de nascimento. Segundo Ana Cristina, há inclusive um professor de Educação Física que chegou a tratar um outro rapaz transgénero por “princesa”.

Histórias como esta também chegam ao gabinete de Pedro Teixeira. O psiquiatra acompanha cerca de 50 jovens trans.

“As escolas são muito heterogéneas”, disse, lamentando que “existam professores provocadores”.

Para Pedro Teixeira, diretor de serviço de psiquiatria do Médio Ave e coordenador da consulta de sexologia, o diploma aprovado em dezembro pretende apenas assegurar direitos humanos e a saúde mental destes jovens que vivem em sofrimento psicológico desde muito cedo: “Imagine-se a viver num corpo errado e quando chega à escola não pode assumir a sua identidade”.

O também vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica reconheceu que existe “um preconceito cultural, fruto de um país conservador”, que leva as pessoas a “falar sem conhecimento de causa”.

Para mães como Ana Sousa era importante a promulgação do diploma, para que as famílias deixassem de estar à mercê “de quem encontram pela frente”: “É óbvio que um diploma não vai mudar mentalidades, mas pode ajudar a garantir os direitos das crianças e dos jovens, que já vivem numa angustia”.

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19 comentários

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    • Unknown on 14 de Janeiro de 2024 at 20:37
    • Responder

    Será que assim aparece dinheiro para arranjar casas de banho?
    Será que entrar num projeto destes dá Muito Bom à avalição externa ou do diretor?
    No Portugal dos pequeninos as casas de banho cheiram a esgoto, há sanitas e mictórios inutilizadas, pragas de insetos e fugas de água em torneiras e canalizações.

    • Tony on 14 de Janeiro de 2024 at 23:16
    • Responder

    Será que nesta conversa de casa de banho, alguém se deu conta que houve um professorzeco que fez algo grave? Ofender um aluno chamando em tom provocatório princesa devia ser denunciado e não menorizado. A escola pública precisava de uma limpeza… Eu começava pelos professores broncos.

    1. Qualquer dia, quando alguém branco vir um preto, um gay, um transsexual, um cigano ou um muçulmano, o melhor que tem a fazer é fugir. Pois é certo que, faça o que fizer, estará sempre errado. Aliás, o seu comentário não é nada racista!

    • Mico on 14 de Janeiro de 2024 at 23:37
    • Responder

    Sera que os tampos das sanitas vão aparecer mijados?

    • Padre Marx on 15 de Janeiro de 2024 at 0:19
    • Responder

    Gasolina porquê?
    No texto diz que foi perfeitamente normal e a gritaria das Paulas psicólogas e das Ritas deputadas sobre as “casas de banho mistas” é apenas mentira, preconceito e fazer os outros passar por idiotas

    • Piaget on 15 de Janeiro de 2024 at 7:58
    • Responder

    Acham normal considerarem o género como construção social?
    Acham normal que as criancinhas em crescimento se possam dedicar aí sexo que entendam, serem fluidas ou outra coisa qualquer, mesmo sem autorização dos pais?
    Há perturbações que explicam as dúvidas na sexualidade infantil. Qualquer dia estamos a permitir a amputação, a aplicação de hormônios e parece tudo normal? Não é!
    Outra coisa bem diferente é a orientação sexual… cada um define a sua e devíamos era ter a preocupação em respeitar essas escolhas.

    1. “Qualquer dia”? Mas isso já está a acontecer em massa e em diversos países. Veja o documentário de Matt Walsh, “O Que É Uma Mulher?”.

        • Pedro Augusto on 15 de Janeiro de 2024 at 13:09
        • Responder

        Ó senhor facho, desapareça com a sua propanda anti-LGBT. Vergonhoso. Incompetentes, raivosos e intolerantes é o que vocês são. Esse palhaço desse Walsh devia também enfiar-se no buraco putrefacto direitolas de onde saiu.

  1. – Esta guerra das casas de banho serve para dar milhões para a Ideologia de Género e outras chinesices. Muita gente vive disso. E vive bem. E serve para ajudar a destruir a Sociedade, abrindo caminho à ditadura cibernética globalista.
    – O filho do Vale de Almeida é transgénero? Que surpresa!… E que coincidência os militantes LGBTQ+ terem sempre filhos LGBTQ+!!!….
    – Nos países onde há casas de banho mistas, tem havido violações e abusos sexuais. É isso que querem?
    – Prejudica-se a maioria para agradar a uma micro-minoria artificial. Os alunos “transgénero” poderiam ir ao WC dos professores, por exemplo. Isto é um falso problema.
    – Uma violação que possa acontecer não dá primazia a alunos “que se sentem mal por irem ao WC correspondente ao seu sexo”.
    – O professor de EF chamou princesa a um aluno efeminado? Eu não sou efeminado e na EF e na tropa ouvi bem pior!!! 🙂
    – Porquê chamar o CHEGA a esta notícia? Em todo o caso, obrigado pela publicidade, pois só o CHEGA pode restaurar a sanidade em Portugal.

      • Paulo on 15 de Janeiro de 2024 at 11:30
      • Responder

      Dar LIBERDADE ao outro não tira a liberdade de ninguém!!!

      CHEGA de tanta desumanidade!

      CHEGA DE CHEGA!

      • Pedro Augusto on 15 de Janeiro de 2024 at 13:12
      • Responder

      Ó senhor facho, vocês, além de ignaro é conspiranóico. Páre de disseminar propaganda anti-LGBT, seu energúmeno. Ideologia de género não existe. Foram vocês que inventaram. Andam todos contentes a pensar que vão para o governo mas não se preocupem. Quando vier a guerra civil o povo trata de vocês. Lacaios pérfidos do capital.

      • AA on 15 de Janeiro de 2024 at 22:41
      • Responder

      A extrema-direita é muito perigosa pois são anti-liberais nos costumes, são racistas, xenófobos, misóginos e demais homofóbicos. É uma espécie de jackpot da imbecilidade, da intolerância, da ignorância e do despotismo….
      Link: https://expresso.pt/politica/partidos/2024-01-14-A-arte-de-bem-usar-as-taticas-da-direita-radical-segundo-o-Chega-b10ed82c

        • Gardner on 16 de Janeiro de 2024 at 0:40
        • Responder

        Qual extrema? A esquerda, claro…
        Considera que uma criança de 10 anos pode fazer tatuagens à vontade?
        Pode casar e ter filhos?
        Pode passar férias com namorados e namoradas?
        Pode identificar-se com o que e quem quiser? Fazer mastectomia? Retirar o útero?
        Reabram as alas psiquiátricas e internem está ideologia de género radical!

          • AA on 16 de Janeiro de 2024 at 9:45

          Caro senhor,
          Qual é a esquerda que tem no seu programa o seguinte:
          1º- As crianças de 10 anos podem fazer tatuagens?
          2º- As crianças podem casar e ter filhos?
          3º- Proibir os jovens de “passar férias com o(a) namorado(a)?
          4º- Os memores de idade poderem “retirar” o útero?
          Reabram as alas psiquiatras e internem os fascistas que querem impor uma forma igual de viver a todas as pessoas!
          Já chegou 48 anos de ditadura fascista e beata dominada por uma igreja hipócrita!

    • Woke Are Bullyiers on 15 de Janeiro de 2024 at 13:25
    • Responder

    A cultura Woke nada mais é que uma ditadura.
    Ai daquele que tenha uma opinião contrária ao que um Woke pensa.
    Ou que diga um simples facto como um bébé nascer menino ou menina.
    Defendo o direito das pessoas serem o que quiserem ser, defendo que se deve lutar pela defesa dos direitos de todos e a diminuição das desigualdades sociais.
    Esta cultura Woke não é nada disso, não passa de bullying encapotado.

      • Maria N. on 15 de Janeiro de 2024 at 18:14
      • Responder

      Apoiado

    • Maria Estafada on 15 de Janeiro de 2024 at 16:21
    • Responder

    Aqui nestes comentários todos está a prova de como os professores de tratam uns aos outros. Haja respeito! Cada um é livre de ter a sua opinião sem comentários maldosos dos outros colegas. Podemos concordar ou discordar, tudo bem! No Entanto, acho que não há necessidade de tratar mal ninguém.

    • Maria N. on 15 de Janeiro de 2024 at 18:10
    • Responder

    Infelizmente, o colega que diz “Woke are bullyers” tem toda a razão, o wokismo é uma ditadura . Recomendo vivamente o livro do pensador francês Jean-François Braunstein “A religião woke”

    E não me venham com insultos que não sou simpatizante de partidos fascistóides, sou uma pessoa de esquerda.

    Mas, como diz Susan Neiman, “left is not woke” , por ser de esquerda, não sou obrigada a aderir a esta religião nascida nas universidades americanas eque já anda a fazer estragos por toda a Europa também.

    E as pessoas bem intencionadas da escola que arranjou uma casa de banho neutra, nem sabem o que manda o wokismo, não é haver um wc ou balneário neutro, contra isso não tenho nada, acho até uma excelente solução, o que os wokes querem é que SÓ haja casas de banho mistas e qualquer homem pode entrar onde estiver uma mulher , ou menina, basta dizer que se sente mulher, naquele dia, ou naquela hora, porque isto dos géneros, pode ter-se 1 ou meio, ou 3 ao mesmo tempo, depende exclusivamente da vontade do “freguês”. Se acham que estou a inventar, informem-se.

    • Anónimo on 17 de Janeiro de 2024 at 23:58
    • Responder

    É uma loucura.
    Como é que se pode pensar que um problema psicológico se resolve desta forma?

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