– Acredite quem quiser –
A realidade é que na maioria das escolas públicas, agora aniquiladas em agrupamentos, quase metade dos professores ronda os 60 anos de idade e com mais de 30 anos de serviço letivo/outro ininterrupto altamente complexo e mal-ajambrado, mesmo em férias, no qual se destacam as “alarvidades” de:
–Cumprirem presença hora a hora no local de trabalho a toque de campainha ensurdecedora que se ouve a centenas de metros de distância – única profissão do mundo com este método de presença obrigatória dos trabalhadores que em circunstância alguma podem chegar atrasados senão têm falta que terão de justificar oficialmente, tendo de despender tempo e dinheiro para obter comprovativos.
–Manterem-se 5, 10, 15 ou 20 minutos de intervalo hora a hora (entre as 8.00h e as 18.30h ou 23.30h se com ensino noturno) de presença obrigatória no local de trabalho e em trabalho para se deslocarem entre salas, tratarem de assuntos profissionais, transportarem materiais de apoio, etc., mas que não contam no seu horário semanal de trabalho e que podem atingir cerca de hora e meia no total diário – autêntica exploração laboral.
–Verem vários anos de tempo de serviço não contabilizado para efeitos profissionais.
–Passarem no local de trabalho vários furos de horas entre aulas ou serviços, durante a manhã/tarde/noite para além da interrupção para o almoço.
–Dinamizarem ou participarem em várias reuniões por semana previstas e não previstas que não estãocontabilizadas no horário semanal sempre fora deste horário com duração dependente dos assuntos a tratar, por vezes muito para além das 7 horas de trabalho diário e/ou em 2 turnos interrompidos (manhã e tarde ou manhã e noite) e/ou em 3 turnos (manhã/tarde/noite).
-Frequentarem formação obrigatória sempre fora do horário laboral na maioria paga pelos próprios professorese sem direito a refeições pagas ou quase sempre sem pagamento de ajudas de custo ou transporte, portagens e parques pagos, porque normalmente ocorre nas cidades.
-Elaborarem relatórios ou outros documentos obrigatóriosem períodos de interrupção ou de férias, sob pena de serem erradicados definitivamente do sistema/emprego ou com consequências imprevisíveis se não os entregarem.
-Preencherem e entregarem todo o tipo de documentação obrigatoriamente em prazos curtos, independentemente da sobreposição com outros serviços, sem qualquer hipótese de serem assegurados por outros colegas de trabalho.
-Candidatarem-se a concursos ou aguardarem a saída de resultados em momentos imprevistos de interrupção ou de férias e em que os professores não se podem ausentar porque os prazos para procedimentos são curtos e obrigatórios, sob pena de serem erradicadosdefinitivamente do sistema/emprego se não os cumprirem.
–Estarem impossibilitados de ocuparem tempo de preparação de aulas adequado à especificidade, devido à diversidade de níveis em lecionação simultânea.
–Ser-lhes vedada a possibilidade da constante necessidade de preparação prévia a cada aula de materiais e de espaços para aulas práticas/laboratoriais, devido à diversidade e alteração de níveis entre aulas e à ocupação plena das salas de aulas específicas.
-Inviabilizarem-lhe a prestação de um ensino motivador para os alunos por falta de atualização permanente de espaços, equipamentos e materiais, impossibilitando as escolas de serem locais pioneiros de inovação e estudo, transforando–as em instituições retrógradas permitindo que o cidadão ou empresa comum tenha primeiro acesso e conhecimento das coisas do que a escola, onde osprofessores se transformam nuns autênticos “palhaços” do sistema perante os alunos que até gozam com eles por não dominarem minimamente a atualidade quanto mais o estudo do conhecimento numa perspetiva futura, tornando a escola numa autêntica sepultura.
–Terem consciência de que aquilo que estão a ensinar aos alunos é surreal, insignificante e irrelevante face ao que eles aprendem na sociedade sem a sua colaboração, ridicularizando o ensino para um processo em vias de extinção face aos avanços planetários, apelidando-os de caquéticos e lorpas inúteis, demonstrando que a sua profissão terá um fim próximo, pois são autênticos estorvilhos ao processo evolutivo de aprendizagem virtual e artificial, por isso brevemente não haverá falta de professores, tal como aconteceu quando os mandaram emigrar por reduzirem pares pedagógicos e cargas horárias em disciplinas práticas ou até acabarem com elas.
-Inventarem sistematicamente processos complexos e sofisticadíssimos de registo de dados de avaliação dealunos contemplando simultaneamente centenas de indicadores em constante mutação, transformando-se em autênticos programadores informáticos, quando deveriamutilizar a totalidade do seu tempo na avaliação dos testes/trabalhos dos seus alunos e serem portadores no seu contexto familiar de dados sigilosos completamente desprotegidos – se um professor morrer ou ficar incontactável quem tem ou onde estão os seus dados da avaliação dos alunos? Na plataforma do ministério da educação não porque é inexistente.
-Concentrarem trabalho em excesso cumulativamente com o horário laboral e de reuniões nos momentos de avaliação de centenas de testes/trabalhos que demoram cerca de uma hora cada e que é urgente classificar, necessitando de carregar com eles e de levá-los para casa aos serões, madrugadas e fins de semana, bem como desprezando as suas famílias, os seus amigos e os seus tempos livres.
–Passarem parte da vida com a casa às costas, tendo de manter mais uma ou duas casas simultaneamente, sem possibilidade de constituir estabilidade familiar, atendendo às múltiplas limitações e indecisões.
–Durante toda a vida profissional, terem de gozar os dias de férias sempre em final de Julho e Agosto quando tudo é muito mais caro, é uma confusão total e os locais mais agradáveis estão inacessíveis, mas continuarem a ser vistos como beneficiários de dias de férias durante as interrupções letivas quando efetivamente nessas alturas têm de executar imensas e diversificadas tarefas complementares que lhes ocupam a maioria desse tempo em que não estão a lecionar, algumas determinantes para a sua atualização constante e muitas completamente inúteis de teor meramente burocrático e que lhes provocam imenso desgaste.
-Atenderem e gerirem simultaneamente até 30 utenteshora a hora com uma astúcia diversificadíssima, num só espaço sem atratividade ocupacional generalizada em que as salas de aula se transformaram face à complexidade em que a vida em sociedade se desenvolve, dando obrigatoriamente prioridade aos ritmos diversificados de aprendizagem, sob observação e crítica constante na posição de alunos em idade e postura desafiadora por vezes ávidos de expressividade/agressividade, permanentemente assessorados por encarregados de educação/pais que assumem funções distintas deatentos/conhecedores/compreensivos/colaborantes/especialistas/dominadores/manipuladores/perseguidores/perturbadores/ameaçadores/agressores/etc., consoante os seus interesses momentâneos.
-Conceberem, produzirem e preencherem documentação com centenas de folhas de papel e online com caráter de urgência, a maioria repetitiva/redundante e sem qualquer utilidade que deveria ser assegurada pela administração educativa porque não tem nada a ver com as funções especificas dos professores e que lhes provocam stress, desgaste e desespero.
-Cumprirem integralmente milhares de normativos legais permanentemente revogados, alterados e novossimultaneamente em vigor, que têm de ser imediatamente interpretados e respeitados ainda antes de serem publicados oficialmente, com conteúdo juridicamente complexo e determinante na vida escolar dos alunos e nos deveres dos professores, sem qualquer apoio técnico ou específico para no final da sua aplicação não produzirem qualquer efeito positivo no desenvolvimento das aprendizagens dos alunos e o processo educativo estar cada vez pior onde o evidente sucesso educativo é alcançado pelo laxismo exigido aos professores.
-Acompanharem e elaboração de processos disciplinares a alunos/professores/funcionários, que normalmente noutras áreas são assegurados por advogados ou serviços avençados, mas que são efetuados pelos professores sem qualquer tipo de assessoria jurídica, antes pelo contrário, o ministério da educação tem gabinetes jurídicos e inspeções-gerais para atacar, crucificar e penalizar os professores no desempenho das suas funções, levando-os à eventual erradicação do sistema/carreira/emprego.
–Serem obrigados a inventarem e dinamizarem atividades diversificadas que não têm nada a ver com o desempenho profissional dos professores, mas que estes têm de assegurar em acréscimo ao seu trabalho e nos seus tempos livres para as administrações educativas, as autarquias e as instituições se vangloriarem de promoverem grandes eventos de puro divertimento pavoneadas pelo mito da integral formação dos alunos e para as comunidades educativas participarem e convidarem as entidades oficiais para aparecerem na comunicação social e fazerem brilharete à custa do sacrifício de alguns professores e presenteio de outros.
-…. E muito mais.
Pelo exposto, pode concluir-se que a maioria dos professores em fim de carreira, que deveriam já estar aposentados por excesso de descontos e de idade, têm de continuar a trabalhar em estado mental completamente debilitado e lamentando-se sistematicamente no seu dia a dia de estarem cansados, saturados, exaustos, desgastados, desmotivados, abalados, deprimidos, debilitados, tristes, infelizes, arrependidos, frustrados, destroçados, estoirados,trucidados, irritados, revoltados, transtornados,descompensados, doentes, agredidos, etc., faltando ao serviço e aparentando andar em transe sem saberem o que têm, quiçá estarão malucos, tal como se dizia noutros tempos quando se tinham problemas que ninguém conseguia resolver, mas atualmente, sem que qualquer político se preocupe minimamente com eles ou com o futuro dos jovens seus alunos, inclusive os anteriores e oatual ministros da tutela que revelam pelos professores um total desprezo e desfaçatez, vangloriando-se do que estão a fazer e assumindo o comando dos guerreiros contra os professores e na destruição do ensino e da escola pública, têm de manter-se no ativo. Estes professores mantiveram-se dezenas de anos na profissão na expetativa de se aposentarem com 55 anos de idade e 36 anos de serviço, tal como foi proporcionado aos seus colegas sem penalizações e ainda atualmente a algumas classes de distintos privilegiados, mas aqueles viram esse horizonte transformar-se em quase 67 anos de idade e mais de 40 anos de serviço. Foi um aumento de 12 anos na idade, notrabalho e nas contribuições. Uma injustiça ultrajante, única, inigualável e arrasadora de qualquer ser humano, sendo por isso qualificável como um autêntico atentado aos direitos humanos e ainda agravado pela punição redundante nos que a sofrem e não nos que (i)legalmente a legislaram. Um ato selvático e criminoso perpetuado por políticos verdadeiramente assassinos que matam lentamente estes professores infringindo-lhes barbárie, tortura e crueldade que há muito era punida no ser humano e agora até nos animais. Mas, neste país, governam os crápulas, os carcereiros e os seus capangas que vivemluxuriosamente à custa dos que martirizam, mas a vingança poderá chegar um dia.
O sucesso de uma classe verifica-se pela sua união nos direitos equilibrados e nos contributos dos que a mantêm unida, pelo que os professores estão sistematicamente desunidos porque os seus dirigentes tudo fazem para os diferenciar e subjugar. Como exemplo: enquanto os médicos estiveram unidos com direitos equivalentes os cuidados de saúde foram satisfatórios, agora é o descalabro total por cada um ganhar muitíssimo mais do que o outro.
Aos 60 anos de idade e/ou 40 de serviço pelos sacrifícios que passaram, quando deveriam estar a cuidar dos pais, os professores estão no auge contributivo e à beira do delírio, sem verem a sua profissão considerada como de desgaste rápido, tal como já foi amplamente reconhecida.
Eu, Carlos de Almeida Tiago, sou um deles com perto de 63 anos de idade e de 43 anos de serviço que nunca faltou por doença e sem qualquer falta durante perto de 30 anos seguidos, a quem (a CGA) não contempla o direito à acumulação e bonificação de 30 dias por cada ano de serviço sem faltas em resultado do incumprimento da lei que vigorou durante 11 anos, cumulativamente com outros direitos para a aposentação, mas que atualmente me encontro de baixa psiquiátrica, vítima de “burnout” que não é considerado doença profissional e dito na gíria, por finalmente ter ficado maluco na qualidade de professor, “a Bem da Nação” e, devido a isso, até ao final da minha vida, não posso nem quero ver nem relacionar-me com qualquer tipo de político de esquerda, do centro ou de direita do atual sistema corrupto implantado, tenha ele ou não culpa por me terem retirado dezenas de direitos inalienáveis alcançados por anteriores negociações entre governos/sindicatos e nem pretendo votar em quaisquer eleições até que haja uma nova Revolução.
O 25 de Abril de 1974 não se fez com votos!
Está na altura de nós professores assumirmos o papel dos militares (sem medo) que àquela data o iniciaram e fazermos uma nova Revolução que despoje de poder os privilegiados políticos que vivem à custa deste sistema apelidado de democrático que está a criar uma sociedade exclusivamente de ricos e pobres, ambos subsídio-dependentes, os primeiros para sustentar projetosmegalómanos e os segundos para alimentar misériaperversa, trucidando a classe média que só vive para pagar cada vez mais impostos e trabalhar até morrer.
Nós professores, temos de deixar de fazer greves/manifestações/etc. que só nos prejudicam e devemos aplicar a nossa cultura, experiência e ação para assumir as rédeas do poder e praticar atos de justiça, pois somos em número suficiente para ocuparmos todos os órgãos representativos de manipulação política onde se tomam decisões e os tais ajustes diretos. Fim aos votos efim à nossa participação no sistema. A Escola foi a última Instituição Pública a apodrecer. Nem mais um cêntimo para “jornadas”, “futeboladas”, “tapadas”, “ptadas”, “espirotosantadas”, “inauguraçõesadas”, outras trapalhadas e muito menos para guerras, enquanto não forem repostos direitos roubados aos professores. Alguns de nós até estamos lá, temos lá os nossos filhos, sentamo-nos lá à mesa com eles, relacionamo-nos lá com eles, etc..Porquê continuar a venerá-los? O “sócratismo” não fez as negociatas sozinho, tinha excelentes colaboradores que andam por aí à solta a cometer os mesmos crimes e todos sabem quem são, mantendo-se intocáveis e elegíveis. Só não vê quem não quer. Um país não é um presidente ou um rei que passa a vida a tirar selfies a trocar piropos com governantes e a verem molestar crianças achando que foram poucas. Um país é o Povo a viver bem e saudávelsem covidismo. Vamos unir-nos, boicotar tudo onde participamos ou que fazemos e assumir o poder da justiça participativa justificada. Seremos a Junta de Salvação de Portugal se soubermos articular o nosso poder organizativo e igualitário. Os Professores foram, são e serão sempre o Futuro e o melhor exemplo para os Jovens.
Já lá estou para o que der e vier, porque um malucopode sempre dizer o que lhe vai na “alma”!




16 comentários
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“Cumprirem presença hora a hora no local de trabalho a toque de campainha ensurdecedora que se ouve a centenas de metros de distância – única profissão do mundo com este método de presença obrigatória dos trabalhadores que em circunstância alguma podem chegar atrasados senão têm falta que terão de justificar oficialmente, tendo de despender tempo e dinheiro para obter comprovativos.”. Que exagero, não generalize!!!!
Por favor, indique e descreva profissões/profissionais que sejam controlados de forma idêntica.
Não é exagero.
É a pura das verdades. Aliás, na minha escola já se tapam os ouvidos quando se percebe que está na hora do toque. E não são só os professores a fazerem-no.
A sua voz é a minha voz. Estou com problemas de coluna, junho e julho foram desesperantes, só à força de comprimidos para não faltar. A acumular tenho que cuidar da minha mãe de 88 anos. Ansiosa pelo dia da reforma, conto os dias mas só vejo negro ao fundo do túnel. Desiludida e desanimada. A última desilusão foi com o Sr. Presidente Marcelo. Os professores têm mesmo que se unir e “ir enfrentar as feras”. Espero que em setembro iniciativas haja que me façam levantar e empunhar espadas, mas greves não, eles até gozam, isso é o que os Costas querem. “Às armas colegas, às armas.”
Contra estes políticos “Lutar, lutar”
Estou totalmente de acordo consigo.
Estou com a coluna vertebral completamente desfeita. Demasiado tempo a produzir papeladas inúteis e outras tretas, dizem-me os médicos. Demasiado tempo a pensar na escola em vez de pensar em mim e na minha família.
A única forma é nos unirmos a sério e lutar. SEM NUNCA DESISTIR!!
Até eu, que vou abandonar o vínculo ao Estado, ao fim de 28 anos como professor, estou incrédulo com muito do que o Carlos Tiago (?) escreve. Pelo menos, assume o óbvio…. Está descompensado e o seu texto contém laivos de insanidade claros. Se, por um lado, muito do que escreve, acontece, por outro lado, há cenários apocalípticos a lembrar uma escrita dos ultra românticos do último quartel do séc. XIX com um traço, já para a 2a metade do artigo, em apoteose, de um Álvaro de Campos na sua melhor embriaguez futurista. Ninguém é “irradicado” do Sistema, caro colega….. Por favor! Sabe que, nos últimos 3 anos, generalizou – se uma prática fantástica?…. Os professores excluídos dos concursos, podem voltar a concorrer às ofertas de escola que quiserem. Claro que isto não lhe diz nada, Carlos Tiago, porque, o mundo dos contratados (que, digo – lhe agora, que fui de quadro 2 anos, é bem melhor do que ser efectivo) , não lhe diz nada porque, basta trabalhar , como bem o afirma, com a faixa etária dos “instalados no Sistema”, vulgo QE’s, para perceber que não sabem nada, mas rigorosamente nada, sobre os concursos de contratados. O Carlos Tiago traça um sistema contorcionário que, em boa verdade, o pode ser se os professores continuarem a ser os melhores paus mandados do Estado. Digo-lho aqui, com toda a propriedade, que não fiz metade do que elenca na sua enorme lista de tarefas que, supostamente, os professores têm de cumprir. Acredito que muitos o tenham feito. Os professores são uma classe com medo e que não fez uso do poder que a formação superior lhes deu (não me refiro aos que têm agora por volta dos 30 e poucos anos porque, esses, já são da Desgraça Bolonhesa e mais não digo). Limitou – se a obedecer, anos a fio. Os da sua faixa etária (mas também os da minha, que tenho 51 anos) não colocam nada em causa, não questionam nada, em conselhos de turma têm a cabeça toda minada de paleio do Eduquês, do género “Será vantajoso reter este aluno, mesmo que ele tenha 6 negativas, embora merecesse umas 10,tenha partido a sala de aula toda por duas vezes, batido no colega tal, 20 faltas disciplinares….. Será vantajoso reter (atente-se no preciosismo do” reter “) este aluno?”. Poderia nomear aqui muitas outras excrecências, como a formação em massa na tal da capacitação digital e a alegria com que alguns falam deste cancro do sistema educativo, como se tivessem feito algo heróico, ao “venderem – se” ao lobby das grandes multinacionais informáticas que estão (mas não sozinhas!) a minar a escola pública. Dediquei-me única e exclusivamente aos alunos 28 anos, caro Carlos Tiago. Talvez por isso, e entre o meu círculo de amigos, tenha ex alunos. As minhas medalhas não passam por aí. Passam por 28 anos de queixas de pais inflamados com terminologia diversa (“muito exigente…. dá demasiado trabalho…. os miúdos sentem muita pressão na avaliação…. leva a História demasiado a sério….. fala de assuntos que o manual não aborda….”). Medalhas, meu caro! Os alunos, uma grande parte deles, acaba sempre por reconhecer que, na verdade, conseguiu perceber História, embora nunca a tivesse visto exposta como a expús ao longo de quase 3 décadas. Claro que não. Os professores não estão para se “chatear”. Realmente, estão mais preocupados com aquela lista interminável de tarefas obtusas, tenho de reconhecer. Aí, o Carlos Tiago tem toda a razão. No meu caso, há coisas que cita que, para meu contentamento, desconhecia. Parece – me bom sinal.
Irradicações, caro Carlos Tiago, teríamos com uma extrema direita ou uma extrema esquerda. Chamam-se saneamentos. Apontar o dedo ao político tal, ao partido tal é uma prática usual por aqui. Não perceber que a Democracia não nos deveria ter transformado em paus mandados, como o fomos 50 anos, à força da boa maneira fascista, durante uma ditadura, é não perceber que os professores também tiveram culpa!
Isto está cada vez pior. Mais um…
Texto de enorme conjunçao estrutural, advida de fatores intrépidos mais que interessantes no intenso palrar do infinito extrudido, mas que se passa injetota do multisistema nacional abrileiro das madrugadas sem qualquer velocidade de parca estruturação do penosado infinito
Ufa, custou-me mais ler esta meia dúzia de linhas do que o texto do amigo Carlos… mas que é erudito… é! 🤯
Contratados com pouco tempo de serviço com menos de 5 anos, ficam no desemprego dia 31 /08, depois nunca sabem quando é que vão ter colocação de novo …, é uma preocupação constante que acaba por “estragar” as ditas férias e descanso até psicológico…,e mais os contratados por terem contratos a termo resoluto nem podem aceder a crédito para a compra de casa nem de carro acabam por viver sabe-se lá como e onde. Vivem numa INSTABILIDADE FINANCEIRA PERMANENTE! É uma pobreza envergonhada uma realidade que a maioria das pessoas desconhece .Tudo isto é vergonhoso e muitos já se encontram com 50 e tal anos! Vivem na PRECARIEDADE com ajudas de familiares caso tenham ainda conseguem arrendar casa, caso contrário, é muito preocupante a situação destes profissionais. Num país de Estado de Direito, dito evoluído, civilizado, justo, todos aqueles que ensinam há mais de 3 anos consecutivos com horário completo ou incompleto deviam ser logo efetivados diretos!
Sem exemplo, conheço vários contratados que dizem preferir continuarem a ser contratados e não efetivarem.
Dizem que assim conseguem ir parar onde querem. Mas isso é o que me dizem.
Em muitos agrupamentos, já não existem campainhas. No 1.º ciclo, as campainhas não tocam de hora a hora. “(…)em circunstância alguma podem chegar atrasados senão têm falta”- trabalho e trabalhei em agrupamentos, com tolerância de 15mn ao 1.º tempo (manhã e de tarde).
Todos generalizam. Generalizamos tudo. As cores e tendências políticas ditam uma parte substancial do que pensamos e das posições tomadas; a outra parte é ditada pelo que tomamos como pessoal ofensa. Colega, o que me parece importante responder é que lamento, antes de mais, que se sinta assim, que esteja a passar e tenha passado por tudo isso, na própria pele ou vendo outros a passá-lo. O seu sofrimento merece a nossa solidariedade e respeito da parte de quem tem o nome de colega de profissão. Menos razoável ou mais, mais generalizável ou menos, há infelizmente uma crosta de uma ferida coletiva que se levanta dolorosamente em muitos pontos que o colega toca. A democracia faz-se das opiniões, mas se não formos humanos e não nos preocuparmos com o que acontece aos outros, perderemos o único traço que caracteriza a verdadeiramente a civilização. Afinal temos sido professores e formadores a vida toda, ou não? Porquê tanta dureza entre nós para, depois, andarmos a cultivar por vezes a patetice e a submissão com diretores, alunos e encarregados de educação? Típico de uma classe sem autoestima. A violência da opinião – estou a referir-me à opinião anónima ou quase anónima – treinada há décadas no desaforo imersivo das redes sociais não leva a nada. Os milhares de professores que se manifestaram ao longo do último ano provam que muita coisa está mal e isso significa que muitas pessoas estão mal, e não sem razão ou razões para isso e entre essas razões estão cenários como os que o colega descreveu. Oxalá o ensino possa encontrar um rumo que dê à escola o valor e o sentido que ela merece. Oxalá tivéssemos uma sociedade que não permitisse injustiças como as da aposentação de uns já velhos e doentes e de outros ainda jovens e sadios. Mas isso nunca acontecerá enquanto eu não perceber que a minha vida só vai correr melhor quando o bem-estar dos outros estiver assegurado também.
Excelente!
No meu horário quase todos os dias dei mais 30 minutos ao ministério da educação *(dois intervalos de 5 minutos e um de 20 minutos)em que aproveitei para tratar de assuntos da escola ou mudar de edifício/sala. Ou seja no final da semana serão 2h30 acrescentar às 35h semanais. Em todas as profissões esta deve ser a única em que lanche da manhã não está incluído nas 35h. Os nossos sindicatos também devem exigir que os” intervalos ” sejam incluídos nas 35h. Nós também queremos equidade nestas situações.
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