O Ministério da educação mudou de política?

 

Tenho a minha vacinação agendada para domingo e recebi um computador com ligação à internet, que me permitiu deixar de ter interrupções durante as aulas síncronas, apesar de só ter acontecido na última semana de E&D. Com tantas benesses de um ministério que tem sido penalizador dos professores, o que pode explicar esta mudança de comportamento?

No caso das vacinas a explicação mais simples pode ter a ver com a existência de vacinas, mas se nos lembrarmos que este ministério já teve uma atitude negacionista do impacto da Covid nas escolas e só as fechou depois de muita pressão dos professores e da opinião pública, teremos de colocar pelo menos outras hipóteses. O que fez o ministério da educação promover testes de despistagem e tornar os professores prioritários na vacinação, no âmbito das funções essenciais do estado, como já foram os médicos, enfermeiros, assistentes da saúde, outros técnicos de saúde, bombeiros, polícias, etc? Ou há informação oculta sobre o Covid nas escolas ou está na hora do governo ser simpático porque se aproximam eleições municipais, importantes para um governo minoritário? Quando a esmola é muita o pobre desconfia…

Outro facto positivo foi o programa de apetrechamento dos professores em teletrabalho com computadores e internet, uma obrigação legal da entidade patronal para com os subordinados em teletrabalho. Podemos pois interpretar esta distribuição de computadores como o governo estando a cumprir a lei, ainda que tardiamente, depois de alguns professores terem promovido o apagão de protesto contra esta situação. Mas, como o ministério optou por nada dizer durante os protestos, aqui também temos de colocar outras hipóteses. Porquê a opção por ceder em regime de comodato computadores aos professores quando as escolas estão ainda mal equipadas? (Ainda agora mandei um mail à direção da minha escola a pedir para me garantirem uma sala de informática numa disciplina em que estou a dar um programa informático quando dia 19 regressarmos ao ensino presencial e não a terei em todos os tempos como já aconteceu no passado, colocando-me problemas do que fazer nas salas de aulas sem computadores que me permitam cumprir o programa?). Havia dinheiro para gastar dos fundos europeus e comprar computadores portáteis foi a solução mais exequível? Porquê gastar este dinheiro em computadores quando se podia acabar com as restrições administrativas nas subidas de escalão aos 5º e 7º, como pede uma petição? Outra hipótese, já colocada acima, é não podermos ignorar que se aproximam eleições municipais…

Concluindo, há aqui uma mudança de política, de aproximação a algumas reivindicações dos professores, como a vacinação destes, que aumenta a segurança nas escolas contra o Covid e o cumprimento de condições legais no que toca ao cumprimento das condições legais quanto ao teletrabalho. Esta mudança terá a ver com o calendário eleitoral, em que cede alguma coisa, sem resolver problemas de fundo, como escolas mal equipadas no parque informático ou tornar a carreira de professores atrativa?

Rui Ferreira

 

Link permanente para este artigo: http://www.arlindovsky.net/2021/04/o-ministerio-da-educacao-mudou-de-politica/

20 comentários

Passar directamente para o formulário dos comentários,

    • Xico on 13 de Abril de 2021 at 17:48
    • Responder

    Computador? Sou QZP e não recebi nenhum!
    Se estratificasse assim os alunos em sala de aula?
    Professores de primeira e de segunda!
    Abraço, para os donos disto tudo … na Escola!

      • Tretas on 13 de Abril de 2021 at 18:23
      • Responder

      Também sou QZP e não recebo nada. A vacinação é questionável, pois a ver vamos se a longo prazo será a solução?

      As vagas do concurso interno são essencialmente negativas. Perdeu-se a oportunidade de dar estabilidade às escolas e profs. Paira no ar a ameaça injusta e totalmente desadequada de só atribuir horários completos no concurso da MI. Vamos parar em cascos de rolha e em tempos de pandemia!

      A mobilidade por doença continua a ser um concurso cego sem qualquer fiscalização.

      Continuam as injustiças das quotas de acesso aos escalões 5º e 6º.

      Não vejo nenhuma mudança de atitude!

    • Maria Gabriela Canastra on 13 de Abril de 2021 at 17:59
    • Responder

    Olá boa tarde

    Teve muita sorte em receber um comutador mesmo no apesar de só ter acontecido na última semana de E&D.. Eu não recebi nenhum computador nem sei de nada sobre esta matéria. Sou professora do Q.E do agrupamento de escolas D. João II – Caldas da Rainha
    Quanto à vacina, porque pertenço ao grupo 910 de Educação Especial, recebi a da farmacêutica da astrazeneca, no fim de semana de 27 e 28 de março. E agora não sei o que vai acontecer!

    • john on 13 de Abril de 2021 at 18:05
    • Responder

    Alguém tem um euro?

    • João Almeida Pinto on 13 de Abril de 2021 at 18:11
    • Responder

    Caro Rui,
    Eu próprio já alertei aqui para essa questão (eleições autárquicas) e o sinal, mesmo que disfarçado, de aproximação(?) à classe docente (perdão, eleitora).
    Todos nos lembramos de um 1º Ministro que ‘tinha uma enorme paixão pela Educação’ e, também, todos vimos como terminou, após um mau resultado autárquico (2001).
    Por isso, e como diria o outro, ‘firme e hirtos’, chegou a altura de conversarmos, a saber:
    . 6 anos e meio de tempo de serviço prestado e não contado;
    . congelamento de carreiras (4º e 6º escalão);
    . aposentação dos colegas mais velhos;
    . concursos + precariedade de colegas contratados e QZPs;
    . redução do n.º de alunos por turma.
    Aguardemos pois…

    • Filipe on 13 de Abril de 2021 at 18:48
    • Responder

    Duas opções para criarem doentes crónicos a longo prazo . Oftalmologia : problemas visuais de excesso de tela , Ortopedia : postura e tempo demasiado frente a telas , Oncologia : efeito da radiação internet e magnética dos Pc´s juntamente pela alteração de genes da vacina e Psiquiatria : demência e alterações de comportamento frente das telas e seu excesso . Eis a receita fabulosa que junta ensino à distância e vacina . Ninguém escapa , esperem é sentados pelos consequências ou pensam que o mal só acontece aos outros . No meu tempo só se entrava para jogar Tetris e Pac -Man numa sal de jogos com 16 anos . Agora já dão Pc´s a alunos de 6 anos para verem pornografia e pesquisarem “nua” no Google , esperem sentados nas alterações à personalidade humana , para pior e bem pior .

    • Matilde on 13 de Abril de 2021 at 18:58
    • Responder

    Não creio que o Ministério da Educação tenha mudado, efectiva e genuinamente, de política…

    O “apelo da bondade” induzido por actos eleitorais, neste caso eleições autárquicas, dentro de alguns meses, é muito forte e irresistível. E é apenas isso: uma “tentação” indisfarçável e impossível de ultrapassar…

    O Ministério da Educação limita-se a “adoçar a boca” aos profissionais de educação com pequenas “guloseimas”, tentando dessa forma iludi-los e fazê-los esquecer tudo o resto que há para mudar…

    A resolução dos “problemas de fundo”, como afirma o Rui Ferreira, pode esperar…

    No imediato importa apenas iludir e “mudar algo para que tudo fique na mesma”…

    • Zaratrusta on 13 de Abril de 2021 at 19:25
    • Responder

    Portugal regista um novo máximo no índice de estupidez: depois de tudo o que aconteceu até agora, políticos e especialistas continuam a afirmar que as escolas são um lugar seguro.

  1. No meu agrupamento foi enviado e-mail com a informação que existem computadores mas só para os da casa. Todos os que vão a concurso, mobilidades, contratados espero que entendam mas não vão ter …..
    Enfim cada um faz as suas regras

    • Roberto Paulo on 13 de Abril de 2021 at 19:40
    • Responder

    Recebeu um computador? A sério? Novidade absoluta para mim. A antiga professora de Português do meu filho mais velho leva o seu próprio PC para a escola (pois está a lecionar aquela coisa do «misto»), para lecionar à distância.

    • Nanda on 13 de Abril de 2021 at 19:59
    • Responder

    Sim, sorte a sua de ter recebido um PC. Na minha escola, nem se fala no assunto, nem para QE, nem para QZPs, nem para contratados!!! Nem para alunos com escalão!!!! Nada!!!!
    Quanto ao resto, só se deixa enganar quem quer, vê-se bem que é tudo estratégia eleitoralista!!!!!!!

    • Filipe Sampaio on 13 de Abril de 2021 at 19:59
    • Responder

    É a isso que chama mudar a política??????
    Tenha dó! Será que sofre da síndrome de Estocolmo? Consulte imediatamente um médico.
    Uma vacina de 5.ª escolha e um computador(!) magalhães, emprestado. A sopa que se dá aos pobres é OFERECIDA…
    Mudar a política seria fazer voltar a democracia às escolas, livrando-nos de uma gestão TOTALMENTE salazarenta; seria eliminar as quotas na progressão na carreira; seria repor ALGUMA DIGNIDADE à profissão docente.

  2. Estes computadores são emprestados … Cuidado com os acidentes. Ainda pagam um computador que não é vosso.
    Acidentes acontecem.

    • PipaII on 13 de Abril de 2021 at 21:45
    • Responder

    Só serve para enganar a opinião pública, os professores não, pois sabem bem o que a casa gasta. Se realmente houvesse vontade de mudar alguma coisa era acabar com esta carreira estranguladora em que só alguns ascendem e não necessariamente os melhores, pois isso já se viu que não é deste modo que se consegue.

    • Rui Ferreira on 14 de Abril de 2021 at 9:38
    • Responder

    Concordo.
    Era isso o propósito do artigo, desmistificar estas «benesses», que não alteram os problemas de fundo. Mas como o fiz de forma interrogativa, houve quem não percebesse a mensagem.

      • Matilde on 14 de Abril de 2021 at 10:46
      • Responder

      Há pessoas que, definitivamente, ainda não perceberam a diferença entre uma frase do tipo interrogativo e uma frase do tipo declarativo…

      Sem me querer armar em Professora de Português, aqui fica um pequeno esclarecimento sobre essa diferença, dirigido a quem ainda não a tenha percebido:

      Tipo declarativo – A intenção de quem fala é informar, apresentar um facto, uma ideia. A frase termina com ponto final ( . ).

      Tipo interrogativo – A intenção é perguntar. A frase termina com um ponto de interrogação ( ? ).

      Ler mais: https://segundociclo.webnode.pt/products/tipos-e-formas-de-frase/

      (Roubado da net, mas com o respetivo “link”…).

      1. A frase interrogativa insinua a “possibilidade de…”.
        Neste caso não existe. Percebeu ou tenho de ir à “net” procurar “suporte”?

          • Matilde on 14 de Abril de 2021 at 16:13

          Sinceramente não percebi a sua resposta… Agradeço esclarecimentos adicionais, se não for pedir-lhe muito…

          • CJ on 14 de Abril de 2021 at 21:23

          Continue a tentar … pensar. Se não for pedir-lhe muito…

    • Pedro on 16 de Abril de 2021 at 12:47
    • Responder

    Na minha escola (Tavira) vão começar a entregar os PC aos professores na próxima 2feira, precisamente no dia em que recomeçam as aulas presenciais…
    #semcomentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

Seguir

Recebe os novos artigos no teu email

Junta-te a outros seguidores: