Bem-estar dos alunos melhorou com o regresso ao ensino presencial
Quase 60% dos educadores de infância e professores do 1º ciclo consideram que o bem-estar e a saúde mental dos seus alunos melhoraram com o regresso ao ensino presencial.
Um terço destes profissionais assinalou também que o seu bem-estar melhorou nestas circunstâncias, e 13,6% considerou estar agora em situação pior.
Estes são alguns dos dados obtidos através da consulta nacional, promovida pela Federação Nacional da Educação (FNE), sobre as condições em que o regresso presencial está a decorrer no âmbito da Educação Pré-Escolar e do 1º Ciclo do Ensino Básico – para Docentes e Não Docentes.
Com base nos dados recolhidos, assinala-se como primeiro conjunto de conclusões, que:
– 32,8% dos docentes regista que o seu bem-estar e saúde mental melhorou com o regresso à atividade letiva;
– 13,6% considera-se pior em termos de bem-estar e saúde mental com este regresso;
– 58% dos docentes assumem que a saúde mental e o bem-estar dos alunos melhoraram neste regresso ao ensino presencial;
– 92% do número total de Docentes consideram que os alunos se adaptaram ao regresso às escolas.
O regresso ao funcionamento das escolas com alunos não trouxe qualquer mudança ao nível de bem-estar dos Trabalhadores Não Docentes, que genericamente se têm mantido em atividade nas suas escolas.
Uma segunda conclusão remete-nos para o cumprimento das regras de segurança nas escolas por parte dos alunos, sendo significativo que 37% dos Docentes refira que os alunos não estão a cumpri-las. Este dado é depois confirmado por mais de 80% dos inquiridos que consideram que o distanciamento social não é respeitado, havendo ainda 52% a referirem a falta de uso da máscara facial nos espaços comuns. De qualquer modo, não podemos esquecer de que estamos neste momento a tratar de alunos do Pré-Escolar e do 1º ciclo.
Em relação ao cumprimento das regras de segurança pelos alunos, 40% dos Não Docentes assinalam que os alunos não as cumprem, e, tal como para os Docentes, o maior registo vai para o incumprimento do distanciamento social.
A terceira conclusão reporta-se ao sentimento em relação às medidas de segurança adotadas nas escolas, sendo que apenas 17% dos Docentes se declara pouco ou nada confiante em relação a elas, e 78% afirma que a escola em que trabalha está a organizar todos os aspetos necessários para garantir que seja um local seguro. Os Não Docentes inquiridos respondem com o mesmo tipo de sentimentos, e na mesma ordem de percentagens.
Numa escala de 1 a 10, em que 1 é o mais baixo nível e o 10, o máximo de segurança, só cerca de 19% dos Docentes e 15% dos Não Docentes se posicionam abaixo do nível 5, o que significa que a grande maioria se sente segura neste momento a trabalhar nas suas escolas.
Um quarto grupo de conclusões refere-se às três maiores preocupações atuais dos Docentes com a sua atividade profissional, e que são:
1º – a saúde e a segurança no local de trabalho;
2º – o impacto da pandemia na saúde mental dos alunos;
3º – o excesso de trabalho.
Em relação aos Não Docentes, na identificação das três maiores preocupações com a sua atividade profissional atual, destaca-se:
1º – a saúde e segurança no local de trabalho,
2º – o excesso de trabalho;
3º – o comportamento dos alunos, a remuneração e a avaliação de desempenho.
Um quinto aspeto considerado nesta consulta foi a apreciação da reação ao processo de vacinação, sendo que foram registados muitos sinais de preocupação e insegurança, embora, na maioria dos casos, se verifique a disponibilidade para a vacinação e uma expetativa positiva em relação ao futuro da normalidade da atividade escolar.
Esta consulta permitiu, desta forma, estabelecer um quadro de conclusões em relação à necessidade de se investir na melhoria das condições que permitam o bem-estar emocional de todos quantos trabalham nas escolas, bem como a necessidade de se insistir na continuação do cumprimento de todas as normas de conduta que protejam a saúde pública.
Informação complementar
Esta consulta foi promovida pela FNE, através do seu site e das suas redes sociais; decorreu entre os dias 22 e 26 de março de 2021, e ocorreu na sequência da retomada da atividade letiva presencial em 15 de março de 2021 nas Creches, na Educação Pré-Escolar e no 1º ciclo do ensino básico, que envolveu cerca de 50 000 docentes e cerca de 25 000 não docentes.
Responderam a esta consulta 748 Docentes, 260 Não Docentes, num total de 1008 participantes.




8 comentários
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Mas que competências têm os docentes para avaliar a saúde mental dos outros. Isto já vale tudo.
Mas qual é a novidade destas notícias “estudos”?
Mas alguém acha que estar fechado em casa é melhor que fazer vida normal?????
Isto é a mesma coisa que dizer que se os negócios abrirem a economia melhora.
BEMMMMM isto cada vez está melhor…
Conclui-se que estar em casa com os pais ou estar mais tempo em família, é prejudicial às crianças. Assim deveria repensar-se nas férias de verão e o tempo que aí estão em situação familiar.
Lamentável…
Mas que raio de conclusões são estas?
O ensino passou a distância por uma questão de saúde pública, não de bem-estar dos alunos nem por alguém achar que era melhor estarmos online que presencialmente.
Podia era ter-se evitado estes meses a distância se em setembro se tivesse optado por outros regimes, como o misto. Ou se se tivesse apostado em diminuir o número de alunos por turma, ou se tivessem descentralizado os espaços das atividades letivas. Ou se tivessem de facto apostado em isolamento e testagem de turmas quando um dos alunos testava positivo. Mas lembro como os sindicatos e as associações de pais estavam maravilhados com as condições das escolas em setembro e como a escola era apontada como um espaço ultra-seguro.
A falta de organização do ME e do governo – aliado com a passividade da CS e dos sindicatos e associações de pais, que deixaram os valores da pandemia chegar a números insustentáveis antes de tomar medidas (insistindo até que as escolas nunca fechariam) é que deve ser apontada como causa do nível de confinamento destes últimos meses.
Muito assertiva, a Ana Costa… faltando apenas dizer: tudo isto com a conivência da comunicação social, com um péssimo grau de competência jornalística. Alguém que fale a verdade, mesmo sendo o dia das mentiras. Na realidade, este governo adota o dia das mentiras em quase todos os dias do ano. E deixo aqui também uma palavrinha para o Presidente da República que, antes das eleições dizia que estava tudo bem, sempre em consonância e conivência com o governo… precisava dos votos do PS para um novo mandato… mas assim que foi reeleito, a sua postura passou a ser bastante diferente. Somos governados por incompetentes, criminosos, corruptos e até mesmo por burrinhos. Levaram o país ao top 3 mundial dos piores números da pandemia. Vergonha de País!
E a missa ainda não acabou… a testagem que diziam que iriam fazer massivamente (mais uma mentira descarada) tem estado com índices muito baixos… vão verificar no gráfico da DGS. É uma vergonha! E agora, vão retomar os restantes ciclos de ensino, com base em valores diários de infeção desatualizados, em que a média estava a rondar menos de 400 casos diários… mas agora, nestes últimos 2 dias, já estamos com 600 casos diários e, com certeza, irão continuar a aumentar… eu digo-vos porquê, porque os efeitos de terem aberto cresces e 1º ciclo começaram agora a ser notados (os efeitos de medidas de desconfinamento são sentidos 15 dias depois). Quando abrirem todos os ciclos, sem terem alterado as condições de (in)segurança nas escolas, e sem testagem massiva (porque testar apenas um grupo, de docentes e não docentes, não é uma testagem massiva da população, e nem sequer testam os alunos, que são o grupo que tem maior % de assintomáticos), com a vacinação super atrasada (e o impingir da Astrazeneca, que vai ter uma adesão que ficará muito aquém do desejado, pelos motivos que todos sabemos)… isto tudo não augura boa coisa. E depois, irão culpar as pessoas, o convívio da Páscoa.
A FNE, aquele sindicato que fala quando devia estar calado e fica calado quando devia falar.
Devido à saude dos alunos ter ficado afetada, este ano letivo a maioria dos alunos vai chumbar.
Mais um estudo da treta sobre a maior treta que temos neste país, também ele da treta: O ensino básico e secundário.