A Educação não deve nada a José Sócrates…

 

O Engenheiro José Sócrates, alegadamente detentor de uma estranha e insólita Licenciatura concluída num Domingo, e com projectos de engenharia civil, porventura dignos de vários Prémios World Building of The Year, como por certo comprovarão as casas na Covilhã e na Guarda por si projectadas, também fez muito pela Educação em Portugal, enquanto exerceu o cargo de 1º Ministro entre os anos de 2005 e de 2011…  

 Ao nível da Educação, os principais marcos da acção governativa de José Sócrates, enquanto 1º Ministro, parecem ter sido a criação e a implementação dos Programas Novas Oportunidades, Computador Magalhães e Parque Escolar…

 Quanto aos gastos decorrentes da implementação desses Programas, salientam-se: sensivelmente, 273 milhões de euros alocados ao Programa Computador Magalhães e aproximadamente 940 milhões de euros afectos ao Programa Parque Escolar, o que perfará o significativo montante de cerca de 1213 milhões de euros, subtraídos ao erário público…

 E o mais incompreensível e inaceitável é que essa quantia astronómica de dinheiro não produziu efeitos concretos em termos de benefícios educativos, uma vez que os Programas Computador Magalhães e Parque Escolar acabaram por redundar em verdadeiros fracassos, por motivos de natureza diversa, conhecidos de todos…

  Foram, assim, gastos mais de 1200 milhões de euros, sem retorno visível, em termos de melhoria do sistema de ensino… Ainda que discutível, talvez se tenha “salvo” o Programa Novas Oportunidades…

 Acresce-se que tanto o Programa Computador Magalhães como o Programa Parque Escolar se viram envoltos em muitas polémicas e em muitas controvérsias, sobretudo suscitadas por suspeitas de corrupção por gastos indevidos e injustificados e favorecimento de determinadas empresas…

 Enquanto 1º Ministro, José Sócrates indigitou como Ministras da Educação Maria de Lurdes Rodrigues (de 2005 até 2009) e Isabel Alçada (de 2009 até 2011), sendo que a primeira alcançou a proeza de conseguir ter contra si praticamente a totalidade de profissionais de Educação… Ainda a mesma foi a principal responsável pela publicação do Decreto-Lei Nº 75/2008 de 22 de abril, cujos efeitos perniciosos se fazem sentir até hoje, sendo talvez esse o seu principal legado…

 Essa herança que, lamentavelmente, continua vigente, não serviu para reforçar a autonomia das escolas, apenas atribuiu um poder quase absoluto à figura d@ Direct@r que, continua, afinal, como um mero executante das políticas educativas e das medidas prescritas pelo Ministério da Educação…

  Desde então, a Escola não voltou a ser a mesma, tornando-se estéril de saudável convivência, esvaziada de democracia participativa, minada pela farsa diária, pelos sorrisos forçados e pela hipocrisia do “faz de conta”…

  E aquilo que é hoje, deve-se, em grande parte, ao contributo da referida Ministra da Educação, devidamente chancelado pela personagem José Sócrates…

 E, sim, personagem, em tom jocoso, porque é disso que se trata: uma verdadeira personagem, ridícula e ridicularizável, construída por uma mente narcísica, com tendência para a auto-vitimização e para a mitomania e com um inultrapassável complexo de superioridade…

 Só dessa forma se consegue enquadrar a ligeireza com que o maior embuste político ocorrido em Portugal teima em negar todas as inequívocas evidências providenciadas pela realidade, com total desfaçatez e absoluta crença na sua própria impunidade…  

A falta de hombridade de alguém que, de forma descarada e reiterada, se aproveitou do desempenho de um cargo político de enorme relevância, em representação de todos os seus concidadãos, mesmo daqueles que não votaram em si, é absolutamente notória e flagrante, independentemente da prescrição ou não de alguns alegados crimes ou de eventuais erros jurídicos que permitam a absolvição de outros…

As suspeitas, da mais variada ordem, perseguem José Sócrates e parecem ser uma constante ao longo da sua vida… Mas, e já agora, “não haver provas” para justificar a condenação por determinados crimes não é necessariamente sinónimo de inocência, mas antes pode significar a existência de uma grande destreza para conseguir ocultá-las…

 O discurso de “mártir”, de “vítima”, de “caluniado” e de “injustiçado”, deixou de colher simpatias e tornou-se perfeitamente patético…  

 Por tudo o anterior, a Educação não deve rigorosamente nada a José Sócrates, mas ele deve muito a todos os profissionais de Educação que continuarão, ainda por muitos anos, a ter que pagar, por via dos seus impostos, todos os desvarios e desmandos cometidos por essa personagem…

 E a sofrer, diariamente, os efeitos nefastos de normativos legais que apagaram e baniram a Democracia da Escola, com total conivência e concordância de José Sócrates…

 

(Matilde)

 

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11 comentários

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    • Carlos Jorge Pereira Monteiro on 17 de Abril de 2021 at 9:49
    • Responder

    Embora tenha havido muito dinheiro mal gasto (caso dos Magalhães e obras sumptuosas em algumas escolas), é só para relembrar que TODOS os equipamentos informáticos que estão na escola (pcs, projetores e infraestrutura de rede) é desse tempo. Nunca mais chegou nada do ministério para a escola. Mesmo agora, que vêm muitos portáteis, nada vem para renovar o parque informático da escola.

    • Falcão on 17 de Abril de 2021 at 11:50
    • Responder

    O Carlos Monteiro tem razão… é um facto! E esses equipamentos ajudaram e muito a melhor o ensino! Mas isso não apaga tudo o resto. E quanto ao resto, a Matilde colocou bem o dedo na ferida: o atual modelo de gestão (herança nefasta do consulado da inominável Ministra grelhadora) é o grande cancro dentro da escola e que não pára de metastizar…

    • Antonio on 17 de Abril de 2021 at 15:20
    • Responder

    Fodassssseee, os diretores sao culpados de todas as merdas das escolas.
    Éh pá, candidatai-vos à coisa, porra. Não há tomates para tal?

      • Falcão on 17 de Abril de 2021 at 17:55
      • Responder

      Já viu algum demitir-se? E agarrados ao poder que nem lapas, quantos são?
      E sim, é exatamente essa a minha opinião, na esmagadora maioria dos casos os diretores são mesmo uns crápulas, com vincado autoritarismo e totalitarismo na sua ação!
      Pessoalmente jamais seria Diretor, primeiro porque entendo que não deve ser necessário fazer um curso de gestão para dirigir uma escola, segundo porque defendo um modelo colegial, terceiro porque não tenho feitio para ser correia de transmissão do poder central e local dentro da escola!
      Chega ou precisa que lhe esfregue os tomates na cara?

        • Antonio on 17 de Abril de 2021 at 22:35
        • Responder

        Não esfrega nada. Vá levar umas vacinas e fique com os tomates.

          • Falcão on 19 de Abril de 2021 at 10:59

          Caro Antonio,
          Já percebi que bastaram umas palavras minhas para se esvaziarem os seus. É o que acontece a quem vem buscar lã e acaba tosquiado!
          E anote aí no caderninho: a maioria dos diretores são uns crápulas fascizóides! Escreva 100 vezes por dia até se convencer dessa verdade pura e cristalina! Não seja negacionista que lhe fica muito mal!

    • Maria Estafada on 17 de Abril de 2021 at 19:34
    • Responder

    Apesar do Socrátes ter roubado muito o país, não concordo com o artigo! Foi ele que implementou o Inglês no 1º ciclo, foi ele que implementou as AEC no 1º ciclo, foi ele que alargou o horário das escolas(a meu ver muito mal para as crianças, mas muito bom para os pais.) para os pais terem onde deixarem as crianças sem se preocuparem com os almoços e onde deixarem os filhos enquanto vão às compras ou vão dar um passeio.
    Foi ele que implementou as novas tecnologias nas escolas com o Magalhães e deu computadores também aos professores. Os professores é que não souberam aproveitar essa oportunidade e muitos deles nunca usaram o Magalhães nas suas aulas, sendo uma mais valia. Desde então nenhum governo desenvolveu o programa das novas tecnologias como fez o Sócrates.
    Uma coisa que ele , para mim fez muito mal, mas para os pais foi muito bom, foi os parques escolares. Deixando assim muitas aldeias sem escolas e sem a alegria das crianças. Mas a culpa não foi só dele, foi também de muitos autarcas que a meias com ele ganharam milhões de euros. Não sou a favor do Sócrates, mas a culpa não foi nem continua a ser só dele. Tanta coisa, tanta coisa contra o Sócates, mas há muitos Sócrates por esse pais.

      • Falcão on 19 de Abril de 2021 at 11:07
      • Responder

      Maria Estafada,
      Em resumo: o Sócrates foi o Salvador da Pátria e os párias dos professores é que não souberam agradecer o maná! Com os milhões que teve na mão, a desbunda foi total, era só o que faltava não ter gasto algum em algo de positivo. Mas a continuidade de asneiras e javardices foi tal que não consigo entender como é que ainda há professores capazes de virem escrever em defesa de semelhante personagem!
      Mas muito bem, acredite que pelos lados da Ericeira, a esta hora, o seu voto já está a ser contabilizado para um futuro partido que o engenheiro de fim de semana possa vir a criar! E algo me diz que ainda arranja mais meia dúzia!
      Sinceramente, em democracia tem todo o direito de escrever o que escreveu e pensar como pensa, mas eu também tenho o direito de me sentir enojado ao lê-la!
      E é por estas e por outras que temos sido humilhados, e roubados, ao longe de todos estes anos! Aqui está mais uma prova em como há professores que levam no lombo e adoram! E enquanto assim for, não iremos a lado nenhum!

    • mario silva on 17 de Abril de 2021 at 23:18
    • Responder

    1- Esse sr. não é engenheiro como já foi comprovado pelo Ministério Público e pela Ordem dos Engenheiros.
    2- O apelido Sócrates é indigno de ser usado e por isso José Pinto de Sousa é o mais adequado.
    3- A execrável MLR para além do legado DL 75/2008 também deixou o legado no ECD e na ADD, tendo destruído completamente as poucas coisas boas que ainda persistiam nas escolas, deixando um ‘rasto de terra queimada’ da qual se orgulhou. Depois teve o desplante de vociferar contra a sua ADD no ISCTE, clamando das enfermidades que a ‘besta’ colocou na ADD no ensino básico e secundário.
    4- Outro legado, é que as escolas são geridas por uma minoria que muitas vezes não tem mais nem menos competência técnica que os seus pares, ignorando-se o principio básico da decisão por maioria, como está consignado no código de procedimento administrativo, por exemplo.

    • Dsst on 17 de Abril de 2021 at 23:20
    • Responder

    Nunca vi movimentos assertivos que promovessem a extinção da avaliação docente. Aliás, há colegas que adoram porque é uma forma de manter os avaliados submissos. Acho essa visão hipócrita, permitam-me. Foi de chorar a rir ver os colegas numa azáfama a fazer continhas quando descongelaram.
    São uma classe com pouca classe. Viva os burocratas! Viva!

  1. E passados estes anos, nenhum dos sindicatos, deputados/assembleia da república e ministros/governos, que por lá passaram tiveram tempo para propor/revogar as leis cujos efeitos são perniciosos?

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