Professores, planear Setembro: questões e soluções, por Alberto Veronesi

 

Professores, planear Setembro: questões e soluções

Tenho refletido, por estes dias, sobre as formas como se poderá iniciar o próximo ano letivo. Esta será a altura própria para pensarmos nisso!

Sim, porque não podemos esperar que em setembro a situação da pandemia esteja resolvida. Os problemas criados pela pandemia nas escolas não passam com as férias do verão e muito menos se resolvem sozinhos.

Parece-me por isso necessário que se comece a pensar em alternativas que sejam viáveis e que não coloquem em causa a saúde pública, será assim até que se encontre um tratamento ou uma vacina.

Perante a continuidade da pandemia em setembro impõe-se as seguintes questões:

  • Qual o número de alunos por turma?
  • Quantos professores a mais serão necessários?
  • Quais as perspetivas relativas à migração de alunos do ensino privado para o ensino estatal?

Perspetiva-se que devido à situação económica do país no pós-covid, haja uma migração de alunos do ensino privado para o ensino estatal, pelo que um aumento de turmas em algumas escolas poderá ser uma realidade.

  • Pretende o Estado apoiar as famílias para evitar possível migração?
  • Como se prevê fazer a monitorização da temperatura a alunos e professores?
  • Quem fornece as máscaras? Serão de uso obrigatório em contexto escolar?
  • Qual o número de turmas em simultâneo que cada equipamento escolar alberga, para que se cumpra com as regras básicas de distanciamento social?
  • De que forma poderá a escola recuperar a confiança dos pais?
  • Qual a responsabilidade de cada organismo, M.E. e câmaras no processo de implementação de medidas?
  • Como pretendem monitorizar a reabertura de maio e junho para que melhor planear setembro?

Pode até parecer precoce estarmos já a pensar nestas questões todas, mas uma vez que este período, e por sua vez ano letivo, será concluído no formato atual, é importante levantar certas questões que preocupam a comunidade social e escolar.

Ao final das matrículas do ensino público, 26 de junho, junta-se o concurso de professores 2020/2021, que está a decorrer, e obtemos o número de alunos existentes e o número de professores necessários para iniciar o próximo ano letivo.

Não podemos esperar muito mais tempo para decidir, teremos de enfrentar o próximo ano letivo com a certeza de que a situação continuará a ser extraordinária. Agir em vez de reagir!

Contudo, parece-me óbvio que não podemos mandar os alunos de volta à escola com 28 ou 30 alunos por turma. Sempre fui contra as “turmas galinheiro”, mas infelizmente o desinvestimento na educação a isso tem obrigado.

Esta situação poderá ser mitigada caso o ME e o governo desencadeiem medidas excecionais para resolver o problema na ajuda às famílias. Ao não o fazer irão aumentar a despesa pública, tendo de contratar mais professores, sobrando sempre para os contribuintes. Haveria também muita dificuldade de encontrar professores em grande quantidade para o registo de substituição das escolas não agrupadas e agrupamentos.

O facto de o Estado não ter resposta para as creches até aos 3 anos, assim como não ter resposta para um grande número de alunos na educação pré-escolar, sobretudo nas zonas urbanas, seria “obrigado” a apoiar as famílias, através das diferentes formas da resposta social que o país tem.

Neste momento, arrisco-me a dizer que, quanto mais novo é o aluno mais dificuldades estará a ter com este método de Ensino à Distância. As crianças do 1.º ciclo, por exemplo, precisam voltar à escola, porque é uma altura muito delicada da sua vida de aluno é quando aprendem a ler e a escrever e isso faz-se também através do afeto, da proximidade entre professor e aluno. Que seja com máscara e com todas as outras medidas necessárias de segurança, o importante é que voltem!

Todas estas decisões/planificações devem ser elaboradas em estreita colaboração com os organismos responsáveis pela saúde, por forma a acautelarem vários cenários que devem ter em consideração o superior interesse do Aluno.

Neste sentido e no intuito de promover o debate deixo algumas ideias que poderão vir a ser princípio de soluções e de responder às questões levantadas, nomeadamente:

  • Reduzir as turmas a pelo menos metade do estipulado no pré-covid;
  • Aumentar proporcionalmente o número de professores;
  • Desencadear medidas excecionais de apoio às famílias com filhos no ensino privado/cooperativo;
  • Criar turnos duplos em todas as escolas; (manhã / tarde);
  • Complementar o presencial com o ensino à distância com turnos semanais;
  • Garantir a distribuição de máscaras à comunidade;
  • Garantir a existência e reposição de produtos de higiene (sabão líquido, papel higiénico, papel de secagem de mãos);
  • Criar sistema de monitorização periódica da temperatura corporal;
  • Definir bem o papel de cada entidade no que toca à responsabilidade no cumprimento do estabelecido (M.E., câmaras);
  • Recolher e analisar todos os dados relativos à reabertura de alguns graus de ensino em maio.

Regressar é imperioso! É agora o tempo de planear!

 

 

 

 

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16 comentários

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    • Pedro Lopes on 9 de Maio de 2020 at 13:38
    • Responder

    12º Noturno, como era no meu tempo de estudante, já resolve uma parte do problema. Não é a solução mas, são menos uns quantos alunos.

  1. Ó caralho, cabe às autoridades fazer o planeamento das medidas e implementá-las. Aos cidadãos, nomeadamente aos profissionais do sector, cabe emitir um juízo crítico, em função de valores que não podem ser os que interessam a uma elite económica, mas à população, nomeadamente àquela parte dela mais vulnerável. O mundo vai acabar caso o ano lectivo comece mais tatde? Talvez acabe para muitos que venham a apresentar quadro sintomático em virtude da infecção pelo virus. É isso que importa. É disso que convém não desviar a atenção ou acabamos, como neste artigo, a interiorizar o discurso do inevitável (“Regressar é imperioso!”), como nos tempos da troika.

    • FIlipe on 9 de Maio de 2020 at 14:49
    • Responder

    Setembro ? Já não vai existir Setembro de 2020 ! Enquanto não existir um anti viral ou vacina , vão existir pessoas tipo baratas tontas a mexer no veneno . Não foi dito ainda que o vírus de propaga por focos de poluição na atmosfera a longas distâncias e por gotículas de suor evaporadas da pele , pois não ? Esperem sentados …. arranjem um bunker ou escolham ser infetados e consequências. É só uma gripe fraca … não tenham medo , sejam corajosos metam a máscara e vão lutar , juntos vencerão : Um por todos e todos por um .

    • Ex-Alt on 9 de Maio de 2020 at 15:29
    • Responder

    Falar do “novo paradigma” que de novo nada tem e isso irrita-me profundamente:

    em 2006-2008 participei em desenvolvimento de e-learning numa Universidade no Canadá onde fiz parte do PhD em Engenharia Industrial e Dinâmica de Sistemas. Meti-me nisso por influência de alguns e por ser na altura super entusiasta das ICT no ensino. Depois até fiz avaliação educacional, (a pedido do co-supervisor que não tinha tempo para essas coisas e pedia a alguns para fazer o boring stuff), de sistemas e plataformas de aprendizagem MOOCS.
    Primeiro, nada disto é novo em 2020, existe literatura do final dos anos 90 que já indiciavam os problemas do ensino à distãncia que eu presenciei mais tarde . Muitas das coisas falham e não há maneira de dar a volta, mesmo em 2020. Desde da interacção professor-aluno até aos processos de avaliação. Sincronicidade em excesso é falacioso e contraproducente e agora começam a surgir os artigos sobre Zoom-saturation mas isso eu e muitos observámos na década passada. Depois, para se fazer um bom MOOC demora 1 ano no mínimo. Precisam-se de instructional designers, da experiência de quem esteve no terreno que serve de mentor ou orientador e não de pessoas transmissoras de regras a avulso tiradas da organização do teletrabalho (telensinar não é teletrabalhar). Não é passar do presencial para o remoto como se fosse teletransporte à lá Star Trek, Existem muitas diferenças e, apesar da literatura existir e tocar os problemas mais importantes. sabe-se o que funciona mas não se sabe porquê. Muita coisa transplantada não funciona de todo, nem para o professor, nem para o aluno e o que funciona para um curso não funciona para outros.
    Para alguns professores não funciona tudo, é bem mais arbitrário. Depende dos alunos, é necessário ter evidências que possam alterar métodos, conteúdos, pedagogia e didáctica quase de aula para aula mas isso implica muito mais assimcronicidade e muito menos “grelhas” para agradar aos tecnocratas (para mostrar que se faz não para fazer melhor, ou seja, mais uma maneira de controlar o trabalho e não de o tornar melhor) Para uma disciplina anual então devia-se começar era agora com cuidado e não com improvisação costista.

    O que temo para Setembro é que , mais uma vez, se irá recorrer a “expertos” que não têm experteza nem experiência relevante, que se transponham linhas orientadoras mas fora do âmbito particular tuga, que se continuem com plataformas com problemas de segurança e de funcionalidades e sem ser de índole de software “aberto”, que se incorra em uso de regras de controlo de trabalho copiadas dos teletrabalho mais aberrante(algumas das linhas do E@D parecem decalcadas de um sítio que eu cá sei) . Entretanto noutro blog famoso surgiu um artigo do idiota chamado Figueiredo do qual estas duas coisas são o prenúncio do pior imaginável:
    “Desenvolver de forma gradual a competência dos professores para a educação online” Educação online? Isso não se faz como formações como existem hoje em dia e sem instructional designers. E, para ter um ensino efectivo e com alguma qualidade era preciso muito cuidado . E, como referi acima, o que funciona para Matemática pode não funcionar para História

    “Iniciar um percurso gradual de apropriação cultural do telemóvel para a prática pedagógica” Pois, eu conheço bem uma start-up que trabalha nisto há 4 anos e sei bem como eles tem tido muitos desapontamentos. Se soubessem o que acontece em termos comportamentais em ambiente RCT, era melhor destruí-lo com a sola do sapato.

      • Roberto Paulo on 9 de Maio de 2020 at 20:02
      • Responder

      Posso concordar ou discordar, mas respeito o que expôs aqui.

      Assim todos os seus colegas (estou a adivinhar, porque não sei se é professor) conseguissem desenvolver raciocínios e fundamentá-los.

    • Lurdes on 9 de Maio de 2020 at 15:34
    • Responder

    Na Dinamarca, o primeiro país a reabrir as escolas básicas, os alunos cumpriram com rigor as medidas — até começarem a relaxar.

    https://www.publico.pt/2020/05/08/mundo/noticia/dilema-reabertura-escolas-tempo-covid19-1915786

    • Dora Santos on 9 de Maio de 2020 at 16:26
    • Responder

    Antes de mais nada, as autarquias têm a obrigação de colocar funcionários nas escolas e dar-lhes formação para lidarem com os alunos nos intervalos, vigiar e limpar as instalações sanitárias e assegurar o cumprimento de normas recomendadas pela DGS. Depois é necessário desdobrar as turmas em turnos, como já acontece já nas disciplinas de FQ e CN. Ponderar metade da carga horária semanal de cada disciplina ser na escola e a outra metade em sessões síncronas sempre em turnos de metade da turma. Sei que implica mais recursos, mas não vejo outra forma de voltarmos em setembro!

    1. Ou seja, está a papaguear, basicamente, o que foi oficialmente decidido a respeito do regresso a partir de 18. Sobre o SENTIDO ou JUSTIFICAÇÃO da reabertura das escolas agora e da sua abertura em Setembro para um novo ano lectivo, nada tem a dizer. Como professora, só pode pronunciar-se sobre o “como”, uma vez que identifica a sua função com a de um funcionário, que não é pago para pensar, mas apenas para obedecer. É triste que na classe docente abundem tantos exemplares assim.

    • Pedro Lopes on 9 de Maio de 2020 at 17:50
    • Responder

    O próximo ano letivo tem de começar RF. O mundo não pode parar e a educação pode não ser importante para si mas, se pensar, é o pilar para tudo o resto… Além disso, note-se que o vírus não é assim tão letal que o mundo vá acabar, como alguém referiu, em Setembro próximo.

    Cá em casa, 4 pessoas estiveram infectadas (positivas) , uma delas com 85 anos e estão todos OK.

    Há que ter o máximo de cuidados; nada mais que isso. Temos doenças e vírus muito piores que o COVID.

    • Matilde on 9 de Maio de 2020 at 18:12
    • Responder

    “Todas estas decisões/planificações devem ser elaboradas em estreita colaboração com os organismos responsáveis pela saúde, por forma a acautelarem vários cenários que devem ter em consideração o superior interesse do Aluno.”

    Concordaria plenamente com esta afirmação, não fossem os seguintes obstáculos:

    – Como confiar nos “organismos responsáveis pela saúde” quando eles próprios desvalorizaram numa fase inicial, por exemplo, o controle nos aeroportos e o uso de máscaras? Como confiar nos “organismos responsáveis pela saúde”, como o Conselho Nacional de Saúde, quando eles próprios desaconselharam o fecho das escolas?

    Passado algum tempo (não muito) passou a existir controle nos aeroportos, aconselhou-se o uso de máscaras e até em alguns casos decretou-se o seu uso obrigatório e, por incrível que pareça, também se fecharam as escolas!

    São confiáveis organismos responsáveis pela saúde que num momento fazem afirmações perentórias num determinado sentido, mas que passado pouco tempo reafirmam terminantemente o seu contrário?

    – Por outro lado, como confiar nos organismos responsáveis pela Educação quando consideram como necessidade imperiosa e absoluta a realização de exames, obrigando alunos e profissionais da Educação a regressar às escolas, com plena incerteza acerca das consequências futuras dessa decisão?

    São confiáveis organismos responsáveis pela Educação quando, incapazes de apresentar uma nova fórmula que possibilite o concurso de acesso ao ensino superior sem a realização de exames, preferem, em vez disso, atirar milhares de pessoas para as escolas, sem darem garantias razoáveis de que existem efectivas condições (físicas e humanas) para o fazer?

    Execráveis estes organismos responsáveis pela Saúde e pela Educação! Como acreditar que tais organismos sejam capazes de efectivamente zelar pelo superior interesse do aluno?

    Mais do que o regresso, é imperioso que os organismos responsáveis pela Saúde e pela Educação consigam ser credíveis e confiáveis e que demonstrem que são dignos da boa-fé dos seus concidadãos. Sem isso não há regresso possível…

  2. Problema de extrema complexidade . Pensando bem, existem dois “caminhos” possíveis e haverá que escolher um . Um apenas, evidentemente:

    a) Abrir, correndo fortes riscos mesmo com todas as precauções ou medidas bem assinaladas na peça.
    b) Não abrir ( até quando? )
    Haverá uma terceira via ?

    Desdobrar as turmas : grosso modo, faria duplicar o seu número – salas? E faria duplicar também o número de professores, caso existissem – custo ?

      • Roberto Paulo on 9 de Maio de 2020 at 20:06
      • Responder

      O Al-Berto não dedicou muito tempo ou pensamento a essas matérias. Limitou-se a calçar os sapatos mais bicudos e esticar-se o máximo possível.

      Além disso, ele crê que, daqui até setembro, serão descobertos «n» poços de petróleo desde o Minho à ponta de Sagres.

    1. Há uma terceira hipótese, os professores titulares continuam em casa ensinando on line, as escolas contratam professores que vivam no concelho para apoiar na escola o estudo de alunos que não tem condições ou esclarecer dúvidas, o desemprego diminui, as desigualdades sociais diminuem porque aqueles que não têm dinheiro tem apoio. Abrir nas condições que o Governo estipula vai beneficiar alunos do privado e aumentar as desigualdades sociais. E assim o Costa fica livre de vir a ser recordado na história portuguesa como o responsável pelo genocídio de professores, o mais provável a acontecer. Aqueles que agora o aplaudem depois os primeiros a atirar-lhe pedras.
      Em setembro esses professores continuariam ao trabalho, os professores com mais de sessenta poderiam ficar com apoios e esses serem Online.
      As aulas na Teleescola deveriam continuar com pelo menos uma por semana a cada disciplina, haveria mais equidade a nível nacional.

    • Jonas on 10 de Maio de 2020 at 18:38
    • Responder

    O caminho só pode ser o blending learning…. redução do número de aulas presenciais com trabalho autónomo. O problema é esse mesmo… a falta de autonomia…

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