27 de Maio de 2020 archive

Concurso de docentes do ensino artístico especializado da música e da dança

Aviso de abertura do concurso externo:

 

Escola Artística de Dança do Conservatório Nacional, Lisboa
Escola Artística de Música do Conservatório Nacional, Lisboa
Escola Artística do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian, Aveiro
Escola Artística do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian, Braga
Escola Artística do Conservatório de Música de Coimbra
Escola Artística do Conservatório de Música do Porto
Escola Artística do Instituto Gregoriano de Lisboa
Agrupamento de Escolas de Bemposta, Portimão
Agrupamento de Escolas de Vialonga, Vila Franca de Xira

 

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Saem por cima os que actuam por baixo – Santana Castilho

 

Saem por cima os que actuam por baixo

1. No meu último artigo, manifestei receio sobre a possibilidade de se “normalizar” a solução improvisada para entreter alunos afastados da escola, a que, impropriamente, chamaram ensino a distância. Em tempo de confinamento drástico, essa solução foi um instrumento para preservar uma actividade mínima de ensino, cumprida com espírito de missão e contornando dificuldades múltiplas. Entretanto, este “ensino a distância”, de emergência, começa agora a ser sugerido como alternativa. Se a ideia colher, revelar-se-á perversa por tender, no limite, a substituir professores de corpo e alma por assistentes digitais, sem sindicatos, sem greves e com enormes vantagens económicas para o empregador, no que toca a custos operacionais.
Para o êxito da coisa terá contribuído a vertente “telescola”, protagonizada por professores do século XXI, aparentemente prosélitos das pedagogias não directivas e opositores das aulas magistrais. Cantam rap, dançam zumba e prestam-se a demonstrar as suas metodologias inovadoras nos programas de Cristina Ferreira e de Manuel Luís Goucha.
Para quem bate palmas, pouco importam a pobreza de muitas abordagens e os erros científicos. Vi uma aula de Português dominada pela leitura soletrada de um PowerPoint medíocre, onde Camões foi apresentado como coisa menor. Numa aula de História, a propósito do Renascimento, o astrónomo Nicolau Copérnico, polaco, foi associado a Itália. A Polónia, cuja origem vem do século X, foi citada como criada após a Primeira Guerra Mundial. A embaixada da Polónia protestou. Numa aula de Ciências Naturais, os transgénicos foram apontados como perigosos para a saúde e foi feita uma referência ao “uso inadequado de hormonas de crescimento nas explorações pecuárias”, quando, na verdade, as hormonas de crescimento estão proibidas para tal fim, no espaço europeu. O biólogo Pedro Fevereiro, presidente do Centro de Informação de Biotecnologia, antigo Bastonário da Ordem dos Biólogos e ex-membro do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, reagiu publicamente, dizendo que o que foi ensinado está errado, do ponto de vista científico, e constituiu doutrina, que não ciência. Por outro lado, numa outra aula, o sobreiro foi apresentado como árvore de folha caduca, quando é sabido que as folhas do sobreiro não caem no inverno.
Sob o pretexto das medidas sanitárias e explorando a lógica do medo, o ensino remoto vai, assim, fazendo o seu caminho, ante professores passivos e incapazes de criticarem e combaterem aquilo de que se arrependerão futuramente. A apologia das vantagens do ensino remoto ameaça transformá-lo no modelo pedagógico dominante. Isso, nas condições actuais de menorização social do professor, implica enfraquecer e degradar ainda mais a profissionalidade docente, que é o fundamento anímico para a existência da Escola.
Sem liderança sábia, são os impulsos casuísticos que determinam o caminho. Ninguém sabe para onde iremos no próximo ano lectivo.
O espectáculo ridiculamente pequenino em que se envolveram Costa, Marcelo e Centeno, a propósito do Novo Banco, enlameou a dignidade do Estado. Belos exemplos de hipocrisia em tempos de pandemia: saem por cima os que actuam por baixo
2. As alterações anunciadas aos exames nacionais retiraram-lhes a validade como instrumento de relativização das classificações das escolas e garante de cumprimento universal de um curriculum nacional. Com efeito, com perguntas opcionais e com a possibilidade de responder a tudo, para que os classificadores, obrigados a classificar todas as respostas, escolham as melhores, desaparece a fiabilidade do exercício e a equidade dos resultados. Qual é a validade de um exame, cuja lógica estrutural cedeu o passo, em grande parte, ao livre arbítrio do examinado?
3. Independentemente de quem ganhou e quem perdeu, o espectáculo ridiculamente pequenino em que se envolveram Costa, Marcelo e Centeno, a propósito do Novo Banco, enlameou a dignidade do Estado. Num dia, ao dizer que Costa tinha estado “muito bem” no Novo Banco, Marcelo pronunciou-se sobre o diferendo Costa/Centeno. No dia seguinte, em nota publicada no site da presidência, Marcelo escreveu que o Presidente da República não tinha de se pronunciar sobre isso. Entretanto, depois da lamentável cena na AR, António Costa reafirmou a confiança num ministro que condenou a arrastar-se no Governo e no Eurogrupo até sair (quando o orçamento rectificativo for apresentado e a agenda europeia o autorizar).
Belos exemplos de hipocrisia em tempos de pandemia: saem por cima os que actuam por baixo.

 

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No Brasil e no Canadá, há alunos a ter aulas pela RTP Memória

 

Uma (tele)escola em português com sotaque paulista

Na casa de Mariana, admite, são raros os minutos em que a televisão não está ligada num canal português. O marido é neto de portugueses e o timbre fadista faz-lhe falta. “Adora Portugal e gosta de ver coisas de Portugal.” Num destes dias, enquanto assistiam ao telejornal da SIC, a surpresa assaltou-lhes o rosto quando viram ser anunciado o arranque das aulas da RTP Memória. No seu sotaque paulista, não escondeu o entusiasmo: “Nossa, que oportunidade! Graças a Deus!”, recorda. E não poupa a ideia de elogios: “Fizeram um cenário, tiveram uma preocupação, um carinho. Estou impressionada pra caramba.”

Desde que as ruas do Brasil pararam para ver sambar o Carnaval de todas as cores e silhuetas, tudo mudou. Foi por volta dessa altura que a pequena Laura trocou a sala de aula pela sala da casa. Já não era tempo de festa, estava provado. “Lembro-me que houve uma semana que resolvemos não mandá-la [para a escola], porque já estávamos a registar casos. Até porque nessa altura não era obrigatório ir, eram atividades de Carnaval. Depois, a escola fechou”.

Uma semana mais tarde, os pais foram chamados à escola “para pegar um livro de Português e Matemática, com exercícios para eles fazerem em casa”, conta. Não havia mais nada nos planos para a educação. Nem orientações às escolas vindas da tutela – à semelhança do que ocorreu em Portugal -, deixando o sistema e aqueles que dele dependem à mercê da vontade de cada professor. “Por conta dela, não porque é obrigatório, a professora criou um grupo de WhatsApp para falar com eles e a Laura todos os dias entra para falar com a professora, mostra o que fez nas aulas da televisão.”

Já lá vão os dias em que estudar se tornava cada vez mais numa obrigação aborrecida que tanto exigiam a Laura, sempre um passo à frente de todas as engrenagens. “Ela gosta muito de estudar. Não sei se é por ela nos ver lendo muito e vendo o jornal. Na escola, ela é a aluna mais adiantada da sala, a professora tem de dar alguma coisa para ela não se aborrecer”, conta Mariana. Com a telescola portuguesa, os dias têm outro fim. Com a matéria “um pouquinho mais avançada”, Laura já “não fica frustrada” ao assistir às aulas de 3.º e 4.º ano. “Está a desafiá-la e ela adora.”

Nem o português da Europa é matéria estranha nos seus dias. Mariana conta que, no que toca às expressões idiomáticas da língua de Camões, “ela já é melhor” do que a mãe. “Até diz que, quando for mais velha, vai morar para Portugal. Isto aqui não está fácil” e Laura sabe-o. Vai treinando o sotaque, entre artes plásticas e umas piruetas no quarto. As aulas preferidas são as de educação artística e educação física. “De vez em quando, vou encontrá-la lá no quarto cheia de panela, vassoura, a fazer a aula. Eles pedem uma lista de material para a próxima aula e ela me avisa o que precisa.”

Entretanto, a palavra já correu entre pais. Mariana Pasquarelli fez questão de partilhar a novidade com outros pais, que estão a adotar as aulas do #EstudoEmCasa.

 

No Canadá, todos os dias são de RTP, uma vez por semana de telescola

A palavra já corre aquele canto do Brasil, mas não só. Lá no topo do globo, a boa nova também chegou.

Denise Carreira tem nome português, mas é nascida e criada no Canadá, mais propriamente em Vancouver. O histórico de vida denuncia-lhe o sotaque, um português de meia palavra, atraiçoada pela língua inglesa, quando calha. De Portugal, tem gravada a decisão dos seus pais de emigrarem para o outro lado do Atlântico e os anos que trabalhou em escolas portuguesas como professora de inglês. Regressaria ao Canadá de mão dada com um português, que deixou a família para trás para ir morar com ela em Vancouver. Acabaram por casar e são hoje pais do pequeno Jacob, de nove anos. Denise ainda leciona inglês, no ensino secundário – nestes tempos que correm, fá-lo à distância.

Mas a língua portuguesa é presença habitual também nesta casa. “Já vemos às vezes a RTP em casa, o meu marido está sempre a ler as notícias, lê o Diário de Notícias, a Bola”, conta Denise. Foi na televisão que “viu que os portugueses iam ter aulas na televisão”. “O meu marido até se lembrou de que via, há muitos anos, aulas como estas na televisão. Disse-me logo: “Olha, é como a telescola, mais ou menos”. Ele esteve em França, uns anos, e os pais conseguiam mostrar-lhe estas aulas.”

A boa memória destes tempos fez o pai de Jacob não duvidar de que seria uma boa alternativa ao ano letivo do filho travado pela pandemia. Até ao final da semana passada, o Canadá registava um total e 82 420 casos positivos de covid-19 e 6245 óbitos. Pela força dos números, a primavera canadiana retrocedeu. Em Vancouver, professores e alunos viram as escolas fechar durante a suspensão letiva à qual designam “spring break”.

“Aqui, não tínhamos muitos casos, mas a decisão foi nacional. As escolas só ficaram abertas para os social workers, os profissionais de saúde” e outros trabalhadores essenciais na linha da frente [tal como aconteceu em Portugal], recorda Denise Carreira, que a partir daqui teve de assegurar o ensino do filho em casa. “A professora enviou umas fichas em papel, de vez em quando manda uns e-mails, mas eu é que tenho de apoiar o ensino dele”. Por escolha da maioria dos pais, aliás, é que ficou assim decidido, que a aprendizagem passaria a ser assegurada com o seu apoio. “Acho que o meu filho gostava de mais apoio, de ver a professora, mas ela perguntou aos pais como queriam que fosse – online ou só envio de fichas – e a maioria disse que queria assim. Porque para eles estarem a ligar o computador à mesma hora poderia ser bastante difícil.”

Na amargura dos dias, num “balanço difícil entre o trabalho e o resto”, Denise encontrou na telescola da RTP a oportunidade para que Jacob pudesse continuar a lidar com uma figura docente, enquanto aperfeiçoava o seu português. Uma ou duas vezes por semana, o aluno de nove anos senta-se em frente à televisão para assistir às aulas de Português do 1.º e 2.º anos – “porque aqui ainda não está avançado” – e Matemática do 3.º e 4.º anos.

Tem sido um sucesso lá por casa. “Ele consegue estar a ver, a escrever, a pintar, enquanto está em frente à televisão. É uma coisa mais humana, porque está ali um professor ou uma professora.”

Em Portugal, a telescola bate recordes de audiência na RTP Memória. Lá fora, colmata os efeitos de governos que deixaram para trás milhares de crianças e jovens.

 

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Ser professor é “horrivel” pela boca de uma mãe…

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