Orientações para a reabertura do pré-escolar

 

 

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1 comentário


  1. As minhas reflexões acerca deste documento:
    Uma entrevista surreal!
    Jornal síntese da SIC notícias, 11h00 de domingo.
    Sobre as normas da DGS para a reabertura do pré-escolar.
    Enquadramento: A DGS mandou reduzir as turmas nas creches e 11º e 12º anos para evitar contágio e evitar que sejam ponto de disseminação da pandemia. Ficámos pois um pouco mais tranquilos com esta legítima cautela.
    Acontece que as orientações do pré-escolar não contêm uma só palavra sobre este mesmo princípio de cautela.
    Na entrevista conduzida no referido jornal, o pivô da SIC pergunta então ao presidente da Associação dos Profissionais de Educação de Infância, Luís Ribeiro, se acha que esta é uma falha ao documento da DGS.
    Ora, Luis Ribeiro acha muito bem que o pré-escolar volte a abrir as portas recebendo até 25 crianças por sala!
    Argumentos? Pérolas, meus senhores: Todos sabemos que as crianças brincam com grande contacto físico e afetivo e que este é essencial. Portanto, “não podemos colocar as crianças no JI em situação de sofrimento ou de as estarmos a lesar” e que face a questões de saúde (como uma pandemiazita) as de bem-estar psicológico e emocional têm de estar garantidas.
    E, como autorizado conhecedor do desenvolvimento infantil tranquiliza a audiência: as crianças do pré-escolar são mais velhas (do que as da creche) por isso “têm maior poder de autorregulação e de compreender a necessidade de adotar novas regras na vida do jardim de infância”. Pronto, ficamos todos mais tranquilos…
    Resumindo: a “matriz do jardim de infância” são as interações entre as crianças e estas devem-se manter.
    É então que, com pertinência, o pivô coloca a questão que todos nós colocaríamos: “mas esses interesses sobrepõem-se aos riscos de propagação do vírus?”
    Ao que Luis Ribeiro responde: “Eu acho que sim” (Como?)! E explana, numa retórica e sapiência clínica que no início da entrevista recusara “que o que sabemos é que na propagação do vírus as crianças em idades baixas não são portadoras” … hesitação… correção… “O covid não as afeta particularmente e elas não são transmissoras”. Já nos jovens do secundário, claro que tinham de aumentar as regras de distanciamento, mantê-los sentadinhos a 2m de distância todos virados para a frente “porque o impacto do vírus nos adultos, quer do ponto de vista nos adultos quer no da transmissão é diferente”. E termina em glória, com afirmativa certeza “Isso parece-me aceitável”. Trump e Bolsonaro provavelmente também.
    Ironia do destino, no noticiário seguinte da mesma estação, dá-se a notícia do aumento de casos de Síndrome Inflamatória Pediátrica em crianças e jovens afetados pelo corona vírus (160 em Nova Iorque e 260 na Europa). Mas também não deve ter ouvido falar na síndrome de Kawasaki…
    Qualquer espetador mais ou menos atento podia ver que o jornalista estava mais incrédulo que o presidente da APEI. Em face do que vi hoje, sugiro pois que, caso haja uma nova eleição na APEI, o voto dos associados vá para o pivô da SIC Notícias. Mas Luís Ribeiro também informou o público que os seus associados não manifestaram qualquer “desconforto” quanto a estas normas da DGS. O que dá uma certa lógica ao raciocínio expresso.
    Já na parte final da entrevista o Presidente da APEI informa que a sua equipa “com experiência alargada de muitos anos” vai trabalhar arduamente para oferecer aos educadores “orientações complementares” às da DGS. Mas para que não restassem dúvidas, antecipou já que será matéria “nada conflitual”, apenas com sugestões para uma boa prática pedagógica.
    Ora, talvez não valha a pena tanto empenho e árduo trabalho, pois ao que parece, as conclusões estão já traçadas e tudo o que vier aduzido será apenas um “confortável” e nada incomodativo complemento.
    E já que estamos no país das maravilhas da Alice, Marta Temido explicou que os profissionais do pré-escolar não precisam de ser testados como os da creche. Claaaaaro que não…. porque haveriam de ser?… porque, diz a senhora ministra, as relações que se estabelecem com as crianças não são de tanta proximidade como com as da creche. Estou esclarecida. Andava a fazer tudo mal… Também ainda estou a tentar compreender por que razão temos orientações para não espartilhar as interações entre as crianças (que, lembro, podem ir até 25 num grupo) e deixá-las brincar sem preocupação. Mas depois, no refeitório, as mesmas crianças que antes andaram a jogar à bola, têm de star sentadas afastadas e viradas na mesma direção. Sou só eu que deteto aqui contrassenso e contradição?… Mais ainda, que devemos incentivar os pais ao regresso de todas as crianças pois não há motivos de alarme.
    Por fim, deve sublinhar-se que, ao que tudo indica, a febre nas crianças do pré-escolar deixou de ser sintoma de Covid, ou pelo menos deixou de ser relevante nestas idades, porque nas orientações da DGS e, contrariamente ao que se vai ouvindo por aí, não se recomenda que a febre seja medida à chegada da criança, durante o dia e à saída. Ora, mas quem sou eu para saber mais do que a Srª Ministra da Saúde?…
    Sou apenas uma simples educadora…

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