Ninguém acredita no regresso à escola em setembro…

 

Próximo ano letivo: menos alunos nas escolas e menos matéria

 

Não há decisões, mas ninguém acredita ser possível que todos os alunos regressem às aulas em setembro. Por isso, terão de alternar: uns na escola e outros em casa. E os programas têm de ser reduzidos

“Essa é a pergunta de um milhão de euros.” João Dias da Silva, líder da FNE, graceja quando a pergunta é o que podemos esperar do próximo ano letivo em tempo de coronavírus. Mas a sua resposta espelha bem o sentimento geral no sector da educação, ministério incluído. Ao Observador, o ministro Tiago Brandão Rodrigues promete um ano de “recuperação e de soluções inovadoras” — algo que deverá assentar na promessa do primeiro-ministro de ter todos os alunos munidos de equipamento informático —, e garante ter “vários cenários em cima da mesa”. Para além disso, está atento às experiências que se vão fazendo noutros países e que podem ser importadas. As decisões, explica o governante, serão tomadas no tempo devido, com base também na evolução da pandemia.

Por agora, setembro está a 4 meses de distância e não há prognósticos sobre a evolução da pandemia, o que dificulta a tomada de decisões. Se andássemos essas mesmas 16 semanas para trás encontrávamos, em janeiro, um Portugal pouco preocupado com a chegada do novo coronavírus. “Se em fevereiro, aparecesse um aluno de máscara numa turma era alvo de processo disciplinar. Agora, é o contrário. Se não trouxer a máscara, arranja problemas. O mundo mudou muito”, diz o presidente da associação de diretores de escolas públicas (ANDAEP), Filinto Lima, ilustrando assim a imprevisibilidade com que passámos a viver.

O que ninguém acredita é que, sem uma vacina, o próximo ano letivo possa recomeçar com todos os alunos nas salas de aula. “Se e quando recomeçar o ano letivo…”, ironiza o presidente da Confap (confederação de associação de pais), “dificilmente” o regresso será para todos. “Veja-se a confusão que é para regressar uma minoria de alunos. Em setembro, regressam todos? Não estou a ver como”, reforça Jorge Ascenção.

 

 

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30 comentários

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    • Acreditem on 16 de Maio de 2020 at 10:18
    • Responder

    Acreditem que vão todos voltar a ter aulas presenciais em setembro, com turmas mais pequenas e menor carga horária. E não e difícil perceber porque vão ter todos de regressar.
    – até ao 2º ciclo vão ter de regressar porque se não regressarem o estado vai ter de pagar para um dos pais ficar em casa. Não só seria preciso um verba astronómica como nenhum empregador voltaria a contratar quem tivesse filhos com menos de 12 anos.
    – não seria compreensível os mais novos irem para a escola e os mais velhos ficarem em casa.

    Está na altura os senhores professores começarem a aprender o que muitos outros já aprenderam. Vão ter de aprender a conviver com este virus.
    .

      • Luluzinha on 16 de Maio de 2020 at 11:35
      • Responder

      Muito bem. Como professora, concordo plenamente consigo.

      • Rui Manuel Fernandes Ferreira on 16 de Maio de 2020 at 11:44
      • Responder

      “Está na altura os senhores professores começarem a aprender…”
      Gosto particularmente de saber que toda a gente se predispõe a ensinar os professores. Obrigado.

      • Paulo Pereira on 16 de Maio de 2020 at 14:37
      • Responder

      Vão todos voltar a ter aulas presenciais e m Setembro?
      Essa é a sua opinião, e não está sequer fundamentada.
      Direi que é um palpite de alguém ressabiado contra os professores, por motivos obscuros.

      Até o nosso PM que se assume um “optimista” diz que háo de haver restrições às liberdades enquanto não for descoberta uma vacina. E a previsão pessimista estende-se até Julho de 2021.
      Pelo lado dos pais conscienciosos e que têm algumas facilidades, não verão com bons olhos o retorno à normalidade nas escolas e a probabilidade é que as teleaulas se mantenham, pois os alunos mais crescidos têm mais autonomia que as crianças dependentes de cuidados, como as que frequentam jardins de infância.
      A abertura das creches e jardins de infância nada têm que ver com o bem-estar das crianças, mas com uma contingência inerente à necessidade dos seus progenitores terem de retornar ao trabalho e terem de “depositar” o seu rebento num lugar alegadamente seguro. Outros haverá que recorrerão à família extensa, como alternativa às creches. Nos grandes centros urbanos, em que a maioria dos trabalhadores moram nas periferias, não me parece que essa seja uma solução exequível.

      Por outro lado, na maioria das Escolas e Agrupamentos, não há salas em número suficiente para desdobrar turmas. Esse será um quebra-cabeças! Acredito que em alguns agrupamentos alguns alunos terão de frequentar outras escolas desse agrupamento menos lotadas, não obstante poderem estar mais longe do seu local de residência.
      Quanto aos docentes, terão de ser requisitados muitos mais. Pois os que existem não serão suficientes para dar apoio a turmas em desdobramento físico.

    1. Plenamente de acordo. Haja bom senso.

    • Ana Justo on 16 de Maio de 2020 at 10:26
    • Responder

    Os senhores professores já perceberam. Só não percebo o que fazes tu por aqui… É sábado, está um dia lindo, sai, aproveita, vai conviver…

      • Acreditem on 16 de Maio de 2020 at 10:47
      • Responder

      Mais uma senhora professora que pratica a pedagogia do faz o que digo não faças o que faço

      • maria on 16 de Maio de 2020 at 11:18
      • Responder

      Embora a “conversa” não seja comigo, não resisto a duas notas para fazer uns reparos :

      a) num debate ou numa discussão, pode “atacar-se” – educadamete – a mensagem, mas não o mensageiro (ataque ad hominen). Diz-se que este registo é próprio dos fracos. É feio. No futebol é assim, mas entre educadores …

      b) não é de bom tom tratar por tu pessoas que não conhecemos .

      Peço desculpa pela intromissão, mas estamos num espaço público.

    • Zaratrusta on 16 de Maio de 2020 at 11:16
    • Responder

    Mais uma entrada em cena do trio maravilha Tiaguinho, Filinto & Ascensão. As ironias dos dois últimos, como sempre tem acontecido, rapidamente se transformarão em total anuência em relação ao que o primeiro decidir ,ou seja, em relação ao que o primeiro ministro decidir.

      • Luluzinha on 16 de Maio de 2020 at 11:30
      • Responder

      Ora vejam, se este não viesse aqui dar a sua sentençazinha, seria de estranhar. Pelos vistos, dá-lhe o tempo para tudo, já que está empenhadíssimo na preparação dos exames do rebento.

    1. O filinto está à espera de mais um aumento de 100% como lhe deu a famigerada lurdes.
      Até parece anda por aí um SE a aliciar os comissários políticos com tal…
      Assim basta mandar ladrar que eles começam logo a morder…os zecos.

    • Zaratrusta on 16 de Maio de 2020 at 11:31
    • Responder

    “Escolas e docentes contestam reabertura”.
    Filinto e Ascensão têm direito à sua opinião, mas não deveriam expressá-la em nome de todas as escolas e em nome de todos os pais com o objetivo de influenciarem descaradamente a opinião pública a favor das decisões do governo.

      • Paulo Pereira on 16 de Maio de 2020 at 14:12
      • Responder

      Meu caro, é assim que funciona a política. E em Portugal temos mestres nessa retórica.
      Muito se diaboliza o Populismo, como se isso fosse um selo colado na testa aos partidos de extrema-direita. Porém, o exercício do populismo é praticado de forma corrente e descarada transversalmente em todo o nosso espectro político.
      Particularmente vindo deste Governo e seus ministros, e acabando no PR!

      Aliás, nós, os Tugas, apreciamos discursos populistas, pois somo pouco críticos e pouco sensíveis à Cidadania.
      O Populismo encontra solo fértil nos individualismos e interesses pessoais. E usa recorrentemente bodes expiatórios para diabolizar, quando as medidas não são tomadas para bem do “Povo”, entidade abstracta.
      Têm sido os docentes, depois os enfermeiros, e, de novo, os docentes, cujo trabalho nos dias que correm não se vê porque se tem trabalhado em casa em teletrabalho.

    • Ana Justo on 16 de Maio de 2020 at 11:49
    • Responder

    Também seria de estranhar se “tu” não viesses dar os “teus” bitaites… Passas o tempo todo por aqui… Não “deves” ter muito que fazer, pois não?

    • Zaratrusta on 16 de Maio de 2020 at 12:00
    • Responder

    Esta Lulazinha é impressionante. Não consegue fazer um comentário construtivo ou devidamente fundamentado. Enfim, um vazio total. Lulazinha, pergunto mais uma vez: é professora? de quê? é mãe? Se não, está sempre a comentar um filme que nunca viu. Abstenha-se.

    • Matilde on 16 de Maio de 2020 at 12:20
    • Responder

    Num país de “comadres” e “compadres”, sempre muito complacentes uns em relação aos outros, como é natural numa relação de compadrio, é expectável que nenhuma das partes afronte, questione ou confronte. A benevolência, a complacência e a tolerância são quase sempre recíprocas…

    As decisões tomadas por uns são escrupulosamente cumpridas por outros porque num país de “comadres” e “compadres” não se pode correr o risco de se “zangarem as comadres e ficarem-se a saber as verdades”…

    É curioso que o Povo, na sua infinita sabedoria, consiga, quase sempre, explicar a realidade, sem grandes palavreados, sem grandes retóricas e sem grandes pruridos…

    No conhecimento popular também não costuma haver censura nem “politicamente correcto”… E ainda bem…

    • Cury1 on 16 de Maio de 2020 at 16:43
    • Responder

    “(…) Veja-se a confusão que é para regressar uma minoria de alunos. Em setembro, regressam todos? Não estou a ver como”. (…)

    Isto acontece porque este país é surreal. Tanto para os professores que não querem voltar à escola, como para os alunos e os seus E. E.

    Gastem menos tempo e energia a discutir o sexo dos anjos e preparem-se para o recomeço seguro das aulas. Vosso, dos vossos alunos e dos vossos filhos. Já chega de lamentações!

      • Maria on 16 de Maio de 2020 at 17:16
      • Responder

      Concordo consigo ,. Haja paciência para tanta lamentação .

        • Matilde on 16 de Maio de 2020 at 17:55
        • Responder

        Conseguem justificar e defender, com argumentos objectivos, o regresso às escolas no dia 18, em vez de apenas qualificarem as opiniões contrárias como “lamentações”?

        É que, até agora, não se conseguiu ter um vislumbre que fosse de tais argumentos…

          • Maria on 16 de Maio de 2020 at 20:04

          Nunca escrevi que as opiniões contrárias fossem lamentações . Essa conclusão foi sua.

      • Matilde on 16 de Maio de 2020 at 18:17
      • Responder

      E, já agora, deixo-vos mais estas questões:

      Se efectivamente estivessem reunidas as condições de segurança necessárias para o regresso sem sobressaltos e sem receios porque motivo as estruturas do ME e da DGS elencaram um tão complexo e numeroso conjunto de normas e de orientações?

      Se existem condições para o regresso em segurança e sem perigos, qual a pertinência dessas normas e orientações e como compreendê-las no contexto de “normalidade” que teimam em nos impingir?

      Parece que alguma coisa aqui está errada e não faz sentido…

        • Cury1 on 16 de Maio de 2020 at 19:28
        • Responder

        O “contexto de normalidade” que refere, não existe nem existirá tão cedo.

        Ninguém está a impingir nada a ninguém. Está é, infelizmente, a realidade que temos. Nós e o resto do mundo. Há que viver com isso e adaptarmo-nos a essa realidade.

        É a vida!

  1. Mais uma vez andamos a discutir o sexo dos anjos.
    Não querem regressar às aulas presenciais em Setembro? Imagino então que vão passar a viver isolados do restante país. Não vão sair de casa para ir ao supermercado, nunca mais vão um restaurante, cabeleireiro, loja, ginásio, etc….
    Convívio com amigos e família só por telemóvel, nunca presenciais.
    Só assim se justifica que digam que não concordam e não se sentem seguros com as aulas presenciais em Setembro.
    É aqui que se distingue os Professores dos professores. Os Professores zelam pelos alunos e têm noção das limitações e desigualdades do ensino à distância.
    Os professores olham para o próprio umbigo e para os € que caem certinhos na conta todos os meses mesmo que sejam medíocres!

      • Luluzinha on 16 de Maio de 2020 at 19:29
      • Responder

      Plenamente de acordo consigo. A impressão que esta gente transmite é a de não quer, indefectivelmente, regressar à escola. Sendo, supostamente, professores, é algo que me surpreende bastante. E quando emito a minha opinião no sentido de regressarmos aos nossos locais de trabalho, ainda têm a indecência de questionar se eu serei mesmo professora! Esta gente é mesmo absurda!

      1. Sempre quero ver o que dirão, estes socretinos, quando dispararem as infeções. Não se esqueçam que não serão só os professores a ficar infectados e os alunos correrão mais riscos porque são mais temerários nos contactos.

      • Cury1 on 16 de Maio de 2020 at 19:30
      • Responder

      Exato, Cris!

      Já chega.

    • Matilde on 16 de Maio de 2020 at 20:56
    • Responder

    Retórica e mais retórica…

    Argumentos objectivos e fundamentados não existem ou ficaram esquecidos?!…

    • Matilde on 16 de Maio de 2020 at 21:36
    • Responder

    Discutir o “sexo dos anjos” pode ser bom exercício de estimulação cognitiva, nomeadamente ao nível do raciocínio lógico e da resolução de problemas, sobretudo se os intervenientes na discussão se se esforçarem para apresentar argumentos convincentes, por serem devidamente fundamentados…

    Portanto, discutir o “sexo dos anjos” só se transforma em algo pejorativo, inútil e enfadonho quando o discurso de alguém é manifestamente vazio de significações procedentes e coesas, vazio esse, evidenciado pelo sistemático recurso a escusas e a subterfúgios…

  2. Como dividir turmas em escolas cheias, sem salas disponíveis?

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