Maioria dos professores dá aulas por videoconferência e admite trabalhar mais
Segundo os resultados preliminares de um inquérito da Universidade Nova de Lisboa, sobre o ensino à distância, os 2.647 professores inquiridos dizem trabalhar, em média, mais 11 horas por semana e 88% afirmam dar aulas através de videoconferência.
Entre aqueles que não optaram por esta ferramenta estão, sobretudo, educadores do pré-escolar (cerca de 44% de educadores) e do primeiro ciclo (cerca de 14%).
A adesão dos alunos tem sido positiva, segundo os docentes que responderam ao inquérito do Centro de Economia da Educação da Faculdade de Economia (Nova SBE) entre 05 e 19 de maio, e aqueles que utilizam as plataformas de videoconferência afirmam que 86% dos seus alunos assiste às aulas.
Por outro lado, os docentes avaliam em 4,5 (numa escala de 1-7) a capacidade de apreensão da matéria por parte dos alunos nestas aulas síncronas, em que a assiduidade e participação são dois dos critérios de avaliação adotados pela maioria dos professores (67,7% e 64,8%), além da recolha de trabalhos de casa (84,1%).
Durante o 3.º período, o acesso aos dispositivos tecnológicos que permitem acompanhar as aulas ‘online’ continua a ser uma dificuldade e, em média, os professores reportam que 15% dos seus alunos não têm acesso a computador com internet em casa.
Os autores do estudo notam, no entanto, que apesar deste valor ser mais baixo em relação ao reportado na primeira ronda do inquérito, no final de março, continua a registar-se “uma grande variabilidade nas respostas a esta questão, com uma percentagem significativa de professores a reportar um número elevado de alunos sem computador com acesso a Internet”.
“Tal levanta a necessidade de se aferir quais os alunos que tiveram um acesso incompleto aos conteúdos curriculares durante este período, e que devem ser sinalizados no início do próximo ano letivo”, continua o relatório.
Em 20 de abril, a RTP Memória lançou o espaço #EstudoEmCasa, com aulas através da televisão, que abrange aulas destinadas aos alunos entre o primeiro e o nono ano de escolaridade.
A transmissão televisiva de conteúdos educativos foi uma das propostas do Governo para mitigar as dificuldades de acesso ao ensino, em tempos de trabalho à distância, dos alunos mais carenciados, mas iniciativa foi bem recebida por muitos dos professores, que incluíram a ferramenta nas suas planificações para o 3.º período.
Estas aulas foram também analisadas no inquérito da Nova SBE e, segundo os resultados, cerca de 62% dos 2.647 professores inquiridos lecionam disciplinas com aulas no #EstudoEmCasa e a avaliação é tendencialmente positiva.
Em média, os professores avaliam em 5,2 (numa escala de 1-7) a qualidade das aulas da RTP Memória e, numa escala de 1-5, recomendam o visionamento aos alunos em 3,7.




10 comentários
Passar directamente para o formulário dos comentários,
Olá, olá. Sim, é verdade. Eu posso confirmar. Aliás, eu até equacionaria mais de 11 horas. No final de cada semana, chego, mesmo, a sentir-me à beira de burnout. É uma exploração indecente que configura um abuso na legislação que regula o direito do trabalho. Claro que esta é a minha opinião, mas sei que pode haver outras.
Compreendo. Como compreendo!
A questão é que o “problema” bateu à porta de (quase) todos ; uns perderam o emprego (estão no desemprego, portanto) ; outros não o encontram ; outros vêm os seus negócios ou empresas a definhar; outros (muitos) estão em layof, recebendo uma percentagem.
Os professores, esses , conservam intocável o seu vencimento no 23, embora com um eventual acréscimo de trabalho.
Perguntas : qual dessas situações é menos incómoda?Qual a solução?
Dizerem , constantemente , em jeito de lamúria, que “estão a trabalhar mais “, não é muito lisonjeiro para o prestígio da classe docente. É natural – como acontece em qualquer profissão – que em determinado momento, mercê de determinadas circunstâncias, surja uma passageira sobrecarga de trabalho.
Aqui p`ra nós, que ninguém nos ouve, nunca vi alguém lamentar-se por, nas interrupções lectivas e no Verão , estar a trabalhar. . . ” menos”.
Para mal dos nossos pecados, você só consegue dar borlas na escola. Na estrada, nem com borlas conseguiria escoar o seu produto, que está a apodrecer cheio de teias de aranha. Aí, só conseguiria vender pagando ao cliente (o termo “interessado” seria deslocado).
A linguagem soez, reles , de alguns “comentários” não causam – evidentemente – a mais pequena mossa aos destinatários, Causam mossa, isso sim, e muito , ao desejado prestígio da classe dos professores. Triste.
Pela linguagem e pelos “argumentos”, adivinhamos a origem ,a educação e o o nível intelectual dos escrevinhadores .
É obrigação de qualquer administrador de um blog ( para mais de professores) controlar tamanhos dislates, roçando ,por vezes a obcenidade. A menos que o administrador se identifique com eles – algo que no DeArLindo jamais poderia acontecer.
Olhem que é a imagem dos professores em xeque. Nada mais…
Apesar de eu trabalhar mais com esta coisa a que chamam pomposamente E@A, sempre arranjo um tempito para ver o que cérebros ociosos como os da Maria produzem por aqui para combater o tédio que inunda os seus dias.
Bom… Nunca ouvi tal mentira!
Sou prof – não sou penetra aqui do blog.
Não estou na classe dos “baldas” e, trabalho bem menos que se estivesse a dar aulas presenciais.
Das duas três – ou os profs que trabalham mais, inventam trabalho (sei que há muitos que o fazem) ou mentem com quantos dentes têm – os que têm dentes, é claro.
Aldraaaaaaa
Vergonha no serviço publico de TV, duas horas de programa sobre o ensino à distância SEM UM ÚNICO PROFESSOR!!!
Repito, SEM UM ÚNICO PROFESSOR.
Seria como fazer um programa sobre medicina sem um único médico!!!!!!
Jornalista vendida e a linha editorial traçada pelo SE.
Tenha vergonha, Campos Ferreira.
Vá-se embora. Já se vendeu o suficiente.
Caro RF:
Se me permite, e acredito que sim (espero não me enganar):
Uma discordância de opiniões nunca pode justificar um ataque ad hominem e muito menos o uso de uma linguagem ofensiva, injuriosa e degradante…
A capacidade argumentativa não pode ser refém de impropérios nem de dislates. O confronto de ideias e de argumentos deve ser realizada de uma forma sincera e honesta, mas também, e sobretudo, LEAL…
E isto nada tem a ver com moralismos bacocos ou puritanismos, dos quais não sou nada apologista…