Como se organizará a escola em setembro?

A imprevisibilidade do futuro sempre foi uma certeza. O futuro sempre se viu coberto pelo manto da incerteza. Nos tempos que vivemos qualquer que seja o nosso futuro não o podemos prever a médio/longo prazo.

O retorno à escola está previsto para setembro, mas os cenários possíveis vão da conhecida normalidade, à continuidade do trabalho que hoje estamos a desenvolver a partir de casa. A ameaça que nos assombra o pensamento e as vidas, segundo os especialistas, pode voltar, em força ou não, a qualquer momento. Convém traçar cenários futuros para que não sejamos, novamente, apanhados de surpresa apesar de todos os avisos e evidências.

Se as medidas de contingência e afastamento social se mantiverem ou vierem a ser retomadas tem que se partir de um plano diferente do atual, o E@D é um remendo que não pode prolongar-se indefinidamente no tempo. Por isso, está a decorrer a experiência com os alunos do 11.º e 12.º ano, nas creches e no dia 1 de junho iniciar-se-á no Pré-escolar. Se esta experiência se demonstrar minimamente segura, estou certo que no próximo ano letivo será aplicada aos outros níveis de ensino.

Como poderá isso ser operacionalizado?

Esta reflexão baseia-se na possibilidade de desdobramento de turmas e redução da carga horária letiva presencial, assim como no cumprimento da promessa do primeiro ministro em equipar cada aluno com meios informáticos. Não me vou debruçar sobre os resultados que poderão advir deste modelo de ensino porque são uma incógnita, tal como o futuro, podem surtir efeitos ou não, mas sempre serão melhores do que aquilo que estamos a viver presentemente.

No 1.º ciclo esta operacionalização poderá passar por desdobrar as turmas e criar um turno da manhã e outro da parte da  tarde. Uma turma de 24 alunos será desdobrada em duas de 12, permitindo assim o distanciamento social exigido. A permanência dos alunos na escola também pode ser reduzida. Em vez das 5 horas letivas presenciais, poderão ter apenas 2,5 horas presenciais onde os conteúdos são lecionados (não havendo intervalos), deixando as outras 2,5 horas para a prática e resolução de exercícios em casa sobre supervisão assíncrona dos professores

Nos 2.º, 3.º ciclo e secundário o esquema seria semelhante. Com as regras em vigor para o 11.º e 12.º ano, as aulas presenciais veriam a sua duração reduzida para 25/30 minutos e o tempo restante seria em trabalho autónomo. Neste tempo seriam ministrados os conteúdos. Nas suas residências, com horários pré-estabelecidos, desenvolveriam em contactos assíncronos com os docentes de cada disciplina a prática, resolução de exercícios e esclarecimento de dúvidas. Dar-se-ia primazia à pesquisa e ao trabalho autónomo.

Julgo que assim, seria possível manter as regras de distanciamento social, minimizar contactos e evitar, dentro do possivel, reduzir o aparecimento de surtos dentro dos estabelecimentos escolares.

Podendo esta ser uma de muitas soluções que possam a vir ser encontradas, não é o ideal para o processo de ensino/aprendizagem, mas devido às contingências que a sociedade vive pode ser adotada enquanto o retorno à “normalidade” tarda.

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16 comentários

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    • Alexandra S on 20 de Maio de 2020 at 17:38
    • Responder

    Lá vem este.
    Sim, e a carga fiscal também sobe (tipo taxa de IRS de 50% para todos) para pagar ao dobro dos professores.

    • Maria on 20 de Maio de 2020 at 18:40
    • Responder

    Acho esta situação muito viável.
    Neste caso não implicaria nenhum aumento do número de professores, pois metade da carga letiva seria para trabalho autónomo em casa.
    Veremos o que acontece.

    • Torrão on 20 de Maio de 2020 at 19:55
    • Responder

    Mas 25/30 minutos ? Lol, mais vale as escolas ficarem fechadas. Se já 45 não dão para nada, 25/30 minutos é algo disparatado, desculpe. E o estudo autónomo é uma expressão linda. Mas convenhamos, eu estou numa escola excelente e as turmas que tenho do secundário precisam de orientação constante para o fazerem. E quanto aos do terceiro ciclo, não se comenta. Só falta dizer que os alunos aprendam por si e pronto. LOL! Quem está no terreno, sabe essa é uma imagem idílica, mas utópica. Já estive em escolas boas e más, em termos de aproveitamento e domínio das várias capacidades, esses então JAMAIS conseguiriam desenvolver qualquer coisa que fosse. Se já com a preocupação dos docentes é o que é, sem eles, muitos perdiam-se neste processo de ensino e aprendizagem. Este artigo, valoriza o estudo autónomo como se fosse algo amadurecido nas nossas escolas e tomado como certo, os professores que estão no terreno sabem que os hábitos que com ele se prendem são praticamente nulos ou inexistentes. Eu já disse, estou numa escola muito boa, e mesmo assim, esse estudo autónomo, com anos de insistência e de orientação, pura e simplesmente não existe. As minhas turmas do 11º ano não sabem o que isso é, apesar de repetições, demonstrações e por aí fora. É certo que não são alunos de topo, mas convenhamos, esses são uma minoria. Tenho sim, alunos muito bons do 9º ano, mas precisam e muito de mim para os orientar. É árduo para eles e esgotante para mim. Mas é assim mesmo. Sim haverá um cuidado para não ter haver um aumento do o número de docentes, até porque muitos rejeitam horários, deixaram o ensino, e estão nas listas por estar… Nos últimos anos as direções já aceitavam professores com habilitações próprias, porque havia nomes nas listas sim, mas na prática não estavam. Mais, há grupos de contratados, como Geografia, quase extintos. Não apostem num desinvestimento da educação a este ponto, até porque o que está descrito neste artigo é mais do que um desinvestimento, é acabar com o ensino.

    • Sorceress on 20 de Maio de 2020 at 20:03
    • Responder

    Até ao sétimo ano deve ficar tudo presencial com turmas pequenas.

    É mais barato contratar mais alguns professores do que pagar aos pais para ficarem em casa
    (coloquei 7.º ano, porque muitos alunos no sétimo ainda têm 12 anos).

    • Luluzinha on 20 de Maio de 2020 at 20:15
    • Responder

    Ainda não terminou este ano lectivo e já começam as especulações relativamente ao próximo. Tudo isto é uma forma de suscitar ansiedade, inquietação e sobressalto de utilidade despicienda. Até porque o que aqui for especulado, muito provavelmente, não terá qualquer relevância na estrutura organizacional do ano lectivo. Deixem as pessoas descansar e não antecipem cenários possíveis desnecessários.

      • Libertário on 20 de Maio de 2020 at 20:34
      • Responder

      Tu deves ser como a Graça. Em janeiro, não chegava cá. Em fevereiro, era para ter calma. E em março caiu-nos o vírus no colo.
      Se andas ansioso podes tomar um “Victan”, dizem que ajuda. Se queres ter opinião, não vai ser no dia 1 de setembro que a vais expressar, porque já vai ser tarde.
      Tu és daqueles que faz parte da solução dos outros, mas passa a vida a criticar por não saberes expressar no tempo devido as tuas soluções. Se as expressasses, tinhas toda a legitimidade para depois criticar as dos outros. sendo assim, espera por 31 de agosto para conhecer as soluções de quem as expressou.
      Pensa nisto.
      Em relação ao texto, necessita de ser mais especifico em cada um dos ciclos de ensino, mas de uma forma geral pode ser exequível com um ou outro ajuste.

        • Luluzinha on 20 de Maio de 2020 at 21:17
        • Responder

        Em cada palavra, em cada linha dessa “argumentação” há algo em comum: mente pequenina!

          • Ana Justo on 20 de Maio de 2020 at 22:01

          Sim, a tua é uma grande mente, não haja dúvida.,..ainda chegas a ministra…

    • Rui Pedro on 20 de Maio de 2020 at 20:30
    • Responder

    Não esquecer os docentes do grupo 120, cujas aulas são de 60 minutos. Serão encurtadas para 30? Resultadão!!!
    Compreendo que temos que avaliar situações e analisar cenários hipotéticos. Mas acredito que vai ser uma palhaçada.


  1. Todos sabemos que mais de metade do tempo que os alunos estão na escola é para entreter. Se houver 5 % dos alunos que aproveitam a totalidade do tempo das aulas é muito! É um exagero o tempo que as crianças são obrigadas a estar sentadas numa sala de aula. Com aulas muitas vezes o dia todo.
    É certo que as crianças não podem ficar sozinhas em casa e que os pais têm que trabalhar. Então para aquelas que não tenham nenhum suporte familiar poderão encontrar-se espaços, fora da escola com Monitores . Não é necessário serem professores.
    Problema resolvido!


  2. Então se precisa de monitores para ensinar, qualquer ignorante pode ensinar. Acabem com os cursos superiores .


  3. Bom dia.
    Creio que faz todo o sentido equacionar o próximo ano letivo. Estamos a um mês do final deste, mesmo com a batotice e se escolas há em que nada se fez/faz com qualidade, a verdade é que em muitas, melhor ou pior, com elearning ou ensino mediado de emergência (que foi o caso da maioria) os alunos lá tiveram aulas.
    A verdade é que há muita formação para ser feita, não há muito tempo para a fazer, os professores tiveram um cheirinho do que é o ensino mediado e perceberam que é complexo, estão sempre ou quase sempre on e o ritmo subiu imenso. Contudo, o próximo ano letivo terá de se diferente. Tal como tantas vezes se indica(va) aos alunos, os docentes terão de aprender e de estar off, têm esse direito!
    Claramente a solução passará por B-learning, não há novidade aí. Não valerá a pena andarmos com lutas se é bom, é mau se “gosto” se não gosto se me identifico ou não! Tal como um novo carro teremos de nos adaptar às diferenças percebendo as metodologias de base, os princípios e não transpor para o não presencial a mesma forma de trabalhar do presencial (isso é ensino mediado)!
    Claramente as turmas serão menores, e mais do que isso, possivelmente até o ideal seria não irem todos os alunos todos os dias à escola. Duração das aulas, uma incógnita, contudo lhes garanto, enquanto professor que está a dar aulas presenciais no secundário, com máscara, tudo o que seja para lá de 60 minutos seguidos (na minha escola chega-se ao anormal número de 180 minutos de aula) é bárbaro e muito cansativo. Obviamente que nenhum professor dá 180 minutos a falar, obviamente que os períodos são curtos, porém, a mascarada essa tem de estar sempre colocada e acreditem que ao fim de uma hora de aula é penoso e queria mais era retirar e respirar sem ela nem que fosse dois minutos. Estas de máscara posta calado é uma coisa, mas estar de máscara a falar é outra completamente diferente. Na realidade, as metodologias em sala mudaram, os alunos agora enviam dúvidas por equipamentos móveis… e porquê??? porque, até ver, o papel será veículo transmissor e seguramente não faz sentido estar colado ao aluno a explicar algo!
    Assim…
    Aulas de 45 minutos será possivelmente o ideal!
    Pausas reduzidas e intervalos desfasados terão de ser equacionados!
    Trabalho autónomo terá de ocorrer, ou… mediado com o professor!

    • Teresa on 21 de Maio de 2020 at 10:24
    • Responder

    E os pais??? Não têm que trabalhar? Fora do horário presencial, as crianças ou ficam a cargo dos pais ou estes têm que arranjar alternativas como atl’s e afins, igualando o risco de contágio. Não me parece uma medida muito viável…


  4. Solução nada viável…. ainda para mais para os contratados e já não falo nos Profs de AECs isto é morte certa!!!

    • Miguel Guimarães on 21 de Maio de 2020 at 16:29
    • Responder

    Aprendam a fazer as contas e a interpretar textos e, já agora, a saber o que é o trabalho de um Professor:

    Antes de mais, o trabalho em casa demora muito mais a ser feito: preparar as aulas e colocar tudo nas devidas ferramentas/aplicações demora muito mais tempo do que escrever no quadro o que se quer; corrigir um único trabalho de casa de uma turma demora, seguramente, uma tarde (entre abrir ficheiros, imagens desfocadas, etc, e que depois é extremamente complicado de corrigir – não é uma folha de papel onde se possa escrever – e depois reenviar para o aluno); depois, basta o aluno dizer que não percebeu a pergunta, o que faz o Professor? Dá uma explicação individual a cada um dos alunos durante 1h para ele perceber e fazer o exercício? Não chegava uma semana inteira para isso… Metade da carga letiva em casa implica muito mais horas a trabalhar em casa para o Professor (que isso não interessa, porque “esses malandros têm é que trabalhar”), e para o Aluno é bem mais difícil uma vez que não tem ninguém que lhe explique no momento, o que, inevitavelmente, trará mais desinteresse por parte do Aluno.

    E que dizer de aulas de 25 minutos? Ou, em alternativa, 2 aulas de 50 minutos por semana (por exemplo)? O que se consegue ensinar, explicar e aplicar nesse espaço de tempo? Se com 4 aulas de 50 minutos (no mesmo exemplo), muitos alunos ficam sem perceber…

    Quanto a não ser preciso mais Professores, não sei mesmo como lêm isso… Se uma turma é dividida ao meio, para terem alternadamente aulas presenciais, significa que o mesmo Professor vai dar o equivalente ao horário normal presencial, e ainda vai ter o trabalho assíncrono (que, tal como expliquei, é muito mais moroso de executar) desses mesmos alunos. Ou seja, se o horário já seria preenchido apenas com as aulas presenciais, quando teria tempo para o trabalho assíncrono? Mas eu percebo que o maior interesse em quem comenta neste sentido é o de dar ainda mais trabalho aos Professores, unicamente por serem ressabiados ou com orientações políticas bem definidas.

    Qualquer um que venha dizer que isto é mentira, fica desde já convidado por mim a experimentar dar aulas apenas durante 1 semana (duvido que aguentem, mesmo no regime unicamente presencial).

    É só entrar em contacto…

    P.S. Já agora, aposto que os que andam a dizer que não se pode chamar “Tiago” a alguém que tenha esse nome (e que curiosamente, nunca se viu tanto na televisão como agora…), nunca disseram “o Costa” ou “o Marcelo”… Até porque se tenho que lhe chamar “Sr. Ministro”, também me podem chamar de “Sr. Professor” ou “Sr. Especialista”…

    • Antonio Mendes on 23 de Maio de 2020 at 16:42
    • Responder

    Estão a equacionar muitos cenarios, mas há algo muito importante que está esquecido, OS TRANSPORTES ESCOLARES, serão necessários mais meios materiais e humanos. Aquando da constituição de turmas tal deveria ser equacionado. Tem de existir uma boa articulação, pois pode tornar-se impossível assegurar tantos transportes Ainda existem muitos alunos a viverem em locais de dificil acesso e…

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