Carta aos alunos! por Eduardo Sá

 

Carta aos alunos!

Todos nós temos elogiado os teus pais, pela forma inacreditável e incansável como se desdobraram em actividades durante o confinamento a que fomos obrigados. E os teus professores porque, recorrendo a tudo o que tinham à mão, continuaram a chegar até ti, não desistindo do seu compromisso para contigo. Mas talvez nos tenhamos “esquecido” um bocadinho de ti e dos teus amigos e colegas. E vocês são incríveis!

Incríveis na forma como ajudaram a vossa família. E no modo como ficaram aquém de todos os “alarmes” que nós “acendemos”, supondo que vocês, fechados, ficariam “eléctricos”. E “impossíveis”!
Incríveis, porque reagiram duma forma estrondosamente madura quando, de um dia para o outro, ficaram sem professores.
Incríveis na forma como aceitaram os formatos mais distintos de ajuda que eles colocaram à vossa disposição.
Incríveis quando aceitaram a “telescola” e as aulas à distância, a concorrerem umas com as outras. Com as duas a pedirem-vos trabalho. E teletrabalho.
Incríveis porque, mesmo não tendo os vossos pais querido para vós o ensino à distância, vocês e eles o assumiram como vosso. E não abandonaram a escola. E  vão às aulas.
Incríveis porque teriam todos os motivos para protestar, em nome da desigualdade de oportunidades que se aprofundaram entre vós. E contra os formatos de ensino e de avaliação que vêm a ser experimentados convosco. E, ao contrário, vocês (não concordando com muitas coisas) tentaram corresponder-lhes.
Incríveis porque aceitaram as condições que as escolas conseguiram para o vosso regresso. Mesmo que tenham dificuldades tremendas para vos dar todos os professores e as condições indispensáveis a que vocês têm direito. E que vos queiram sem recreios!
Incríveis porque vocês sabem que “Explicar a um filho que tem de usar máscara e lavar as mãos é simples. Mas dizer-lhe que não pode ser criança é que nos está a assustar”*. E vocês, todavia, compreendem-nos e não desistem!
E incríveis porque a vossa atitude nos recorda, todos os dias, que quem nunca abandonou a escola não pode, nunca, ser abandonado por ela!
Vocês são incríveis! E é um orgulho que sejam assim.

In  EDUARDOSÁ

 

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3 comentários

    • Mais lamechas, confirmam? on 7 de Maio de 2020 at 14:22
    • Responder

    Não li, mas a avaliar pelo título deve ser mais uma lamechice.
    Engano-me?

    • FIlipe on 7 de Maio de 2020 at 16:18
    • Responder

    Este tipo sofre de uma fanatismo doentio , onde estavam as crianças na Europa na altura da WWII , nas escolas a apanhar com bombardeamentos ? E , no entanto estão cá os descendentes … O fanatismo demente que se assiste hoje em Portugal , alegadamente para sobrepor uma economia que descende desde 1986 de subsídios a fundo perdido e que para um mês e afoga-se , em detrimento da vida humana … melhor , só em Patarei pelo regime Comunista .

    • Rui Filipe on 7 de Maio de 2020 at 17:29
    • Responder

    Alguma vez, a Escola abandonou os alunos?
    Nem só de palavras angélicas, vive o Homem. Ou é uma na pata e outra na ferradura? Não colhe, lamento.

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