Argumentos que suportam o cancelamento das atividades letivas presenciais
Argumentos de saúde pública
Embora o ME tenha um plano de contingência para a abertura das escolas, que implica, entre outras, a adoção de medidas como o uso de máscara, a colocação de dispensadores de gel, a redução do número de alunos por sala, a distância mínima de 1,5 m (o que está aquém da distância dita de segurança), entre outras medidas, a verdade é que o risco de contágio ainda é elevado. O fator ‘R’, que permite avaliar o grau de contágio da epidemia, é em algumas regiões do país elevado, por exemplo, em Lisboa, de acordo com os últimos cálculos efetuados pelo Instituto Dr. Ricardo Jorge.
Pode admitir-se que as escolas tomem todas as medidas para reduzir o risco de contágio, mas este persiste durante todo o trajeto do aluno até à escola, sobretudo nos transportes públicos. É preciso ter em conta que muitos alunos é o meio de transporte que utilizam para se deslocar para a escola (autocarros, metro, barco, etc.). Um aluno contagiado obrigará a quarentena por parte dos colegas, dos professores da turma, eventualmente da família e, em última instância, de todos aqueles com quem estabeleceu contacto próximo.
Esta situação vai criar a interrupção na assistência às aulas por parte de muitos alunos, enquanto outros irão prosseguir, criando-se uma situação de profunda desigualdade.
Argumentos de natureza económica
A implementação do plano de contingência para reduzir o risco de infeção é caro. A aquisição de máscaras, gel, desinfeção das escolas, entre outras medidas, tem um custo económico muito elevado. Tem ainda custos para o pessoal auxiliar, provocando-lhes um enorme desgaste físico e emocional. Estes recursos podiam ficar reservados para o caso da ocorrência de novo surto, previsível para o próximo ano letivo.
Argumentos de natureza pedagógica
Num estudo quantitativo com a participação de 114 professores de Biologia e Geologia, a lecionar no distrito de Braga, realizado por Lopes e Precioso, em 2020, verificou-se que 71% dos docentes considera que o insucesso, no exame e na disciplina de Biologia e Geologia, está relacionado com facto de o programa da disciplina ser demasiado extenso. Ora se o programa é extenso, então, já se devia ter decretado um programa mínimo e os alunos estariam nesta altura a fazer revisões. Por outro lado, no caso dos exames que se realizam no 11.º ano, está lecionado o programa do 10.º e 2/3 do programa do 11.º ano. No caso dos exames que se realizam no 12.º ano, está lecionado o programa do 10.º ano, do 11.º ano e 2/3 do programa do 12.º ano. Não é já matéria suficiente? Não será mais importante consolidar e reforçar as aprendizagens e aproveitar para trabalhar as dificuldades detetadas?
Outro argumento é o de que os professores e os alunos investiram muito do seu tempo a desenvolver o ensino a distância, que estava, tanto quanto se sabe, a correr razoavelmente bem, e agora vão regressar à escola, em condições emocionais muito adversas. Podiam continuar com este regime não presencial, e aprender a utilizá-lo, pois será, por certo, uma necessidade no futuro, mesmo na ausência da pandemia.
Argumentos de natureza psicológica
Num estudo sobre Conhecimentos, Opiniões e Comportamentos dos estudantes portugueses do ensino secundários sobre a pandemia covid-19, realizado por Regina Alves e José Precioso, em maio de 2020, em que se aplicou um questionário anónimo e em formato online a uma amostra de conveniência constituída por 979 estudantes do Ensino Secundário (28,7% – 10.º ano; 39,8% – 11.º ano; 31,5% – 12.º ano), verificou-se que quando confrontados com a questão “Sinto-me inseguro/a se tiver que ir para a escola”, a maioria dos/as alunos/as (58,5%) indicou concordar ou concordar totalmente com a afirmação. No mesmo sentido, 68,2% dos estudantes sinalizou ter receio de contrair o vírus, mas um receio ainda maior que algum familiar ou amigo/a o possa contrair (89,3%), revelando, desta forma, consciência face aos perigos da pandemia (93,1%).
A maioria dos estudantes concorda ou concorda totalmente com o término das aulas presenciais (55,4%) e discorda ou discorda totalmente com o recomeço das aulas práticas presenciais (58,7%).
Por todos estes motivos, sugerimos o seguinte.
- Cancelem-se todas as atividades letivas presenciais do 3.º período.
- Defina-se um programa mínimo a ser avaliado por exame.
- O Ministério da Educação devia aproveitar para repensar muito bem todo o processo de ingresso no ensino superior. Nada disto aconteceria se houvesse confiança no sistema. Países como Espanha e França utilizaram as classificações internas para selecionar os alunos que irão entrar nas universidades.




20 comentários
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Plenamente de acordo!
Argumentos que suportam as atividades letivas presenciais:
– Tem que se verificar o estado de imunidade coletiva;
– Caso os exames corram mal, a responsabilidade será dos alunos;
– Tem que se continuar a enganar os pais dando a ideia que os alunos vão aprender alguma coisa;
– Há que continuar a isentar as Universidades de qualquer responsabilidade no acesso ao ensino superior;
– Dá muito trabalho pensar numa via de acesso diferente;
– É mais fácil passar toda a responsabilidade de tudo o que possa acontecer para as escolas e para os pais:
Exactamente!
Não se iludam.
Será mais depressa demitido o “Mourinho dos OGE ” que a anulação da Atividade LP
Não existe imunidade coletiva , é uma falsa ( 1 ) esperança lançada ao povo pelo Governo Português , para eles se atirarem de cabeça ao vírus . O vírus tem tido mutações desde o início na China e esperam-se 25 por ano ( 2 ) , já vai em 15 . Caso , para o vírus da vulgar gripe ( 50 mutações por ano ) , não seria necessário vacina todos os anos . Apanhava-se e ficava-se imunizado , mentira . Não acreditem no tal R … é outra mentira ao povo para relançar a economia . Pelos dados de hoje o Estado já poupou cerca de 1 milhão de euros em reformas , dará 14 milhões por ano , com os mortos por Covid 19.
1.https://www.who.int/news-room/commentaries/detail/immunity-passports-in-the-context-of-covid-19
2. https://www.livescience.com/coronavirus-mutation-rate.html
Que falta de paciência para esta gente, francamente! Por favor, reduzam-lhes substancialmente os vencimentos e verão como mudam rapidamente de opinião. E em Setembro, continuarão a maçar-nos com esta lengalenga?
A menina é professora de quê? Vai para a escola a partir de dia 18? É mãe? Se não, está a comentar um filme que nunca viu. Abstenha-se.
“Luluzinha” , a receita para si : Dar todos os dias um beijo na boca de um infetado , que tal ? Depois diga aqui quando sair , se sair … da tubagem como foi o Covid – 19 .
Parece que a paciência é que não lhe falta. Está sempre presente e a opinar.
Ainda bem que gosta da sala dos professores ainda que não seja um sentimento recíproco 😎
Paciência já não temos nós para o seu discurso! Será que é mãe e já está “farta” de aturar os seus filhos?
O conselho de médicos que tenho na família e de outros meus amigos (alguns dos quais a trabalhar no estudo deste vírus) é para não mandar as crianças para a escola, pois este é um ato de uma irresponsabilidade tamanha.
Quer ser um “Hitler a mandar inocentes para a morte”, faça-o, eu não!
Cá estasy tu, Luluzinha! Já tardavas! Já agora. não és professora? Se és, devias estar a trabalhar…
Subscrevo por inteiro os argumentos apresentados neste artigo de opinião.
Pronto ,se esta subscreve…
Falta só a volumoso do pássaro para estarmos todos elucidados . 🤣
O stress pós-traumático tem cura, assim haja capacidade para assumir que existe um problema e para procurar a ajuda necessária e adequada…
Leitura recomendada, a quem servir:
“Leis Fundamentais da Estupidez Humana”, segundo Carlo Cipolla.
Na minha modesta opinião, acho que deverias ler mais vezes a dita obra. Não a conheço,mas se dizes que tem algum efeito… em ti, ainda não vislumbra. Vai lendo nos intervalos das aulas e aos fds … 😉
Correcção ao nome da obra anteriormente citada: “As Leis Fundamentais da Estupidez Humana”.
Há pessoas tão preocupadas em querer manifestar o seu menosprezo (gratuito, irracional e não fundamentado) por outras que, nessa sua obstinação, a única coisa que conseguem é atribuir aos seus visados demasiada importância…
E isso leva-nos para as palavras de Carlo Cipolla na sua obra: “As Leis Fundamentais da Estupidez Humana”.
Segundo o autor: “É estúpido aquele que causa danos a outro indivíduo ou a um grupo de indivíduos, ao mesmo tempo que não retira da sua acção nenhum benefício para si mesmo, podendo inclusive incorrer em prejuízos”.
Mais acrescenta: “O indivíduo estúpido é o tipo de indivíduo mais perigoso. Não é possível prever as acções de um estúpido porque ele age sem razão, sem objectivo definido, sem lugar ou hora apropriada. Torna-se impossível prever quando um estúpido dará o próximo passo e, para as pessoas racionais, é muito difícil compreender a lógica de pensamento irracional”.
É isto, não é?
Leitura recomendada.
Concordo plenamente.
Não se sabe se o resultado da petição a favor da realização de testes para todos os professores, alunos, funcionários, se foi discutida se não? Se alguém a levou a sério, enfim. Ninguém leva os professores a sério.
Exmo Sr. Secretário de Estado da Educação
Tenho 64 anos de idade e 42 anos de carreira docente, sendo que , nas últimas duas décadas, lecionei a disciplina de Português no ensino Secundário.
Ao longo da minha carreira, deverei ter faltado não mais que 30 dias por doença.
A minha dedicação ao ensino e principalmente aos meus alunos foi sempre o que me norteou, procurando veicular as aprendizagens essenciais para o seu sucesso. Lecionei muitas aulas extra-letivas para assegurar que o desempenho no exame nacional fosse o melhor.
É por isso que a situação a que estamos agora sujeitos me deixa deveras revoltada e apreensiva. Por razões pouco evidentes, pelo menos na minha perspetiva, os alunos do décimo segundo ano, ainda que não precisem de realizar o exame nacional na disciplina de português, são obrigados a frequentar as aulas presenciais. Numa altura em que os conteúdos programáticos previstos para este ano de escolaridade já foram praticamente todos lecionados; em que a avaliação dos mesmos já foi efetivada pela maioria dos professores, é de questionar o que vão os alunos fazer nestas cinco semanas de aulas que ainda faltam até ao final do mês de junho
Levantam-se, então, as seguintes questões:
O que interessa aos alunos a obrigação da frequência de uma disciplina que não vai ter continuidade no seu plano de estudos, quando deveriam estar concentrados com as específicas para acesso ao ensino superior?
Que tipo de aprendizagens podem ainda ser veiculadas para manter a sua motivação?
Qual o aluno que , perante uma situação de risco de saúde, pode ter vontade de trabalhar, só porque alguém decidiu que tem que assistir às aulas de uma disciplina que não lhe interessa mais?
Em tempos de normalidade, este período, até ao final do ano letivo, seria de grande importância, uma vez que permitia uma consolidação da matéria do 10º e 11º anos de escolaridade, enquanto objeto de avaliação no exame nacional. E agora? Justifica-se essa consolidação? É claro que não, porque ninguém tem que prestar provas.
Então, o que sucede? Alunos e docentes estão frente a frente, em situação clara de risco, a tentar inventar temas para trabalhar, sem qualquer motivação . Em nome de que interesses? Políticos? Fácil para quem não tem que sujeitar-se à vulnerabilidade deste momento, para quem está sentado num gabinete a dar ordens, para quem assumiu que assim tem que ser, porque há que defender o critério das aprendizagens. O problema que se coloca é que, na realidade, neste caso as aprendizagens já não são o critério, porque nenhum aluno. nestas circunstâncias, está interessado nas aprendizagens nesta disciplina
Entretanto, os professores que receberam esta prenda só têm duas soluções-ou apresentam atestado médico, ou, por acharem que não é muito ético , dão o corpo às balas e embarcam numa aventura perigosa.
E se não correr bem, a quem são pedidas responsabilidades?